Angelika: Sexo vs. Validação

Em primeiro lugar, O Patriarca gostaria de parabenizar o nosso Myrddin Emrys por um dos melhores artigos d’A Távlola Redonda.

O Myrddin destaca o medo que a jovem tem dos seus clientes, mas vamos lá, isso é natural mesmo sem a vilificação actual dos homens. O porquê vai para além do âmbito deste post, mas resumidamente, o acto de uma mulher se encontrar a sós com um completo estranho para se despir e não só, é uma vulnerabilização enorme.

O Patriarca acha mais interessante o seguinte facto – a miúda tem um fascínio por poledance e quer ser stripper, mas tem nojo de sexo. Há aqui um exemplo prático de uma “regra” da RedPill. As validação que as mulheres sentem por ser o alvo do desejo masculino é um substituto perfeitamente aceitável do acto sexual, sendo que para algumas mulheres é mesmo mais prazenteira a validação que o sexo.

Moral da história: nunca dês validação a uma mulher que tencionas foder.

Angelika: O profícuo mundo da prostituição de luxo [Entrevista]

Desmultiplicam-se por cenários, tipologias serviçais e países de actuação – pelo menos dentro da UE, onde não conhecem fronteiras. Utilizam com mestria as redes sociais e uma infinidade de instrumentos internautas que as permitem chegar melhor ao cliente qual, apesar de todas as chamadas vitórias progressistas, nunca esteve tão disposto a pagar tanto por tão pouco. Pintam com as aguarelas da modernidade, a profissão mais velha do mundo

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Encontrámos-nos num subúrbio manhoso duma capital do Norte da Europa. Nunca ali tinha estado mas ouvira relatos de locais que equiparavam o bairro às vilas iraquianas: Crime, tiros, explosões, num dos países estatisticamente mais seguros do mundo. Ali, por entre as mulheres de burka e dezenas de crianças que entusiasticamente gravitavam em torno de cada, entre os homens de olhar agressivo e barba comprida que acompanhavam as primeiras, reconheci-a. Angelika, conhecida online por Amanda, botas de salto alto, nascida no ano da expo. Elegante, dois sinais na cara, o inglês tem falhas, a segurança não. Enquanto a observava, alternava entre três telefones, manuseando-os com destreza. Avisou-me que estava sem tempo porque esperava por um e-mail sobre o contracto de alojamento e, sem que desse por isso, roubo-lhe as coordenadas do facebook (adicionou-me online no fim da conversa). Sem guião, mas com algumas guias, questionei-a. Paguei à cabeça. E expliquei-lhe ao que vinha

– Fui primeiramente ao site, ao site onde te encontrei, porque queria conhecer mulheres.

– Porquê?

-Porque é que tens um emprego? Porque é que tens um mercado de gajos que estão dispostos a pagar para estar contigo e que te permitem não trabalhares em mais nada que não nisto?

– Então és um jornalista?

– Não, não sou.

– Então porque é que estás aqui?

– Porque percebendo que seria uma opção pouco esperta pagar para ter sexo, achei que seria adequada para este projecto. Eu e uns amigos estamos a escrever um blog da chamada “RedPill”. Este é o tipo de assuntos que tratamos e escrevemos. Por isso perguntei-lhes “o que pensam se eu entrevistar esta miúda, esta” não sei bem o que é que tu própria te intitulas. Todos responderam “excelente ideia” mas foi só isso. É que geralmente, as entrevistas que fazemos, são extensamente preparadas e todos acrescentam várias perguntas. Desta vez só aplaudiram a ideia mas não me deram nada. Em todo o caso, pareces-me uma rapariga interessante.

– Obrigado! Vou só agarrar a minha mala porque, bem, considerando o bairro em que estamos…

– Deixei a minha bicicleta destrancada.

– Isso é ousado.

– Sabes que é a primeira pergunta que te faço. Este é suposto ser um bom negócio e tu cobras imenso, mas vives aqui…

– Como assim?

– Tipo, pelo que me disseste, parece-me muito.

– É diferente. Eu agora vou para a Polónia trabalhar

– Tu és polaca.

– Sim, mas agora vou lá apenas para trabalhar. Por exemplo, gastei 80 € por um bilhete de avião e vou ganhar cerca de 60 € por noite mais, talvez, 150 € durante o dia.

