De novo a prostituição, desta vez contra

Tornou-se sufocante o ambiente incutido à população heterossexual masculina, com demasiadas prerrogativas concêntricas para as julgar meramente casuais. Este é um plano orquestrado contra nós; Temos de o travar.

Já defendi a prostituição, acerrimamente, em nome da liberdade de escolha. Moderei o entusiasmo ao mensurar essa liberdade, nos actuantes e nas actuadas, apreciando as condicionantes que a toldam, minora, que deturpa as escolhas individuais. A prostituição parte de Foucault (“Tudo é permitido, nada é possível”) e de MC Xeg (“Foi por isto que lutaram ou foram apenas o que conseguiram). O mercado nasce da necessidade; o mercado da prostituição nasce do desespero. O país que outorga um rendimento mínimo de subsistência, extrai condições mínimas de sobrevivência. A mim e aos meus. Aos nossos.

Não sei se é a profissão mais velha do mundo e muitos antropólogos questionam-no com fiúza. Facto é que nasce de uma premissa que ao longo da minha experimentação sexual (uma que dura há mais de meia vida) tenho provado persistentemente estar errada: a de que a sexualidade feminina tem um valor económico positivo (é trocada por dinheiro) e a sexualidade masculina tem um valor económico negativo (é trocada com dinheiro). Isto é mentira. Um trajecto direccionado à igualdade entre sexos (géneros, só os botânicos) condenaria esta leitura; A inclusão das mulheres no mercado de trabalho e os direitos laborais que granjearam, têm de ser contrabalançados com a respeitabilidade da sexualidade masculina, uma valorização legislativa do homem enquanto providenciador de (maior) prazer à contraparte. Mas o que vemos nós?

Pacotes legislativos que castram a nossa heterossexualidade. Sucessivamente. Compulsivamente. Impiedosamente.

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Quando legalizaram o casamento entre paneleiros, não interessava realmente o casamento – a maior parte dos seus promotores desdenha profundamente o matrimónio – mas sim passar uma imagem pública de aceitação da homossexualidade. Quando aprovaram as quotas para mulheres, não interessava realmente ter mulheres na política – a maior parte dos seus promotores desdenha profundamente todas as mulheres  que tiveram um papel de relevo na polis em vez de coadjuvarem esposos, amantes ou familiares, de Thather a Ferreira Leite – mas passar uma imagem pública de promoção à igualdade no acesso aos lugares de poder. Com a legalização da prostituição, não interessa realmente a prostituição – a maior parte dos seus promotores nunca frequentou um serviço sexual  – mas passar uma imagem pública de que os homens devem satisfazer as suas necessidades sexuais a troco de dinheiro. Dinheiro que passa a ser taxado. Querem a heterossexualidade a pagar IVA.

A maior parte dos seus promotores repudia a frequência dos serviços sexuais. Na entrevista a Alexandra Oliveira,  a puta Câncio vai tão longe no desprezo a que vota os clientes da prostituição, que apresenta as desgraçadas como “predadoras”cujo controlo sobre o cliente vai ao ponto de “recusar sexo sem preservativo” ou “sexo anal”. Ao cruzar a esquina do Instituto Técnico, nalgumas zonas obscuras do Monsanto, observando as mulheres da vida ao frio e à chuva durante horas para fazer 10 € por um broche a um trolha, deixarei de sentir complacência ou solidariedade. Afinal, elas são “comerciantes” e “sexualmente activas”. São o pináculo da civilização progressista.

O que Alexandra Oliveira não respondeu neste escarro jornalístico foi o que me disse a mim, em pessoa, há 5 anos atrás: “Nenhuma mulher escolhe ser prostituta. Não há nada pior do que fazer Amor com alguém de quem não se gosta”, ouviu de uma meretriz. Como também não mencionou que sem os tenebrosos e repelentes clientes, as prostitutas morrem à fome.

