Quem disse que ir às putas não era divertido? (II)

Depois do nosso bom Henry Chinasky ter trazido o mais popular texto do nosso blog das profundezas do Fórum GP, cabe-me partilhar o que seráo hipotético segundo lugar.

Tal como dito antes,

O gp-pt é um site onde putanheiros e confrades trocam ideias sobre as putas que visitaram ou pretendem visitar. Fazem-se análises das sessões, trocam-se informação sobre preços, características físicas, veracidade de fotos, respeito e simpatia das moças e claro sobre a qualidade do coito.

O Tópico privado: “Moscavide – Senhora Portuguesa – FUJAM” relata a deslocação de dois confrades a uma prostituta no leste Lisboeta (ou Sul Lourense, como preferirem).  O primeiro, horrorizado das primeiras impressões, não chega a usufruir dos serviços da casa.

 

Se virem um anuncio no CM referindo “Moscavide, senhora portuguesa meiga… por favor… FUJAM!

Ao telefone diz que tem 38 anos e fala “axim” mas suspeitei que tinha mais idade, mas levado pela curiosidade de encontrar uma xenhora lá de xima e pelo preço low-cost de 20€ fui ver o bicho…já que estava por perto de Moscavide.
O local é bastante estranho, entra-se por um portão onde dá a sensação que depois vou entrar numa garagem.
Ainda pensei, “porra… mas que merda de pardieiro é este!… que se lixe”. Toco, o portão range e da escuridão sai algo a dizer (humildemente e simpática) ” Entra meu querido, foi faxil darex com ixto?” … Assim que saio da escuridão e os primeiros raios de luz fracos lhe iluminam e as pupilas dos meus olhos ainda se esforçam para se focarem nela… Eu penso ” Credo, Nossa mãe, balha me Nossa Srª da Agonia… o que é Isto.”
Assim que eu me refaço do choque, a minha reação instintiva foi de dizer algo sem nexo, como “desculpa mas tenho que ir embora já, surgiu um imprevisto, até logo!” C’oorror! Coitada dos Ogres ao pé dela.[schock] É horrorosa. Ainda me enviou um SMS dizendo que não me queria ver mais… Os teus desejos serão cumpridos escrupulosamente, pensei cá para mim.
Melhor era ter ficado em casa a ver um filme de terror dos mais reles.

 

Mas o segundo, de nome skyporco, inadvertidamente arrisca

Ok, não sou esse tal confrade aventureiro.
Admito que não li o forum antes de lá ir.
Enfim, são erros que se pagam caro.

Ao telefone até me pareceu simpática.
Ao chegar ao local sou encaminhado por um local meio estranho, mais parecia uma garagem. Mas que se lixe. Quando a vi ainda pensei que se tratava da madame que me levaria à menina. Paguei 50€, ela pede-me para esperar 2 minutos.

Nem 2 minutos passaram e ela reaparece já meio despida. Fiquei chocado com o que vi e perguntei onde estava a menina. Ela riu-se, saltou para cima de mim, quase me partiu uma costela e mete a sua lingua toda na minha boca.

Ia vomitando…. só consegui que ela saise de cima e perguntei-lhe que merda era aquela, estava á espera de uma rapariga de 30 anos e não um camafeu de alguns 50 mais mal feita que a minha avó de 80. E peço-lhe o dinheiro de volta. Responde-me que já colocou o dinheiro no mealheiro e que quem tem a chave é o Rodrigo.

Mauuuuuuuuuu. Mas quem será esse Rodrigo? No mínimo intimida tal comentário. Vendo a minha cara e sendo ela certamente doida por caralho, ela opta por me acalmar e pede-me para fechar os olhos.

Tira-me as calças e começa a mamar. Epá, nos primeiros 30 segundos confesso que me soube bem e quase que me consegui abstrair do que se tinha passado antes e de quem estava a chupar-me, e ao começar e sentir uma certa erecção, a gaja passa-se e começa literalmente a comer-me a pila. Não é que tenha mordido ou magoado mas foi uma coisa tão violenta e descabida que tirou o prazer todo e a sensibilidade.

Peço-lhe para tirar dali a boca e ela pega num vibrador com alguns 30 cms, com aspecto de não ser lavado há mais de 5 anos e mete na boca como se não houvesse amanha, e depois na rata e depois no cu e depois na boca e eu ali especado a ver aquele espectaculo. Adorava ter visto a minha casa ao espelho….

Pede-me para eu me meter de 4. Diz-me que me quer lamber o cu. Estava tão drogado que acedi. E ai sim…. Ai ela foi divinal. Senti a lingua dela uns bons 5 cm dentro de mim. Peço desculpa aos mais sensiveis ou aos que não curtem botão de rosas mas aquilo foi bom demais.

