Quem disse que ir às putas não era divertido?

A intrigante análise da viagem à terra das mulheres trabalhadores do nosso Myrddin, trouxe à Távola Redonda um conjunto de leitores que procura alagar o seu conhecimento sobre o tema da prostituição lisboeta. O Caro Patriarca decidiu então dar a sua opinião sobre a procura destes serviços por parte dos homens, concluído que apreender game seria uma alternativa viável – ponto de vista unânime na Távola. Eu, por outro lado, decidi alargar os meus conhecimentos sobre esse mundo. Como tal, que melhor lugar para o efeito que visitar o maior fórum de acompanhantes português – gp-pt.net.

O gp-pt é um site onde putanheiros e confrades trocam ideias sobre as putas que visitaram ou pretendem visitar. Fazem-se análises das sessões, trocam-se informação sobre preços, características físicas, veracidade de fotos, respeito e simpatia das moças e claro sobre a qualidade do coito. 

putas portugal
Método de avaliação estandardizado do SMV feminino

Por entre os milhares de TD’s ( uma espécie de Fiel Report do mundo das acompanhantes) disponíveis no gp-net, há um do user JonyBardo que merece um lugar de destaque.

Telefono à GP a saber as condições. Telefonema normal. Oral e vaginal com massagem por 20€. Vamos lá arriscar.

Chego ao local e ela explica-me em maior pormenor. Subo ao quarto andar. Abre a porta escondida e só se revela após eu ter entrado. Primeiro impacto negativo. Ela anúncio 28 anos. Meus amigos, 28 anos tenho eu e ela podia ser minha mãe. Mas enfim, agora já cá estou. Começa a falar e se o aspecto já era mau os modos são ainda piores. É uma barraqueira do Picoto, sem tirar nem por. Olho para ela com mais atenção e atende de cuecas e de top verde. O top verde está sujo com nódoas. A higiene não promete ser boa.

Olho em redor por uns instantes e tenho o primeiro momento WTF. Logo na entrada está um pequeno altar de madeira, com uma bíblia aberta, um crucifico em cima da bíblia e uns recipientes com um liquido escuro. Bruxarias e voodoo é algo que não me aquece nem me arrefece, mas sangue de galinha é algo que reconheço à distância por causa do cheiro. Começo logo a pensar onde caralho me vim meter. Fiquei sem saber se fui ali para dar uma queca ou para à imagem do filme “Cidade de Deus” entrar lá Dadinho e sair Zé Pequeno. Isto estava a ficar tão surreal que eu quis ver até que ponto chegava.

GP encaminha-me para o quarto. Está quente, sem AC nem ventoinha. Estavam perto de 40ºC lá fora. Escuso de dizer o quão mau isto é.

GP fecha a porta e exclama: “Pagamento adiantado!”. Se até agora ela era GP passou a ser puta de rua que por acaso está num apartamento. Falta de classe e de tacto tremenda. GP sai, assumi eu que para se higienizar. GP volta rapidamente pois higiene não é algo que a ela lhe assiste. Ela não se lava nem pede para me lavar. Num dia quente de verão. Boa.

Quando volta diz-me para me deitar de barriga para baixo para fazer a massagem. Eu nem sei como apelidar o que ela fez mas massagem não era de certeza. Aplicou um creme qualquer nas costas e fez menos esforço do que se estivesse a passar bronzeador. Depois dá uns toques com as pontas dos dedos. Aquilo está para uma massagem como um arroto está para um discurso do John F. Kennedy. Durou cerca de 2 minutos. Isto conclui o segundo momento WTF.

Viro-me para cima e ela inicia o que eu pensava que ia ser um oral encapotado mas que veio a ser a coisa mais surreal que nestes anos todos eu tive a infelicidade de presenciar. Vou relatar com a máxima fidelidade possível e em verdade vos digo caros foristas que é 100% real.

Primeiro saca do preservativo e faz questão de dizer que só ela pode mexer nele porque tem de ficar bem posto senão sai. Ok, tem a sua lógica. No entanto a lógica esbate-se logo nos primeiros segundos. Tira o profilatico para fora e desenrola-o por completo. De seguida enche o um pouco de ar. Eu fico com ar de parvo a olhar para ela. Garanto-vos que naquele momento pensei que ela ia fazer como os palhaços de circo que fazem uma escultura de cão com balões. Pensei ter encontrado a mítica puta batatoon mas não. A realidade era ainda mais ridícula.

