Caricatura do multiculturalismo

“Dir-me-ão que as minorias étnicas também ofendem o politicamente correcto (basta pensar na misoginia e homofobia do hip hop). Só que esses grupos desempenham um papel importante como ‘vítimas’ no teatro progressista da ‘culpa pós-colonial’ ” Rui Ramos, Porque é que os pobres votam em Trump

O choque, o pânico, o horror com a vitória eleitoral democrática de um tipo com túbaros e sem preconceitos contra o uso de armamento.

As armas são um instrumento de opressão branca sobre o mui pacífico e tolerante multiculturalismo.

Tal inédita apologia do presidente eleito Brasileiro à cultura da violência e das armas é um nojo, não é? não é? não é? não é?

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Este nigga apoia o Bolsonaro
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Mandatária da cultura do Bolsonaro

Numa peça que li sobre a canção, os críticos declaram que “a cantora não te deixará indiferente neste verão”. Que produz uma mistura única que junta “O rap, o soul e o r’n’b” e repara que “no meio do rap, existem poucas ou nenhumas mulheres”.

Mas depois deixa a deixa feminista para a artista que rappa ao lado do traficante de droga assediador com aspirações terroristas e autor de Polygame (“Ela só quer sexo e a soma/se o Amor está morto, não tenho culpa/ela gosta de coleccionar homens”), GB (“Ela é a maior/Grandes tetas/grande peida”), Touchez le ciel (“Peço desculpa, há demasiadas putas” (…), “Há os que veneram vacas/E outros que veneram putas), Le Poids de mes Erreurs (“As línguas da puta só se juntam para dizer o mal (…) conheci alguns homens mas muitos chupavam piças), Pay Me (“Os judas crescem como flores quando há putas (…) em torno de mim só há homens”), Pas Pousser (“deixa todas as tuas putas abaixarem-se/vou acabar com o seu blabla/beijá-las todas sem viagra/fazer as contas a sério/obrigá-las a fazer a hagra*), Abdos Fessiers (Ela só se preocupa com o seu grande rabo/o que ela quer é esfumar os seus adversários/dobrar a atmosfera/apagar todas as luzes/diga-se que todas as equipas a apoiaram (…) nádegas, nádegas, a madame só opera com o rabo grande/diz a este cavalheiro/que a madame roça grandes pacotes), K-Méha (“Câmara em mim, eu gosto** de crianças e de adolescentes” (…) Não haverão (…) mulheres oprimidas/Elas querem-me ver nas sombras, eu resolvo-o/Elas gostam de me chupar a piça e é tudo um trabalho), Hermano (“Entro na cona do jogo como um tampax*** (…) É história antiga como a das cabras e das putas/Que acreditam nas Valsas de Viena/Mas já não têm hímen”), Zwin et Zen (Cambada de putas, o que foi? (…) Lamentos, putas, todos temos ambições/Todos queremos cuspir munições/Ela tem um compromisso com punições/Mexemos-nos no escuro, não sei onde ir/Em qualquer lugar, a qualquer hora, ela pode engolir/Não quer cuspir mais, quer engolir”), Gonzales (Sentimos mais a falta do que as gajas do Leste/Queremos algumas… grandes peidas), e Échec et M.A.T (“É o PMP**** na tua cona”). Caroliina que se define como rebelde, diz “desejar valorizar as mulheres”, dar “um toque feminino” ao rap, tomar as lides brasileiras e “casá-las com os (ritmos) Franceses”. Quão emancipadora.

Não comento as mentiras da cantora. Sobre a hipocrisia do seu feminismo. Sobre a hipocrisia das suas crenças. Sobre a hipocrisia de haverem 36 raponas que cantam em Francês e pintarem esta pegazuka como uma novidade. Tão nova como a música de Lartiste – um monheca na Europa que gosta de carros caros, com o refrão “Está tudo bem” – ao lado da música de L’Algérino – um monheca na Europa que gosta de carros caros, “Vá Bene“.  Sobre a hipocrisia de Hypocrite “Recolho o que herdei, sou parte da elite”, os carros de luxo no vídeo de Mafiosa e a sua conjugação com o patológico discurso pós-colonialista que nos imputa compulsivamente empatia pelos invasores como se se tratassem de um novo operariado Europeu. A hipocrisia de afirmar não existir tema tabu, excepto o de devolver esta escumalha ao buraco de onde vieram.

 

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Carros de luxo pagos pelo estado social Francês

Mas Mafiosa, onde Caroliina dispara “em ritmos endiabrados” soa a toda uma apologia à agressão. Contra quem dispara a autora? Julgo ser contra mim e foi isso que me chamou à atenção na música, ao tom furioso com que se dirige a uma plateia, provavelmente composta por homens beta, tal como o faz em Caipirinha. Contra o tipo “no canto” que “está olhando e está babando”, a Brasileira não exibe simpatias nem parece disposta a abraçar a emotividade dos ocidentais nem a repudiar a masculinidade tóxica; pelo contrário, procura-a junto do Marroquino. Num momento de inédita doçura, após o refrão, permuta o tom com que atacava os brancos, para se dirigir ao Artista “Então faz eu me apaixonar/vem comigo nesse samba/Vamos ver se vai rolar*****” 

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Depois do google nos ensinar que apenas os brancos são ladrões e a wikipedia nos endoutrinar sobre o que é um traveca, a cultura popular esforça-se em definir o que são relações salutares, o que são homens atraentes, e o que são aborrecidas perdas de tempo. Segundo a minha cor de pele, encaixo na segunda categoria sem o encaixar em lado nenhum. O problema é a ostensividade com que vemos esta tendência impingida às jovens ocidentais. Num outro vídeo (God is a woman) Ariana Grande (grande puta) ignora obstinada um conjunto de homens brancos, mas canta sobre Amor dedicando-o a alguém. Com 149 milhões de views, considerada a forma como fui tratado no último bar, diria que esta é uma campanha bem sucedida.

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O sucesso comercial de Mafiosa

Continuaremos a realizar interpretações dúbias, ambivalentes e cínicas sobre os fenómenos culturais que nos rodeiam. Continuaremos a abraçar estrangeirismos e a desprezar a cultura Ocidental. Continuaremos a endoutrinar as massas para detestarem o que é seu. Continuará a ser hilariante: As referências pacifistas à Jamaica, cuja capital é a cidade com maior número de homicídios per capita do mundo; As referências sensuais ao Brasil, que teve 65.000 assassinatos no último ano e o Rio de Janeiro em Estado de Emergência tomado por militares. A cantora assinala “Aqui no RDV” onde a música foi gravada. Que melhor local para estar no mundo do que o Senegal?

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O paraíso de Caroliina

Queria acabar a minha crónica sobre a automutilação Ocidental mas não me posso esquecer de Sinead O’Connor. A mundialmente famosa interprete de “Nothing Compares to U” rasgou em 1992 uma fotografia do Papa São João Paulo II acusando “Lutem contra o verdadeiro inimigo”. Agora converteu-se ao Islão. E é só.

CAF

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* – A hagra é uma forma de humilhação/mortificação moral pública islâmica onde um índividuo espezinha a reputação de outrem. É um termo coloquial proveniente do Magreb

 ** – No original j’fais kiffer les gosses et les ados onde “fais kiffer” é traduzido no google como “eu fodo” [crianças e adolescentes]. Na verdade, kiffer vem de kif, uma palavra árabe para hashish e derivados do canábis. Existe na França continental há 12/15 anos; Não existe noutros países francófonos como o Canadá (porque será) e significa “aprecio, disfruto”. A metáfora pode implicar que o rapper droga crianças e adolescentes, com a sua música cativante ou quiçá no sentido literal.

