Heróis do Nosso Tempo

A produção cultural é reagente e produto da conjuntura, em equilíbrio simbiótico com o meio circundante. Uma disrupção neste equilíbrio é sempre artificial, induzida, manietada por agentes terceiros; tem um objectivo, tem um propósito e uma agenda, tão tenebrosa que é nosso dever patriótico gerar-lhe uma resistência.

Foi na fila de espera de um bar alternativo que primeiramente o vi. Cabeleira loira, farta, saltos altos, decote. Mas a forma angular do queixo e a voz de falsete denunciava instantaneamente de quem se tratava, o tipo que nos passou à frente e entrou no espaço sem pagar. Um homem sem piça. Quando o voltei a ver ao balcão do bar, à pergunta “Boa noite. Têm algo que se coma?” respondeu-me com celeridade e no cumprimento das suas funções laborais: “Queres comer? Podes comer aqui o Dioguinho” e deu espaço a um rapaz que me atendeu – “Não, não temos tostas” – com um sorriso demasiado simpático para que eu próprio me sentisse confortável.

5650747107_d25a5cfcc5
Não

Este não era um espaço LGBT. Tampouco a tasca onde jantara e conhecera a prima da funcionária, vítima de uma cirurgia para escambar o sexo. A jovem – demasiado jovem – disse depois da 8ª cerveja tragada em velocidade recorde: “Os meus Pais sabem que eu sou alcoólica”. Depois de servir três águas aos meus amigos, Diogo retirara-se do balcão para consumir cocaína.

As redes sociais – ópio do povo – trouxeram-me a nova produção nacional, integralmente remunerada com o erário público. O governo da geringonça – quem mais – patrocina a promoção pública de degredo, toxicodependência, improficuidade, promiscuidade, homossexualidade, feminismo. Entre os cinco protagonistas há dois travecas, duas fufas e uma puta. Talvez me tenha confundido e estas designações sejam simultâneas, a fufa seja também traveca, o traveca seja também fufa e o elenco do show seja todo puta. O que não há em cinco personagens aleatórios, estatisticamente representativos da camada populacional a retratar? Um único heterossexual.

Image result for "#casadocais"

Talvez o descritivo da série explique melhor. Diz “Ema vem para Lisboa e partilha casa com 4 amigos excêntricos. O seu dia-a-dia, e as noites, são marcadas por histórias divertidas, sem tabus, sobre ser jovem no novo milénio (o sexo, as drogas, a procura de emprego, a autodescoberta e o amadurecimento); Esta série é para quem acorda às 3 da tarde numa quarta-feira e designa o pacote de batatas fritas aberto, na mesa de cabeceira, como pequeno almoço. Para quem já comeu metade de Lisboa e quer expandir a sua “mercadoria” internacionalmente. Para quem está às 7h15 na cave do Lux, a gastar os sapatos, ao lado do João Botelho, enquanto se pergunta a que horas o supermercado abre, porque entra às 8h30 e precisa de comprar 2 latas de red bull. Para quem diz que hoje se vai deitar cedo para ir ao ginásio de manhã e está a ver a quarta temporada de Game of Thrones às 4 da manhã. Enfim, é uma série para quem é jovem, parvo e feliz na sua incoerência.

Os criadores de #CasaDoCais – assim mesmo, com hashtag – não são só um bando de paneleirões. São mentirosos. As múltiplas descrições da série repetem à exaustão o chavão “sem tabus” mas não exibe um único homem, não protagoniza um único Heterossexual, não exibe um único sénior ou, pior, alguém cuja idade extravase os vinte e cinco. Demonstra repúdio por vidas organizadas, famílias estruturadas e, nas palavras de um dos actores “pequeno-almoços gigantescos (…) a Matilde e o Tomé como personagens principais”. Despreza o pudor, desconsidera o resguardo e discrimina a isenção de estupefacientes. A televisão pública transformou-se no colega de liceu que nos chama “caretas” quando nos recusamos a fumar uma chinesa de heroína.