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Pináculo do progresso social na Avenida Rovisco Pais; Candidata a broncopneumonia

As prostitutas que conheci em Lisboa eram filhas das classes industriais, criadas nos subúrbios,  vítimas de todos os fenómenos que recaem sempre sobre os mais pobres – do desemprego à gravidez precoce. Na Alemanha, as prostitutas eram maioritariamente emigrantes de Leste, da Moldávia e da Roménia, estados falhados com governos corruptos. A Esquerda combate o colonialismo e seus vestígios, mesmo que este tenha terminado há mais de meio século em Portugal (e há mais de um século nos restantes países), mas era hábito dos colonizadores trazerem mulheres das terras conquistadas para as fazer render na metrópole – Luís de Camões, em Lisboa, vivia às custas de uma prostituta Macaense. A Esquerda combate o economicismo das relações internacionais que hierarquiza povos e nações, subjugando os mais fracos; Foi porém a fraqueza das economias da ex-URSS – outrora estados comunistas – que gerou os fenómenos de emigração em massa através dos quais estas mulheres acabaram, viabilizados por Schengen, a vender-se à toda-poderosa Germânia. A Esquerda opôs-se ao neoliberalismo, ao capitalismo selvagem, à necessidade de espremer as contas públicas para saldar défices e dividas custe o que custar, mas no desespero, os legisladores são capazes de ceder as próprias mulheres se isso gerar receita fiscal e possibilitar saldar computo. A Esquerda opôs-se à escravatura mas o que são estas mulheres que abrem as pernas para poder comer? Trabalhadoras independentes?

Em vez de instrumentos carnais de satisfação lúbrica, nos sumptuosos quartos de Colónia, eu vi as colonizadas, despojos do triunfo ariano sobre as nações eslavas. Autorizar a prostituição é dar corpo jurídico à profanação do corpo físico, é tabelar a intimidade da mulher. Representa o machismo porque valida a fêmea na sua exclusiva função prazenteira e o feminismo porque monetiza o direito do homem ao prazer. Corresponde ao regresso do feudalismo quando os detentores da terra (hoje, do capital) podiam usar e desposar as filhas dos camponeses, ao mais barbárico capitalismo porque outorga direitos superlativos aos mais ricos. Legalizar a prostituição é um instrumento sociopata de opressão sob a sanidade relacional, disposta a regulamentar beijos e carícias; é o mais vil mecanismo da burguesia promovendo a subordinação da mulher ao grande capital, a submissão do fraco ao mais forte, a exploração do Homem pelo seu igual e muito me custa que esteja a ser apresentada por um conjunto de gente inefável mas que se diz Socialista.

Também se diz progressista mas não fará mais do que expandir o preconceito que recai sobre os homens que solicitam prostitutas. Além de as tornar mais caras.

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Socialismo do século XXI

Continuará a haver prostituição com ou sem leis para tal, frutos da incompetência legislativa e executiva – as mesmas forças policiais que não conseguem impedir a entrada de droga na cidade, serão demasiado fracas para encerrar os milhares de prostíbulos ilegais que existem há décadas pelo país. A alternativa dos seus clientes, no combate contra a solidão, é a paneleiragem. Neste momento já lhes vendem como normal a ideia de acasalar com um homem sem piça, e também essa é uma forma de manipular e inferiorizar os homens – sub-humanos. Fazem “o segmento mais perigoso de qualquer sociedade” sentir-se menos merecedor, dando “migalhas” a fim de nos controlar.

Além do Portal-privado, dos serviços de escorts Europeus e de um website chamado Seeking Arrangement, um Tinder remunerado onde os homens apresentam o seu networth ao invés de fotografiasexiste já um serviço de arrendamento de namoradas onde um tipo pode pagar a uma central proxeneta para lhe dispensar alguém que finja suficientemente bem que gosta dele. Não existem vozes em contraditório quer pelo receio de ser publicamente visto como conservador (ou pior, machista!) quer porque muitos homens esperam finalmente quebrar a solidão, abrindo os cordões à bolsa. Parece ser uma forma diplomática de excluir os homens indesejados do mercado sexual, erradicando-os dos bares e discotecas (onde já têm dificuldades de entrada), pela porta dos fundos.