*** – Como já tínhamos falado, PIV is always rape, ok?

**** – PMP, Purple Money, é a editora de Lartiste

***** – Rolar é eufemismo para foder. Caroliina apenas fode com pretos.

PS – Tenham complacência por este humilde redactor, agregador de segmentos informativos atomizados, colador de recortes, que leu todas as letras dos seis álbuns deste jagunço. Mereço o céu

Jordan Peterson em debate #1 – visionário ou falso profeta?

O debate, se lhe podemos chamar assim, foi lançado neste post, em que o leitor Ilo Stabet comentou:

Devo dizer de passagem, já que foi mencionado no post, que não sou adepto da interpretação psicológica/mítica que o JP faz da Bíblia. Acho que retira todo o poder às escrituras e coloca-as no mesmo plano que todas as outras tradições religiosas. No fundo o JP diz-nos que podemos aprender coisas com a Bíblia, mas as coisas que ele lá quer ver, podem ser vistas noutros sítios. E aquilo que só lá pode ser encontrado, não são mitos, nem predisposições psicológicas. A Bíblia é tanto um livro histórico como é filosófico, poético e legal e é impossível compreendê-lo retirando-lhe uma, ou várias, das suas dimensões.

Achei que devia mencionar isto, porque me exaspera a reverência com que o Jordan Peterson é tido, quando eu o considero, na melhor das hipóteses um intelectual banal e, na pior, uma voz que está a afastar vários jovens perdidos da Verdade, seja a da Bíblia, seja a da masculinidade.

O Patriarca, tendo seguido atentamente o Jordan Peterson nos últimos 2 anos, considera-o uma das vozes mais importantes da actualidade embora compreenda muitas das críticas que lhe são feitas – algumas válidas, outras decorrentes de uma má interpretação, intencional ou não, do que o homem está a dizer.

Neste sentido pareceu-lhe interessante discutir o caso com alguém que se lhe opõe não por uma histeria feminista/marxista, mas sim por motivos filosóficos e religiosos mais profundos. Ilo Stabet aceitou o desafio. Para facilitar a conversa, O Patriarca vai extraordinariamente deixar de se referir a si mesmo na terceira pessoa.

O PATRIARCA

Em primeiro lugar, uma pequena introdução à minha posição sobre o JP. Eu não sabia disto quando me comecei a interessar pelas suas conferências, mas ele, tal como eu, foi criado no seio de uma família religiosa, e durante a adolescência, confrontado com o conflito entre a ciência e perante a incapacidade de obter respostas satisfatórias a estas questões, afastou-se da religião.

Aqui é onde o JP e eu divergimos. Eu nunca mais fiz caso do assunto, enquanto ele dedicou a sua vida a buscar a origem do que ele chama significado, ou talvez mais correctamente, “significância” (Meaning). E isso trouxe-o de volta à religião, e à sua análise psicológica não só da tradição judaico-cristã, como de outras religiões como o Taoismo, as lendas mesopotâmicas, egípcias e eventualmente outras de que eu não tenha conhecimento.

A análise do JP à Bíblia torna-a, na minha opinião, “tragável” para alguém com um background científico forte. Essa é para mim a grande força da mensagem, e ao mesmo tempo para o Ilo, é algo criticável, porque A abordagem meramente psicológica que faz retira a veracidade e validade dos ensinamentos”.

Posso ser simplesmente um descrente condenado, mas não consigo, e estou acompanhado nisto por milhões de pessoas em todo o mundo, acreditar que Bíblia é “verdadeira”, pelo menos no sentido que a mente científica vê como “verdade”. No entanto, o argumento do JP é que há vários níveis (ou talvez melhor chamados “dimensões”) de “verdade” não necessariamente em contradição uns com os outros, antes coexistindo em eixos diferentes consoante o ponto de vista do qual a análise é feita. E neste caso, na dimensão científica – ou seja de medição, caracterização, registo, da realidade que designamos de “objectiva” – a Bíblia não é “verdadeira”, mas isso pouco interessa porque tão-pouco foi escrita com essa dimensão em mente. Já na dimensão psicológica / metafísica, que é o seu domínio efectivo, a Bíblia é não só verdadeira, é a maior verdade.

E esta pode ser a chave para trazer o Cristianismo para uma nova era, uma era em que as pessoas mais educadas não estão activamente contra a religião, mas sim dispostas a aceitá-la e a integrá-la nas suas vidas como algo que pode dar propósito à ciência e não como algo que é contradito pela ciência e atrasa o seu progresso.

ILO STABET

Começando com o primeiro ponto, conheço várias pessoas nessa situação – tendo crescido com a religião perderam a fé, ou o interesse, ou ambos. Da minha parte acabou por ser o contrário – fui educado de forma totalmente secular e para avaliar todas as coisas com racionalidade (algo que hoje considero ser pouco menos que abuso infantil, se me permitir ser hiperbólico – mas isso é outra questão). Para entender melhor o que queres dizer, tenho de perguntar qual foi o conflito que encontraste (e que o JP encontrou) entre ciência e religião, e quais eram as perguntas para as quais procuravam respostas e que eram incompatíveis com a religião. Para terminar este início, só para clarificar, suponho que tu tenhas sido educado na Igreja Católica Romana. O Jordan Peterson imagino que seja numa forma de protestantismo. Aí já há uma grande diferença de mundividências, sobretudo em relação à ciência.

Há várias razões para não compreender a compatibilidade psicológica e cosmológica da abordagem ‘tragável’ da Bíblia, e como tal não achar necessária. E não sendo necessária, só pode diminuir o seu entendimento. Em primeiro lugar, o que é um background científico forte? Lembro que o método científico nasceu no seio da Igreja, não na sociedade civil; lembro também que, até recentemente, uma boa parte, senão mesmo a maioria, dos cientistas eram religiosos e não olhavam para a Bíblia da forma metafórica/psicológica com que o JP olha. Ou seja, não havia qualquer contradição entre as duas coisas: o método científico e a Bíblia. Onde existe uma contradição é quando a Ciência (com C grande) deixa de ser somente um método de inquérito da realidade natural, mas passa a ser uma cosmovisão. Aí obviamente que vai haver uma contradição, pois procura-se no método científico (na biologia, no caso dos new atheists como o Dawkins, Hitchens, etc; ou na física, como Newton) um inquérito sobre metafísica. É como querer parir um rato de uma montanha. Ou como querer extrair investigações sobre a organização social das formigas da Bíblia. Uma coisa (a biologia ou a física) requer observação e teste, outra (a metafísica) requer instrospecção.

Passando ao ponto seguinte, o que é que a mente científica vê como verdade? A realidade observável? E o que é uma teoria verdadeira? É, como Popper, uma que seja falsificável? É que, se é assim, então tais asserções sobre a realidade também não são verdade. Não podemos observar a veracidade de uma asserção – podemos investigá-la racionalmente, mas não observar. E também a não podemos falsificar. Como tal, e sendo que não podemos observar ou falsificar a asserção de que ‘a verdade é somente aquilo que é observável, testável e falsificável’, então temos de admitir que essa asserção falha nos seus próprios termos. Ou seja, para tomarmos essa posição, temos de assumir previamente que existem asserções que não dependem de observação, teste e falsificação. E como tal, temos de avaliar o conceito de verdade nos termos metafísicos, não físicos.