RTP.png

Mentira ainda é a desta Fressureira quando declara “Não é a sexualidade que te define”. Se não quisesses ser definida pela tua sexualidade, não te “assumas” como sapatona. Não aparecias no jornal dos rotos. Não tinhas seguidores. Não tinhas público. Não tinhas série remunerada com os meus impostos.

Gay

Esta semana, o Arquitecto José António Saraiva foi novamente atacado pelos CIGanos e terá, uma vez mais, de ir a tribunal por essa razão. O assunto foi o mesmo e o mesmo que tratamos aqui. Mas tal como há uns meses, a perspectiva do jornalista não é de ataque mas de defesa: ele vê os homens a quem cortaram a piça como mártires duma cruzada diabólica e dispôs-se, pessoalmente, a defender os seus direitos – a história pessoal de David Reimer inspira a tal defesa. Tal como nos momentos das suas atuações anteriores, o colectivo CIGano não integra homens sem piça, ofendidos pelas palavras de Saraiva; É sim composto por mulheres heterossexuais que ambicionam ver os homens indesejáveis na secção de corte dum fumeiro em Lamego. Atacam Saraiva, como antes atacaram César das Neves, porque ele se dirige aos transgénicos com a verdade, não por ódio ou preconceito, mas por Amor. Por essa razão, estou solidário com o Arquitecto em cujas palavras me revejo na totalidade.

Vale a pena denotar que estes “jovens” já não o são: têm, no enredo, vintes e, com idades para terem licenciaturas e mestrados terminados, prestes a enveredar no mercado de trabalho ou numa carreira académica. As tropelias em que se envolvem são próprias dos adolescentes, uma versão toxicorrabolha de Morangos com Açúcar. Mas fora da adolescência, sem liceu ou uma ocupação fixa, deambulam pelo degradado Cais do Sodré – ancestralmente um local de prostituição e má rês – devotados à auto-degradação, ao vicio. Os personagens não se distinguirão dos farsantes, todos os cinco degradados, viciados. Com perfis aberrantes e nomes artísticos, apresentam-se perante a web como “youtubers”, “instagramers”, “artistas”, “freelancers”. Cortam a piça porque já não lhes chega serem homossexuais para se vitimizarem ou glamorizarem o seu capital sexual como o faziam os panilas nos anos 80 antes de a SIDA dizimar uma geração de homens “sexualmente liberados”. Enquanto que José Saraiva e eu próprio vemos neles as vítimas duma guerra perdida, perante a sociedade decadente e sobressexualizada, os protagonistas de #CasaDoCais são os heróis do nosso tempo.

image
Heróis do Nosso Tempo

Abri a página de Facebook esperando ver centenas de milhar de likes, publicidade e fanáticos pela expressão cultural que a Rádio Televisão Portuguesa nos oferece. Pelo contrário, a totalidade dos seguidores não chega a um milhar e a maioria dos comentários são francamente depreciativos. Perante a geração Z prevista como a mais conservadora de sempre, tenho expectativas de que o nosso querido blog alcance um público mais abrangente do que o da série televisiva.


Nota post-scriptum: Dos cinco protagonistas há pelo menos uma puta rapariga que não é gay. Valerá a pena acompanhar a série para caracterizar os múltiplos parceiros com quem se envolverá ao longo das temporadas, os actores escolhidos e os sues perfis. Aí saberemos qual o tipo de homens o colectivo feminista aprova e qual o tipo de homens que os filhas da puta suprimem.

Pára tudo, está um traveca a falar!

Aparentemente o grande assunto de hoje no Web Summit (conferência de tecnologia, comunicações, empreendedorismo etc, pelo que O Patriarca pôde entender) é que um tal Bruce Jenner que há uns anos ganhou umas medalhas olímpicas, se vestiu de mulher para se ir queixar do estado actual dos Jogos Olímpicos.

Jenner websummit

A grande questão é, será que só lhe pagaram 10% da comissão?