– Durante o Dia?

– Durante o dia. Por isso, vou agora para a Polónia – já viste? Polónia! – para trabalhar…

– Mas o que te pagam as pessoas para fazeres durante o dia?

– Para encontrar, almoçar, arranjar um quarto – Como se diz? Arrendar – Sim, arrendar – Arrendar um quarto, para fazer striptease, massagens… o que queres?

– Eu não quero nada a não ser ouvir-te! É a melhor parte. Portanto, vais voltar para a Polónia, o país de onde vens, para trabalhar apesar de viveres aqui no Norte da Europa. E há gajos polacos dispostos a pagar imenso para fazeres essas coisas.

– Exacto

– Mas então o que estás aqui a fazer?

– Estudo aqui!

– Fixe! O que estás a estudar?

– Às vezes arrependo-me de ter vindo para aqui porque aqui não consigo ganhar dinheiro como na Polónia, em Varsóvia, eu fazia pelo menos 500 € por noite. E aqui dizem-me “500 €? Estás a brincar?”

– Mas aqui são mais ricos.

– Sim, mas não querem pagar por sexo… tanto.

– Porquê?

– Não sei

– Dizes que vais à escola aqui. Também trabalhas?

– Não. Não estou legalizada… preciso dos papeis para poder trabalhar, para ter bolsa de acção social escolar e tudo mais.

– O que estudas?

– Gestão de Marketing. Mas é um curso de bacharel. Quero fazer um mestrado ligado à bolsa de investimentos… Sabes, talvez me candidate a uma boa escola, deixa ver onde. Talvez na capital.

– Estudas na faculdade local?

– Sim

– Tenho bons amigos lá, um dos meus melhores amigos estuda contigo. Talvez ele te conheça.

– Oh

– Tipo, tens colegas? Dás-te bem com eles? Os teus colegas sabem o que fazes para ganhar a vida?

– (riso) claro que não. Bom, tenho uma amiga que sabe o que eu faço e que me protege. E quando vou a algum lado, sabendo que uma pessoa me pode matar, raptar-me, trancar-me numa cave, é ela quem – se não souber de mim dentro de vinte e quatro horas – pode telefonar à polícia.

– Isso já aconteceu?

– Não

– Então porque pensas que aconteceria??

– Não sei, em caso de emergência. Precisas de te manter segura

– Se trabalhasses noutro ramo ou negócio, tipo, se fosses uma enfermeira ou prestadora de outro tipo de serviços, também pensarias que terias o mesmo…

– Dinheiro?

– Não, claro, essa pergunta é fácil. Mas achas que terias a mesma preocupação.

– A mesma preocupação?

– Sim, imagina que és enfermeira e um dos teus pacientes precisa que vás à casa dele ou dela porque precisa de certo tratamento, e tu vais. Também avisarias os teus amigos pedindo-lhes que liguem para a polícia caso não dês sinal de vida em 24 horas?

– Não,  não penso que não. Mas eu sei que este é um negócio perigoso, nunca viajo para fora da Europa porque tenho medo. E agora sei que devo temer pelo mercado de tráfico de seres humanos que continua a existir.

– Claro que continua e em grande.

– Por isso tenho medo.

– Mas porque então porque tens medo disso? Sendo uma cidadão Europeia, sendo profissional…

– Eu não sou profissional.

– Então não te devia pagar!

– As profissionais levam 3000 €/noite.

– Então a diferença entre profissionais e amadoras é o preço?

– Definitivamente! E eu penso que as profissionais têm um melhor nível de vida.

– Padrões de vida?

– Sim, dá-me um segundo (pega no computador) tenho de verificar se (o mail) já veio.

– Se veio? Então uma profissional é a que verifica se o cliente já se veio.

– Não, não é nada disso. Estou à espera dum amigo que me vem buscar para que eu possa ir assinar o contracto de alojamento. Ele é de cá, a senhorio é de cá, não falam Inglês.

– E tu não.

– Não. Só sei dizer “Obrigado”.