Pela descrição das várias ‘dimensões’ de verdade que fizeste, parece-me que mesmo o JP vê uma hierarquia, ou uma primazia, do ‘observável’ sobre o ‘metafísico’ – quando, como expliquei acima, é erróneo conceber o mundo assim. Não há várias dimensões de verdade, há diferentes métodos de a conhecer. Como tal, discordo que seja necessário trazer o Cristianismo para uma nova era – na verdade, essa nova era é pautada por essa dialéctica errónea entre ‘verdades’ e é o status quo que temos hoje – a Cientifica (com C grande) e a outra. Pelo contrário, é preciso ressuscitar uma mundividência coerente que não contraponha o método científico à metafísica, e que acabe de vez com a falsa dialéctica entre pessoas ‘educadas’ (isto é, que entendem a Bíblia apenas como metáfora) e os idiotas comuns que nada entendem sobre o mundo onde vivem. Também necessário é destruir esta noção de progresso, científico e tecnológico, como se fosse sempre bom. Para se apurar os seus benefícios, não podemos usar o método científico – pois só nos diz como, nunca o porquê. Não é tanto uma questão da metafísica ‘dar propósito’ à ciência, mas sim de entender que, sem a metafísica não é possível sequer haver ciência (o paradoxo da posição mencionada acima): a investigação científica pressupõe uma ordem física no mundo, regularidade (caso contrário nunca poderíamos confiar nos testes) e como tal é necessário determinar de onde vem essa ordem. E como expliquei, é impossível (por ser contraditório) fazê-lo usando o mesmo método que se quer provar, pela observação, mas só é possível fazê-lo através da introspecção, do uso da razão, identificando as premissas apodícticas.

Para terminar este primeiro round, diria que a popularidade de um intelectual como o JP, que considero banal, é um sinal da primazia desta falsa mundividência ‘científica’ e da sua falência ao fim de 200 anos . Muita gente se está a aperceber dos efeitos do vazio metafísico em que o Ocidente tem vivido desde que o pensamento empírico escocês e o materialismo suplantaram o idealismo germânico em termos de framework, e de que se começa a procurar uma fundação distinta novamente. Infelizmente, o compromisso do JP não é suficiente, é apenas uma variação da fundação infundada do cientismo. No fundo, é o mesmo que dizer que as fábulas para crianças têm ‘ensinamentos’ verdadeiros, mas não são Verdade – uma parte da afirmação é correcta, a outra é incorrecta.

A maioria das pessoas, conseguindo ver os efeitos da ausência de fundação metafísica, não consegue ver a causa (o vazio metafísico) – incidentalmente já escrevi um texto sobre isto no meu blog, que pelo menos em parte é relevante para a minha posição sobre esta questão – e como tal, não sabe onde ir buscar a solução. Daí aquele meme: «Cientistas descobriram que 95% das pessoas acreditam em qualquer artigo que comece com ‘cientistas descobriram’». No fundo, na mentalidade do homem comum, incapaz de pensar sobre estes assuntos, substituiu-se o padre pelo cientista. Mas a crença continua na base da fé. Isto nunca vai mudar. Só muda aquilo em que se coloca a fé.

Por tudo isto, considero não só que o JP está errado, mas que é mais do mesmo. No entanto, tenho de admitir que pelo menos serve para que se iniciem conversas como esta. E como tal, já não é inútil.

O PATRIARCA

Sim, Igreja Católica Romana.

Exactamente, o método científico nasceu no seio da Igreja. Aliás, a insistência da Bíblia na verdade pode ter sido o que permitiu esse nascimento. O “problema” é que a ciência ensina a questionar tudo.

Talvez não seja fácil, mas põe-te na perspectiva de um não crente. És uma criança que vai aos poucos aprendendo a diferença entre fantasia e realidade (Pai Natal, o Super-Homem etc). E ao mesmo tempo estão a ensinar-te uma narrativa que tem mais em comum com as habilidades fantásticas dos X-Men ou do Dragonball do que com a realidade que conheces. Deus mandou-te construir um barco? A sério? Mandaste abrir o Mar Vermelho? Mesmo? Depois aprendes mais coisas. Evolução, como nós descendemos dos macacos, e como isso entra em conflito com a história do Adão e Eva. Ok, em algum momento dizem-nos que são alegorias, não é para ser tudo levado à letra. Mas então qual é, exactamente, a diferença entre a Bíblia e as Tartarugas Ninja?

Honestamente, o que me surpreende é que haja pessoas que mantêm a fé mesmo depois de serem expostas a isto tudo. Na minha arrogância adolescente, achava que essas pessoas eram burras / ingénuas, e isso prolongou-se para a idade adulta até há relativamente pouco tempo.

Pequeno aparte / pergunta, só para me esclarecer – Tu acreditas LITERALMENTE em tudo o que está na Bíblia?

Pelo que dizes vou assumir que sim, e aí está um problema com que as pessoas como eu se deparam – a que tu provavelmente chamarás “falta de fé”.

Então aqui temos duas possíveis abordagens por parte de quem professa esta religião. Por um lado, podes dizer “quem não tem fé e não aceita as escrituras sem alguma interrogação/cepticismo, que se lixe”. Pode ser esse o caminho que os “verdadeiros fiéis”, chamemos-lhes assim, queiram seguir. Talvez seja por isso também que temos tantas “marcas” de cristianismo.

Mas por outro lado, podes querer conseguir passar a mensagem ao maior número de pessoas. Afinal de contas, quem acredita que o cristianismo ensina o caminho mais correcto para ter uma existência “boa” (o que quer que isso signifique), quererá estar rodeada de outros que professem a mesma fé, seja lá de que maneira for que lá cheguem.

Mais um aparte – dada a tua educação, como foi o teu caminho para a religão?

ILO STABET

Concordo que primeiro tiremos esta questão do caminho antes de seguir para o JP.

«a ciência ensina a questionar tudo.»

Se “a ciência” ensina a questionar tudo, então podemos e devemos questioná-la. e questionando-a no seu próprio parâmetro de validade, não é infalível – não é um método aplicável a toda a realidade.

«Depois aprendes mais coisas. Evolução, como nós descendemos dos macacos, e como isso entra em conflito com a história do Adão e Eva.»

Consigo colocar-me no lugar de um não crente, porque já lá estive. diria que metade da minha vida, incluindo uma parte em que era crente em Deus, considerava isso como um dado adquirido, é simplesmente uma coisa que não se questiona. E que a Bíblia é que tem de ‘encaixar’ na “ciência” sempre que se pensa nas duas ao mesmo tempo. daí a incapacidade de ver a Bíblia como algo distinto da “ciência” mas também das histórias da carochinha; e o suave desdém, mesmo que sem mácula, pela capacidade cognitiva ou até sanidade de quem é crente em Deus.

O meu principal argumento contra a ideologia do ateísmo, é que não existe ateísmo. Todos os seres humanos têm um centro de confiança epistémico, uma base de premissas sobre a realidade, que lhes permitem entender o mundo. E em última instância essas premissas não são testadas pelo método científico. Por isso, em termos epistemológicos, a explicação cosmológica da Bíblia e a do darwinismo, têm o mesmo valor.

Segundo o próprio método científico, a única forma de saber alguma coisa com certeza é testá-la nós mesmos. A alternativa a saber com certeza através do teste, é crer na palavra de outrem – por exemplo, de biólogos, arqueólogos, etc. Ou seja, a segunda hipótese baseia-se em grande parte em fé – pode ser uma fé com justificações (‘os cientistas têm acreditações académicas, artigos publicados em importantes jornais’, etc), mas continua em última instância a falhar no parâmetro único do método científico para determinar a verdade: é uma crença sem base no teste. Tal como a sua premissa, que não podendo ser testada (como se testa uma proposição no mundo físico?), tem de também ser baseada em fé em algo fora do método científico (a razão, por exemplo).

«Mas então qual é, exactamente, a diferença entre a Bíblia e as Tartarugas Ninja?»

Concordo completamente que é impossível racionalmente manter uma dicotomia de defender a primazia do darwinismo e ver no Génesis como metáfora, sem transformar a Bíblia inteira numa história de carochinha sem mais valor do que as fábulas de uma tribo qualquer em África. Por isso abandonei essa posição, porque não podem ambos ser verdade.