Na canção Lori Meyers, da banda NoFX, uma actriz porno (prostituta filmada) reporta ao jovem Mike Burkett (vocalista) “pensas que vendo o meu corpo, meramente vendo o meu tempo”. Porque razão devem os homens heterossexuais com princípios combater a legalização da prostituição? Para deixar claro que o tempo de pega alguma é mais importante do que o nosso.

Quem disse que ir às putas não era divertido?

A intrigante análise da viagem à terra das mulheres trabalhadores do nosso Myrddin, trouxe à Távola Redonda um conjunto de leitores que procura alagar o seu conhecimento sobre o tema da prostituição lisboeta. O Caro Patriarca decidiu então dar a sua opinião sobre a procura destes serviços por parte dos homens, concluído que apreender game seria uma alternativa viável – ponto de vista unânime na Távola. Eu, por outro lado, decidi alargar os meus conhecimentos sobre esse mundo. Como tal, que melhor lugar para o efeito que visitar o maior fórum de acompanhantes português – gp-pt.net.

O gp-pt é um site onde putanheiros e confrades trocam ideias sobre as putas que visitaram ou pretendem visitar. Fazem-se análises das sessões, trocam-se informação sobre preços, características físicas, veracidade de fotos, respeito e simpatia das moças e claro sobre a qualidade do coito. 

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Método de avaliação estandardizado do SMV feminino

Por entre os milhares de TD’s ( uma espécie de Fiel Report do mundo das acompanhantes) disponíveis no gp-net, há um do user JonyBardo que merece um lugar de destaque.

Telefono à GP a saber as condições. Telefonema normal. Oral e vaginal com massagem por 20€. Vamos lá arriscar.

Chego ao local e ela explica-me em maior pormenor. Subo ao quarto andar. Abre a porta escondida e só se revela após eu ter entrado. Primeiro impacto negativo. Ela anúncio 28 anos. Meus amigos, 28 anos tenho eu e ela podia ser minha mãe. Mas enfim, agora já cá estou. Começa a falar e se o aspecto já era mau os modos são ainda piores. É uma barraqueira do Picoto, sem tirar nem por. Olho para ela com mais atenção e atende de cuecas e de top verde. O top verde está sujo com nódoas. A higiene não promete ser boa.

Olho em redor por uns instantes e tenho o primeiro momento WTF. Logo na entrada está um pequeno altar de madeira, com uma bíblia aberta, um crucifico em cima da bíblia e uns recipientes com um liquido escuro. Bruxarias e voodoo é algo que não me aquece nem me arrefece, mas sangue de galinha é algo que reconheço à distância por causa do cheiro. Começo logo a pensar onde caralho me vim meter. Fiquei sem saber se fui ali para dar uma queca ou para à imagem do filme “Cidade de Deus” entrar lá Dadinho e sair Zé Pequeno. Isto estava a ficar tão surreal que eu quis ver até que ponto chegava.

GP encaminha-me para o quarto. Está quente, sem AC nem ventoinha. Estavam perto de 40ºC lá fora. Escuso de dizer o quão mau isto é.

GP fecha a porta e exclama: “Pagamento adiantado!”. Se até agora ela era GP passou a ser puta de rua que por acaso está num apartamento. Falta de classe e de tacto tremenda. GP sai, assumi eu que para se higienizar. GP volta rapidamente pois higiene não é algo que a ela lhe assiste. Ela não se lava nem pede para me lavar. Num dia quente de verão. Boa.

