Em Berlim, Feministas anti-Trump apelam ao Islão

Nota: Um canto Islâmico correctamente proferido contém dezenas de palavras complexas que obrigam ao conhecimento profundo da língua Árabe; Como a feminista não sabe Árabe nem conhece cânticos islâmicos pelo natural facto de não ser essa a sua cultura, ela limita-se a reproduzir (E MAL) as palavras Allahu akbar (Deus é o maior) sinalizando que o seu desejo de entrega ao poder externo é muito maior do que o de o conhecer. Vamos recordarmos-nos que a razão pela qual todos no Ocidente reconhecemos estas palavras (as únicas palavras que conhecemos) é porque são aquelas que são proferidas antes dos filhos da puta rebentarem com algumas centenas de inocentes. Vamos recordarmos-nos de que eles já estão na Europa, entre nós, com conivência e aplauso deste bando de rameiras. Vamos recordarmos-nos que amanhã, podemos ser os próximos

Eles querem-te cortar a piça

“‘Vem por aqui’ – dizem-me alguns com os olhos doces/Estendendo-me os braços, e seguros/De que seria bom que eu os ouvisse/Quando me dizem: “vem por aqui!” 
Eu olho-os com olhos lassos/(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)/E cruzo os braços, /E nunca vou por ali…” (Cântico Negro, José Régio) 

Fui fã de Harry Potter como todos os da minha geração, mesmo percebendo como a narrativa, nos seus vários desenvolvimentos, é uma repetição infinita de clichés arquétipos semi-plagiados a tantas outras histórias da sabedoria popular. Não darei exemplos. Mas sim, a coerência ao longo de quatro mil páginas é valorosa, as personagens estão bem caracterizadas e quase todas elas trazem muita mas muita RedPill: Merope Gaunt (de onde vêm as mães solteiras/Quem faz abortos?) Tonks (degeneração convoca degeneração), Hermione (quando se divorciar do Beta Ron e ele se tornar um monge, Hermione escreverá um livro sobre Viktor Krum) ou as opções românticas de Harry (antes uma HB8 virgem e mais nova do que uma Roastie HB10). Mas o personagem central nesta análise metafísica à saga fantasiosa é obviamente Severus Snape.

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Mais Beta do que o Markl

Snape lembra-me um informático meu amigo que, casando com uma mãe solteira, tem de dar a sua vida para proteger os filhos dela. Com a diferença que o Professor Severus, nunca foi à cona de Lily Potter. Aliás, não há registo de que alguma vez haja praticado o coito, desprovido de descendência ou família. Passava as férias sozinho num apartamento sombrio que herdou da mãe, numa localidade hostil. A escolha de carreira em preparar jovens para o seu futuro, já lhe granjeou o epíteto de pedófilo online. Afinal, não é só o Henrique Raposo quem quer excluir os homens do sistema educativo e garantir que os rapazes e as raparigas crescem sem um único homem em seu torno.

Nós, n’A Távola Redonda, achamos que Snape é um homem beta. Um tipo sofredor e submisso a quem faltam as capacidades adequadas para seduzir uma mulher. Pode transformar-se num homem alfa e virtudes para isso não lhe faltam: Tem a coragem, a resiliência, a ousadia e a destreza necessária. Sob a nossa filosofia, um par de anos seriam mais do que necessário para que conseguisse enfiar a varinha onde desejasse. Mas o que lhes chama o mesmo pós-modernismo que retira a um docente as facilidades que devia ter no mercado sexual? Uma mulher transgénero (homem sem piça).

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Está por toda a internet. Nalguns posts tratam o professor fictício por she (ela). Mas com a saga finalizada há mais de uma década, porquê o surgimento de leituras secundárias que nem sequer são suportadas pela autora, extremamente sensata para os dias que correm? Porque o revisionismo histórico dos dias que correm obriga a que se rescreva tudo quanto foi realizado e redigido, nem que seja para apagar.

A invasão dos transgénicos

Até há uns anos os travecos eram uma raridade, uma curiosidade académica, uma excepção demonstrada em shows exuberantes em cabarets alternativos apresentada como um passatempo excêntrico, não como uma identidade. Um preto zuka que trabalhava no cabeleireiro onde a minha mãe vai, “fazia drag” – Cortava cabelos seis dias por semana e vivia como homem mas à (?) sexta-feira vestia-se de mulher, cantava, recebia. Chegou a ganhar um prémio excêntrico num concurso marado; Não sei se cortou a piça (nem quero saber) mas sei que não interiorizava ou reproduzia a ideia de mulher presa num corpo de homem. Esse conceito foi explorado recentemente (depois de legalizado o casamento gay) e serviu para pressionar os betas à auto-castração. Hoje, estão por todo o lado.

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Hoje os travecas estão por todo o lado

A mudança de sexo é mais do que uma moda. É uma indústria. Na mais antiga clínica inglesa que possibilita as mudanças de sexo, o número de pacientes triplicou em 10 anos. Na Austrália, o número de pacientes decuplicou desde 2012. Em Exeter esse número foi multiplicado por 20; Em Norrington, por 28 . Na Suécia, as operações requisitadas para crianças duplicaram por ano em todos os anos, tendo sido realizadas 197 cirurgias em 2016. São já tantas que se abrem escolas para crianças transgénicas, apartando-as das demais.

Quando um dia a tecnologia permitir a transformação cromossomática, seremos confrontados com a verdadeira possibilidade de um homem se poder transformar em mulher e o contrário. Porquanto, essa decisão já pode ser tomada no útero, pelos Pais, que estatisticamente preferem meninas. Mas durante a vida adulta, não podemos considerar que alguém cujo corpo funciona integralmente como o de um homem deixou de o ser só porque foi capado; Ou como o diz o Ben Shapiro, “se um gajo tiver um acidente e ficar sem pénis, não podemos considerar que se transformou magicamente numa mulher”. Mesmo as feministas radicais como Robin Morgan ou Gloria Steinem se recusam a tratar homens transvestidos de mulheres.

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A segunda, chamou à questão “uma instância assustadora daquilo a que o feminismo nos pode conduzir” e “a prova viva de que o feminismo não é necessário”. Pensava ela que não valia a pena às mulheres da segunda geração de feministas lutarem por igualdade salarial e laboral; Bastava-lhes mudarem de sexo para granjearem as condições de empregabilidade masculinas. Porque são hoje os homens quem maioritariamente pede para trocar de sexo? Como já referimos antes, porque as condições de vida masculinas são tão más, que muitos preferem deixar de ser homens para adquirir por automatismo, os direitos que a sociedade renega aos portadores de pénis. A propaganda transgénica é equiparável a deixar uma corda de nó pendurada no quarto de alguém que tenha pensamentos suicidas e se os vitimados pela disforia de género têm tendências exponenciais para o suicídio, a operação conducente potencia-as em vez de as minorar.,   Foi a razão de o prevenir que os ataques terroristas foram retirados da imprensa, e não a defesa irracional dos terroristas.

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A consequência de não tratar adequadamente a doença mental

Eventualmente, muitos se arrependerão e em dez anos existirá uma avalanche de processos judiciais preenchidos por miúdos que foram pressionados a escambar a genitália durante a infância/adolescência e se encontrarão, à altura, eunucos – Algo semelhante, aconteceu na Suécia que até ’79 castrou milhões de pessoas e foi obrigada a desculpar-se. Ademais, um estudo sobre crianças com problemas de desenvolvimento de identidade de género (sexo), declara que metade os ultrapassa entre os 16 e os 17 anos. Aí têm a resposta sobre a pressão da Geringonça para reduzir a idade mínima de transição dos 18 para os 16 anos, antes que os catraios mudem de opinião.

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A Única Saída

Um aforismo de Oscar Wilde dizia que tudo na vida era sobre sexo menos o sexo; O sexo era sobre poder. No mundo distópico do feminismo o InCel, incapaz de ter sexo está no fundo da pirâmide hierárquica. Alguns tentam manobras loucas para a escalar. Veja-se um amigo de infância meu de infância, beta, com excesso de peso e falta de skils sociais que beijava ostensivamente duas HB10 numa discoteca em 2008. Poucos meses antes, ele decidira assumir-se paneleiro. Elas riam-se com ele e ignoravam-me. “Já viste como é bom ser gay?” perguntava-me. Talvez pensasse que tinha optado por um mal menor, que podia açambarcar prebendas por ser o primeiro a assumir a derrota. Eu percebi que era uma luta fodida: O meu amigo estava a render-se.

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O aforismo de Oscar Wilde

Ou Tina, um InCel que encontrei nas minhas deambulações nessa comunidade. Depois de a abandonar, Tina cortou a piça. O baitola dirige-se de forma muito agressiva aos “rapazes suaves e tipos simpáticos” que afirma “serem os primeiros a virarem-se contra ti”. Uma descrição de si próprio: “O catalizador que o colocou no caminho para o incel (antes da transição) foi o que descreveu como solidão e depressão crónicas”.