«Tu acreditas LITERALMENTE em tudo o que está na Bíblia?»

Acredito na veracidade histórica da Bíblia – isto é, os eventos descritos são reais (a Criação, Moisés, etc). Mas a Bíblia foi escrita por homens, e por vezes usando linguagem poética – pois muitas coisas descritas estão para além da nossa capacidade de compreender e descrever em termos terrenos. Foi uma perda para a humanidade quando a linguagem poética foi expurgada dos textos científicos – veja-se manuais de biologia ou geologia do século XVIII e os do século XX, por exemplo.

Certas coisas podem e devem ser lidas como metáfora. quando se diz que Deus ‘desceu para dispersar as nações’ (na Torre de Babel), Deus não ‘desce’ propriamente dito, e é difícil compreender o que descer quer dizer literalmente neste caso. É uma força de expressão que permite entender rapidamente o ponto fulcral da história que decorreu dos eventos descritos. E quanto a entender a Criação, é algo que eu acredito ser impenetrável excepto por Revelação – não só a linguagem usada é necessariamente insuficiente para capturar algo tão primordial, mas nós, sendo parte do universo criado, nunca poderemos fazer mais do que olhar de dentro para fora. Para vermos de fora para dentro, temos de confiar na perspectiva de quem lá está se esta nos for revelada. E eu acredito que foi.

Mas repito o que disse acima: a maioria das pessoas acredita no darwinismo por revelação – não divina, mas humana.

«falta de fé»

Definiria apenas como falta de fé nesta explicação em particular, pois como apontei acima, a posição dos darwinistas é, também ela, fundada em fé.

Quanto à questão de se ser intransigente ou aberto a outras interpretações, acho que o problema não tanto como se ‘chega lá’, mas onde é que se quer chegar. Apontar numa direcção genérica pode ser bom até certo ponto, mas eventualmente leva ao destino errado. Se eu estiver em Lisboa e quiser ir para Braga posso ir na direcção do Porto, mas se depois não me orientar que tenho de mudar ligeiramente de direção, lá vou parar ao Porto em vez de Braga. Penso que aqui se passa o mesmo, o JP pode estar a despertar algum interesse pelas escrituras em pessoas que antes a não tinham e isso é bom, mas a meu ver não está a fazê-lo sem imprimir a sua própria visão mitológica-metafórica e, possivelmente, contribuir para o mesmo problema com que começámos – o perenialismo/”sou espiritual mas não religioso”/encaixar a Bíblia no darwinismo. Diria que uma boa parte dos Católicos Romanos em Portugal são-no apenas em nome – não só a Igreja deixou em grande parte de exigir padrões de conduta nas vidas das pessoas, mas mesmo exigindo, ninguém a ouve. A maior parte dos Católicos Romanos que conheço adoram o Papa pelo facto de ele ser tão aberto, tolerante e deixar as pessoas “em paz”. E na questão mais filosófica, provavelmente concordam mais contigo do que comigo.

Por fim, é difícil de dizer quando passei a acreditar no que acredito. Foi por fases, e não digo que venha a mudar de ideias pelo menos em parte, ou em pormenores. Comecei a ler a Bíblia por volta dos 12 ou 13, não tirei grande conclusão, mas quis ler porque sabia ser um texto fundacional da nossa civilização. Aos 16 diria que foi quando comecei a, conscientemente, acreditar em Deus, e em específico no Deus de Abraão. Comecei a ler sobre as várias tradições para poder escolher uma. Rapidamente fiquei só com o Judaísmo e o Cristianismo. E eventualmente, por mais leituras, fiquei só com o Cristianismo. Só quando houve esta decisão é que abandonei definitivamente a ideia da ‘bíblia metafórica’ e comecei a questionar o darwinismo. Depois tratou-se de investigar e descobrir qual a ‘marca’ (como disseste) de Cristianismo que considerava a certa, e a decisão definitiva sobre isto é bem mais recente.

O PATRIARCA

Ok, acho que já percebi mais ou menos.

O que começo a concluir é que a tua posição é mais aproximada à do JP do que tu pensas. Em particular este parágrafo:

“O meu principal argumento contra a ideologia do ateísmo, é que não existe ateísmo. Todos os seres humanos têm um centro de confiança epistémico, uma base de premissas sobre a realidade, que lhes permitem entender o mundo. E em última instância essas premissas não são testadas pelo método científico. Por isso, em termos epistemológicos, a explicação cosmológica da Bíblia e a do darwinismo, têm o mesmo valor.

Segundo o próprio método científico, a única forma de saber alguma coisa com certeza é testá-la nós mesmos. A alternativa a saber com certeza através do teste, é crer na palavra de outrem – por exemplo, de biólogos, arqueólogos, etc. Ou seja, a segunda hipótese baseia-se em grande parte em fé – pode ser uma fé com justificações (‘os cientistas têm acreditações académicas, artigos publicados em importantes jornais’, etc), mas continua em última instância a falhar no parâmetro único do método científico para determinar a verdade: é uma crença sem base no teste. Tal como a sua premissa, que não podendo ser testada (como se testa uma proposição no mundo físico?), tem de também ser baseada em fé em algo fora do método científico (a razão, por exemplo).”,

Poderia ter sido escrito pelo próprio. “Os ateus não acreditam que Deus existe; eu não acredito que o ateísmo existe” é uma frase que ele repete frequentemente.

Portanto concluo que, de facto, o grande posto de clivagem será que tu não acreditas no valor de procurar pontos de encontro entre a visão científica e a religiosa, enquanto que ele acabou por dedicar grande parte da sua actividade académica precisamente a tentar perceber porque é que surgiam as crenças religiosas e porque é que as “verdades” religiosas podem ser simultaneamente metafóricas e “verdadeiras” no sentido a que chamamos “objectivo”.

Não posso concordar que a ciência dependa de fé – a não ser que estejas a dizer que é necessário fé para acreditar que a nossa existência e o que podemos observar é real. Não acho que seja o caso – a nossa existência é auto-evidentemente real e só quando começas a tecer análises mais profundas e metafísicas é que isso é posto em causa. Ok, grosso modo tens de ter alguma fé no sistema, mas para isso é que tens a revisão de pares. Podes ter erros e patranhas, mais cedo ou mais tarde o joio é encontrado e deitado fora. Mas é uma discussão relativamente irrelevante para a maioria das pessoas que habitam este planeta. Felizmente não precisas de te atirar de um prédio para saber quais são os efeitos da desaceleração súbita no corpo humano, podes aprender com as experiências (e os erros) de outros. Grosso modo, se um fenómeno é mensurável e replicável, então é real aos olhos da ciência até melhor evidência surgir, e estar a discutir isto é na minha opinião um desvio relativamente ao cerne da questão.

Então e porquê tentar misturar tudo? Porque não o fazer trouxe-nos até ao ponto em que estamos hoje. Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas às sociedades ocidentais, é nestas que se vive melhor, e não acho que seja uma coisa que possa ser relativizada. O mundo ocidental é (exceptuando algumas sociedades asiáticas) onde podes ter a mais razoável expectativa de não estar morto ou em sofrimento amanhã. É uma melhor base para tentar edificar (ou restaurar) uma sociedade com bons princípios, do que uma pilha de cadáveres de malária. E é um paradigma que esteve à beira da aniquilação (mútua) no confronto com o bloco soviético, e está novamente sob ataque, desta vez ensanduichado entre as formas modernas de marxismo (que também é uma religião) e o mundo islâmico.

Portanto, neste momento estás efectivamente em luta com duas outras religiões, ainda por cima com pretensões totalitárias – e estás a perder, porque a tua é a única que está inserida num paradigma que permite que se questionem os seus próprios princípios.