Quando volta diz-me para me deitar de barriga para baixo para fazer a massagem. Eu nem sei como apelidar o que ela fez mas massagem não era de certeza. Aplicou um creme qualquer nas costas e fez menos esforço do que se estivesse a passar bronzeador. Depois dá uns toques com as pontas dos dedos. Aquilo está para uma massagem como um arroto está para um discurso do John F. Kennedy. Durou cerca de 2 minutos. Isto conclui o segundo momento WTF.

Viro-me para cima e ela inicia o que eu pensava que ia ser um oral encapotado mas que veio a ser a coisa mais surreal que nestes anos todos eu tive a infelicidade de presenciar. Vou relatar com a máxima fidelidade possível e em verdade vos digo caros foristas que é 100% real.

Primeiro saca do preservativo e faz questão de dizer que só ela pode mexer nele porque tem de ficar bem posto senão sai. Ok, tem a sua lógica. No entanto a lógica esbate-se logo nos primeiros segundos. Tira o profilatico para fora e desenrola-o por completo. De seguida enche o um pouco de ar. Eu fico com ar de parvo a olhar para ela. Garanto-vos que naquele momento pensei que ela ia fazer como os palhaços de circo que fazem uma escultura de cão com balões. Pensei ter encontrado a mítica puta batatoon mas não. A realidade era ainda mais ridícula.

Ela agora agarra a base do preservativo e estica com ambas as mãos. Eu não estou a dizer esticar um pouco, quando digo estica é ao ponto que dava para meter a cabeça lá dentro e fazer de gorro. A cabeça de cima, para que não haja dúvida. De seguida mete o preservativo no zé tolas e pela primeira vez na minha vida – morra eu aqui ceguinho – METE OS TOMATES JUNTOS.
Eu não aguentei. Tive de me partir a rir e perguntar o que ela estava a fazer. Ela continuou a afirmar que era o método dela. Eu ironicamente perguntei se ela queria que eu fosse buscar película de cozinha para enrolar o que sobrava de mim. Ela ponderou durante uns 30 segundos e disse “Não filho, não é preciso”. Foi ai que me apercebi que tinha uma puta maluca a segurar-me nos genitais. O modo de sobrevivência ficou ON.

Faz mais uns ajustes e puxa para cima e para baixo, com que objectivo final não consigo entender. No final os tomates ficam de fora do preservativo e ele foi puxado para cima de modo a que mais pareço ter uma peúga na piroca. Aproveitei este momento para reflectir na minha situação actual e cheguei à conclusão que para ter este karma devo ter sido o Hitler na vida passada. Mas adiante, que estou a divagar.

Quando finalmente aos olhos da GP o preservativo está correctamente colocado ela inicia o que chama de “oral”. Caros amigos, eu não sou doutorado em sexologia mas assumo que para ser chamado de oral o sexo tem de envolver a boca. Este não foi o caso. A GP chega-se perto do malho, abre a boca e começa a bater uma como quem está a transformar natas em manteiga ao mesmo tempo que arfa para cima do pénis. Este foi o terceiro momento WTF. Eu disse-lhe pelo menos 3 vezes “Mete-o na boca”, ao que ela aquiescia mas voltava a fazer exactamente a mesma coisa. Eu tive de lhe perguntar se isto era o oral. Ela diz que sim. Eu digo OK. Nesta altura só pensava se devia escrever um TD ou não pois os confrades talvez nem fossem acreditar em mim. Aproveito para dizer que ela não tirou o top, apenas as cuecas. Isto feito sempre a despachar, parecia que os meus genitais eram um carro de formula 1 e ela uma equipa de pit stop.