A sua opção é consistente com a análise de que os gays e trans são mulheres honorárias “A explosiva popularidade dos homens ocidentais vivendo as suas vidas como “mulheres trans” é indicativo do seu desejo de viver sob os privilégios, protecções e prestígio da sua raça mestra. Não admira porque é que as mulheres Ocidentais são as maiores defensoras das ‘mulheres trans’ porque a imitação continua a ser a maior forma de elogio. Basta-nos olhar para a era anterior à dos direitos civis quando os mulatos se faziam passar por brancos para evitar a posição não invejável de serem cidadãos de segunda classe (…) Vamos admiti-lo. Os mais reconhecidos e celebrados homens no mundo Ocidental são gay ou parecem gay porque a sua própria existência valida o estatuto das mulheres Ocidentais como raça mestra que deve ser emulada e respeitada a todo o custo (…) cada novo homem gay representa um novo seguidor das mulheres como raça mestra”.

Vejam a necessidade dos Polypalhaços em associar-se à narrativa vitimada dos gay sem terem, necessariamente, de tomar no befe.

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A supremacia da comunidade transgénica põe-na num patamar muito mais confortável. Agora, como o meu amigo gay, Tina já não é InCel porque já pode ter sexo. Pior, pode forçar outros homens a ter sexo com ele já que Laverne Cox afirma que “os homens que têm vergonha em sair (ergo, foder) com mulheres trans (homens sem piça) são inseguros pa caralho” porque, “como humanos, a nossa atracção e os nossos preconceitos não vivem em bolhas separadas” ,  porque “se não saíres com mulheres transgénero és transfóbico” e porque  a propaganda de hoje equipara a recusa em meter a gaita na peida dum transformista ao racismo. Lá vou eu ter de enrabar o DanielA para não me compararem ao Hitler. Estou proibido de não querer comer alguém cujo sexo foi estropiado após haver sido “arbitrariamente definido no parto”.

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Estamos entregues aos bichas

A estratégia do meu amigo, de outros amigos, de Tina, revelam a perversão do sistema. Também o transgenderismo de Severus Snape implica um jogo etimológico perverso. Assumi-lo serve para perdoar, para desresponsabilizar miss Evans das suas más decisões. Pressupõe: Entre Potter, o herdeiro de uma família elitista, um tipo arrogante, pesporrente e fanfarrão, e o dócil Príncipe Snape, que – a par de Lily (com taaanto em comum =) )- compensa a carência da pureza de sangue com trabalho árduo e dedicação ao labor (como também se devotaria ao Amor, ainda que platónico) a progenitora de Harry opta pelo Alfa primeiro; parece injusto, parece que a tipa é uma putéfia, mas como todas as escolhas femininas têm de ser desculpadas e aceites a explicação afinal é muito simples:  Lily, legitimamente heterossexual (leia-se, frequentadora do carrossel) tem todo o direito do mundo a escolher um homem com quem se queira deitar; Se recusou alguém, o ónus da escolha recai naturalmente sobre o recusado quem, provavelmente, nem um homem seria.

Está assim justificada a rejeição com a culpabilidade posta em cima do rejeitado: no seu âmago, no seu intimo, é uma mulher e por isso, naturalmente incapaz de atrair o Amor da sua vida. Por determinação de Lily Evans Poter, em virtude da sua falta de atracção, toca de lhe serrar o mangalho (até porque se pode tornar perigoso, ou não fossem os betas violadores em potência).

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A devoção platónica de Snape a Lily hoje faria com que lhe cindissem o nabo

Fazendo zapping por um concurso internacional vi um retracto do futuro, onde todos os apresentadores eram homossexuais bem parecidos, belas mulheres e travecas. Também haviam homens alfas, sobretudo entre os participantes vencedores. Mas o average Joe não tem lugar à frente das câmaras, no palco, independentemente do seu esforço ou talento. Caparem-se é a melhor forma (única?) para atalharem o seu caminho para a ribalta. Ou para combaterem a solidão, como Tina.

O palco do bar alternativo de onde escrevo não tem a exuberância nem a projecção do concurso de que falava. Mas também é exclusivo a eunucos. Do empregado mais vistoso aos tipos que nos passaram à frente, são incontáveis os transvestidos em meu torno. Já dois amigos meus, foram proibidos de entrar. Na casa de banho das mulheres (mas não na dos homens) está um aviso sobre a técnica do Angel Shot, a forma de o bar avisar declarar que pressupõe os seus clientes machos como violadores. Na parede central, encontra.se um aviso com um qr code para um grupo de mulheres (Frente – Nós Todas) que denuncia abusos sexuais que não aconteceram. Os olhares que se me incidem não são afáveis. Talvez fosse mais sensato haver trazido a cabeleira.

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Na recente entrevista a Paul Joseph Watson, Roosh conta como muitos homens heterossexuais preferem fazer-se passar por paneleiros para não sofrerem processos por assédio

Já escrevi que se fosse mais novo provavelmente faria a alteração no registo civil pelo puro deboche. Mas não posso ceder aos caprichos da elite e manter-me firme na luta a que corresponde cada dia no corpo de um homem. Em muitos aspectos, implica manter a sanidade. Recentemente, li o capítulo de um livro em que uma adolescente conta como sacou um broche no wc e fotografou/filmou para a net para chocar, para fracturar e para chamar a atenção de todos quantos vissem o registo multimédia da cena: um broche no wc. Ponham-se no lugar do tipo que vai ser atentado, foco de todas as luzes, reconhecido pela web fora duma geração concebida na web, viciado pelo reconhecimento e na atenção providenciadas por ter, publicamente, uma tipa desejável a mamar-lhe a picha em público. Mas esse lugar não é nem pode ser o vosso, cambada de betas. Quanto muito, podem ocupar o lugar dela – basta que cortem a picha. Ou preferem ser anónimos?

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Num mundo que vive de choque e atenção, os homens betas que não podem tomar o lugar dos alfas são convidados a tomar o lugar das gajas

Ser beta costumava implicar uma posição subalterna na hierarquia masculina, ser condenado a obedecer ou a tomar iniciativas que não rasgassem radicalmente o status quo duma sociedade estável e hierarquizada. Mas os betas tinham direito a essa estabilidade, a um ganha pão, à participação cívica e à reprodução. Gradualmente, com o feminismo, tirámos-lhes o direito de constituir família, depois de trabalhar ou de conservar direitos cívicos e agora de conservarem os seus próprios genitais. Enquanto os desistentes, os perdedores, os feministas, os veganos, os Soyboys, se preparam a entregar a linguiça para ser fatiada, muitos serão socialmente persuadidos à castração. Cabe-nos protegê-los

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Aqueles que não obedecem ao critério feminino arriscam-se hoje a ficar atrás das grades
A serem enforcados
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Seguir-se-á a castração; Cabe-nos defendê-los

Jordan Peterson em debate #1 – visionário ou falso profeta?

O debate, se lhe podemos chamar assim, foi lançado neste post, em que o leitor Ilo Stabet comentou:

Devo dizer de passagem, já que foi mencionado no post, que não sou adepto da interpretação psicológica/mítica que o JP faz da Bíblia. Acho que retira todo o poder às escrituras e coloca-as no mesmo plano que todas as outras tradições religiosas. No fundo o JP diz-nos que podemos aprender coisas com a Bíblia, mas as coisas que ele lá quer ver, podem ser vistas noutros sítios. E aquilo que só lá pode ser encontrado, não são mitos, nem predisposições psicológicas. A Bíblia é tanto um livro histórico como é filosófico, poético e legal e é impossível compreendê-lo retirando-lhe uma, ou várias, das suas dimensões.

Achei que devia mencionar isto, porque me exaspera a reverência com que o Jordan Peterson é tido, quando eu o considero, na melhor das hipóteses um intelectual banal e, na pior, uma voz que está a afastar vários jovens perdidos da Verdade, seja a da Bíblia, seja a da masculinidade.

O Patriarca, tendo seguido atentamente o Jordan Peterson nos últimos 2 anos, considera-o uma das vozes mais importantes da actualidade embora compreenda muitas das críticas que lhe são feitas – algumas válidas, outras decorrentes de uma má interpretação, intencional ou não, do que o homem está a dizer.

Neste sentido pareceu-lhe interessante discutir o caso com alguém que se lhe opõe não por uma histeria feminista/marxista, mas sim por motivos filosóficos e religiosos mais profundos. Ilo Stabet aceitou o desafio. Para facilitar a conversa, O Patriarca vai extraordinariamente deixar de se referir a si mesmo na terceira pessoa.

O PATRIARCA

Em primeiro lugar, uma pequena introdução à minha posição sobre o JP. Eu não sabia disto quando me comecei a interessar pelas suas conferências, mas ele, tal como eu, foi criado no seio de uma família religiosa, e durante a adolescência, confrontado com o conflito entre a ciência e perante a incapacidade de obter respostas satisfatórias a estas questões, afastou-se da religião.

Aqui é onde o JP e eu divergimos. Eu nunca mais fiz caso do assunto, enquanto ele dedicou a sua vida a buscar a origem do que ele chama significado, ou talvez mais correctamente, “significância” (Meaning). E isso trouxe-o de volta à religião, e à sua análise psicológica não só da tradição judaico-cristã, como de outras religiões como o Taoismo, as lendas mesopotâmicas, egípcias e eventualmente outras de que eu não tenha conhecimento.