Talvez a única saída seja o que discutimos no post Resiliência, mas isso é para mim uma perspectiva derrotista que eu prefiro não ter. Prefiro pensar como é que podemos recuperar os nossos valores sem perder tudo o que se construiu até aqui. Não creio que seja possível voltar atrás, aos tempos em que a Bíblia era para ser aceite por toda a gente sem questão e o conhecimento a ser entregue na missa por gente específica designada. Nietzsche escreveu sobre isto quando proclamou a morte de Deus, e não foi uma declaração triunfante, antes preocupada – o que é que fazemos agora? Ensinaste as pessoas a pensar, e agora tudo é posto em dúvida. Mesmo que toda a gente fosse obrigada a ir à igreja, tens tantos meios hoje em dia por onde as pessoas se podem expôr a informação, que ou a tua mensagem é a mais forte ou dificilmente passa. Aliás, como aparte, não é por acaso que tanto o marxismo como o islão censuram fortemente os meios de comunicação.

E atenção, “mais forte” não significa “mais fácil” ou “mais agradável”, aliás partilho completamente a tua crítica de que a Igreja deixou de exigir padrões de conduta nas vidas das pessoas. As pessoas podem “adorar” o Papa porreiro, mas na verdade vão à procura de alguém que lhes diga o que fazer, que é precisamente o que encontram no marxismo (luta contra os opressores) e no islão (rebenta com os infiéis). E neste contexto surge o JP, a dizer às pessoas o que fazer. Ou melhor, a relembrar que a Bíblia já tinha lá bem delineadinho o que devem fazer. E MUITA gente estava desesperada por esta mensagem, daí a sua ascensão meteórica.

No mundo ocidental actual já não podes obrigar as pessoas a aceitar a mensagem à força como antigamente. Ou melhor, podes, mas aí já deixas de estar no mundo ocidental actual e passas a estar numa ditadura religiosa. Portanto a única hipótese, na minha opinião é fortalecer a mensagem em vários níveis de análise, para poder dar resposta a toda a gente, desde os que só querem um código para seguir e o aceitam sem grandes reservas, até os que querem questionar tudo incluindo a própria existência e são suficientemente sofisiticados e articulados para fazer cair todos os argumentos pobremente formulados. Não se trata de encaixar a Bíblia no Darwinismo ou vice versa. Antes entrelaçar onde houver pontos de contacto, para que nosso melhor conhecimento científico possa mais facilmente ser guiado pelos princípios morais que tornaram possível a civilização que o produziu.

O Darwinismo pode e deve ser questionado, ainda há muitas lacunas por preencher. Mas é o melhor que temos até agora.

O teu exemplo da viagem Lisboa – Braga é muito interessante, capta muito bem o âmago da questão. Podes chegar lá pelo Porto. Podes ir por Castelo Branco. Podes até ir por Faro, vais dar uma grande volta desnecessária mas se tiveres combustível suficiente (ou apanhares um avião)… Como garantidamente não chegas, é não saindo de Lisboa.

ILO STABET

«Portanto concluo que, de facto, o grande posto de clivagem será que tu não acreditas no valor de procurar pontos de encontro entre a visão científica e a religiosa, enquanto que ele acabou por dedicar grande parte da sua actividade académica precisamente a tentar perceber porque é que surgiam as crenças religiosas e porque é que as “verdades” religiosas podem ser simultaneamente metafóricas e “verdadeiras” no sentido a que chamamos “objectivo”.»

Eu não diria que não existe valor em fazê-lo – até certo ponto é positivo pois ajuda alguns homens que previamente não teriam interesse nenhum em religião, em investigar por si mesmos, e inclusivamente a ter discussões como esta, e como tu disseste, levou a que deixasses de achar que todas as pessoas religiosas eram burras. O meu problema com a abordagem do JP nesta questão particular é que ele próprio trata a questão sob a assumpção de que a matéria religiosa é metafórica e tenta ‘inserir’ a verdade nesse paradigma; e por essa razão, trata toda a religião da mesma forma, não avaliando a verdade da mentira, mas a ‘utilidade’ e a ‘adaptabilidade’ (por exemplo, o Cristianismo é bom, não por ser intrinsecamente verdade, mas porque permitiu aos europeus elevarem-se acima do paganismo e/ou barbarismo; e valoriza-o porque é a religião dos seus antepassados, não por ser verdade – ou seja, é outra forma de ‘idolatria dos antepassados’, i.e., paganismo).

«Não posso concordar que a ciência dependa de fé – a não ser que estejas a dizer que é necessário fé para acreditar que a nossa existência e o que podemos observar é real.»

O que estava a tentar dizer era que a “ciência” enquanto conceito monolítico, que a meu ver não existe fora da cabeça das pessoas, necessita da fé – pois a sua base epistemológica não pode ser provada nos seus próprios parâmetros (o paradoxo que apontei). Não acho que seja necessário fé para saber que existimos – é, como disseste, auto-evidente. Só pode mesmo ser posto em causa por, como diria o JP, pós-modernistas que pretendem desconstruir tudo, faça ou não sentido – a sua descontrução, obviamente, depende de existir ordem e regularidade no universo, algo que não conseguem justificar ou explicar dentro dos seus próprios parâmetros. Mas nesse ponto estão no mesmo patamar dos ateus e pagãos.

Quando disse que necessitava de fé, não queria dizer mais do que disse. Se a certeza sobre algo só pode ser baseada no teste, e visto que a maioria daquilo que damos como certo não é testado por nós, então é fundado na fé – geralmente de pessoas que consideramos especialistas.

Não acho que a questão epistemológica da mundividência ‘científica’ (considerada como o conceito monolítico, não como método) seja irrelevante, pois a rejeição da Revelação é feita a partir dessa mundividência. E dado que a utilização do método científico para testar proposições metafísicas é impossível então a posição dos arautos do cientismo é comprovadamente contraditória, como eu expus anteriormente. O que significa que a crença no cientismo é, na melhor das hipóteses, epistemologicamente equivalente à crença na Revelação – com a diferença que, a mundividência Cristã não esconde o facto de que a sua mundividência tem uma origem inacessível em última instância. Os defensores do ‘cientismo’ dizem que é acessível – mas não o conseguem provar.

«Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas às sociedades ocidentais, é nestas que se vive melhor, e não acho que seja uma coisa que possa ser relativizada. O mundo ocidental é (exceptuando algumas sociedades asiátias) onde podes ter a mais razoável expectativa de não estar morto ou em sofrimento amanhã. É uma melhor base para tentar edificar (ou restaurar) uma sociedade com bons princípios, do que uma pilha de cadáveres de malária. E é um paradigma que esteve à beira da aniquilação (mútua) no confronto com o bloco soviético, e está novamente sob ataque, desta vez ensanduichado entre as formas modernas de marxismo (que também é uma religião) e o mundo islâmico.»

Acho que discordamos ligeiramente aqui também, não no sentido de as sociedades ocidentais e norte-asiáticas pós-industriais providenciarem um nível de vida material vastamente superior aos outros modelos. Mas não considero que seja a melhor (ou sequer uma boa) base para edificar uma sociedade com bons princípios. Se alguma coisa, a sociedade industrial e pós-industrial é um dos veículos pelo qual se destrói a moralidade, coesão social e, como vemos hoje, capacidade de sobrevivência de um povo. Do meu ponto de vista evitar o sofrimento não é um objectivo em si mesmo. Pelo contrário, precisamos de sofrer, sobretudo quando toda a nossa existência roda à volta da procura de conforto e prazer. A civilização que os nossos antepassados construíram já morreu e a nossa raça está a morrer em grande parte devido ao torpor induzido pela tecnologia. É uma ‘faca de dois legumes’, como diria o poeta. Já escrevi uns textos sobre isto no blog, pois a meu ver a ameaça do capitalismo liberal e do progresso tecnológico é muito maior do que a do Islamismo ou do (erroneamente chamado) ‘marxismo cultural’ (MC) – o ponto principal é que os objectivos dos MCs só podem ser concretizados em sociedades pós-industriais e em regimes capitalistas liberais, não em regimes comunistas.