Os loucos mandam no manicómio (e o Público aplaude)

Que o jornal “Público” é um lamentável pasquim de esquerda, já O Patriarca sabe há algum tempo. O que ainda não se tinha apercebido é que já tinham dado o salto para marxismo descarado.

Não é de estranhar que um dos muitos jornais anti-Trump nos EUA faça uma “notícia” destas. Propaganda democrata num jornal português é que já é ir longe demais.

Depois de um ano de dúvidas, recriminações e falhas nas eleições especiais para o Congresso, os democratas finalmente obtiveram grandes vitórias nas eleições estaduais que desejavam tão ansiosamente, numa altura em que se completa um ano desde que Donald Trump ganhou a presidência.

A Virginia é o exemplo claro da recuperação azul (a cor do Partido Democrata)

A Virgínia votou sempre democrata desde 2008, quando os imigrantes panchitos finalmente ajudaram os afro-americanos a dar a volta à balança populacional. Portanto isto é mais ou menos o mesmo que dizer que a CDU ganhar Santiago do Cacém demonstra o ressurgimento do comunismo em Portugal.

Mais à frente tudo se torna claro – o autor não nomeado do artigo exulta com a nomeação de um doente mental para o Congresso Estadual.

A Virginia é o paradigma das vitórias democratas, também pelo facto de ali ter sido eleito, pela primeira vez, um deputado transgénero (para o Congresso estadual). Mas sobretudo pelo facto de o candidato republicano ter encarnado todas as bandeiras e tácticas de Donald Trump e mesmo assim ter falhado.

danica-roem-zoom
O Patriarca pede desculpa pelos danos mentais que esta imagem possa causar aos leitores

É verdade, estes “exemplos da recuperação democrata” que querem mandar abaixo estátuas de figuras históricas significativas como bons comunistas, pegam num gajo de cabelos compridos (O Patriarca não se deu ao trabalho de investigar se a criatura cortou a picha ou não, e francamente está-se nas tintas), chamam-lhe mulher e exultam com a eleição para um cargo público relativamente importante de um indivíduo com elevada probabilidade de padecer de doenças psiquiátricas mais graves ou de se matar.

Cá pelo burgo, com a triste mania que temos de importar as insanidades amaricanas, a juntar à conjectura governativa favorável fornecida pela agremiação marxista “As Sapatonas” (Bloco de Esquerda), é só uma questão de tempo até a moda pegar.

Dantes os loucos iam para o Júlio de Matos para serem tratados. Agora vão para a política espalhar a doença.

respeito autarca
Brevemente numa Câmara perto de si?

Isto Choca-(me)

download

Os meios de comunicação, os políticos trendy e as forças globalistas orquestraram uma campanha para sexualizar o debate público. Prejudicou-nos em todas as más decisões que nos impôs; prejudicou-nos em todas as boas decisões que nos recusou.

Um estudo norte-americano declara que, apesar de 11 % já ter passado por uma experiência física, psicológica ou emocional gay, apenas 3.8 % (menos 7.2) da população Americana se assume LGBT (e demais letras do alfabeto). Conscientes de que a extrapolação desta percentagem implica assumir que a homossexualidade decorre de factores endógenos ou não exclusivamente culturais – tese que n’A Távola Redonda rejeitamos liminarmente – Vamos assumir para efeitos contextuais que 3.8 % dos Portugueses são também homossexuais, bissexuais, transgénicos e esquisitices afim. Vamos também olvidar que a extensão destas originalidades a uma população indiscriminada implica atribuía-la às crianças, integrantes da população. Claro que ninguém quer associar a homossexualidade à pedófilia nem achamos que seja a mesma coisa; mas se o vosso homossexual diz que nasceu homossexual, cresceu homossexual e já era homossexual antes da idade de consentimento…

3.8 % de panascas, são 393 mil portugueses rabetas. Significa que os maricas representam menos de um quarto do que os Estudantes Portugueses. Significa  que os bichonas representam menos de um nono dos pensionistas Portugueses.  Em cada 14 pagadores de impostos, apenas um é boiola.