A análise do JP à Bíblia torna-a, na minha opinião, “tragável” para alguém com um background científico forte. Essa é para mim a grande força da mensagem, e ao mesmo tempo para o Ilo, é algo criticável, porque A abordagem meramente psicológica que faz retira a veracidade e validade dos ensinamentos”.

Posso ser simplesmente um descrente condenado, mas não consigo, e estou acompanhado nisto por milhões de pessoas em todo o mundo, acreditar que Bíblia é “verdadeira”, pelo menos no sentido que a mente científica vê como “verdade”. No entanto, o argumento do JP é que há vários níveis (ou talvez melhor chamados “dimensões”) de “verdade” não necessariamente em contradição uns com os outros, antes coexistindo em eixos diferentes consoante o ponto de vista do qual a análise é feita. E neste caso, na dimensão científica – ou seja de medição, caracterização, registo, da realidade que designamos de “objectiva” – a Bíblia não é “verdadeira”, mas isso pouco interessa porque tão-pouco foi escrita com essa dimensão em mente. Já na dimensão psicológica / metafísica, que é o seu domínio efectivo, a Bíblia é não só verdadeira, é a maior verdade.

E esta pode ser a chave para trazer o Cristianismo para uma nova era, uma era em que as pessoas mais educadas não estão activamente contra a religião, mas sim dispostas a aceitá-la e a integrá-la nas suas vidas como algo que pode dar propósito à ciência e não como algo que é contradito pela ciência e atrasa o seu progresso.

ILO STABET

Começando com o primeiro ponto, conheço várias pessoas nessa situação – tendo crescido com a religião perderam a fé, ou o interesse, ou ambos. Da minha parte acabou por ser o contrário – fui educado de forma totalmente secular e para avaliar todas as coisas com racionalidade (algo que hoje considero ser pouco menos que abuso infantil, se me permitir ser hiperbólico – mas isso é outra questão). Para entender melhor o que queres dizer, tenho de perguntar qual foi o conflito que encontraste (e que o JP encontrou) entre ciência e religião, e quais eram as perguntas para as quais procuravam respostas e que eram incompatíveis com a religião. Para terminar este início, só para clarificar, suponho que tu tenhas sido educado na Igreja Católica Romana. O Jordan Peterson imagino que seja numa forma de protestantismo. Aí já há uma grande diferença de mundividências, sobretudo em relação à ciência.

Há várias razões para não compreender a compatibilidade psicológica e cosmológica da abordagem ‘tragável’ da Bíblia, e como tal não achar necessária. E não sendo necessária, só pode diminuir o seu entendimento. Em primeiro lugar, o que é um background científico forte? Lembro que o método científico nasceu no seio da Igreja, não na sociedade civil; lembro também que, até recentemente, uma boa parte, senão mesmo a maioria, dos cientistas eram religiosos e não olhavam para a Bíblia da forma metafórica/psicológica com que o JP olha. Ou seja, não havia qualquer contradição entre as duas coisas: o método científico e a Bíblia. Onde existe uma contradição é quando a Ciência (com C grande) deixa de ser somente um método de inquérito da realidade natural, mas passa a ser uma cosmovisão. Aí obviamente que vai haver uma contradição, pois procura-se no método científico (na biologia, no caso dos new atheists como o Dawkins, Hitchens, etc; ou na física, como Newton) um inquérito sobre metafísica. É como querer parir um rato de uma montanha. Ou como querer extrair investigações sobre a organização social das formigas da Bíblia. Uma coisa (a biologia ou a física) requer observação e teste, outra (a metafísica) requer instrospecção.

Passando ao ponto seguinte, o que é que a mente científica vê como verdade? A realidade observável? E o que é uma teoria verdadeira? É, como Popper, uma que seja falsificável? É que, se é assim, então tais asserções sobre a realidade também não são verdade. Não podemos observar a veracidade de uma asserção – podemos investigá-la racionalmente, mas não observar. E também a não podemos falsificar. Como tal, e sendo que não podemos observar ou falsificar a asserção de que ‘a verdade é somente aquilo que é observável, testável e falsificável’, então temos de admitir que essa asserção falha nos seus próprios termos. Ou seja, para tomarmos essa posição, temos de assumir previamente que existem asserções que não dependem de observação, teste e falsificação. E como tal, temos de avaliar o conceito de verdade nos termos metafísicos, não físicos.

Pela descrição das várias ‘dimensões’ de verdade que fizeste, parece-me que mesmo o JP vê uma hierarquia, ou uma primazia, do ‘observável’ sobre o ‘metafísico’ – quando, como expliquei acima, é erróneo conceber o mundo assim. Não há várias dimensões de verdade, há diferentes métodos de a conhecer. Como tal, discordo que seja necessário trazer o Cristianismo para uma nova era – na verdade, essa nova era é pautada por essa dialéctica errónea entre ‘verdades’ e é o status quo que temos hoje – a Cientifica (com C grande) e a outra. Pelo contrário, é preciso ressuscitar uma mundividência coerente que não contraponha o método científico à metafísica, e que acabe de vez com a falsa dialéctica entre pessoas ‘educadas’ (isto é, que entendem a Bíblia apenas como metáfora) e os idiotas comuns que nada entendem sobre o mundo onde vivem. Também necessário é destruir esta noção de progresso, científico e tecnológico, como se fosse sempre bom. Para se apurar os seus benefícios, não podemos usar o método científico – pois só nos diz como, nunca o porquê. Não é tanto uma questão da metafísica ‘dar propósito’ à ciência, mas sim de entender que, sem a metafísica não é possível sequer haver ciência (o paradoxo da posição mencionada acima): a investigação científica pressupõe uma ordem física no mundo, regularidade (caso contrário nunca poderíamos confiar nos testes) e como tal é necessário determinar de onde vem essa ordem. E como expliquei, é impossível (por ser contraditório) fazê-lo usando o mesmo método que se quer provar, pela observação, mas só é possível fazê-lo através da introspecção, do uso da razão, identificando as premissas apodícticas.

Para terminar este primeiro round, diria que a popularidade de um intelectual como o JP, que considero banal, é um sinal da primazia desta falsa mundividência ‘científica’ e da sua falência ao fim de 200 anos . Muita gente se está a aperceber dos efeitos do vazio metafísico em que o Ocidente tem vivido desde que o pensamento empírico escocês e o materialismo suplantaram o idealismo germânico em termos de framework, e de que se começa a procurar uma fundação distinta novamente. Infelizmente, o compromisso do JP não é suficiente, é apenas uma variação da fundação infundada do cientismo. No fundo, é o mesmo que dizer que as fábulas para crianças têm ‘ensinamentos’ verdadeiros, mas não são Verdade – uma parte da afirmação é correcta, a outra é incorrecta.

A maioria das pessoas, conseguindo ver os efeitos da ausência de fundação metafísica, não consegue ver a causa (o vazio metafísico) – incidentalmente já escrevi um texto sobre isto no meu blog, que pelo menos em parte é relevante para a minha posição sobre esta questão – e como tal, não sabe onde ir buscar a solução. Daí aquele meme: «Cientistas descobriram que 95% das pessoas acreditam em qualquer artigo que comece com ‘cientistas descobriram’». No fundo, na mentalidade do homem comum, incapaz de pensar sobre estes assuntos, substituiu-se o padre pelo cientista. Mas a crença continua na base da fé. Isto nunca vai mudar. Só muda aquilo em que se coloca a fé.

Por tudo isto, considero não só que o JP está errado, mas que é mais do mesmo. No entanto, tenho de admitir que pelo menos serve para que se iniciem conversas como esta. E como tal, já não é inútil.

O PATRIARCA

Sim, Igreja Católica Romana.

Exactamente, o método científico nasceu no seio da Igreja. Aliás, a insistência da Bíblia na verdade pode ter sido o que permitiu esse nascimento. O “problema” é que a ciência ensina a questionar tudo.

Talvez não seja fácil, mas põe-te na perspectiva de um não crente. És uma criança que vai aos poucos aprendendo a diferença entre fantasia e realidade (Pai Natal, o Super-Homem etc). E ao mesmo tempo estão a ensinar-te uma narrativa que tem mais em comum com as habilidades fantásticas dos X-Men ou do Dragonball do que com a realidade que conheces. Deus mandou-te construir um barco? A sério? Mandaste abrir o Mar Vermelho? Mesmo? Depois aprendes mais coisas. Evolução, como nós descendemos dos macacos, e como isso entra em conflito com a história do Adão e Eva. Ok, em algum momento dizem-nos que são alegorias, não é para ser tudo levado à letra. Mas então qual é, exactamente, a diferença entre a Bíblia e as Tartarugas Ninja?

Honestamente, o que me surpreende é que haja pessoas que mantêm a fé mesmo depois de serem expostas a isto tudo. Na minha arrogância adolescente, achava que essas pessoas eram burras / ingénuas, e isso prolongou-se para a idade adulta até há relativamente pouco tempo.