«Portanto, neste momento estás efectivamente em luta com duas outras religiões, ainda por cima com pretensões totalitárias – e estás a perder, porque a tua é a única que está inserida num paradigma que permite que se questionem os seus próprios princípios.»

Como disse acima, acho que estamos em luta contra várias coisas, mas acho que muita gente ataca os sintomas (Islão, SJWs) em vez da doença (concepção iluminista, que leva ao capitalismo, ao socialismo, ao desenvolvimento tecnológico desenfreado, à apatia, ao hedonismo). A razão porque sei que são sintomas em vez da doença é porque a Bíblia tem inúmeros exemplos de sintomas equivalentes (no tempo deles), mas a doença continua a mesma, vai reaparecendo, apenas as manifestações têm outros nomes e cores.

«Talvez a única saída seja o que discutimos no post Resiliência, mas isso é para mim uma perspectiva derrotista que eu prefiro não ter. Prefiro pensar como é que podemos recuperar os nossos valores sem perder tudo o que se construiu até aqui. Não creio que seja possível voltar atrás, aos tempos em que a Bíblia era para ser aceite por toda a gente sem questão e o conhecimento a ser entregue na missa por gente específica designada. Nietzsche escreveu sobre isto quando proclamou a morte de Deus, e não foi uma declaração triunfante, antes preocupada – o que é que fazemos agora? Ensinaste as pessoas a pensar, e agora tudo é posto em dúvida. Mesmo que toda a gente fosse obrigada a ir à igreja, tens tantos meios hoje em dia por onde as pessoas se podem expôr a informação, que ou a tua mensagem é a mais forte ou dificilmente passa. Aliás, como aparte, não é por acaso que tanto o marxismo como o islão censuram fortemente os meios de comunicação.»

Não sei se é derrotista ou não, mas estou convencido que haverá um colapso social, e que as pessoas que se prepararam para isso através da formação de comunidades semi-autonomas, com organização patriarcal e hierárquica, serão as com melhor oportunidade de sobreviver. Tudo o que li até hoje me diz que, quando uma civilização entra na fase em que a nossa está, não é possível recuperar. Vai abaixo, e depois reconstrói-se. Porque a fundação (o Cristianismo) foi deitada abaixo e pôr remendos nas janelas e no telhado é irrelevante quando as fundações da casa foram destruídas.

Quanto ao ‘o conhecimento era entregue na missa por gente específica’, a única diferença em relação aos nossos tempos é que a missa é outra (a escola, a televisão, as redes sociais), os padres são outros (os cientistas, os intelectuais, os políticos, os jornalistas), e o “conhecimento” é outro (em grande parte, mentiras ou deturpações). Mas nunca vais conseguir alterar o facto de que a maior parte das pessoas não vai investigar nada por elas mesmas, e que tudo aquilo em que acreditam é simplesmente transmitido através de outras pessoas que consideram ‘autoridades’ na questão.

«E MUITA gente estava desesperada por esta mensagem, daí a sua ascensão meteórica.»

Espero que isso seja verdade. No entanto, acho que existe uma diferença de exigência entre ‘arruma o teu quarto’ e ‘segue a Lei divina’. Não sei se a maioria dos seguidores do JP vai passar a adorar (no sentido de ‘worship’) Deus da mesma forma que adoram o JP.

«No mundo ocidental actual já não podes obrigar as pessoas a aceitar a mensagem à força como antigamente. Ou melhor, podes, mas aí já deixas de estar no mundo ocidental actual e passas a estar numa ditadura religiosa.»

Nós vivemos em ditadura religiosa – aliás, não há outro sistema possível. Há aquela célebre frase que diz que ‘o maior truque do Diabo foi convencer as pessoas que não existia’. Similarmente, eu digo que o maior truque da democracia secular é convencer as pessoas que não vivem em ditadura religiosa. As diferenças, no entanto, são só cosméticas, e sobre que religião é aplicada legalmente.

«Portanto a única hipótese, na minha opinião é fortalecer a mensagem em vários níveis de análise, para poder dar resposta a toda a gente, desde os que só querem um código para seguir e o aceitam sem grandes reservas, até os que querem questionar tudo incluindo a própria existência e são suficientemente sofisiticados e articulados para fazer cair todos os argumentos pobremente formulados. Não se trata de encaixar a Bíblia no Darwinismo ou vice versa. Antes entrelaçar onde houver pontos de contacto, para que nosso melhor conhecimento científico possa mais facilmente ser guiado pelos princípios morais que tornaram possível a civilização que o produziu.»

Com isto não tenho problemas.

«O teu exemplo da viagem Lisboa – Braga é muito interessante, capta muito bem o âmago da questão. Podes chegar lá pelo Porto. Podes ir por Castelo Branco. Podes até ir por Faro, vais dar uma grande volta desnecessária mas se tiveres combustível suficiente (ou apanhares um avião)… Como garantidamente não chegas, é não saindo de Lisboa.»

Bom remate para a questão. E percebo o que queres dizer. Lá está, a minha objecção maior é que com a abordagem do JP seja muito fácil perderes-te no caminho.


Uma discussão bastante interssante e que nesta altura já se fazia bastante longa, parecendo a’O Patriarca uma boa altura para fazer uma pausa e publicar esta primeira parte.

Entretanto foi publicada esta semana a versão em Português de “12 Rules for Life”, pelo que o timing é excelente.

O Patriarca já leu o livro e recomenda-o vivamente. Este capítulo publicado no Observador mostra no entanto que a tradução é atroz. Provavelmente foi feita à pressa para capitalizar na popularidade. Mas a mensagem é suficientemente forte para merecer a leitura.

A precisão dos estereótipos é um dos maiores e mais replicáveis efeitos em toda a psicologia social

O Patriarca hoje tem mais que fazer do que desenvolver este tema. Mas fica aqui uma informação que já lhe andava a fazer comichão há algum tempo.

Stereotype accuracy is one of the largest and most replicable effects in all of social psychology.  Richard et al (2003) found that fewer than 5% of all effects in social psychology exceeded r’s of .50. In contrast, nearly all consensual stereotype accuracy correlations and about half of all personal stereotype accuracy correlations exceed .50.

O artigo original e a versão arquivada. Não vá isto seguir o caminho do artigo do OK Cupid que demonstrava que as mulheres consideram 80% dos homens “abaixo da média”. (Desafio – tentem encontrar esse. Não há problema, O Partiarca tem-no guardado). Outro artigo para outro dia. É o problema de ter um blog. Se O Patriarca partilhasse tudo o que tem para dizer, não tinha tempo de ir ao ginásio.


P.S. Alguém tem dúvidas de qual a nacionalidade representada na imagem?

Touros, girafas e PANeleiros

O Patriarca não é particularmente fã de touradas, mas respeita enormemente os volumosos testículos daqueles que fazem hobby ou profissão da actividade de se confrontar fisicamente com um animal feroz de 600kgs.

No entanto, todas as actividades eminentemente masculinas, principalmente aquelas que estão mais em contacto com o nosso lado mais primitivo e selvagem, levam a esquerda aos arames.

Assim, a tauromaquia está mais uma vez debaixo de fogo, desta vez sob a liderança do PAN (as sapatonas e os comunas estão ocupadas a tentar desgovernar o país), o que não é de estranhar.