Dizem os liberais que existem demasiados funcionários públicos em Portugal. São duas vezes mais do que os mariconços.  Assim como os trabalhadores industriais, suplantados pelos trabalhadores comerciais. Há tantos empregados na construção como larilas mas, infelizmente, ligeiramente são mais os veados do que os agricultores- como poderia não o ser depois dos sucessivos governos terem destruído o sector?

Há quase cinco vezes mais cidadãos Portugueses a viver abaixo da linha da pobreza do que a atracar de popa. Quase três vezes mais cidadãos Portugueses incapazes de encontrar um emprego do que a embrulhar o palhacinho. Quase sete vezes mais Portugueses emigraram do que aqueles que mordem a almofada.

E se a Cristina quisesse realmente enfrentar um preconceito, em vez de ilustrar a paneleiragem na capa, exporia os 36 % de concidadãos que vivem no Portugal rural. Dez vezes mais do que os rabilós.

Esta capa choca a Cristina

Como chegámos a este ponto?

A comunidade LGBT dos dias contemporâneos tem direitos inéditos: Podem coadoptar, envolver-se numa mega estrutura colectiva de dimensão global, integrar associações e organismos com meios financeiros significativos, usufruir de tecnologia funcional para exercer a sua homossexualidade (Comparem lá o Grinder ao Tinder) e, claro, tem a representação política dum Lobby que, suplantando os 64 mortos de Pedrógão, consegue mandar Chefes do Estado Maior para a rua. Nos antípodas estão os heterossexuais que perdem os filhos nos tribunais, são incapazes de se organizar em torno da sua sexualidade, que se vêm enclausurados por um globalismo desinteressado das premissas da respectiva identidade colectiva, vítimas das ineficiências do mercado sexual e com cada vez menos força nas estruturas de representação. O estilo de vida debochado dos gay é endeusado na comunicação social mas quando optam antinomicamente por mimetizar a estabilidade hetero, o seu matrimónio é louvado como uma realização política, progressista e libertária; Paralelamente o livre conduto da heterossexualidade é vilanizado – Os homens sexuais são imaturos e as mulheres sexuais são galdérias – mas a sua opção casamenteira apresentada como bacoca e bafienta, despromovida pela instantaneidade do divórcio. A sociedade censura e repudia os tipos que confundem panascas e pedrastas mas quando uma mulher inicia um texto por equiparar heterossexuais a violadores, ninguém lhe dá resposta. Nunca ninguém defende os homens heterossexuais. Nem aqueles que foram violados.

x8rxdnx
Quando desabafo o meu Verão dos quinze anos, há sempre alguém que comenta assim

Mas acima de tudo, a comunidade gay usufrui de um capital de atenção absolutamente inacessível a qualquer outro grupo minoritário, sub-representativo, excessivamente heterogéneo para deter relevância sociológica.

Economia de atenção

Quando me dedico a escrever um texto, ignoro a televisão. Quando me foco na televisão, não atento na janela. E se fixar nas movimentações na madrugada da minha rua, não posso escrever simultaneamente. A atenção é um bem-escasso. O movimento de atenção é pois passível de estudo económico, obedecendo às leis que governam o dinheiro ou os meios de produção.

À medida que a produção material expande os limites do seu alcance acima das necessidades de consumo, a atenção sobrepõe-se ao dinheiro enquanto moeda de troca. Instrumentos como o facebook permitem já a compra de atenção, remunerando a rede social pelo número de utilizadores aleatórios que atentam um post. Como numa transacção financeira, numa compra, o movimento individual do bem entre dois agentes económicos parece simples e displicente, mas para compreender a tendência de milhões de indivíduos em torno do mesmo bem, devemos empregar alguma atenção. E quando a tendência desses indivíduos ilustra o deslocamento de atenção? Mas enquanto o dinheiro se produz e os bens de consumo parecem não cessar, a nossa capacidade de foco, de concentração, vítimas dos milhões de chamarizes em nosso torno, está a diminuir. Colectivamente, estamos menos capazes de prestar atenção