Ela agora agarra a base do preservativo e estica com ambas as mãos. Eu não estou a dizer esticar um pouco, quando digo estica é ao ponto que dava para meter a cabeça lá dentro e fazer de gorro. A cabeça de cima, para que não haja dúvida. De seguida mete o preservativo no zé tolas e pela primeira vez na minha vida – morra eu aqui ceguinho – METE OS TOMATES JUNTOS.
Eu não aguentei. Tive de me partir a rir e perguntar o que ela estava a fazer. Ela continuou a afirmar que era o método dela. Eu ironicamente perguntei se ela queria que eu fosse buscar película de cozinha para enrolar o que sobrava de mim. Ela ponderou durante uns 30 segundos e disse “Não filho, não é preciso”. Foi ai que me apercebi que tinha uma puta maluca a segurar-me nos genitais. O modo de sobrevivência ficou ON.

Faz mais uns ajustes e puxa para cima e para baixo, com que objectivo final não consigo entender. No final os tomates ficam de fora do preservativo e ele foi puxado para cima de modo a que mais pareço ter uma peúga na piroca. Aproveitei este momento para reflectir na minha situação actual e cheguei à conclusão que para ter este karma devo ter sido o Hitler na vida passada. Mas adiante, que estou a divagar.

Quando finalmente aos olhos da GP o preservativo está correctamente colocado ela inicia o que chama de “oral”. Caros amigos, eu não sou doutorado em sexologia mas assumo que para ser chamado de oral o sexo tem de envolver a boca. Este não foi o caso. A GP chega-se perto do malho, abre a boca e começa a bater uma como quem está a transformar natas em manteiga ao mesmo tempo que arfa para cima do pénis. Este foi o terceiro momento WTF. Eu disse-lhe pelo menos 3 vezes “Mete-o na boca”, ao que ela aquiescia mas voltava a fazer exactamente a mesma coisa. Eu tive de lhe perguntar se isto era o oral. Ela diz que sim. Eu digo OK. Nesta altura só pensava se devia escrever um TD ou não pois os confrades talvez nem fossem acreditar em mim. Aproveito para dizer que ela não tirou o top, apenas as cuecas. Isto feito sempre a despachar, parecia que os meus genitais eram um carro de formula 1 e ela uma equipa de pit stop.

Quando o malho atinge algum volume, coisa que dada a confluência de circunstâncias foi tarefa de Sísifo, ela mete-se de gatas e diz-me para meter por trás. Eu pego no meu malho coberto por um preservativo esticado que mais parece uma peúga e ia mete-lo quando ela diz “NÃO MEXAS, SÓ EU É QUE MEXO!”. Aparentemente a única parte do corpo do cliente que pode tocar lhe é a piroca coberta com látex ao modo sui generis da GP. Ela lá encaixa e basicamente a sensação foi a de meter o pénis dentro de uma pochete com areia lá dentro. Nunca fodi nada tão seco e eu sou um gajo que uma vez fodi um pacote de bolachas de agua e sal – true story. Saco o zé tolas para fora e olho para lá a ver o que se passa. Aí vejo a vagina dela. Lábios dependurados e caídos, parecia a manga de um feiticeiro. Isto se a manga fosse de cor roxa. Foi aí que meti um ponto final nisto. Ela ainda me amarrou pela base da piroca e tentou meter lá dentro mas eu disse simplesmente: “Filha, isto não dá. Fica com o dinheiro porque se és assim com todos vais precisar dele.” Não devo ter sido o primeiro a dizer isto porque ela nem reagiu. Tirei o preserva, deitei-o para o chão porque LOL e comecei a vestir-me. Saí sozinho. Voltei a confirmar que no altar de voodoo era mesmo sangue de galinha.

Disclaimer: A Távola Redonda não é apologista do uso de putas.

Obras no blog!