E foi assim que ela me convenceu a continuar ali.
E é quando tudo descamba para o nível de merda. Literalmente merda.

Mete-se ela de 4 e diz-me: “lambe-me e enrraba-me cabrão”

A visão era medonha mas o botão que ela me fez colocou-me com o pau em riste embora não me sentisse excitado… estranho eu sei.

Não lhe lambi o rabo (graças a Deus) e pedi-lhe um preservativo ao que ela responde, enrraba-me assim mesmo. Recusei claro e ela lá arranjou um preservativo mas ai já estava com cara de poucos amigos.

Meto o preservativo e num só golpe enfio tudo pelo cu adentro. Entrou como faca em manteiga mas depois ela apertou só ela saberá como. Ao fim de 5 bombadas (que até estavam a saber quem nem ginjas apesar da visão medonha que tinha à minha frente) começo a sentir um cheiro inacreditável. Era mau demais. Nauseabundo, pareciam ovos podres. Epá já fodi muita gaja e por vezes vem um cheiro menos agradável, ok, mas aquilo era de acordar os mortos.

Tentei respirar fundo usando a minha tshirt como filtro mas de pouco adiantou, tentei dar mais umas bombadas a ver se me vinha para bazar dali para fora mas ao fim de 1 minuto nem tanto, com ela a gemer que nem uma égua a dar á luz, saquei o meu pau dali e recuei de imediato.

O que se passou a seguir será algo que nunca esquecerei. Ainda estava a recuar e ela de 4 a cagar-se toda no colchão. E não, não foi um acidente em que um bocadinho de cócó caiu depois de sexo anal. Ela fez aquilo com prazer. Simplesmente limpou a tripa toda em cima da sua própria cama enquanto gemia de prazer.

Não disse mais palavra nenhuma, tirei a camisinha da pila com a ajuda de um dodot, vesti-me em meio minuto e bazei dali para fora. Sentei-me no carro e fiquei ali uns bons minutos a tentar perceber porque lá tinha ido, porque tinha ficado e o que tinha acontecido.

Nem que me dessem 50€ eu aceitaria ver aquele espectaculo.

 

Num comentário adiante, explica em detalhe:

Respondendo directamente ao confrade zapater e à sua curiosidade: a mulher / gp / coisa no momento da “explosão” estava e manteve-se sempre de 4. Mal eu retirei o meu pobre pau daquele buraco nojento, ou um segundo depois, ela começa a borrar-se toda em cima da sua própria cama. Durante esse, chamemos-lhe, processo, que terá demorado seguramente meio minuto, ela cagou tudo o que tinha para cagar, limpou a tripa toda como qualquer um de nós faz numa sanita, ao mesmo tempo que grunhia qualquer coisa. Não dava para perceber o que dizia mas estava claramente a ter prazer, não diria que se estava a vir, mas estava a curtir aquilo. E de que maneira. No fundo… alivou-se.

Eu apenas me vesti e observei aquela cena mais ou menos olhando de lado tentando não vomitar. Que eu tenha visto, ela não saiu daquela posição até eu sair da pocilga.

Não lhe disse nada, não reclamei, só bazei.

O que fez depois com aquilo não sei nem quero saber. :smt087

 

Como um dos participantes do fórum explicou, “é para isto que sou putanheiro”

Image result for porcos na lama

 

 

Quem disse que ir às putas não era divertido?

A intrigante análise da viagem à terra das mulheres trabalhadores do nosso Myrddin, trouxe à Távola Redonda um conjunto de leitores que procura alagar o seu conhecimento sobre o tema da prostituição lisboeta. O Caro Patriarca decidiu então dar a sua opinião sobre a procura destes serviços por parte dos homens, concluído que apreender game seria uma alternativa viável – ponto de vista unânime na Távola. Eu, por outro lado, decidi alargar os meus conhecimentos sobre esse mundo. Como tal, que melhor lugar para o efeito que visitar o maior fórum de acompanhantes português – gp-pt.net.

O gp-pt é um site onde putanheiros e confrades trocam ideias sobre as putas que visitaram ou pretendem visitar. Fazem-se análises das sessões, trocam-se informação sobre preços, características físicas, veracidade de fotos, respeito e simpatia das moças e claro sobre a qualidade do coito. 

putas portugal
Método de avaliação estandardizado do SMV feminino

Por entre os milhares de TD’s ( uma espécie de Fiel Report do mundo das acompanhantes) disponíveis no gp-net, há um do user JonyBardo que merece um lugar de destaque.