 – Eu nem isso. Mas isto é fascinante porque dizes-me que se fosses enfermeira, não pensarias que os teus clientes te poderiam fazer mal, mas como trabalhas neste ramo – chama-lhe o que quiseres – partes do pressuposto que os clientes te podem fazer mal. Portanto, tens um preconceito contra os teus próprios clientes, isto é, um preconceito contra os homens que pagam para ter sexo. Mas se os homens não pagarem para ter sexo, como acontece aqui no Norte, não conseguirias ter uma vida… Felizmente, que existem homens dispostos a pagar para sexo, certo? Senão, não terias dinheiro.

– Não tenho a certeza que compreenda o que estás a dizer. Todo o tempo em que tenho medo de ir a casa de alguém, e se não teria caso lá fosse como enfermeira? É a mesma pergunta?

– Sim

– Porque as enfermagem tem outro carácter e, por exemplo, quando vais a casa de alguém como enfermeira, encontras alguém na cama, inamovível, e que estará acompanhado por outras pessoas; É diferente ires a algum lado onde só está um homem e eu sou uma mulher, portanto, ele será mais forte do que eu.

– Mas sendo homem, também já fui paciente, já tive enfermeiras em minha casa para me cuidarem, sofri muitos acidentes. Também tive uma namorada enfermeira que passava a vida a ir a casa de outros homens para fazer tratamentos e não tinha medo deles. Mas tu tens medo dos teus clientes

Sim, tenho. Só me encontro em hotéis.

– Mas ao mesmo tempo, são os teus clientes quem te permite viver

– (risos) tens razão.

– Ok, deixa tentar outra. Tu cobras muito. Menos do que as profissionais, mas cobras uns 500 €/noite? (sim). Mas vives no pior sítio onde já estive neste país.

– O pior?

– Estou aqui há meses e nunca tive num sítio tão mau como este. É fantástico, obrigado por me dares oportunidade de visitar o gueto.. Portanto, o negócio está a ir bem?

– Aqui? Não. Nunca tive um cliente de cá. E tentei. Quando vim, pensava “rica Europa do Norte, ricos europeus, vai ser melhor do que trabalhar na Polónia”, não. agora, vou para a Polónia trabalhar.

– Mas sabes que todas as coisas que tu fazes são legais aqui. Os bordéis são legais, os strips são legais, há um bairro enorme na capital apenas dedicado a actividades sexuais,

– Já ouvi falar, chamam-lhe uma espécie de red light district do norte.

– Então se tudo é legal, porque não trabalhas sobre os trâmites legais?

– Porque teria de pagar  impostos aqui em vez de os pagar na Polónia. Na Polónia não pago nenhuns. Lá é legal e ilegal. É ilegal forçar alguém a fazê-lo ou beneficiar do trabalho sexual alheio. Portanto é legal e ilegal. Na Polónia eu posso fazê-lo, ninguém me pune por isso e não tenho de pagar impostos. Aqui, tenho. E aqui, a sério, querem-me pagar 150 € por tudo.

– Isso é pouco?

– Muito pouco

– Os preços nos bordéis estão entre 80 e 130 €. Achas que é pouco?

– Para mim, muito.

– Mas mesmo as escorts profissionais, aqui, levam 200 € por hora

– É pouco.

– Porquê?

– Porque eu não gasto apenas a hora em que estou com o cliente. Demoro pelo menos duas horas mais a preparar-me (agarro-lhe no cabelo com ar de desaprovação) Hoje não, não me arranjei para vir cá, desculpa, não tenho maquilhagem nenhuma e para me encontrar com um cliente levo maquilhagem, visto umas roupas decentes.

– As tuas roupas nem são más…

– Sim, mas tenho de tomar um banho longo, arranjar o cabelo, esfoliante, pôr cremes para ficar com a pele muito suave (volto a tocar-lhe na mão com ar de desaprovação), não não, não me preparei hoje, mil desculpas…

– Isso incomoda-te? Tipo um trabalho ou uma tarefa, como num emprego das 9 às 5. Pensas, “oh , não, bolas, lá vou eu trabalhar” e em vez de 3 horas de reunião, são 3 horas de banho, 3 horas de cabeleireiro, isso aborrece-te? Preferias não o fazer?