Pequeno aparte / pergunta, só para me esclarecer – Tu acreditas LITERALMENTE em tudo o que está na Bíblia?

Pelo que dizes vou assumir que sim, e aí está um problema com que as pessoas como eu se deparam – a que tu provavelmente chamarás “falta de fé”.

Então aqui temos duas possíveis abordagens por parte de quem professa esta religião. Por um lado, podes dizer “quem não tem fé e não aceita as escrituras sem alguma interrogação/cepticismo, que se lixe”. Pode ser esse o caminho que os “verdadeiros fiéis”, chamemos-lhes assim, queiram seguir. Talvez seja por isso também que temos tantas “marcas” de cristianismo.

Mas por outro lado, podes querer conseguir passar a mensagem ao maior número de pessoas. Afinal de contas, quem acredita que o cristianismo ensina o caminho mais correcto para ter uma existência “boa” (o que quer que isso signifique), quererá estar rodeada de outros que professem a mesma fé, seja lá de que maneira for que lá cheguem.

Mais um aparte – dada a tua educação, como foi o teu caminho para a religão?

ILO STABET

Concordo que primeiro tiremos esta questão do caminho antes de seguir para o JP.

«a ciência ensina a questionar tudo.»

Se “a ciência” ensina a questionar tudo, então podemos e devemos questioná-la. e questionando-a no seu próprio parâmetro de validade, não é infalível – não é um método aplicável a toda a realidade.

«Depois aprendes mais coisas. Evolução, como nós descendemos dos macacos, e como isso entra em conflito com a história do Adão e Eva.»

Consigo colocar-me no lugar de um não crente, porque já lá estive. diria que metade da minha vida, incluindo uma parte em que era crente em Deus, considerava isso como um dado adquirido, é simplesmente uma coisa que não se questiona. E que a Bíblia é que tem de ‘encaixar’ na “ciência” sempre que se pensa nas duas ao mesmo tempo. daí a incapacidade de ver a Bíblia como algo distinto da “ciência” mas também das histórias da carochinha; e o suave desdém, mesmo que sem mácula, pela capacidade cognitiva ou até sanidade de quem é crente em Deus.

O meu principal argumento contra a ideologia do ateísmo, é que não existe ateísmo. Todos os seres humanos têm um centro de confiança epistémico, uma base de premissas sobre a realidade, que lhes permitem entender o mundo. E em última instância essas premissas não são testadas pelo método científico. Por isso, em termos epistemológicos, a explicação cosmológica da Bíblia e a do darwinismo, têm o mesmo valor.

Segundo o próprio método científico, a única forma de saber alguma coisa com certeza é testá-la nós mesmos. A alternativa a saber com certeza através do teste, é crer na palavra de outrem – por exemplo, de biólogos, arqueólogos, etc. Ou seja, a segunda hipótese baseia-se em grande parte em fé – pode ser uma fé com justificações (‘os cientistas têm acreditações académicas, artigos publicados em importantes jornais’, etc), mas continua em última instância a falhar no parâmetro único do método científico para determinar a verdade: é uma crença sem base no teste. Tal como a sua premissa, que não podendo ser testada (como se testa uma proposição no mundo físico?), tem de também ser baseada em fé em algo fora do método científico (a razão, por exemplo).

«Mas então qual é, exactamente, a diferença entre a Bíblia e as Tartarugas Ninja?»

Concordo completamente que é impossível racionalmente manter uma dicotomia de defender a primazia do darwinismo e ver no Génesis como metáfora, sem transformar a Bíblia inteira numa história de carochinha sem mais valor do que as fábulas de uma tribo qualquer em África. Por isso abandonei essa posição, porque não podem ambos ser verdade.

«Tu acreditas LITERALMENTE em tudo o que está na Bíblia?»

Acredito na veracidade histórica da Bíblia – isto é, os eventos descritos são reais (a Criação, Moisés, etc). Mas a Bíblia foi escrita por homens, e por vezes usando linguagem poética – pois muitas coisas descritas estão para além da nossa capacidade de compreender e descrever em termos terrenos. Foi uma perda para a humanidade quando a linguagem poética foi expurgada dos textos científicos – veja-se manuais de biologia ou geologia do século XVIII e os do século XX, por exemplo.

Certas coisas podem e devem ser lidas como metáfora. quando se diz que Deus ‘desceu para dispersar as nações’ (na Torre de Babel), Deus não ‘desce’ propriamente dito, e é difícil compreender o que descer quer dizer literalmente neste caso. É uma força de expressão que permite entender rapidamente o ponto fulcral da história que decorreu dos eventos descritos. E quanto a entender a Criação, é algo que eu acredito ser impenetrável excepto por Revelação – não só a linguagem usada é necessariamente insuficiente para capturar algo tão primordial, mas nós, sendo parte do universo criado, nunca poderemos fazer mais do que olhar de dentro para fora. Para vermos de fora para dentro, temos de confiar na perspectiva de quem lá está se esta nos for revelada. E eu acredito que foi.

Mas repito o que disse acima: a maioria das pessoas acredita no darwinismo por revelação – não divina, mas humana.

«falta de fé»

Definiria apenas como falta de fé nesta explicação em particular, pois como apontei acima, a posição dos darwinistas é, também ela, fundada em fé.

Quanto à questão de se ser intransigente ou aberto a outras interpretações, acho que o problema não tanto como se ‘chega lá’, mas onde é que se quer chegar. Apontar numa direcção genérica pode ser bom até certo ponto, mas eventualmente leva ao destino errado. Se eu estiver em Lisboa e quiser ir para Braga posso ir na direcção do Porto, mas se depois não me orientar que tenho de mudar ligeiramente de direção, lá vou parar ao Porto em vez de Braga. Penso que aqui se passa o mesmo, o JP pode estar a despertar algum interesse pelas escrituras em pessoas que antes a não tinham e isso é bom, mas a meu ver não está a fazê-lo sem imprimir a sua própria visão mitológica-metafórica e, possivelmente, contribuir para o mesmo problema com que começámos – o perenialismo/”sou espiritual mas não religioso”/encaixar a Bíblia no darwinismo. Diria que uma boa parte dos Católicos Romanos em Portugal são-no apenas em nome – não só a Igreja deixou em grande parte de exigir padrões de conduta nas vidas das pessoas, mas mesmo exigindo, ninguém a ouve. A maior parte dos Católicos Romanos que conheço adoram o Papa pelo facto de ele ser tão aberto, tolerante e deixar as pessoas “em paz”. E na questão mais filosófica, provavelmente concordam mais contigo do que comigo.

Por fim, é difícil de dizer quando passei a acreditar no que acredito. Foi por fases, e não digo que venha a mudar de ideias pelo menos em parte, ou em pormenores. Comecei a ler a Bíblia por volta dos 12 ou 13, não tirei grande conclusão, mas quis ler porque sabia ser um texto fundacional da nossa civilização. Aos 16 diria que foi quando comecei a, conscientemente, acreditar em Deus, e em específico no Deus de Abraão. Comecei a ler sobre as várias tradições para poder escolher uma. Rapidamente fiquei só com o Judaísmo e o Cristianismo. E eventualmente, por mais leituras, fiquei só com o Cristianismo. Só quando houve esta decisão é que abandonei definitivamente a ideia da ‘bíblia metafórica’ e comecei a questionar o darwinismo. Depois tratou-se de investigar e descobrir qual a ‘marca’ (como disseste) de Cristianismo que considerava a certa, e a decisão definitiva sobre isto é bem mais recente.

O PATRIARCA

Ok, acho que já percebi mais ou menos.

O que começo a concluir é que a tua posição é mais aproximada à do JP do que tu pensas. Em particular este parágrafo:

“O meu principal argumento contra a ideologia do ateísmo, é que não existe ateísmo. Todos os seres humanos têm um centro de confiança epistémico, uma base de premissas sobre a realidade, que lhes permitem entender o mundo. E em última instância essas premissas não são testadas pelo método científico. Por isso, em termos epistemológicos, a explicação cosmológica da Bíblia e a do darwinismo, têm o mesmo valor.

Segundo o próprio método científico, a única forma de saber alguma coisa com certeza é testá-la nós mesmos. A alternativa a saber com certeza através do teste, é crer na palavra de outrem – por exemplo, de biólogos, arqueólogos, etc. Ou seja, a segunda hipótese baseia-se em grande parte em fé – pode ser uma fé com justificações (‘os cientistas têm acreditações académicas, artigos publicados em importantes jornais’, etc), mas continua em última instância a falhar no parâmetro único do método científico para determinar a verdade: é uma crença sem base no teste. Tal como a sua premissa, que não podendo ser testada (como se testa uma proposição no mundo físico?), tem de também ser baseada em fé em algo fora do método científico (a razão, por exemplo).”,

Poderia ter sido escrito pelo próprio. “Os ateus não acreditam que Deus existe; eu não acredito que o ateísmo existe” é uma frase que ele repete frequentemente.