A esquerda (a actual, pelo menos) vive da negação da realidade e do mito da tabula rasa, pelo que uma arte que não se compadece com teorias igualitárias e em que um erro de casting pode acabar com uma cornada no bucho põe um importante problema. Não vemos, por exemplo, nenhuma campanha contra a gritante desigualdade de género nas lides. Isto apesar de haver apenas 2 mulheres em Portugal com alternativa de cavaleiras, não haver mulheres a fazer toureio a pé*,  e a palavra “forcado” não ter equivalente feminino. Não admira. A festa brava não acontece em confortáveis gabinetes com ar condicionado. O que é que vão fazer? Obrigar por decreto as mulheres a fazer fila para entrarem numa arena e enfrentar um bicho enraivecido de meia tonelada? Exigir que os pais metam as suas princesas em escolas de toureio enquanto os rapazes brincam com bonecas?

forcados
Um só forcado tem mais testosterona que todo o eleitorado do BE e do PAN junto.

Portanto só resta uma opção para combater a dissonância cognitiva: tentar proibir as touradas.

O resultado foi o óbvio e esperado chumbo, mas o sucesso não é o objectivo destes arruaceiros. Pretendem simplesmente agitar as hostes de imbecis como os que frequentam os acampamentos do BE para facilitar a insidiosa disseminação da doença mental de que padecem.

Coincidência ou não, na véspera da dissertação de Ribeiro e Castro sobre a Disneylei, surgiu o desenterrar de uma polémica com um ano. Mais uma actividade tipicamente masculina, a caça, desta vez com o plot twist de uma mulher a ser publicamente crucificada por a praticar. O que é que tínhamos dito aqui sobre a misoginia?

O facto de a caça, quando devidamente organizada, ser um adjuvante importante aos esforços de conservação ambiental, é algo que passa ao lado da manada do politicamente correcto. Que a girafa caçada fosse velha, fora da idade reprodutora, e andasse a matar girafas mais jovens** e a impedi-las de se reproduzir, é de uma ironia deliciosa.

girafa feminista
Deve ser feminista

A masculinidade é um alvo a abater. E O Patriarca, que já andava há vários anos com curiosidade em ir ver uma tourada, decidiu finalmente juntar esse agradável ao útil de refutar o disparatado argumento da falta de público (vamos acabar, para além dos PANeleiros, com o futebol distrital?).

A experiência foi no mínimo interessante. Imagine-se ir ver um jogo de futebol sem conhecer as regras. Aliás, se algum aficionado e/ou organizador ler isto, teria algum interesse distribuir no início do espectáculo um panfleto com uma breve explicação de algumas regras e tradições, quiçá uma ajuda importante para uma actividade que se quer defender dos ataques constantes e talvez até expandir-se.

O que é notório e que não transparece tanto na televisão é a proximidade entre a excelência e a catástrofe. É perfeitamente evidente a mestria na afinada coordenação entre o homem e o cavalo, e como uma hesitação pode acabar em atropelamento pela besta.

Por outro lado, o matador a pé enche a arena com uma imponência fascinante para quem gosta de estudar linguagem corporal. A compostura com que se mantém por longos períodos de tempo a escassos centímetros do touro é impressionante. E a fanfarronice que transparece deve fazer parte do arsenal de qualquer homem.

manzanares

Muito refrescante também a quantidade de crianças e jovens presentes e fascinados com o espectáculo, a contrastar com a bafienta imagem que os marxistas insistem em colar à tauromaquia. Bem como a educação e respeito pelas normas sociais.

O Patriarca não pode dizer que tenha ficado fã – a experiência foi demasiado breve e o desconhecimento dos rituais associados cria um certo alheamento – mas certamente não foi aborrecido e poderá ser para repetir. Há pontos de interesse claros. Aconselha os leitores d’A Távola Redonda a descobrir por si mesmos.


*A entrevistada queixa-se de misoginia, mas qualquer pessoa (homem ou mulher) que queira afirmar-se num meio competitivo enfrenta pressões semelhantes. A diferença é que os fortes aguentam. O filme Eu, Tonya, é um retrato interessante disso.

**O Observador continua com a mania irritante de traduzir à letra artigos do inglês sem se dar conta que bulls neste caso não são touros mas sim girafas macho.

A fisiognomia é real #2 – moda sem género

Hoje O Patriarca vai correr um risco. Há umas semanas deparou-se com este artigo. Como os leitores regulares adivinharão, o título provocou-lhe logo um desagradável frisson. Mas ao ver a fisiognomia do autor, foi tomado de uma certeza: não vai sair nada de jeito daqui. Portanto tomou a decisão de guardar o escrito para ler mais tarde, e dedicar-se antes a escarnecer da Amelita Falóide que o debitou. Expõe-se a fazer figura de urso caso a diatribe tenha argumentos relevantes, mas tal é ainda mais improvável quando o autor se apresenta assim:

Quando escrever é uma necessidade quase fisiológica e o gosto por andar sempre em cima do acontecimento difícil de contornar, ir para jornalista é mesmo o melhor remédio. Nunca tive um blogue (até ver), mas a moda e os seus meandros foram sempre os temas que mais latim me fizeram gastar. Durante cinco anos não larguei as páginas da revista Time Out Lisboa. Entretanto, a cidade ficou pequena para tanta prosa. Agora, é discorrer para o país e para o mundo, sobre moda, design, estilo e gente criativa, e, tal como num desfile, sempre na primeira fila.

mauro goncalves
Quanto é que apostam que nessa boca só entra piça e só sai merda?

O Patriarca lamenta a qualidade da imagem, mas é a única que conseguiu encontrar da patética criatura. Se algum leitor tiver a gentileza de partilhar outra, será adicionada.

A moda nunca será sem género por um período significativo de tempo porque os seres humanos saudáveis exibem polaridade sexual, sempre a exibiram, e vão continuar a exibir. Se ocasionalmente surgem modas fugazes que buscam através de vestes andróginas amenizar este facto imutável, é essencialmente por dois motivos.

  1. A moda é maioritariamente criada por abafadores de cacete.
  2. A moda é maioritariamente consumida por mulheres, que são animais de rebanho frequentemente invejosas de pila. Ah, e por abafadores de cacete*.

Por isso, os desvios dessa normalidade são promovidos por degenerados e consumidos por harpias, mas logo o inexorável mercado sexual se encarrega de corrigir estas tendências.

Os leitores que num momento de fraqueza se sintam compelidos a alinhar em rabicharias que estão na moda poderão ser salvos por esta certeza.


*”Ah mas os homens elegantes!”, contestarão alguns. Não é preciso ser paneleiro para ser elegante. A diferença é que estes homens geralmente não andam a reboque da moda. Escolhem o seu estilo razoavelmente intemporal e vão-lhe fazendo pequenos ajustes.

Heróis do Nosso Tempo

A produção cultural é reagente e produto da conjuntura, em equilíbrio simbiótico com o meio circundante. Uma disrupção neste equilíbrio é sempre artificial, induzida, manietada por agentes terceiros; tem um objectivo, tem um propósito e uma agenda, tão tenebrosa que é nosso dever patriótico gerar-lhe uma resistência.

Foi na fila de espera de um bar alternativo que primeiramente o vi. Cabeleira loira, farta, saltos altos, decote. Mas a forma angular do queixo e a voz de falsete denunciava instantaneamente de quem se tratava, o tipo que nos passou à frente e entrou no espaço sem pagar. Um homem sem piça. Quando o voltei a ver ao balcão do bar, à pergunta “Boa noite. Têm algo que se coma?” respondeu-me com celeridade e no cumprimento das suas funções laborais: “Queres comer? Podes comer aqui o Dioguinho” e deu espaço a um rapaz que me atendeu – “Não, não temos tostas” – com um sorriso demasiado simpático para que eu próprio me sentisse confortável.