– Eu não gosto de o fazer. Se pudesse escolher, nunca usaria maquilhagem e até acho que não preciso, mas sabes como é, high class é high class. Portanto preciso de parecer o melhor que consigo. Mas durante o resto do tempo não a uso, não gosto de o fazer, é mau para a pele… Quando te dizem “faz esta coisa que é má para a tua  pele” eu penso, “nããã”. Por mim vou sem ela, tomo um banho curto e estou pronta.

– E isso paga? Tem retorno? Sentes uma diferença grande se… Imagina que tens um encontro, imagina que sou, chego aqui e digo-te “vamos foder” ou o que for. Achas que eu quereria pagar menos porque não puseste maquilhagem, ou não cuidaste o teu cabelo?

– Tu pagas o que eu te pedir, mas da próxima vez, por exemplo, já não te querias encontrar comigo porque acharias que eu não valeria o dinheiro.

– Isso já te aconteceu? Clientes que tentam uma vez e não querem repetir?

– Não, todos ficam satisfeitos

– Isso é uma coisa boa. (risos) Mas porquê? Porque é que vales a pena? Porque razão as pessoas que encomendam os teus serviços, encomendam-no de novo?

– Porque eu os trato bem (volta a olhar para o computador). Peço desculpa, isto nunca acontece mas eu avisei-te. Se fosses meu cliente, teria tudo, facebook etc, desligado e só te prestaria atenção a ti.

– Não te preocupes, eu é que te quero ouvir e em todo o caso, isto está a gravar.

– Porque estás a gravar?

– Porque quero escrever sobre isto. Quero escrever sobre ti. Porque é fascinante. Tu és fascinante. Este conceito é fascinante e eu quero escrever sobre ele. Tenho pensado e escrito bastante sobre este assunto, nas últimas semanas, falei com prostitutas, escorts, fui a bordéis, paguei serviços aos meus amigos e enquanto os meus amigos estão a comer as prostitutas, eu estou a falar com elas e a tomar notas: Em Portugal, França, Alemanha, em todo o lado. E até aqui. Toda a gente fode às minhas custas. Até podia pagar a um amigo para te comer, excepto os amigos que tenho cá e que não precisam disso. Daí que eu quisesse perceber porque é que alguns homens acham que vale a pena gastar dinheiro em ti? Eu já te dei 40 €, mas porque gastaria mais?

– Porque gostam do meu aspecto

– Gostam do teu aspecto? Porquê?

– Se conhecemos alguém cujo aspecto gostamos, pensamos que essa pessoa vale a pena. Não sei como dizê-lo em Inglês, mas quando gostamos do aspecto de alguém acreditamos que é melhor pessoa do que é na vida real. Não sei como dizê-lo, mas há um ditado polaco, tem que ver com anjos.

– Não precisas, eu percebo.

– Eles gostam do meu aspecto, sei fazer massagens, striptease, tudo. Não tenho muita experiência, comecei este ano. Quando estava a viver na Polónia tinha duas relações permanentes, uma na Polónia leste, depois outra quando me mudei para Cracóvia por isso não tenho muita experiência. Vou agora voltar para lá, ver como isto vai.

– Que idade tens?

– 19?

– Claro que não. Claro que não tens.

– Queres ver o BI ?

– Quero (era verdade).

– Oh meu Deus.

– (risos).

– Então, porque é que uma rapariga com 19 anos se mete nisto?

– Dinheiro. Quero comprar um apartamento para viver de rendas.

– Sim, mas como começaste? Como te surgiu a ideia? Tipo, “posso ganhar dinheiro com isto”

– Nem sequer tinha nenhum amiga nisto que fossem strippers ou prostitutas. Mas sempre quis ser stripper, adorava poledance na Polónia. É tipo o meu hobby. Via mulheres fazerem Poledance, ia aos espectáculos, acho que é muito atraente. Gostava de  trabalhar como stripper aqui.

– Há uma casa de strip cá.

– Eu sei, mas candidatei-me à única casa daqui e disseram-me “Oh, muito obrigado, mas estamos cheios este ano e talvez para o ano”.

– O que lhes mandaste? O CV?

– Não, nada de informação pessoal, apenas fotos, a minha experiência como poledancer e uma pequena descrição sobre quem sou eu.

– Quem és tu?

– Angelika… Mas por favor não coloques informação pessoal minha no teu blog.