Portanto concluo que, de facto, o grande posto de clivagem será que tu não acreditas no valor de procurar pontos de encontro entre a visão científica e a religiosa, enquanto que ele acabou por dedicar grande parte da sua actividade académica precisamente a tentar perceber porque é que surgiam as crenças religiosas e porque é que as “verdades” religiosas podem ser simultaneamente metafóricas e “verdadeiras” no sentido a que chamamos “objectivo”.

Não posso concordar que a ciência dependa de fé – a não ser que estejas a dizer que é necessário fé para acreditar que a nossa existência e o que podemos observar é real. Não acho que seja o caso – a nossa existência é auto-evidentemente real e só quando começas a tecer análises mais profundas e metafísicas é que isso é posto em causa. Ok, grosso modo tens de ter alguma fé no sistema, mas para isso é que tens a revisão de pares. Podes ter erros e patranhas, mais cedo ou mais tarde o joio é encontrado e deitado fora. Mas é uma discussão relativamente irrelevante para a maioria das pessoas que habitam este planeta. Felizmente não precisas de te atirar de um prédio para saber quais são os efeitos da desaceleração súbita no corpo humano, podes aprender com as experiências (e os erros) de outros. Grosso modo, se um fenómeno é mensurável e replicável, então é real aos olhos da ciência até melhor evidência surgir, e estar a discutir isto é na minha opinião um desvio relativamente ao cerne da questão.

Então e porquê tentar misturar tudo? Porque não o fazer trouxe-nos até ao ponto em que estamos hoje. Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas às sociedades ocidentais, é nestas que se vive melhor, e não acho que seja uma coisa que possa ser relativizada. O mundo ocidental é (exceptuando algumas sociedades asiáticas) onde podes ter a mais razoável expectativa de não estar morto ou em sofrimento amanhã. É uma melhor base para tentar edificar (ou restaurar) uma sociedade com bons princípios, do que uma pilha de cadáveres de malária. E é um paradigma que esteve à beira da aniquilação (mútua) no confronto com o bloco soviético, e está novamente sob ataque, desta vez ensanduichado entre as formas modernas de marxismo (que também é uma religião) e o mundo islâmico.

Portanto, neste momento estás efectivamente em luta com duas outras religiões, ainda por cima com pretensões totalitárias – e estás a perder, porque a tua é a única que está inserida num paradigma que permite que se questionem os seus próprios princípios.

Talvez a única saída seja o que discutimos no post Resiliência, mas isso é para mim uma perspectiva derrotista que eu prefiro não ter. Prefiro pensar como é que podemos recuperar os nossos valores sem perder tudo o que se construiu até aqui. Não creio que seja possível voltar atrás, aos tempos em que a Bíblia era para ser aceite por toda a gente sem questão e o conhecimento a ser entregue na missa por gente específica designada. Nietzsche escreveu sobre isto quando proclamou a morte de Deus, e não foi uma declaração triunfante, antes preocupada – o que é que fazemos agora? Ensinaste as pessoas a pensar, e agora tudo é posto em dúvida. Mesmo que toda a gente fosse obrigada a ir à igreja, tens tantos meios hoje em dia por onde as pessoas se podem expôr a informação, que ou a tua mensagem é a mais forte ou dificilmente passa. Aliás, como aparte, não é por acaso que tanto o marxismo como o islão censuram fortemente os meios de comunicação.

E atenção, “mais forte” não significa “mais fácil” ou “mais agradável”, aliás partilho completamente a tua crítica de que a Igreja deixou de exigir padrões de conduta nas vidas das pessoas. As pessoas podem “adorar” o Papa porreiro, mas na verdade vão à procura de alguém que lhes diga o que fazer, que é precisamente o que encontram no marxismo (luta contra os opressores) e no islão (rebenta com os infiéis). E neste contexto surge o JP, a dizer às pessoas o que fazer. Ou melhor, a relembrar que a Bíblia já tinha lá bem delineadinho o que devem fazer. E MUITA gente estava desesperada por esta mensagem, daí a sua ascensão meteórica.

No mundo ocidental actual já não podes obrigar as pessoas a aceitar a mensagem à força como antigamente. Ou melhor, podes, mas aí já deixas de estar no mundo ocidental actual e passas a estar numa ditadura religiosa. Portanto a única hipótese, na minha opinião é fortalecer a mensagem em vários níveis de análise, para poder dar resposta a toda a gente, desde os que só querem um código para seguir e o aceitam sem grandes reservas, até os que querem questionar tudo incluindo a própria existência e são suficientemente sofisiticados e articulados para fazer cair todos os argumentos pobremente formulados. Não se trata de encaixar a Bíblia no Darwinismo ou vice versa. Antes entrelaçar onde houver pontos de contacto, para que nosso melhor conhecimento científico possa mais facilmente ser guiado pelos princípios morais que tornaram possível a civilização que o produziu.

O Darwinismo pode e deve ser questionado, ainda há muitas lacunas por preencher. Mas é o melhor que temos até agora.

O teu exemplo da viagem Lisboa – Braga é muito interessante, capta muito bem o âmago da questão. Podes chegar lá pelo Porto. Podes ir por Castelo Branco. Podes até ir por Faro, vais dar uma grande volta desnecessária mas se tiveres combustível suficiente (ou apanhares um avião)… Como garantidamente não chegas, é não saindo de Lisboa.

ILO STABET

«Portanto concluo que, de facto, o grande posto de clivagem será que tu não acreditas no valor de procurar pontos de encontro entre a visão científica e a religiosa, enquanto que ele acabou por dedicar grande parte da sua actividade académica precisamente a tentar perceber porque é que surgiam as crenças religiosas e porque é que as “verdades” religiosas podem ser simultaneamente metafóricas e “verdadeiras” no sentido a que chamamos “objectivo”.»

Eu não diria que não existe valor em fazê-lo – até certo ponto é positivo pois ajuda alguns homens que previamente não teriam interesse nenhum em religião, em investigar por si mesmos, e inclusivamente a ter discussões como esta, e como tu disseste, levou a que deixasses de achar que todas as pessoas religiosas eram burras. O meu problema com a abordagem do JP nesta questão particular é que ele próprio trata a questão sob a assumpção de que a matéria religiosa é metafórica e tenta ‘inserir’ a verdade nesse paradigma; e por essa razão, trata toda a religião da mesma forma, não avaliando a verdade da mentira, mas a ‘utilidade’ e a ‘adaptabilidade’ (por exemplo, o Cristianismo é bom, não por ser intrinsecamente verdade, mas porque permitiu aos europeus elevarem-se acima do paganismo e/ou barbarismo; e valoriza-o porque é a religião dos seus antepassados, não por ser verdade – ou seja, é outra forma de ‘idolatria dos antepassados’, i.e., paganismo).

«Não posso concordar que a ciência dependa de fé – a não ser que estejas a dizer que é necessário fé para acreditar que a nossa existência e o que podemos observar é real.»

O que estava a tentar dizer era que a “ciência” enquanto conceito monolítico, que a meu ver não existe fora da cabeça das pessoas, necessita da fé – pois a sua base epistemológica não pode ser provada nos seus próprios parâmetros (o paradoxo que apontei). Não acho que seja necessário fé para saber que existimos – é, como disseste, auto-evidente. Só pode mesmo ser posto em causa por, como diria o JP, pós-modernistas que pretendem desconstruir tudo, faça ou não sentido – a sua descontrução, obviamente, depende de existir ordem e regularidade no universo, algo que não conseguem justificar ou explicar dentro dos seus próprios parâmetros. Mas nesse ponto estão no mesmo patamar dos ateus e pagãos.

Quando disse que necessitava de fé, não queria dizer mais do que disse. Se a certeza sobre algo só pode ser baseada no teste, e visto que a maioria daquilo que damos como certo não é testado por nós, então é fundado na fé – geralmente de pessoas que consideramos especialistas.

Não acho que a questão epistemológica da mundividência ‘científica’ (considerada como o conceito monolítico, não como método) seja irrelevante, pois a rejeição da Revelação é feita a partir dessa mundividência. E dado que a utilização do método científico para testar proposições metafísicas é impossível então a posição dos arautos do cientismo é comprovadamente contraditória, como eu expus anteriormente. O que significa que a crença no cientismo é, na melhor das hipóteses, epistemologicamente equivalente à crença na Revelação – com a diferença que, a mundividência Cristã não esconde o facto de que a sua mundividência tem uma origem inacessível em última instância. Os defensores do ‘cientismo’ dizem que é acessível – mas não o conseguem provar.

«Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas às sociedades ocidentais, é nestas que se vive melhor, e não acho que seja uma coisa que possa ser relativizada. O mundo ocidental é (exceptuando algumas sociedades asiátias) onde podes ter a mais razoável expectativa de não estar morto ou em sofrimento amanhã. É uma melhor base para tentar edificar (ou restaurar) uma sociedade com bons princípios, do que uma pilha de cadáveres de malária. E é um paradigma que esteve à beira da aniquilação (mútua) no confronto com o bloco soviético, e está novamente sob ataque, desta vez ensanduichado entre as formas modernas de marxismo (que também é uma religião) e o mundo islâmico.»