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Não

Este não era um espaço LGBT. Tampouco a tasca onde jantara e conhecera a prima da funcionária, vítima de uma cirurgia para escambar o sexo. A jovem – demasiado jovem – disse depois da 8ª cerveja tragada em velocidade recorde: “Os meus Pais sabem que eu sou alcoólica”. Depois de servir três águas aos meus amigos, Diogo retirara-se do balcão para consumir cocaína.

As redes sociais – ópio do povo – trouxeram-me a nova produção nacional, integralmente remunerada com o erário público. O governo da geringonça – quem mais – patrocina a promoção pública de degredo, toxicodependência, improficuidade, promiscuidade, homossexualidade, feminismo. Entre os cinco protagonistas há dois travecas, duas fufas e uma puta. Talvez me tenha confundido e estas designações sejam simultâneas, a fufa seja também traveca, o traveca seja também fufa e o elenco do show seja todo puta. O que não há em cinco personagens aleatórios, estatisticamente representativos da camada populacional a retratar? Um único heterossexual.

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Talvez o descritivo da série explique melhor. Diz “Ema vem para Lisboa e partilha casa com 4 amigos excêntricos. O seu dia-a-dia, e as noites, são marcadas por histórias divertidas, sem tabus, sobre ser jovem no novo milénio (o sexo, as drogas, a procura de emprego, a autodescoberta e o amadurecimento); Esta série é para quem acorda às 3 da tarde numa quarta-feira e designa o pacote de batatas fritas aberto, na mesa de cabeceira, como pequeno almoço. Para quem já comeu metade de Lisboa e quer expandir a sua “mercadoria” internacionalmente. Para quem está às 7h15 na cave do Lux, a gastar os sapatos, ao lado do João Botelho, enquanto se pergunta a que horas o supermercado abre, porque entra às 8h30 e precisa de comprar 2 latas de red bull. Para quem diz que hoje se vai deitar cedo para ir ao ginásio de manhã e está a ver a quarta temporada de Game of Thrones às 4 da manhã. Enfim, é uma série para quem é jovem, parvo e feliz na sua incoerência.

Os criadores de #CasaDoCais – assim mesmo, com hashtag – não são só um bando de paneleirões. São mentirosos. As múltiplas descrições da série repetem à exaustão o chavão “sem tabus” mas não exibe um único homem, não protagoniza um único Heterossexual, não exibe um único sénior ou, pior, alguém cuja idade extravase os vinte e cinco. Demonstra repúdio por vidas organizadas, famílias estruturadas e, nas palavras de um dos actores “pequeno-almoços gigantescos (…) a Matilde e o Tomé como personagens principais”. Despreza o pudor, desconsidera o resguardo e discrimina a isenção de estupefacientes. A televisão pública transformou-se no colega de liceu que nos chama “caretas” quando nos recusamos a fumar uma chinesa de heroína.

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Mentira ainda é a desta Fressureira quando declara “Não é a sexualidade que te define”. Se não quisesses ser definida pela tua sexualidade, não te “assumas” como sapatona. Não aparecias no jornal dos rotos. Não tinhas seguidores. Não tinhas público. Não tinhas série remunerada com os meus impostos.

Gay

Esta semana, o Arquitecto José António Saraiva foi novamente atacado pelos CIGanos e terá, uma vez mais, de ir a tribunal por essa razão. O assunto foi o mesmo e o mesmo que tratamos aqui. Mas tal como há uns meses, a perspectiva do jornalista não é de ataque mas de defesa: ele vê os homens a quem cortaram a piça como mártires duma cruzada diabólica e dispôs-se, pessoalmente, a defender os seus direitos – a história pessoal de David Reimer inspira a tal defesa. Tal como nos momentos das suas atuações anteriores, o colectivo CIGano não integra homens sem piça, ofendidos pelas palavras de Saraiva; É sim composto por mulheres heterossexuais que ambicionam ver os homens indesejáveis na secção de corte dum fumeiro em Lamego. Atacam Saraiva, como antes atacaram César das Neves, porque ele se dirige aos transgénicos com a verdade, não por ódio ou preconceito, mas por Amor. Por essa razão, estou solidário com o Arquitecto em cujas palavras me revejo na totalidade.

Vale a pena denotar que estes “jovens” já não o são: têm, no enredo, vintes e, com idades para terem licenciaturas e mestrados terminados, prestes a enveredar no mercado de trabalho ou numa carreira académica. As tropelias em que se envolvem são próprias dos adolescentes, uma versão toxicorrabolha de Morangos com Açúcar. Mas fora da adolescência, sem liceu ou uma ocupação fixa, deambulam pelo degradado Cais do Sodré – ancestralmente um local de prostituição e má rês – devotados à auto-degradação, ao vicio. Os personagens não se distinguirão dos farsantes, todos os cinco degradados, viciados. Com perfis aberrantes e nomes artísticos, apresentam-se perante a web como “youtubers”, “instagramers”, “artistas”, “freelancers”. Cortam a piça porque já não lhes chega serem homossexuais para se vitimizarem ou glamorizarem o seu capital sexual como o faziam os panilas nos anos 80 antes de a SIDA dizimar uma geração de homens “sexualmente liberados”. Enquanto que José Saraiva e eu próprio vemos neles as vítimas duma guerra perdida, perante a sociedade decadente e sobressexualizada, os protagonistas de #CasaDoCais são os heróis do nosso tempo.

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Heróis do Nosso Tempo

Abri a página de Facebook esperando ver centenas de milhar de likes, publicidade e fanáticos pela expressão cultural que a Rádio Televisão Portuguesa nos oferece. Pelo contrário, a totalidade dos seguidores não chega a um milhar e a maioria dos comentários são francamente depreciativos. Perante a geração Z prevista como a mais conservadora de sempre, tenho expectativas de que o nosso querido blog alcance um público mais abrangente do que o da série televisiva.


Nota post-scriptum: Dos cinco protagonistas há pelo menos uma puta rapariga que não é gay. Valerá a pena acompanhar a série para caracterizar os múltiplos parceiros com quem se envolverá ao longo das temporadas, os actores escolhidos e os sues perfis. Aí saberemos qual o tipo de homens o colectivo feminista aprova e qual o tipo de homens que os filhas da puta suprimem.

Provocação Constante #6 – “É Complicado”

Provocação Constante é uma série em que O Patriarca partilha algumas das pequenas provocações que vai fazendo à sua namorada. Estudiosos de Game e Red Pill sabem que o teasing (provocação) é essencial tanto para o jogo do engate como para a manutenção da tensão sexual dentro de uma relação. Os betas pensam erradamente que arreliar as miúdas lhes pode trazer problemas, quando é precisamente o contrário. Esta série pretende dar exemplos práticos disso mesmo. Always Be Teasing!

Surgiu cedo na relação entre O Patriarca e a namorada (agora noiva) um pequeno jogo. Quando saem juntos, ocasionalmente depois de uma ausência (ida à casa de banho por exemplo), ao voltar iniciam um flirt como se não se conhecessem de lado nenhum.

Este joguinho aparentemente inocente é interessante, porque por um lado permite à pequena comprovar que o seu homem ainda mantém as qualidades de sedutor que a atraíram inicialmente, e por outro permite a’O Patriarca praticar as mesmas sem ter de o fazer descaradamente com outras gajas.

Às vezes a conversa é totalmente fantasiosa, às vezes é baseada em factos reais. Esta mantinha-se mais ou menos dentro da realidade:

Ela: Então e tens namorada?

OP: É complicado…

Ela [pára o jogo e deita fumo pelas orelhas]: COMO É COMPLICADO???

OP [sorriso sacana]: Bom, tecnicamente já não és minha namorada…

Ela [ar meio irritada meio tesuda, agarrando-se a’O Partriarca]: És tão estúpido!! Se dizes “é complicado” a outras gajas mato-te!


P.S. Se estão a ouvir frequentemente este tipo de “és tão estúpido”, estão a fazer as coisas bem.


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