– Não te preocupes, apenas porei o teu primeiro nome e o ano em que nasceste. Até estou a escrever em Português, só quero o conteúdo. Mas acho que é uma peça extraordinária.  E sabes, muitos dos meus amigos, muitos dos gajos que escrevem comigo adoram a Polónia.

– A Polónia é o paraíso para SugarDaddys.

– Porque há muitas raparigas?

– Sim, porque há muitas raparigas, porque são mesmo raparigas simpáticas, porque há muita gente disposta a pagar… Eles são muito mais pobres, mas usam muito mais dinheiro. Pagam como pagam no Luxemburgo, ou em Londres, por miúdas.

– A minha impressão da Polónia, de quando lá estive num congresso, era a de ver todas estas raparigas muito bonitas sozinhas num canto dos bar, e os homens agarrados a cantar e a enfrascarem-se em vez de prestar atenção às mulheres. As mulheres eram muito mais femininas e muito simpáticas. Tudo era barato, excepto o álcool que é o mesmo preço que o do álcool em Portugal, mas tudo o resto era tão barato. Em Cracóvia tive o melhor almoço da minha vida incrivelmente barato.

– E podes ir à Ucrânia. Ainda é mais barato.

– Ucrânia?

– Sim, Ucrânia. Mas precisas de passaporte para entrar. Podes ir a Lviv que é a capital da Ucrânia, é uma cidade próxima da fronteira polaca

– Desculpa, mas a capital é Kiev

– Ok, desculpa, a sério? Toda a minha vida acreditei que a capital era Lviv. (Mostra-me o mapa) Olha, aqui foi onde vivi. Aqui, aqui, aqui e aqui.

– Olha Odessa… esta era uma cidade muçulmana, sabias?

– Não sabia.

– Não sou grande fã destes países. Mas já andei para aqui. Um bom amigo meu diz que as mulheres mais bonitas do mundo vêm daqui da Bielorrússia.

– Que giro.

– Mas eu continuo sem perceber porquê gastar dinheiro para estar com mulheres.

– Eu também não consigo perceber. Se fosse homem, nunca pagaria a uma mulher por sexo. Se o fosse fazer, se fosse fazer sexo, quereria que ela gostasse de fazer e o quisesse fazer de borla.

– Fazes sexo de borla?

– Não. Agora, nunca. E não quero fazê-lo nos próximos anos. Já tive dois namorados no passado e o segundo era polígamo. Andámos um ano até eu saber, disso e eu aí pensei ‘Ok, ele é polígamo, ele anda a fazer sexo com muitas mulheres diferentes e eu posso apanhar uma doença dele. É o mesmo que ajavardar. É o mesmo risco’.

– Não tens medo de apanhar uma doença tu?

– Não, porque uso preservativo. Mas com ele não, confiava nele.

– Não há gajos que te pedem ou que te oferecerem mais dinheiro para não usares preservativo?

– Não, nunca.

– Nunca te perguntaram

– Nem por 100.000 dólares eu o faria.

– Então, se um tipo pode conhecer outro tipo de rapariga e não usar preservativo, qual a vantagem de estar contigo? Tipo, a tua vantagem. Promove-te como se eu fosse um cliente potencial.

– Mas tu não és um cliente potencial porque eu sou honesta contigo. Com os clientes nunca sou. Não é ser desonesta, mas não posso ser honesta como sou contigo. Por exemplo, aos meus clientes potenciais nunca diria que não gosto de sexo. Porque não gosto de sexo, percebes? Eu nunca tive um orgasmo. Agora percebes porque é que eu não o faço aqui? É um preço demasiado baixo para fazer uma coisa de que não gosto e que me vai enojar, faz-me correr o risco de ficar doente, porque por exemplo a SIDA? Podes apanhar SIDA com preservativo.

 – Eu sei

 – Por isso é um risco, tudo é um risco.

– Bom eu sou um tipo porreiro, não te quero forçar a fazeres algo de que não gostas. Mas vamos imaginar que não era, gostava de te ver a promoveres-te, que me explicasses porque razão te devo escolher a ti e não à próxima tipa.