Acho que discordamos ligeiramente aqui também, não no sentido de as sociedades ocidentais e norte-asiáticas pós-industriais providenciarem um nível de vida material vastamente superior aos outros modelos. Mas não considero que seja a melhor (ou sequer uma boa) base para edificar uma sociedade com bons princípios. Se alguma coisa, a sociedade industrial e pós-industrial é um dos veículos pelo qual se destrói a moralidade, coesão social e, como vemos hoje, capacidade de sobrevivência de um povo. Do meu ponto de vista evitar o sofrimento não é um objectivo em si mesmo. Pelo contrário, precisamos de sofrer, sobretudo quando toda a nossa existência roda à volta da procura de conforto e prazer. A civilização que os nossos antepassados construíram já morreu e a nossa raça está a morrer em grande parte devido ao torpor induzido pela tecnologia. É uma ‘faca de dois legumes’, como diria o poeta. Já escrevi uns textos sobre isto no blog, pois a meu ver a ameaça do capitalismo liberal e do progresso tecnológico é muito maior do que a do Islamismo ou do (erroneamente chamado) ‘marxismo cultural’ (MC) – o ponto principal é que os objectivos dos MCs só podem ser concretizados em sociedades pós-industriais e em regimes capitalistas liberais, não em regimes comunistas.

«Portanto, neste momento estás efectivamente em luta com duas outras religiões, ainda por cima com pretensões totalitárias – e estás a perder, porque a tua é a única que está inserida num paradigma que permite que se questionem os seus próprios princípios.»

Como disse acima, acho que estamos em luta contra várias coisas, mas acho que muita gente ataca os sintomas (Islão, SJWs) em vez da doença (concepção iluminista, que leva ao capitalismo, ao socialismo, ao desenvolvimento tecnológico desenfreado, à apatia, ao hedonismo). A razão porque sei que são sintomas em vez da doença é porque a Bíblia tem inúmeros exemplos de sintomas equivalentes (no tempo deles), mas a doença continua a mesma, vai reaparecendo, apenas as manifestações têm outros nomes e cores.

«Talvez a única saída seja o que discutimos no post Resiliência, mas isso é para mim uma perspectiva derrotista que eu prefiro não ter. Prefiro pensar como é que podemos recuperar os nossos valores sem perder tudo o que se construiu até aqui. Não creio que seja possível voltar atrás, aos tempos em que a Bíblia era para ser aceite por toda a gente sem questão e o conhecimento a ser entregue na missa por gente específica designada. Nietzsche escreveu sobre isto quando proclamou a morte de Deus, e não foi uma declaração triunfante, antes preocupada – o que é que fazemos agora? Ensinaste as pessoas a pensar, e agora tudo é posto em dúvida. Mesmo que toda a gente fosse obrigada a ir à igreja, tens tantos meios hoje em dia por onde as pessoas se podem expôr a informação, que ou a tua mensagem é a mais forte ou dificilmente passa. Aliás, como aparte, não é por acaso que tanto o marxismo como o islão censuram fortemente os meios de comunicação.»

Não sei se é derrotista ou não, mas estou convencido que haverá um colapso social, e que as pessoas que se prepararam para isso através da formação de comunidades semi-autonomas, com organização patriarcal e hierárquica, serão as com melhor oportunidade de sobreviver. Tudo o que li até hoje me diz que, quando uma civilização entra na fase em que a nossa está, não é possível recuperar. Vai abaixo, e depois reconstrói-se. Porque a fundação (o Cristianismo) foi deitada abaixo e pôr remendos nas janelas e no telhado é irrelevante quando as fundações da casa foram destruídas.

Quanto ao ‘o conhecimento era entregue na missa por gente específica’, a única diferença em relação aos nossos tempos é que a missa é outra (a escola, a televisão, as redes sociais), os padres são outros (os cientistas, os intelectuais, os políticos, os jornalistas), e o “conhecimento” é outro (em grande parte, mentiras ou deturpações). Mas nunca vais conseguir alterar o facto de que a maior parte das pessoas não vai investigar nada por elas mesmas, e que tudo aquilo em que acreditam é simplesmente transmitido através de outras pessoas que consideram ‘autoridades’ na questão.

«E MUITA gente estava desesperada por esta mensagem, daí a sua ascensão meteórica.»

Espero que isso seja verdade. No entanto, acho que existe uma diferença de exigência entre ‘arruma o teu quarto’ e ‘segue a Lei divina’. Não sei se a maioria dos seguidores do JP vai passar a adorar (no sentido de ‘worship’) Deus da mesma forma que adoram o JP.

«No mundo ocidental actual já não podes obrigar as pessoas a aceitar a mensagem à força como antigamente. Ou melhor, podes, mas aí já deixas de estar no mundo ocidental actual e passas a estar numa ditadura religiosa.»

Nós vivemos em ditadura religiosa – aliás, não há outro sistema possível. Há aquela célebre frase que diz que ‘o maior truque do Diabo foi convencer as pessoas que não existia’. Similarmente, eu digo que o maior truque da democracia secular é convencer as pessoas que não vivem em ditadura religiosa. As diferenças, no entanto, são só cosméticas, e sobre que religião é aplicada legalmente.

«Portanto a única hipótese, na minha opinião é fortalecer a mensagem em vários níveis de análise, para poder dar resposta a toda a gente, desde os que só querem um código para seguir e o aceitam sem grandes reservas, até os que querem questionar tudo incluindo a própria existência e são suficientemente sofisiticados e articulados para fazer cair todos os argumentos pobremente formulados. Não se trata de encaixar a Bíblia no Darwinismo ou vice versa. Antes entrelaçar onde houver pontos de contacto, para que nosso melhor conhecimento científico possa mais facilmente ser guiado pelos princípios morais que tornaram possível a civilização que o produziu.»

Com isto não tenho problemas.

«O teu exemplo da viagem Lisboa – Braga é muito interessante, capta muito bem o âmago da questão. Podes chegar lá pelo Porto. Podes ir por Castelo Branco. Podes até ir por Faro, vais dar uma grande volta desnecessária mas se tiveres combustível suficiente (ou apanhares um avião)… Como garantidamente não chegas, é não saindo de Lisboa.»

Bom remate para a questão. E percebo o que queres dizer. Lá está, a minha objecção maior é que com a abordagem do JP seja muito fácil perderes-te no caminho.


Uma discussão bastante interssante e que nesta altura já se fazia bastante longa, parecendo a’O Patriarca uma boa altura para fazer uma pausa e publicar esta primeira parte.

Entretanto foi publicada esta semana a versão em Português de “12 Rules for Life”, pelo que o timing é excelente.

O Patriarca já leu o livro e recomenda-o vivamente. Este capítulo publicado no Observador mostra no entanto que a tradução é atroz. Provavelmente foi feita à pressa para capitalizar na popularidade. Mas a mensagem é suficientemente forte para merecer a leitura.

#MeToo Em Portugal

“Em política, o que parece é” – António Ferro

Não é Lucília Gago, a amiga pessoal de José Sócrates que com ele surge numa fotografia publicada nas redes sociais, o foco das minhas preocupações. Afinal, não sendo membro da família Espírito Santo, não integrando o circulo pessoal das pessoas que espatifaram o país, a nomeação da nova procuradora-geral da república devia passar-me completamente ao lado. Certo? Errado. Porque depois de 6 anos focando o ministério público no combate à corrupção, doa a quem doer, nomeia-se uma procuradora cujo foque profissional foi “o direito da família” e da “protecção de menores”. Nós sabemos o que isso quer dizer.

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Lucília Gago é amiga pessoal de José Sócrates

No Centro de Estudos Judiciais, Gago leccionava sobre direito de família e menores. Foi convocada pelo governo a dar parecer sobre a alteração legislativa dos regimes jurídicos de adopção que permitia à paneleiragem violar adoptar crianças. Nesse contexto profissional, assinou um livro intitulado ““Violência Doméstica – Implicações sociológicas, psicológicas e jurídicas do fenómeno”. A Violência Doméstica que se tornou crime no código penal de 1982, foi-se gradualmente tornando mais abstracta com as revisões propostas pelos Socialistas em 1995, 1998 e 2000. Já o crime era público quando em 2007, as relações de namoro (?) passam a estar sujeitas a apreciações de natureza criminal. Quem foi o proponente? O amigo da Lucília, o Socialista José Sócrates. Sei que soa a circular. É.

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A namorada de José Sócrates aplaude a substituição da PGR

Fernanda Câncio, a putona mais detestada pel’A Távola Redonda, celebrou a nomeação provavelmente numa das suas sessões de cocaína e sexo agressivo com os miúdos menores com que encornava o ex-primeiro ministro. Sim, evidencia-se a circularidade, porque também ela (entre outras) mamava a picha do dirigente Beirão. Mas não se trata de ilibar o engenheiro falseado, pois a escolha de Lucília Gago pode implicar mais. Muito mais.