Telefono à GP a saber as condições. Telefonema normal. Oral e vaginal com massagem por 20€. Vamos lá arriscar.

Chego ao local e ela explica-me em maior pormenor. Subo ao quarto andar. Abre a porta escondida e só se revela após eu ter entrado. Primeiro impacto negativo. Ela anúncio 28 anos. Meus amigos, 28 anos tenho eu e ela podia ser minha mãe. Mas enfim, agora já cá estou. Começa a falar e se o aspecto já era mau os modos são ainda piores. É uma barraqueira do Picoto, sem tirar nem por. Olho para ela com mais atenção e atende de cuecas e de top verde. O top verde está sujo com nódoas. A higiene não promete ser boa.

Olho em redor por uns instantes e tenho o primeiro momento WTF. Logo na entrada está um pequeno altar de madeira, com uma bíblia aberta, um crucifico em cima da bíblia e uns recipientes com um liquido escuro. Bruxarias e voodoo é algo que não me aquece nem me arrefece, mas sangue de galinha é algo que reconheço à distância por causa do cheiro. Começo logo a pensar onde caralho me vim meter. Fiquei sem saber se fui ali para dar uma queca ou para à imagem do filme “Cidade de Deus” entrar lá Dadinho e sair Zé Pequeno. Isto estava a ficar tão surreal que eu quis ver até que ponto chegava.

GP encaminha-me para o quarto. Está quente, sem AC nem ventoinha. Estavam perto de 40ºC lá fora. Escuso de dizer o quão mau isto é.

GP fecha a porta e exclama: “Pagamento adiantado!”. Se até agora ela era GP passou a ser puta de rua que por acaso está num apartamento. Falta de classe e de tacto tremenda. GP sai, assumi eu que para se higienizar. GP volta rapidamente pois higiene não é algo que a ela lhe assiste. Ela não se lava nem pede para me lavar. Num dia quente de verão. Boa.

Quando volta diz-me para me deitar de barriga para baixo para fazer a massagem. Eu nem sei como apelidar o que ela fez mas massagem não era de certeza. Aplicou um creme qualquer nas costas e fez menos esforço do que se estivesse a passar bronzeador. Depois dá uns toques com as pontas dos dedos. Aquilo está para uma massagem como um arroto está para um discurso do John F. Kennedy. Durou cerca de 2 minutos. Isto conclui o segundo momento WTF.

Viro-me para cima e ela inicia o que eu pensava que ia ser um oral encapotado mas que veio a ser a coisa mais surreal que nestes anos todos eu tive a infelicidade de presenciar. Vou relatar com a máxima fidelidade possível e em verdade vos digo caros foristas que é 100% real.

Primeiro saca do preservativo e faz questão de dizer que só ela pode mexer nele porque tem de ficar bem posto senão sai. Ok, tem a sua lógica. No entanto a lógica esbate-se logo nos primeiros segundos. Tira o profilatico para fora e desenrola-o por completo. De seguida enche o um pouco de ar. Eu fico com ar de parvo a olhar para ela. Garanto-vos que naquele momento pensei que ela ia fazer como os palhaços de circo que fazem uma escultura de cão com balões. Pensei ter encontrado a mítica puta batatoon mas não. A realidade era ainda mais ridícula.

Ela agora agarra a base do preservativo e estica com ambas as mãos. Eu não estou a dizer esticar um pouco, quando digo estica é ao ponto que dava para meter a cabeça lá dentro e fazer de gorro. A cabeça de cima, para que não haja dúvida. De seguida mete o preservativo no zé tolas e pela primeira vez na minha vida – morra eu aqui ceguinho – METE OS TOMATES JUNTOS.
Eu não aguentei. Tive de me partir a rir e perguntar o que ela estava a fazer. Ela continuou a afirmar que era o método dela. Eu ironicamente perguntei se ela queria que eu fosse buscar película de cozinha para enrolar o que sobrava de mim. Ela ponderou durante uns 30 segundos e disse “Não filho, não é preciso”. Foi ai que me apercebi que tinha uma puta maluca a segurar-me nos genitais. O modo de sobrevivência ficou ON.

Faz mais uns ajustes e puxa para cima e para baixo, com que objectivo final não consigo entender. No final os tomates ficam de fora do preservativo e ele foi puxado para cima de modo a que mais pareço ter uma peúga na piroca. Aproveitei este momento para reflectir na minha situação actual e cheguei à conclusão que para ter este karma devo ter sido o Hitler na vida passada. Mas adiante, que estou a divagar.