– Eu não me costumo promover. Estou farta de me vender. Agora até tenho algum dinheiro, é uma questão tua se me quiseres pagar ou não. Tenho muita gente que me quer pagar, sabes? (Mostra o computador)

– Fica aqui o registo de que a Angelika tem 48 mensagens apenas hoje.

– Amanhã haverão mais.

– Não são de cá?

– São de Varsóvia.

– Todas?

– Todas. Está no meu perfil. Aqui na minha descrição (mostra-me um site de encontros que eu nunca vira antes) digo no meu perfil que sou discreta e que não se arrependerão

– (vendo as idades dos solicitadores marcadas dos 18 aos 80 pergunto) 80? Já tiveste algum potencial cliente muito velho?

– Não, mas se eu limitar a clientela aos 40 e um tipo tiver 41, o site não o deixa ver. Eu quero ser vista por toda a gente. Por isso pus o limite máximo. Por exemplo, este site (mostra outro) tem algumas fotos secretas, mas tens de as pagar para ver.

– Pagar? Porque alguém pagaria só para ver fotos?

– Não sei, mas é como funciona o site.

– Bom, tu estás em muitos sites

Sugardates, Whatsyourprice, Seekingarrengement, tinder, tantos outros… e também nos anúncios! Tipo metes um anúncio num jornal ou na Internet, do género “eu quero vender um carro” ou “eu ando à procura dum patrocinador”

– Mas apesar de todos estes instrumentos, não consegues fazer dinheiro por aqui.

– É um mau país para mim.

– Porquê?

– Ainda não percebi. Olha, desculpa, mas podemos-nos encontrar noutra altura, no facebook ou no skype, mas eu tenho de ir agora. Recebi agora o mail e preciso de ir assinar o contracto, estou à espera disto desde Agosto, peço imensa desculpa. O meu amigo já está a vir, tínhamos date marcado.

Date, também é teu cliente?

– Não, é mesmo amigo. Tipo, conhece a minha família

– E a tua família, sabe disto?

– Claro, que não

– Não se questiona de onde vem o dinheiro?

– Não sabe do dinheiro. Tipo, eu tenho cinco contas bancárias.

– Ok, podemos continuar isto depois. Eu espero por ti. Até já

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De novo a prostituição, desta vez contra

Tornou-se sufocante o ambiente incutido à população heterossexual masculina, com demasiadas prerrogativas concêntricas para as julgar meramente casuais. Este é um plano orquestrado contra nós; Temos de o travar.

Já defendi a prostituição, acerrimamente, em nome da liberdade de escolha. Moderei o entusiasmo ao mensurar essa liberdade, nos actuantes e nas actuadas, apreciando as condicionantes que a toldam, minora, que deturpa as escolhas individuais. A prostituição parte de Foucault (“Tudo é permitido, nada é possível”) e de MC Xeg (“Foi por isto que lutaram ou foram apenas o que conseguiram). O mercado nasce da necessidade; o mercado da prostituição nasce do desespero. O país que outorga um rendimento mínimo de subsistência, extrai condições mínimas de sobrevivência. A mim e aos meus. Aos nossos.

Não sei se é a profissão mais velha do mundo e muitos antropólogos questionam-no com fiúza. Facto é que nasce de uma premissa que ao longo da minha experimentação sexual (uma que dura há mais de meia vida) tenho provado persistentemente estar errada: a de que a sexualidade feminina tem um valor económico positivo (é trocada por dinheiro) e a sexualidade masculina tem um valor económico negativo (é trocada com dinheiro). Isto é mentira. Um trajecto direccionado à igualdade entre sexos (géneros, só os botânicos) condenaria esta leitura; A inclusão das mulheres no mercado de trabalho e os direitos laborais que granjearam, têm de ser contrabalançados com a respeitabilidade da sexualidade masculina, uma valorização legislativa do homem enquanto providenciador de (maior) prazer à contraparte. Mas o que vemos nós?

Pacotes legislativos que castram a nossa heterossexualidade. Sucessivamente. Compulsivamente. Impiedosamente.