Justiça Machista não é Justiça

É o titulo de um evento organizado para contestar uma decisão de um qualquer magistrado nortenho. Provavelmente a decisão é boa e provavelmente o crime não aconteceu. Não foi o evento, mas o artigo de Isabel Moreira uma deputada omnipresente nas redes sociais e em tudo quanto é lugarejo fétido que em vez de comentar o momento político mais relevante dos últimos meses, preferiu escrever sobre a não-existência do assédio sexual que há muito – muito – devia estar legalizado (Estamos a poucos anos de encontrarmos uma vaga assustadora de desemprego feminino porque os empresários e patrões que não querem merdas, preferirão simplesmente contratar gajos e evitar chatices como esta), que me pôs em riste. E se fossem uma e a mesma coisa? E se o avanço da nova procuradora não for apenas o fim do combate à corrupção, mas a chegada da justiça #MeToo a Portugal?

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Queixo torto, nariz curvado, rugas prematuras e cabelo curto: Deve ser feminista

Depois do heteropatriarcado, dos seguranças em discotecas onde o desconto patareca garante entradas gratuitas, dos assentos do metro e dos violadores de autocarro, o principal alvo do movimento feminista tem sido a justiça. Como um político sequioso, corrupto e desesperado (lá voltei a Sócrates), os feministas põe em causa cada decisão judicial, cada acórdão, cada impulso de apreciação jurídica que não obedece à sua tramitação, à sua leitura do mundo, e às suas regras. Implícito no titulo do evento está a visão de duas justiças: a Justiça Portuguesa e a Justiça MeToo.

O problema da Justiça MeToo não é só a injustiça (Pais em divórcio que perdem os filhos, maridos que perdem o ganha pão, jovens que perdem a liberdade, desportistas que perdem bolsas, pessoas que perdem as vidas) nem a perversa tentativa de submeter um pilar do Estado de Direito a uma corporativa minoritária, carente de mandato ou asseveração legitima e constitucional de poder popular – quem são estas putas para exigir a um magistrado que faça o que for?! Mas também a ideia de que a justiça corrente não é funcional: De que os juízes condenam menos os outros homens, de que os magistrados brancos deixam passar os crimes de brancos em branco, de que só um juíz paneleiro pode enrabar condenar um arguido paneleiro e toda a demais lengalenga das políticas identitárias. Subjacente está a ideia de que  todos os juízes brancos são racistas mesmo quando os juízes pretos são igualmente acirrados; todos os juízes homens são machistas mesmo quando o comportamento das magistradas é semelhante e discrepante da agenda feminista, ou pior, de que todos os juízes homens – porque são homens – têm o seu quê de violador.

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Brett Kavanaugh, nomeado por Donald Trump para o Supremo Tribunal Americano, está a ser acusado de violador

Esta narrativa também ignora que desde 2007 existam maior número de mulheres magistradas do que de homens magistrados e o seu número em absoluto esteja a decair desde 2005 e o seu número relativo esteja a decair desde, bem, sempre; descendo de 843 (2005) para 702 (2017) e de  82 % (1991) para 39.6 % (2017). Em cada 10 juízes, 6 são mulheres. A procuradora-geral é mulher. Fodasse. Estou sub-representado

A Justiça Portuguesa

A justiça é o terceiro pilar do Estado de Direito. Por ser benevolente é Feminina como Maat, a deusa egípcia cujo nome originou a palavra magistrado. Por ser imparcial é cega, apresentada com uma venda nos olhos que a impede de conhecer os protagonistas dos factos que está a julgar. Por necessitar de ponderar todos os elementos em jogo, é retratada com uma balança na mão como o arcanjo São Miguel, o justiceiro da mitologia judaica. Por ser implacável, porta uma espada na mão, destinada a aplicá-la impiedosamente sobre os faltosos. Sob a forma da deusa grega Têmis, Justitia, está presente na soleira de cada tribunal ocidental. Temo-la assim por benevolente, imparcial ponderada e implacável. E se não for?

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Personificação escultural da justiça

A justiça Portuguesa é demorada, inoperante e muitas vezes injusta. Mas terá, como afirma José Sócrates, uma agenda? Vamos assumir que sim. Vamos assumir, por exemplo, que tem uma agenda anti-masculina e que desfaz os homens na partilha da parentalidade depois dos processos de divórcio. Eu, homem, depois de um processo de divórcio onde a juíza decretou apenas poder passar dois dias semanais com os meus filhos, acredito que essa decisão foi toldada pelo sexo da juíza ou por uma agenda anti-masculina. Porque razão hei-de entregar os miúdos à mãe em vez de mandar o tribunal à bardamerda e fugir com eles para Singapura? Porque razão hei-de obedecer a uma justiça que sei, como diz Sócrates, que funciona contra mim?

Mas a justiça tem na verdade, e segundo o ex-líder, uma agenda de direita política, determinada em garantir o prestígio da Direita e prejudicar a reputação da Esquerda, nomeadamente na pessoa do próprio Sócrates, certo? Portanto, sendo munícipe dum concelho governado pelo PSD/CDS, presidido por um autarca profundamente corrupto, de nada me adianta apresentar queixa do executivo local pois a justiça não actua contra a Direita. Mais vale ir à câmara e fazer justiça com as minhas próprias mãos, certo?

Parabéns Zé Sócas. Acabaste de legitimar o justicialismo.

A Justiça #MeToo

Até agora preocupamos-nos com a justiça das redes sociais, do twitter que nos apaga a voz e do facebook que nos apaga da história como se de uma purga Stalinista se tratasse. Podemos estar perto de a sofrer nas mãos da justiça local, que nos entre pelas casas, pelos locais de trabalho, legitimados por uma procuradora-geral da república corrupta, sedenta de sinalizar virtude, para nos arrestar pelo que escrevemos num blog obscuro?

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Podemos acabar presos pelo que escrevemos num computador

Estas são as minhas preocupações, de quem não é militante do PSD/CDS nem, valha-me Deus, do PS ou de qualquer partido esquerdalha. As preocupações de que a nova PGR remeta para nós a violência e incisão que poupará ao, cá vem ele outra vez, Sócrates. Podia Marcelo nomear alguém que não despertasse, em mim, semelhantes preocupações? Claro que sim.

 

Nomeasse um gajo

Defendendo Serena Williams – A Fisiognomia É Real #3

Muito já foi dito sobre a birra da selvagem tenista Serena Williams, bem como as imbecis acusações de racismo, sexismo, e outros -ismos e -fobias que os membros de espécies protegidas invariavelmente lançam quando são postos na berlinda por mau comportamento.

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Dado que O Patriarca não gosta de gastar o seu latim em vão, não é sobre isso que versará o post de hoje. Antes discutirá novamente um tema que lhe é querido, a fisiognomia.

Também não cairá na óbvia tentação de incidir sobre a cavernícola atleta. Martelar na gasta tecla de que a criatura tem aspecto de troglodita e portanto não surpreende ninguém quando se porta como um(a?), não é a matéria de que grandes blogs são feitos. Há muitos antros de racismo e nazismo na internet onde se pode ler interminavelmente sobre o tema, e O Patriarca não é nem uma coisa nem outra.

O que chamou realmente a atenção foi quem o Observador (ou melhor, a quenga que escreveu o artigo) escolheu para defender a posição da brutamontes.

Daniel Cardoso, professor catedrático na Universidade Lusófona, também é da opinião de que Carlos Ramos foi motivado por estigmas sexistas […] Mas tão preocupante quanto a atitude do árbitro foi a cobertura mediática feita ao episódio, considera o feminista

“O feminista” é uma expressão que faz sempre soar o “alarme pusilânime” d’O Patriarca. Analisemos…

Daniel dos Santos Cardoso é “Doutorado em Ciências da Comunicação [ou seja, nada], na Faculdade de Marxistas Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Com Mestrado na mesma área [ou seja, nada], especialização em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias [ou seja, nada], da mesma instituição, sobre o tema Poliamor [BINGO!]. Colabora com o Projecto EU Kids Online desde 2007 [alerta pedófilo?]

Fazendo uma pequena tangente. Estes artigos são difíceis de escrever porque começas com a ideia de ridicularizar um tipo mas conforme vais escavando, o curriculum deles ridiculariza-se a si próprio. “Ah mas Patriarca, o tipo é da cena do poliamor, ou seja come montes de gajas, e ao mesmo tempo”, poderia dizer um leitor mais distraído. Nada disso. Comer montes de gajas ao mesmo tempo é aquilo que qualquer homem (na sociedade actual pelo menos – tema para outro artigo) deve fazer no mínimo durante algum tempo enquanto não encontra uma que mereça assentar, se assim o desejar. “Poliamor” é conversa de betas degenerados para dar glamour à sua situação relacional – fazer tag team com outro gajo para foder servir uma quenga gorda.

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Poliamor: o mito…
poliamor realidade
… e a realidade

Adiante. Vamos fingir que a FCSH é uma faculdade a sério, e que Ciências da Comunicação é um curso a sério. Vamos supor que ser professor de cenas de género é um emprego a sério. E que com este curriculum cometes o erro de, nem que seja por um momento, dar o mínimo de credibilidade ao que este gajo diz.