Causas Fracturantes 

Os anos 90 viram o decrescer da participação política das massas. Talvez a explosão do capitalismo global tenha diminuído o ímpeto activista, satisfeitos que estavam os eleitores com a recém-adquirida capacidade aquisitiva. Mas esse capitalismo vem ladeado de Marketing, um instrumento desenhado para dispersar o consumidor. Os telefones moveis, a internet, a internet nos telefones móveis, alienou gradualmente esse eleitor, mentalmente perdido entre o Tinder e o instagram. Como encontrar tempo para analisar um projecto-lei se mal o encontra para conviver com pessoas de verdade?

Podem estes tipos fazer política?

A política – gestão colectiva da polis (cidade ou comunidade) – consome demasiada atenção para o cidadão médio. Passou assim a subsistir de casos, soundbytes e causas fracturantes pois todas as três, por alternativa à verdadeira política, requerem uma quantidade infinitésima de atenção.

Defendo/Oponho-me participativamente à legalização do aborto, da eutanásia ou da marijuana. Isso é um problema?

Provavelmente é. Independentemente da resposta.

Durante as últimas duas décadas estes temas foram sucessivamente impostos à agenda como politicamente relevantes, aliás, fulcrais, aliás, definidores da orientação dos eleitorados e centrais à tomada de decisões. Mas na verdade, a larguíssima maioria da sociedade, passa incólume às alterações políticas mencionadas, independentemente da direcção em que rumem. Estas disputas ficcionadas, encomendadas, pré-fabricadas, são irrelevantes para maioria dos cidadãos. São debates de consumo instantâneo, decisão bipartida, resposta superficial e imediata; carecem aprofundamento, pesquisa, cálculo orçamental, ponderação material; São de colagem fácil e nalguns permite-nos falar de sexo, coisa que somos ensinados a fazer a todo o tempo. Permitiram a agremiação em torno dos grandes blocos que representam os inúmeros “sins” e “nãos” bipartindo os votantes em posicionamentos unilaterais, espelhando uma coordenação dos protagonistas que é incompatível com a produção efectiva de material político. Participar nestas causas não correspondem à feitura política. São irrelevantes para a polis.

Bairro da Fonte da Pipa - Fetais
De que serve a adopção gay aos habitantes da Fonte da Pipa

Nestas décadas têm extrapolado e definido a orientação política com base nas respostas dicotómicas, como se o posicionamento individual se encontrasse como o de uma espécie na chave de Lineu. Incontáveis cidadãos, provavelmente jovens, se uniram a organizações e partidos com cujos princípios em nada concordava, movido apenas por uma cruz entre dois quadrados numa quezília respeitante a uma minoria desinteressante. Mas basta atentar em Milo, o activista ultraconservador cuja homossexualidade não o situou em nenhum combate liberal, ou em Jack Donnovan, um dos mais radicais altrighters Americanos declaradamente homossexual, ou numa assembleia geral da Associação Causa Real, com um rácio de roto per capita superior ao de qualquer noite no Trumps, incluindo o pretendente ao trono, Duarte Pio de Bragança, para compreender o alheamento dos próprios homossexuais face às peleias que lhes querem atribuir. Amantes da força, da virilidade, da autoridade, do patriarcado, os homens gay são antropologicamente de Direita – provem-no em políticos como Paulo Portas, Mesquita Nunes, Miguel Frasquilho, Poiares Maduro, Paulo Rangel, Nobre Guedes e (dizem) Marcelo.

Fracturados

A concentração de atenção mediática sobre as causas fracturantes prejudicou tremendamente a sociedade contemporânea, com a bipolarização dos eleitorados e a exclusão no debate público dos temas que interessam a todos. O efeito preverso dessa segmentação foi evidenciar o metâmero derrotado qual, politicamente sub-representado, socialmente sub-mobilizado, perde todas as batalhas “sociais” quer na Assembleia quer na rua. Mas essa derrota não fica por aí.