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Quando legalizaram o casamento entre paneleiros, não interessava realmente o casamento – a maior parte dos seus promotores desdenha profundamente o matrimónio – mas sim passar uma imagem pública de aceitação da homossexualidade. Quando aprovaram as quotas para mulheres, não interessava realmente ter mulheres na política – a maior parte dos seus promotores desdenha profundamente todas as mulheres  que tiveram um papel de relevo na polis em vez de coadjuvarem esposos, amantes ou familiares, de Thather a Ferreira Leite – mas passar uma imagem pública de promoção à igualdade no acesso aos lugares de poder. Com a legalização da prostituição, não interessa realmente a prostituição – a maior parte dos seus promotores nunca frequentou um serviço sexual  – mas passar uma imagem pública de que os homens devem satisfazer as suas necessidades sexuais a troco de dinheiro. Dinheiro que passa a ser taxado. Querem a heterossexualidade a pagar IVA.

A maior parte dos seus promotores repudia a frequência dos serviços sexuais. Na entrevista a Alexandra Oliveira,  a puta Câncio vai tão longe no desprezo a que vota os clientes da prostituição, que apresenta as desgraçadas como “predadoras”cujo controlo sobre o cliente vai ao ponto de “recusar sexo sem preservativo” ou “sexo anal”. Ao cruzar a esquina do Instituto Técnico, nalgumas zonas obscuras do Monsanto, observando as mulheres da vida ao frio e à chuva durante horas para fazer 10 € por um broche a um trolha, deixarei de sentir complacência ou solidariedade. Afinal, elas são “comerciantes” e “sexualmente activas”. São o pináculo da civilização progressista.

O que Alexandra Oliveira não respondeu neste escarro jornalístico foi o que me disse a mim, em pessoa, há 5 anos atrás: “Nenhuma mulher escolhe ser prostituta. Não há nada pior do que fazer Amor com alguém de quem não se gosta”, ouviu de uma meretriz. Como também não mencionou que sem os tenebrosos e repelentes clientes, as prostitutas morrem à fome.

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Pináculo do progresso social na Avenida Rovisco Pais; Candidata a broncopneumonia

As prostitutas que conheci em Lisboa eram filhas das classes industriais, criadas nos subúrbios,  vítimas de todos os fenómenos que recaem sempre sobre os mais pobres – do desemprego à gravidez precoce. Na Alemanha, as prostitutas eram maioritariamente emigrantes de Leste, da Moldávia e da Roménia, estados falhados com governos corruptos. A Esquerda combate o colonialismo e seus vestígios, mesmo que este tenha terminado há mais de meio século em Portugal (e há mais de um século nos restantes países), mas era hábito dos colonizadores trazerem mulheres das terras conquistadas para as fazer render na metrópole – Luís de Camões, em Lisboa, vivia às custas de uma prostituta Macaense. A Esquerda combate o economicismo das relações internacionais que hierarquiza povos e nações, subjugando os mais fracos; Foi porém a fraqueza das economias da ex-URSS – outrora estados comunistas – que gerou os fenómenos de emigração em massa através dos quais estas mulheres acabaram, viabilizados por Schengen, a vender-se à toda-poderosa Germânia. A Esquerda opôs-se ao neoliberalismo, ao capitalismo selvagem, à necessidade de espremer as contas públicas para saldar défices e dividas custe o que custar, mas no desespero, os legisladores são capazes de ceder as próprias mulheres se isso gerar receita fiscal e possibilitar saldar computo. A Esquerda opôs-se à escravatura mas o que são estas mulheres que abrem as pernas para poder comer? Trabalhadoras independentes?

Em vez de instrumentos carnais de satisfação lúbrica, nos sumptuosos quartos de Colónia, eu vi as colonizadas, despojos do triunfo ariano sobre as nações eslavas. Autorizar a prostituição é dar corpo jurídico à profanação do corpo físico, é tabelar a intimidade da mulher. Representa o machismo porque valida a fêmea na sua exclusiva função prazenteira e o feminismo porque monetiza o direito do homem ao prazer. Corresponde ao regresso do feudalismo quando os detentores da terra (hoje, do capital) podiam usar e desposar as filhas dos camponeses, ao mais barbárico capitalismo porque outorga direitos superlativos aos mais ricos. Legalizar a prostituição é um instrumento sociopata de opressão sob a sanidade relacional, disposta a regulamentar beijos e carícias; é o mais vil mecanismo da burguesia promovendo a subordinação da mulher ao grande capital, a submissão do fraco ao mais forte, a exploração do Homem pelo seu igual e muito me custa que esteja a ser apresentada por um conjunto de gente inefável mas que se diz Socialista.