O engraçado da fisiognomia é que facilmente funciona para os dois lados. Se “o feminista” começa a falar de “uma expressão evidente de machismo e de patriarcado em que há um duplo padrão moral”, então podes ter a certeza de que o aspecto dele vai ser algo como…

Daniel Santos Cardoso Lusofona 1
… isto!

smilelaugh

A sério, onde é que arranjam esta gente? Se querem acabar com os estereótipos, o primeiro passo talvez fosse pedir às pessoas que não sejam encarnações perfeitas dos mesmos…

Mas calma, caro leitor. O Patriarca não botaria tanta faladura apenas para gozar com uma cara demasiado bolachuda e uma má escolha de cabelo. Não se pode gastar a pólvora toda no primeiro foguete.

Daniel Santos Cardoso Lusofona 6
“uso barba porque senão pareço um anão chinês”
Daniel Santos Cardoso Lusofona 3
“sou temperamental, misterioso e pensativo…”
Daniel Santos Cardoso Lusofona 2
“… mas sorrio um bocadinho quando me metem um massajador prostático”
Daniel Santos Cardoso Lusofona 4
“Envia-me os teus filhos, juro que não os molesto!”
Daniel Santos Cardoso Lusofona 5
“Isto são só adornos, nunca na minha vida andei de trela!”
marcellus wallace
O teu filho, nas aulas dele

A fisiognomia permite assim pôr a nu uma dinâmica que pode parecer óbvia, mas que nos pode escapar ao ser confrontados com a opinião supostamente credível de um “professor catedrático” (ainda que não se saiba de quê):

  • as coisas indefensáveis são defendidas por degenerados
  • os degenerados defendem coisas indefensáveis

Corolários:

  • não oiças degenerados
  • quando ouves uma coisa estúpida, procura por um degenerado

A aplicação destes princípios permite manter o nosso cérebro refrescantemente livre de uma imensa quantidade de ruído maléfico.

Há no entanto outra pessoa no artigo a defender a mesma posição. Poderá Patrícia Vassallo e Silva ser alguém merecedor do nosso respeito e atenção? Estará O Patriarca enganado?

Patrícia Vassallo e Silva 1

Patrícia Vassallo e Silva 2

Patrícia Vassallo e Silva 3
Harpia confirmada

smilelaugh

Pá. A sério. Podiam ao menos fazer-nos a vida mais difícil. Tipo, a gaja podia ser boa. Ou ter família. Qualquer coisa. Mas não. Vive com um gato e escreve nas Capazes. É preciso dizer mais alguma coisa?

No meio disto tudo, há uma verdadeira vítima. Uma jovem de 20 anos que atingiu um pináculo com que todos os que se iniciam no ténis sonham, ainda por cima frente a um dos monstros (heh, raramente este adjectivo foi tão adequado em todos os sentidos) da modalidade, e cujo momento de glória foi completamente eclipsado por uma birra à qual foi dado demasiado protagonismo e pelas razões erradas. Que ela se possa queixar mais de racismo que a sua adversária é um bónus de ironia que não escapa a’O Patriarca.


P.S. É interessante verificar que o argumento de que “os homens fazem pior e não acontece nada” não só é estúpido como é falso.


Links guardados:

https://web.archive.org/web/20180917114133/https://observador.pt/especiais/pode-a-polemica-com-serena-williams-minar-a-luta-feminista/

https://web.archive.org/web/20180917114303/https://en.wikipedia.org/wiki/Naomi_Osaka

https://web.archive.org/web/20180917114400/https://www.ulusofona.pt/docentes/daniel-dos-santos-cardoso

https://web.archive.org/web/20180917114503/https://capazes.pt/author/patricia-vassalo-e-silva/

https://web.archive.org/web/20180917115615/https://observador.pt/2018/09/14/carlos-ramos-arbitra-jogo-da-taca-davis-esta-sexta-feira-o-primeiro-depois-da-polemica-com-serena/

 

A Hydra

“O segundo trabalho que aceitou foi a chacina da Hydra de Lerna, de cujo corpo singular brotavam uma centena de pescoços, cada um suportando a cabeça de uma serpente. E quando uma cabeça era cortada, no lugar de onde fora fendida, avançavam duas outras; Por esta razão ela era considerada invencível, e em boa razão, já que por cada segmento subjugado, duas vezes mais assistência vinha em seu lugar” – Diodorus Siculus, Bibliotheca historica

Primeiro foram as comunicações. Depois a nossa página. Na quinta-feira passada, eliminámos a página d’A Távola Redonda da plataforma online mais popular do mundo. Custou-nos pelo dinheiro, tempo e potencial que desperdiçamos, o alcance que perdemos, as possibilidades que rejeitamos. Recentemente, uma peça do DN menciona cinco grupos grupos (Misanthropic Division – Lisboa; Associação Cívica Portugueses Primeiro; Trebaruna; Movimento Social Nacionalista e Escudo Identitário) cuja actividade se consolidou graças à obra prima de Zuckerberg. Congratulo-me pela multiplicidade de movimentos que ascendem contra a corrente com especial apreço para o Escudo cujos fundadores tenho como bons amigos, mas não deixo de denotar a infeliz ausência da nossa Távola, agora removida do cyber espaço.

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Uma das últimas acções do Escudo Identitário

Não sei se as suas páginas se prorrogarão considerada a suspensão da nossa, menos mediática ou popular. Os últimos dias foram aliás excepcionais em matéria de censura: Alex Jones e o seu Infowars foram banidos do youtube, facebook e vimeo, pinteresttwitter, apple e spotify e monitorizado no snapchat; Marine Le Pen foi desconvidada do maldito Websumit e o nosso Roosh foi corrido da Amazon. As palavras da nacionalista Francesa ou os conselhos românticos do Armeno são seguramente mais lesivas do que mostrar dildos a crianças no youtube. Pudera que haja malta a querer criar uma nova internet. Quem os pode censurar?

(Já sei, o Cuckerberg)

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Voltámos-nos a indagar. Voltámos-nos a questionar. Novamente, este podia ser um sinal de que devíamos desligarmos-nos de uma vez. Temos vidas gratificantes, recompensadoras e completas. Não precisávamos disto. Não precisamos disto.

Todavia já mobilizámos muito público, já recebemos muitos clicks, já temos leitores e comentadores assíduos que justificam o nosso fulgor em continuar a trabalhar, a escrever, e a espalhar uma mensagem que já ninguém pode silenciar. Em vez nos calarem, espicaçaram-nos. Em vez de nos silenciarem, convocaram-nos a gritar. Em vez de nos dividirem, persuadiram-nos a reorganizarmos-nos.

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Já não somos apenas um blog. Somos uma ideia. Cuidadosamente disseminada sob várias formas, cada uma mais mordaz do que a anterior.

Daqui em diante, tudo quanto escrevermos, estará também postado no gab

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No minds

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No Twitter

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No Instagram

No Google+

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E num facebook em remodelação para provar que sou mais teimoso do que o Cuck

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Somos imparáveis

 

#SomosTodosVioladores

Já me disseram que não? Sim. Já me disseram que sim? Não. A sério. Sessenta e sete parceiras mais tarde, nem uma me disse que sim sem que eu pressionasse, empurrasse, insistisse, seduzisse, excitasse ou abusasse primeiro. Isso faz de mim um violador? Para este gajo sim. E não é só síndrome de Estocolmo; Este gajo prefere evitar o castigo a castigar o estigma.

Mas não foi a libido, nem a virilidade nem o orgulho que me levaram a persuadir coercivamente seis dezenas e tal de mulheres a permitirem-me penetrá-las. Foi conhecer as regras do jogo. Posso contar aqui porque razão persisto ad eternum até a levar para a cama. Porque depois do não

  • Uma mulher beijou-me inesperadamente
  • Uma mulher tirou-me a roupa
  • Uma mulher levou-me para sua casa para que tivéssemos sexo
  • Uma mulher pegou na minha mão e colocou-a entre as suas pernas
  • Uma mulher acrescentou “aqui não”
  • Uma mulher pediu desculpa e depois consentiu
  • Uma mulher consentiu e depois pediu desculpa
  • Uma mulher pediu-me desculpa por dizer que não e confessou ser um “teste”
  • Uma mulher disse que era virgem e em minutos deixaria de ser
  • Uma mulher justificou-se com “ter namorado” e horas depois, após o sexo, explicar “não estamos bem”
  • Uma mulher ajoelhou-se para me chupar
  • Uma mulher completou “não… pares”

Termino com uma frase que ouvi a um amigo há mais de quinze anos

“No vocábulo das mulheres, Não é sim
E sim é anal”

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Disclaimer: A Távola Redonda repudia veementemente o abuso sexual consubstanciado sob a forma de violação. O autor conheceu a supracitada realidade durante a juventude e solidariza-se com todos os homens e mulheres vitimados pelo estupro. 

A armadilha do Tinder

O Patriarca andava para comentar o caso da vaca que embarretou 1000 gajos no Tinder, e do quão patéticos eram os próprios. No entanto, às vezes alguém expõe os teus argumentos de uma forma tão clara e completa, que não vale a pena estar a reinventar a roda e mais vale postar o link.

Os Betas podem ser a espinha dorsal da civilização, mas quando passam determinados limites de subserviência também são a causa do fim.