Caríssimos leitores, estamos a fazer uma migração do blog de modo a melhorá-lo. Queremos alertar-vos que alguns comentários e gostos dados durante esta semana possam ter-se perdido assim como a página pode demorar um pouco mais que o normal. Muito brevemente teremos tudo resolvido. Aproveitamos já para vos agradecer o apoio que nos têm dado. Obrigado.

Afinal quem ganha mais?

 

Há algum tempo que ouço que dizer que as mulheres recebem ordenados inferiores aos dos homens. Venho apresentar mais uma prova de como este mito não é verídico com o testemunho de uma mulher dizendo o contrário:

“Geralmente as mulheres recebem mais q os homens, salvo algumas excepcoes”.

Palavras que nos deixam perplexos, chocando o nosso cérebro com uma realidade oposta àquela que nos tem sido imposta muito pelo movimento do feminismo. Será que representam uma realidade? Bom, sim. Esta citação foi feita por Jenna Jameson, uma consagrada atriz pornográfica dos anos 90 e 2000, num livro que partilhou os louros com Neil Strauss, entitulado How to Make Love Like a Porn Star.

Se analisarmos com cuidado e de forma racional, o que isto nos diz é que numa área profissional onde o trabalho da mulher é maior e mais desejado, onde a sua imagem é mais exposta e sua saúde corre mais riscos que a do homem, é justo que o pagamento pelos seus serviços seja maior.

Mesmo acreditando que na maioria das profissões ambos os géneros recebem ordenados iguais, não se confundam profissões com áreas profissionais ou pior, empregos na mesma empresa: o perigo que corre uma secretária de entalar a mão com a tampa do scanner da impressora ao fotocopiar cenas é claramente superior ao perigo e um soldador a trabalhar a 30 metros do chão.

A fisiognomia é real

O Patriarca desconhecia por completo a entidade que o nosso Merlin se dedicou a desancar ontem, mas mesmo antes de ler o texto ficou esclarecido apenas com uma foto da criatura.

Pedro Schacht Pereira
Retrato de um pusilânime

Não se vai dedicar a dissecar mais o texto, que é demasiado estúpido para merecer essa atenção. Este post permite apenas alertar os leitores para algo que um estimado mentor d’O Patriarca vem repetindo há anos: a fisiognomia é real.

Talvez Myrddin Emrys não se tenha apercebido, mas grande parte da sua raiva poderá nem sequer derivar da imbecilidade do texto – haverá algum homem que olhe para este mariconço emproado e não sinta um desejo ardente de lhe enfiar um soco no focinho?

A Fisiognomia, ou “a ciência que permite através dos traços físicos da pessoa, prever o seu carácter psicológico”, foi na realidade até recentemente uma pseudo-ciência com pouco mais credibilidade que qualquer preconceito. No entanto, técnicas mais modernas de análise estatística, de imagem, e a aplicação rigorosa do método científico, têm permitido algum revivalismo credível desta disciplina, com diversos estudos sólidos, muitos dos quais se encontram coleccionados nesta categoria do Chateau Heartiste.

As vantagens deste conhecimento são muito claras: qualquer tipo que se assemelhe a este dejecto humano é muito certamente um esquerdalha sem nenhum valor, com um não-emprego qualquer como Estudos Lusitanos, e é seguro ignorar todos os sons que lhe saiam da boca sem perder tempo e espaço mental a analisar o seu conteúdo. Poltrões destes só dizem merda.

Pedro Schacht Pereira 3
Vibrador não visível na foto.

A hipergamia Mata (I)

O clube estava meio cheio, sobretudo de 25-anistas o que preencheu as modestas hipóteses de Tisserand. Muitas mini-saias, decotes curtos, em poucas palavras, carne-fresca. Vi os seus olhos arregalarem-se ao aproximar-se da pista de dança e saí para um burbon no bar. (…)