Quando finalmente aos olhos da GP o preservativo está correctamente colocado ela inicia o que chama de “oral”. Caros amigos, eu não sou doutorado em sexologia mas assumo que para ser chamado de oral o sexo tem de envolver a boca. Este não foi o caso. A GP chega-se perto do malho, abre a boca e começa a bater uma como quem está a transformar natas em manteiga ao mesmo tempo que arfa para cima do pénis. Este foi o terceiro momento WTF. Eu disse-lhe pelo menos 3 vezes “Mete-o na boca”, ao que ela aquiescia mas voltava a fazer exactamente a mesma coisa. Eu tive de lhe perguntar se isto era o oral. Ela diz que sim. Eu digo OK. Nesta altura só pensava se devia escrever um TD ou não pois os confrades talvez nem fossem acreditar em mim. Aproveito para dizer que ela não tirou o top, apenas as cuecas. Isto feito sempre a despachar, parecia que os meus genitais eram um carro de formula 1 e ela uma equipa de pit stop.

Quando o malho atinge algum volume, coisa que dada a confluência de circunstâncias foi tarefa de Sísifo, ela mete-se de gatas e diz-me para meter por trás. Eu pego no meu malho coberto por um preservativo esticado que mais parece uma peúga e ia mete-lo quando ela diz “NÃO MEXAS, SÓ EU É QUE MEXO!”. Aparentemente a única parte do corpo do cliente que pode tocar lhe é a piroca coberta com látex ao modo sui generis da GP. Ela lá encaixa e basicamente a sensação foi a de meter o pénis dentro de uma pochete com areia lá dentro. Nunca fodi nada tão seco e eu sou um gajo que uma vez fodi um pacote de bolachas de agua e sal – true story. Saco o zé tolas para fora e olho para lá a ver o que se passa. Aí vejo a vagina dela. Lábios dependurados e caídos, parecia a manga de um feiticeiro. Isto se a manga fosse de cor roxa. Foi aí que meti um ponto final nisto. Ela ainda me amarrou pela base da piroca e tentou meter lá dentro mas eu disse simplesmente: “Filha, isto não dá. Fica com o dinheiro porque se és assim com todos vais precisar dele.” Não devo ter sido o primeiro a dizer isto porque ela nem reagiu. Tirei o preserva, deitei-o para o chão porque LOL e comecei a vestir-me. Saí sozinho. Voltei a confirmar que no altar de voodoo era mesmo sangue de galinha.

Disclaimer: A Távola Redonda não é apologista do uso de putas.

A profissão mais velha do mundo

Não há nada mais impessoal do que frequentar um serviço de prostituição. É como masturbares-te com alguém por baixo.

Três amigos entram num estabelecimento noturno situado na zona nobre da cidade. Passada a primeira vistoria aproximam-se do bar, duas cervejas e uma água para o motorista designado. O cavalheiro do bar apresenta-lhes os preços da casa provando-os concomitantemente adequados, quer à carteira quer à intenção festiva dos rapazes. Uma garrafa, duas, três. Sentados e regalados, um par de raparigas – convocadas pela opulência – aborda o trio intencionando convertê-lo num quinteto. Os rapazes anuem (o condutor entreteve-se no telemóvel) e em breve partilharão bebidas, depois conversas, depois intimidades e depois intimidade. Abandonaram o espaço uma hora umas horas mais tarde, com as recém-conhecidas, rumo à prazenteira privacidade desejada.
Este podia ser o retracto de qualquer clube nocturno de qualquer lugar no mundo, mas na verdade as palavras antecedentes, reportam à noite num bordel

night angels

O espaço, publicitado em inúmeros diretórios inclusive o da Câmara Municipal de Lisboa, mudou algumas vezes de gerência e até de nome (a foto está desatualizada). É hoje explorado por uma empresa registada em 1972 e com o CAE 56305 – “Estabelecimentos de bebidas com espaço de dança” (já possuiu o CAE 56302 de apenas “bar”). Segundo o registo einforma, a empresa teve um incremento de vendas em 2013 e possui apenas um funcionário. Teve também uma alteração ao capital social decorrente do recente divórcio do sócio maioritário, capital social esse que corresponde sensivelmente a 10.000 €.

Os pagamentos far-se-iam preferencialmente em dinheiro, mas o pagamento multibanco transfere os onerosos montantes para uma conta pessoal em Setúbal, provavelmente do empregado. A prostituição não é ilegal em Portugal, mas segundo o artigo 169 º do Código Penal, “Quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”. Ficamos no decorrer da noite a saber que as raparigas ganham metade do que os clientes consomem, que um espaço idêntico se gera com um investimento de 15.000 e que o proprietário faz perto de 5000 € por mês, limpos de impostos. Sabemos também que as instalações nunca se fixam no mesmo local por muito tempo (as empresas parecem rodar entre espaços pré-existentes), assim como as raparigas.