Quando o malho atinge algum volume, coisa que dada a confluência de circunstâncias foi tarefa de Sísifo, ela mete-se de gatas e diz-me para meter por trás. Eu pego no meu malho coberto por um preservativo esticado que mais parece uma peúga e ia mete-lo quando ela diz “NÃO MEXAS, SÓ EU É QUE MEXO!”. Aparentemente a única parte do corpo do cliente que pode tocar lhe é a piroca coberta com látex ao modo sui generis da GP. Ela lá encaixa e basicamente a sensação foi a de meter o pénis dentro de uma pochete com areia lá dentro. Nunca fodi nada tão seco e eu sou um gajo que uma vez fodi um pacote de bolachas de agua e sal – true story. Saco o zé tolas para fora e olho para lá a ver o que se passa. Aí vejo a vagina dela. Lábios dependurados e caídos, parecia a manga de um feiticeiro. Isto se a manga fosse de cor roxa. Foi aí que meti um ponto final nisto. Ela ainda me amarrou pela base da piroca e tentou meter lá dentro mas eu disse simplesmente: “Filha, isto não dá. Fica com o dinheiro porque se és assim com todos vais precisar dele.” Não devo ter sido o primeiro a dizer isto porque ela nem reagiu. Tirei o preserva, deitei-o para o chão porque LOL e comecei a vestir-me. Saí sozinho. Voltei a confirmar que no altar de voodoo era mesmo sangue de galinha.

Disclaimer: A Távola Redonda não é apologista do uso de putas.

A profissão mais velha do mundo

Não há nada mais impessoal do que frequentar um serviço de prostituição. É como masturbares-te com alguém por baixo.

Três amigos entram num estabelecimento noturno situado na zona nobre da cidade. Passada a primeira vistoria aproximam-se do bar, duas cervejas e uma água para o motorista designado. O cavalheiro do bar apresenta-lhes os preços da casa provando-os concomitantemente adequados, quer à carteira quer à intenção festiva dos rapazes. Uma garrafa, duas, três. Sentados e regalados, um par de raparigas – convocadas pela opulência – aborda o trio intencionando convertê-lo num quinteto. Os rapazes anuem (o condutor entreteve-se no telemóvel) e em breve partilharão bebidas, depois conversas, depois intimidades e depois intimidade. Abandonaram o espaço uma hora umas horas mais tarde, com as recém-conhecidas, rumo à prazenteira privacidade desejada.
Este podia ser o retracto de qualquer clube nocturno de qualquer lugar no mundo, mas na verdade as palavras antecedentes, reportam à noite num bordel

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O espaço, publicitado em inúmeros diretórios inclusive o da Câmara Municipal de Lisboa, mudou algumas vezes de gerência e até de nome (a foto está desatualizada). É hoje explorado por uma empresa registada em 1972 e com o CAE 56305 – “Estabelecimentos de bebidas com espaço de dança” (já possuiu o CAE 56302 de apenas “bar”). Segundo o registo einforma, a empresa teve um incremento de vendas em 2013 e possui apenas um funcionário. Teve também uma alteração ao capital social decorrente do recente divórcio do sócio maioritário, capital social esse que corresponde sensivelmente a 10.000 €.

Os pagamentos far-se-iam preferencialmente em dinheiro, mas o pagamento multibanco transfere os onerosos montantes para uma conta pessoal em Setúbal, provavelmente do empregado. A prostituição não é ilegal em Portugal, mas segundo o artigo 169 º do Código Penal, “Quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição é punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”. Ficamos no decorrer da noite a saber que as raparigas ganham metade do que os clientes consomem, que um espaço idêntico se gera com um investimento de 15.000 e que o proprietário faz perto de 5000 € por mês, limpos de impostos. Sabemos também que as instalações nunca se fixam no mesmo local por muito tempo (as empresas parecem rodar entre espaços pré-existentes), assim como as raparigas.

Apercebo-me no decorrer da noite como os serviçais não vendem o sexo, vendem uma experiência: Com a verosimilidade de Meryl Streep, interpretam o papel de jovem interessada, apaixonada, atraída, Fazem perguntas e riem-se fatalmente das respostas, oscilando entre a doçura e a provocação, enquanto desabrocham a carteira mas também a sensualidade do cliente. Nem um dos vislumbrados vem para se vir, mas para se ver objecto de desejo, desejável. Diferente do que observei na Alemanha aonde a legalização remonta a 2002 e a interacção é maquinal, industrial, com preços tabelados (não negociáveis) e uma vigilância dissuasora evita abusos mas incrementa a distância, as raparigas são aconselhadas a trocar contactos com os homens terminando a sessão com elogios e até presentes.