No ínicio parecia interessado numa morena de vinte e tantos, secretária provavelmente. Estava inclinado a aprovar a sua escollha. Por um lado não era rapariga de grande beleza e seria, seguramente, influenciável; os seus peitos, apesar de bem-dimensionados, já estavam descaídos e as suas nádegas flácidas; dentro de alguns anos, tudo isto a arrebataria. Por outro lado, havia algo ousado na sua tentativa frontal de encontrar um parceiro sexual (…) esta seria uma rapariga com preservativos na mala.  Durante alguns minutos, Tisserand dançou não longe dela, impulsionando os seus braços energeticamente na sua direcção, para indicar o entusiasmo que a música nele causava. Em duas ou três ocasiões até batia palmas ao ritmo do beat; mas a rapariga não parecia reparar nele, no mínimo. Beneficiando de uma pequena pausa entre discos, ele tomou e dirigiu-lhe algumas palavras. Ela virou-se, lançou-lhe um olhar desdenhoso e atravessou a pista de dança para fugir dele. Tudo estava a correr como planeado.

Uma rapariga, sentada na mesa perto da minha, sozinha. Era muito mais nova do que a Verónique, devia ter 17; Fora isso, era horrivelmente parecida. O seu vestido extremamente simples, amplo, não revelava os contornos do seu corpo – escassamente precisariam de tal. As suas ancas largas, firmes e suaves nádegas, a maleabilidade da sua cintura que conduziria as mãos em direcção a um par de amplos, redondos e suaves peitos; as mãos que descansavam confiantemente na cintura, expondo a nobre circularidade das ancas. (…) A cara, plena e cândida, expressando a sedução calma das mulheres naturais, confiantes da sua beleza. A serenidade calma da pilhagem jovial, ainda fresca, desejosa de tentar os seus membros num curto galope. A tranquilidade calma de Eva, apaixonada pela sua própria nudez, sabendo-se óbvia e eternamente desejável.

(…). Foi aqui que Tisserand escolheu regressar; ele estava a transpirar ligeiramente; ele falou comigo; eu acho que ele queria saber se eu pensava em tentar algo com a rapariga. Não respondi; Começava a sentir como que vomitando e tinha tesão; As coisas estavam num bom ponto de passagem. Disse “dá-me um momento” e atravessei a discoteca em direcção aos lavabos. Uma vez lá dentro, pus dois dedos na garganta, mas a quantidade de vomito provou-se fraca e desapontante. Depois masturbei-me com grande sucesso: Comecei a pensar na Verónique ao inicio, mas aí concentre-me em vaginas e foi o suficiente. A ejaculação veio em minutos; trouxe-me um sentimento de confiança e certeza. Ao regressar vi que Tisserand tinha iniciado uma conversa com a pseudo-Verónique; Ela fitava-o calma e sem desprezo.

Eu sabia que no fundo, esta jovem rapariga era uma maravilha; mas não importava, já me masturbara. Do ponto de vista amoroso, Verónique pertencia, como todos, a uma geração sacrificada. Ela fora certamente capaz de amar; ela desejava ainda o ser, posso-o garantir, mas já não é possível. Como fenómeno escasso, artificial e atrasado, o Amor pode apenas florescer sob certas condições mentais, raramente conjuntas, e totalmente opostas à liberdade moral que caracteriza a época moderna. Verónique conhecera demasiadas discotecas, demasiados Amantes; esse tipo de vida empobrece o ser humano, infringe por vezes danos sérios e quase sempre irreversíveis. O Amor como um tipo de inocência e como a capacidade para a ilusão, como a aptidão para cingir todo o outro sexo num único ser Amado, raramente resiste a um ano de imoralidade sexual e nunca a dois. Na realidade, as sucessivas experiências sexuais acumuladas durante a adolescência, minam e rapidamente destroem toda a possibilidade de projectar um intento emocional e romântico; progressivamente e, de facto, extremamente rápido, um torna-se tão capaz de Amar como um velho escória. Por isso leva, obviamente, a vida dum escória; No envelhecimento torna-se menos sedutor, logo, mais amargo. Torna-se invejoso dos jovens e por isso odeia-os. Condenado a tornar-se indestrutível, torna-se este amontoado de ódio ferveroso; depois morre e desaparece, como tudo desaparece. O que remanesce é o ressentimento e o repúdio, o enjoo e a antecipação da morte.