Apercebo-me no decorrer da noite como os serviçais não vendem o sexo, vendem uma experiência: Com a verosimilidade de Meryl Streep, interpretam o papel de jovem interessada, apaixonada, atraída, Fazem perguntas e riem-se fatalmente das respostas, oscilando entre a doçura e a provocação, enquanto desabrocham a carteira mas também a sensualidade do cliente. Nem um dos vislumbrados vem para se vir, mas para se ver objecto de desejo, desejável. Diferente do que observei na Alemanha aonde a legalização remonta a 2002 e a interacção é maquinal, industrial, com preços tabelados (não negociáveis) e uma vigilância dissuasora evita abusos mas incrementa a distância, as raparigas são aconselhadas a trocar contactos com os homens terminando a sessão com elogios e até presentes.

385a8bdda8410c99c2ec15d13c55edd41459700465

A supracitada legislação é comentada com repúdio. “Isto já está mau para nós, imagina como será depois”. Pergunto se não preferiam um estatuto profissional documentado, proteção social, descontar, e outro tipo de apoios. “Nem pensar”. Entre os clientes que recebe, já acumula bizarrias suficientes e teme que a expansão acarretada com a legalização a prejudique ainda mais. Confesso ficar com a impressão de a ver aliviada por atender jovens universitários inócuos como nós por alternativa à clientela habitual e ela anui mas a veracidade da resposta é tão contestável como tudo o resto. Estudo esta clientela, à medida que, com o adiantar da hora, o espaço se compõe. Maioritariamente de homens de meia idade, vários tipos. Há os aguerridos, corpulentos e brutos, mas a maioria são comedidos, tímidos, desabituados às lides da sedução onde as raparigas são profissionais. Alguns serão casados, quiçá Pais de família. Porque não se encontram aninhados às suas esposas libertinas e sexualmente emancipadas?

Se estivéssemos em França, seriam considerados criminosos e agressivamente multados. Uma lei androfóbica criminaliza, desde o ano passado e à semelhança do sucedido na Suécia, Noruega e Reino Unido, a utilização de serviços de prostituição. Observo mais atentamente aos cavalheiros a quem a legislação Gaulesa apelida de criminosos e pergunto-me em que medida não serão vítimas, esgotando centenas (milhares?) de euros poupados e esforçados apenas para se sentirem intento de dissimulada admiração. A comparação inicial não vem a despropósito: Todas as casas de diversão (sob os vários CAE’s 563XX) vendem boas sensações, a mercadoria que – dos prostíbulos às redes sociais – mais valor comercial tem no século XXI. Um dispêndio num espaço nocturno concorrente onde a prostituição não esteja dissimuladamente implícita, mostra-se infortuito. Assim, evitando correr o risco de gastar montante equivalente ou superior para terminar a noite sozinho, o utilizador pretere as alternativas. Quem o pode julgar?

Prejudicando primeiramente as prostitutas, a lei francesa foi contestada pelo sindicato dos trabalhadores sexuais quem temeu, não uma defesa das sindicadas mas um estrangulamento da procura, trucidando a sua principal fonte de rendimentos. Pior do que condenar as prostitutas à prisão, a Esquerda libertina francesa, condenou-as à miséria.

Com dois clientes diários, a prostituta já recebeu no primeiro dia do mês e sem impostos ou descontos, mais de um terço do salário mínimo nacional. Disse-me a socióloga Alexandra Oliveira há alguns anos atrás que ouvira de uma profissional entrevistada, “Não há nada pior do que dormir com alguém de quem não gostamos”. Serão vítimas do capitalismo, argutas quanto baste para escapar ao fadário de baixos salários e conseguir uma vida melhor vendendo o corpo. E os “Joes”? Serão as vítimas do mercado sexual, desesperados quanto baste para escaparem à solidão e conseguirem fruir, recorrendo ao sexo pago. São duas classes de vítimas que se encontram no bordel, todos igualmente explorados.

Saímos pela madrugada em direcção depois de nos despedirmos calorosamente de todos os presentes. Diante da estação Roma-areeiro, o rapaz quem usufruiu dos serviços da casa, comentou “Acho que ela gostou mesmo de mim” e partilhou alguma das idiossincrasias da sua noite desde que nos havíamos separado. Sentiu ter recebido um tratamento especial e manifestou intenção de regressar. “Para ter sexo?” perguntei. “Para me sentir especial”.