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A supracitada legislação é comentada com repúdio. “Isto já está mau para nós, imagina como será depois”. Pergunto se não preferiam um estatuto profissional documentado, proteção social, descontar, e outro tipo de apoios. “Nem pensar”. Entre os clientes que recebe, já acumula bizarrias suficientes e teme que a expansão acarretada com a legalização a prejudique ainda mais. Confesso ficar com a impressão de a ver aliviada por atender jovens universitários inócuos como nós por alternativa à clientela habitual e ela anui mas a veracidade da resposta é tão contestável como tudo o resto. Estudo esta clientela, à medida que, com o adiantar da hora, o espaço se compõe. Maioritariamente de homens de meia idade, vários tipos. Há os aguerridos, corpulentos e brutos, mas a maioria são comedidos, tímidos, desabituados às lides da sedução onde as raparigas são profissionais. Alguns serão casados, quiçá Pais de família. Porque não se encontram aninhados às suas esposas libertinas e sexualmente emancipadas?

Se estivéssemos em França, seriam considerados criminosos e agressivamente multados. Uma lei androfóbica criminaliza, desde o ano passado e à semelhança do sucedido na Suécia, Noruega e Reino Unido, a utilização de serviços de prostituição. Observo mais atentamente aos cavalheiros a quem a legislação Gaulesa apelida de criminosos e pergunto-me em que medida não serão vítimas, esgotando centenas (milhares?) de euros poupados e esforçados apenas para se sentirem intento de dissimulada admiração. A comparação inicial não vem a despropósito: Todas as casas de diversão (sob os vários CAE’s 563XX) vendem boas sensações, a mercadoria que – dos prostíbulos às redes sociais – mais valor comercial tem no século XXI. Um dispêndio num espaço nocturno concorrente onde a prostituição não esteja dissimuladamente implícita, mostra-se infortuito. Assim, evitando correr o risco de gastar montante equivalente ou superior para terminar a noite sozinho, o utilizador pretere as alternativas. Quem o pode julgar?

Prejudicando primeiramente as prostitutas, a lei francesa foi contestada pelo sindicato dos trabalhadores sexuais quem temeu, não uma defesa das sindicadas mas um estrangulamento da procura, trucidando a sua principal fonte de rendimentos. Pior do que condenar as prostitutas à prisão, a Esquerda libertina francesa, condenou-as à miséria.

Com dois clientes diários, a prostituta já recebeu no primeiro dia do mês e sem impostos ou descontos, mais de um terço do salário mínimo nacional. Disse-me a socióloga Alexandra Oliveira há alguns anos atrás que ouvira de uma profissional entrevistada, “Não há nada pior do que dormir com alguém de quem não gostamos”. Serão vítimas do capitalismo, argutas quanto baste para escapar ao fadário de baixos salários e conseguir uma vida melhor vendendo o corpo. E os “Joes”? Serão as vítimas do mercado sexual, desesperados quanto baste para escaparem à solidão e conseguirem fruir, recorrendo ao sexo pago. São duas classes de vítimas que se encontram no bordel, todos igualmente explorados.

Saímos pela madrugada em direcção depois de nos despedirmos calorosamente de todos os presentes. Diante da estação Roma-areeiro, o rapaz quem usufruiu dos serviços da casa, comentou “Acho que ela gostou mesmo de mim” e partilhou alguma das idiossincrasias da sua noite desde que nos havíamos separado. Sentiu ter recebido um tratamento especial e manifestou intenção de regressar. “Para ter sexo?” perguntei. “Para me sentir especial”.