No Bar, negociei uma garrafa de bourbon com o bartender por 700 francos. Ao regressar esbarrei com um jovem de metro e oitenta. “Hey, qual é o teu problema?” disse num tom amigável; olhando para ele, respondi “o leite da simpatia humana”. Vi a minha cara no espelho, preenchida com um sorriso desagradável. O jovem abanou a cabeça em resignação; negociei atravessar a pista com a garrafa na mão; mesmo antes de chegar, fui de encontro à rapariga da caixa, e caí no chão. Ninguém me ajudou. Estava a ver pernas dos dançantes bambaleando-se na minha frente; quis ceifá-las com um machado. Os efeitos da luz eram de uma violência intolerável; Estava no inferno.

Um grupo de rapazes e raparigas estavam sentados na nossa mesa; provavelmente os colegas de turma da pseudo-Verónique. O Tisserand não desistira; apesar de começar a afastar-se, estava-se a deixar ser posto fora da conversa progressivamente à medida que se tornava demasiado óbvio, e quando um dos rapaz propôs comprar uma rodada no bar, já ele estava implicitamente excluído. Ainda assim fez um vago gesto de se levantar tentando apanhar o olhar da pseudo-Verónique; em vão. Pensando melhor, deixou-se cair no sofá, completamente embrenhado em si mesmo, nem reparara na minha presença; despejei outra bebida no copo.

A imobilidade de Tissrand foi mantida por um minuto ou assim; deu um súbito arranque, sem dúvida imputável àquilo que geralmente é chamado de “energia do desespero”. Erguendo-se abruptamente, passou por mim e alcançou a pista de dança; a sua face estava sorridente e determinada; estava mais feio do que nunca.

Sem hesitação, plantou-se diante de uma rapariga de quinze anos. Ela usava um vestido curto de um branco imaculado; a transpiração colara-o ao seu corpo e era bem visível que não usava nada por debaixo; as suas pequenas e redondas nádegas estavam moldadas com precisão perfeita; um podia claramente reconhecer as aureolas castanhas dos seus peitos, engrossados pela excitação; O DJ anunciara quinze minutos de oldies. Tisserand convidou-a para dançar; contra as expectativas, ela aceitou. Dos primeiros acordes de “Come on Everybody” senti que ele ia dar cabo de tudo. Ele abanava-se em torno da rapariga com brutalidade, dentes cerrados, um olhar vicioso; de cada vez que a puxava para si, tomava oportunidade para colocar as suas mãos nas nádegas dela. Assim que as últimas notas tocaram, a jovem pisgou-se para junto de um grupo de raparigas da sua idade. Tisserand permaneceu resolutamente no centro da pista de dança; ele estava-se a a babar. A rapariga apontava para ele enquanto falava com as suas comparsas; gargalhava enquanto olhava para ele. Neste momento a pseudo-Verónique regressa do bar com o seu grupo de amigos; estava numa conversa densa com um jovem rapaz preto, ou talvez meio-preto. Ele era ligeiramente mais velho do que ela; creio que podia ter uns 20. Eles vieram e sentaram-se na nossa mesa. Quando passaram acenei a mão ligeiramente na sua direcção. Ela olhou para mim surpreendida mas não reagiu.

Depois do segundo acto de Rock, o disc-jokey pôs um slow. Era Le Sud por Nino Ferrer, um excelente disco, tinha de o dizer. O mulato tocou no ombro da pseudó-Verónique ligeiramente; Eles chegaram a um acordo comum. Neste momento, Tisserand virou-se para ele. Abriu as mãos, abriu a boca, mas creio que não teve tempo para falar. O mulato amansou-o calmamente, com gentileza e, nalguns segundos, ambos se encontravam na pista de dança. Faziam um casal magnífico.

A pseudo-Verónique era alta, talvez um metro e setenta e cinco, mas ele era bem mais alto. Ela confiantemente pressionou o corpo contra o deste gajo. Tisserand sentou-se ao meu lado; tremia de cada membro. Olhava o casal, hipnotizado. Esperei um minuto ou mais; esta dança lenta, durou para sempre. Depois agarrei-o gentilmente pelo ombro, repetindo “Rafael” uma e outra vez.

– O que posso fazer?

– Vai bater uma punheta

– Reconheces que não tem solução?