Por razões culturais, religiosas e tradicionais – é compreensível que uma parte significativa da população desdenhe a opção de ser gay. Entenda-se tradição segundo a definição de Hayek, enquanto a colectânea ancestral de conhecimento empírico agregado por incontáveis gerações antecessoras. Aos descendentes de uma aldeia carente de mão-de-obra, o índividuo que escolhe a infertilidade, que permuta a constituição de família pelo ludismo hedonista, é desconsiderado porque prejudica todos os circundantes, incapaz de outorgar descendência aos progenitores ou garantir apoio na velhice. Estas razões não são hoje rebatidas contra a construção de um Estado-Social, mas apelidadas por fascistas, homofóbicas, ultrapassadas. Entenda-se que a falência do Estado Social deve-se primeiramente ao decréscimo populacional, mas como querem que as populações contribuam para a natalidade Europeia se as empurram para a homossexualidade?

Este troço expressivo de cidadãos desconfortáveis com a minoria gay e o poder que alcançou, é hoje vítima de uma discriminação atroz – são  derrotadas da história e desprezadas como o último refúgio de velhos preconceitos, nomeadamente o racismo e a homofobia ainda que numérica (eleitoralmente) superior aos pretos e aos paneleiros. O pior é a recusa terminante de qualquer tendência política os representar: A Esquerda porque os vilanizou enquanto mesquinhos adversários do progresso e a Direita, imbuída pelo espírito neoliberal, acusa-os de inadaptados à era vigente, acomodados no tempo, pouco empreendedores e inovadores. Mas como podem inovar se o mercado global os recusa, se a alta finança os ignora e se, incapazes de desfrutar do internacionalismo de Shengen à Amazon, se ensimesmam em bolhas psico-geográficas apartadas do mundo?

fila-centro-de-emprego

Preguiçosos para uns, reaccionários para outros. Como me disse o Prof. César das Neves, em Portugal, nenhum Partido defende os pobres.

Enganam-nos

O político habilidoso que era José Sócrates utilizava esta estratégia inúmeras vezes, lançando causas para o espaço mediático enquanto, nas costas, falia o nosso país. Por escassa, a atenção que os dirigentes dirigem à causa gay  é atenção que recusam ao país real, votado ao abandono. Mas nessa desatenção permitimos que inúmeros políticos ganhassem prestígio e protagonismo graças a um não-assunto, minoritário e com uma base de apoio irrisória e contestável. Continuam no parlamento, continuam porta-vozes da insignificância, inventando gradualmente mais insignificâncias, sequestrando a nossa atenção. Ignorando os eleitores.

No dia que se seguiu a Pedrógão, fez-se aprovar a imposição de quotas de género nas empresas públicas. No dia que se seguiu ao roubo de Tancos, o maricão Miguel Vale de Almeida iniciou uma campanha para instituir quotas de identidade sexual nos órgãos de poder. Não sabe o tolo que se houvesse uma repercussão parlamentar da população nacional, os gay teriam menos deputados do que detém hoje, nem que tornaria obrigatórias – para cada candidato parlamentar – declarações, não de rendimentos, mas de opção sexual. Já todos sabemos que o senhor Professor é orgulhosamente picolho. Mas não queremos saber – ninguém quer.

Mais de nove milhões e novecentos mil Portugueses estão apartados dos noticiários, dos colectivos, dos clubes, das associações, dos festivais, das aplicações, das cátedras sociológicas e antropológicas, dos bancos do parlamento e de uma identidade sexual reconhecida como válida, funcional, salutar e benéfica para a sociedade. Estão também distantes das capas da Cristina. Estão condenados à desatenção. Mas longe das das câmaras burguesas, das câmaras televisivas, perceberam o ludibrio a que foram sujeitos e querem opor-se-lhe. Desejam ser ouvidos. Não nos ignorarão para sempre