– Claro. Não tem solução desde há muito tempo, desde o inicio. Tu, Rafael Tisserand, nunca representarás o sonho erótico de uma jovem rapariga. Tens de te resignar ao inevitável; tais coisas não são para ti. Já é demasiado tarde, de qualquer das formas. O fracasso sexual que conheces desde a tua adolescência, Rafael, a frustração que te persegue desde a idade de 13 anos, deixará uma marca indelével. Mesmo supondo que tu  venhas a ter mulheres no futuro – coisa de que francamente dúvido – isto não será o suficiente; nada será o suficiente. Serás sempre um órfão dos amores adolescentes que nunca conheceste. Em ti a ferida é demasiado profunda. Uma amargura atroz, irreversível, acabará preenchendo o teu coração. Para ti não há redempção nem salvação. Assim é. Ainda assim, não significa contudo, que toda a possibilidade de vingança esteja cerrada para ti. Estas mulheres que desejas tanto, podes possuí-las. Podes até possuir o que de mais precioso existe para elas. Sabes o que é o mais precioso para elas?

– A sua Beleza? sugeriu

– Não é a sua beleza, isso posso-te garantir. Tampouco é a sua vagina, ou o Amor pois todos esses desaparecem com a vida. E, daqui em diante, podes possuir a sua vida. Lança-te numa carreira de homicidio desta noite em diante; Acredita, meu amigo, é a única hipótese aberta para ti. Quando sentires estas mulheres tremendo na ponta da tua faca e implorando pelas suas jovens vidas, então aí serás o seu verdadeiro mestre; Só aí possuíras o seu corpo e alma. Talvez até consigas, antes de as sacrificares, obter vários favores suculentos da sua parte; Uma faca, Rafael, é um aliado poderoso.

Ele fitava longa e dolorosamente o casal que estava embrulhado enquanto torneavam a pista; Uma das mãos da pseudo-Verónique abraçava a cintura do mulato, a outra descansava no seu ombro. Suavemente, quase com timidez, disse-me

– Preferia matar o gajo.

Aí, soube que tinha ganho. Subitamente relaxei e enchi de novo os nossos copos.

– Pois bem, exclamei, do que estás à espera? Pois sim! Mata então o jovem preto! De qualquer das formas, eles vão sair juntos, as coisas parecem lineares. E tu tens de matar o tipo antes de conseguires qualquer coisa da miúda. Por acaso tenho uma faca no carro.

Eles de facto saíram dez minutos depois. Agarrei a garrafa, Tisserand seguiu-me docilmente. Cá fora, na noite, havia um aroma prazenteiro, quase quente. (…) Abri a frente do carro, tirei a faca do saco; A sua serrilha brilhava resplandecentemente com o luar.

Montaram numa Scooter. Ao meu lado, Tisserand tremia incessantemente. Conseguia sentir o fedor do seu esperma putrido a trepar pelo respectivo pau. Carregando nervosamente nos botões, ligou as luzes sem querer; A rapariga reparou. Decidiram sair, o nosso carro moveu-se ligeiramente atrás. “Onde irão dormir?”. “Provavelmente na casa da miúda, é uma coisa certa. Mas temos de os parar primeiro. Assim que regressarmos à estrada, batemos na Scooter. Ficarão atordoados e não terás problemas em dominar o gajo.” À luz dos farois, a rapariga podia ser vista a agarar a cintura do companheiro. Depois de uns minutos de silêncio recomecei “Podíamos sempre fazê-los despistar, só para jogar pelo seguro.” “Eles não parecem estar preocupados com nada” reparou Rafael numa voz sonhadora.

Subitamente, a scooter virou para a costa, em direcção ao mar. “Não era este o plano”. Disse ao Tisserand para abrandar; Mais adiante o casal estacionou e encaminharam-se para a praia. Ao primeiro vislumbre das dunas,compreendi melhor. Com uma maré alta que formava uma imensa curva, o mar extendia-se aos nossos pés; A luz da lua cheia brilhava ligeiramente sob a sua superficie. O casal dirigia-se a sul, para a beira da água. A temperatura do ar estava gradualmente mais prazenteira, anormalmente prazenteira; julgar-se-ia estarmos em Junho. Nestas condições, de certeza, compreendia: Fazer Amor ao lado do oceano, por debaixo do esplendor das estrelas, compreendia demasiado bem, era aquilo que eu teria feito caso estivesse no seu lugar.

Dei a faca ao Tisserand, ele saiu sem uma palavra. Regressei ao carro, suportando-me no capô, deixei-me escorregar para a areia. Beberiquei o burbon e depois regressei atrás do volante, conduzindo para o mar. Era arriscado mas o som do motor era apagado, imperceptível; a noite estava acolhedora, terna. Tive uma tentação terrível de guiar em direcção ao mar.

A ausência de Tisserand tornara-se prolongada. Quando regressou não disse uma palavra. Segurava a faca na sua mão; a lâmina brilhava suavemente; Não detectei manchas de sangue na sua superficie. Subitamente senti uma onda de tristeza. Finalmente falou.

– Quando cheguei, eles estavam deitados entre as dunas. Ele já tirara o seu vestido e soutien; Os seus peitos eram tão belos, tão redondos, no luar. Aí ela virou-o, foi para cima dele. Desabotoou-lhe as calças. Quando o começou a chupar eu não aguentei mais – silenciou-se. Eu esperei – Voltei para trás, caminhei entre as dunas. Podia tê-los morto aos dois; eles encontravam-se alheios a tudo e não sabiam que eu estava ali. Masturbei-me. Não tinha desejo de os matar; o sangue não muda nada.

– O sangue está em todo o lado

– Eu sei. Também há esperma por todo o lado. Neste momento já tive demasiado. Vou voltar para Paris.

Nem sugeriu que o acompanhasse. Fui adiante, caminhei em torno do mar. A garrafa de burbon estava quase vazia; Engoli o que restava. Quando regressei, a praia estava deserta. Nem ouvira o carro a arrancar.

Nunca mais voltaria a ver Tisserand de novo; morreu no carro, nessa noite, na viagem de regresso a Paris. Havia muito nevoeiro nos arredores de Angers; Ele conduzira à bruta, como sempre. O seu GTI 205 colidiu de frente com um camião; Morreu instantaneamente, mesmo antes da alvorada. No dia seguinte houve um feriado para celebrar o nascimento de Cristo; só três dias mais tarde a sua família ouviria sobre o sucedido. Já o enterro ocorrera, de acordo com o ritual, coisa que afastou a ideia de lamentos ou carpideiras. Algumas palavras se disseram sobre a tristeza de tal morte e a dificuldade de conduzir em pleno nevoeiro; as pessoas regressaram ao trabalho e foi isso.

Incomensurável

Cometi o erro de me tornar seguidor do panão antropólogo Miguel Vale de Almeida, o que me leva a descobrir enormidades como a que se segue. Ao que parece, um amigo do lelé, escreveu o monte de merda abaixo. Já me enoja suficientemente haverem tipos a viver de fundos públicos para inventar historietas de condenação nacional e racial, de menorização do património lusitano, alicerçado em mentiras redondas, interpretações parciais e no recurso a autoridades falseadas – clones do esterco elencado, que sobrevivem porque nenhum governo teve a coragem de proceder com as ciências sociais da forma que se exige, a absoluta extinção. Mais para mais, tratando-se de gentalha que se organiza contra a democracia e os resultados nela expressos, consideramos-los terroristas anti-democratas. Façam o favor de os abater.

Mas há mais. Há isto

Stre

Portanto, para este filha da puta, se um maluquinho lança um carro contra a multidão, sai de cutelo em riste pronto a assassinar e gera feridos ou (porque não) mortos, a culpa é obviamente do Trump! E se alguém o defende porque, pobrezinho, não encontrava lunáticos com quem se relacionar, é injusto que seja subsequentemente ameaçado – sei lá – pelos tipos quem, à sorte, não levaram uma navalhada na figadeira.

Havia muitas coisas que dar a este gajo. Um par de estalos era uma delas. Outra era um tiro nos cornos. Mas, além da carta que lhe escreverei em breve para lhe explicar as razões quais justificam, na minha óptica, o respectivo fuzilamento, vou apenas outorgar-lhe duas palavras que sumarizam os meus sentimentos em torno da sua repugnante dissertação.

Ora cá vão.

Eliot Rodgers