Também se diz progressista mas não fará mais do que expandir o preconceito que recai sobre os homens que solicitam prostitutas. Além de as tornar mais caras.

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Socialismo do século XXI

Continuará a haver prostituição com ou sem leis para tal, frutos da incompetência legislativa e executiva – as mesmas forças policiais que não conseguem impedir a entrada de droga na cidade, serão demasiado fracas para encerrar os milhares de prostíbulos ilegais que existem há décadas pelo país. A alternativa dos seus clientes, no combate contra a solidão, é a paneleiragem. Neste momento já lhes vendem como normal a ideia de acasalar com um homem sem piça, e também essa é uma forma de manipular e inferiorizar os homens – sub-humanos. Fazem “o segmento mais perigoso de qualquer sociedade” sentir-se menos merecedor, dando “migalhas” a fim de nos controlar.

Além do Portal-privado, dos serviços de escorts Europeus e de um website chamado Seeking Arrangement, um Tinder remunerado onde os homens apresentam o seu networth ao invés de fotografiasexiste já um serviço de arrendamento de namoradas onde um tipo pode pagar a uma central proxeneta para lhe dispensar alguém que finja suficientemente bem que gosta dele. Não existem vozes em contraditório quer pelo receio de ser publicamente visto como conservador (ou pior, machista!) quer porque muitos homens esperam finalmente quebrar a solidão, abrindo os cordões à bolsa. Parece ser uma forma diplomática de excluir os homens indesejados do mercado sexual, erradicando-os dos bares e discotecas (onde já têm dificuldades de entrada), pela porta dos fundos.

Na canção Lori Meyers, da banda NoFX, uma actriz porno (prostituta filmada) reporta ao jovem Mike Burkett (vocalista) “pensas que vendo o meu corpo, meramente vendo o meu tempo”. Porque razão devem os homens heterossexuais com princípios combater a legalização da prostituição? Para deixar claro que o tempo de pega alguma é mais importante do que o nosso.

Quartos Mortos #1 – Casamento a Desmoronar

Num misto de promoção do blog e recolha de material para artigos, O Patriarca vai deambulando ocasionalmente pelos escassos fóruns Portugueses. Pelo caminho aparentemente rebentou com o Fórum Men’s Health (pouco tempo depois da altercação aqui descrita o fórum deixou de estar disponível e não mais voltou).

Isto levou à descoberta do fórum A Nossa Vida. Este fórum, agregado a um site de casamentos, pretende ser um local de discussão sobre a vida a dois. O Patriarca contava encontrar ali histórias tristes de Betas com casamentos desmoronados, e nesse ponto não desiludiu. O panorama era o esperado – um galinheiro de gajas à procura de atenção, alguns betas apaziguadores, um tipo surpreendentemente lúcido que entretanto foi banido, e o ocasional desgraçado que se vinha queixar da mulher que não fode e que é bombardeado com conselhos horríveis que só lhe poderão agravar a situação.

O fórum é particularmente hostil a qualquer ideia minimamente masculina, pelo que O Patriarca foi rapidamente banido sem razão evidente. Acontece que há alguns dias chegou mais um pedido de ajuda de um homem em apuros. Resta esperar que ele siga os links até este blog e acompanhe esta série que começa precisamente com o seu caso.

Então, acabadinho de se inscrever no fórum, no dia 13-08-2017, o Freesoul diz o seguinte:

Nao sou de falar da minha vida privada a ninguem, mas preciso de desabafar e prefiro fazelo para desconhecidos!

Sou casado á uma parga de anos temos um casalito de filhotes que sao a minha alegria e me vao dando esperança para continuar a tentar e a tentar. Sou um homem que nao é para me gabar, mas faço tudo! Sou bom cozinheiro, um pouco desarrumado mas sempre tudo limpo, arranjo tudo o k seja preciso, tomo conta dos miudos, basicamente repartimos as tarefas todas de casa! E nao sao muitas porque temos empregada que se ocupa da casa diariamente menos ao fim de semana. Ela, nunca foi de se esforçar muito pelo relacionamento, nunca foi de fazer surpresas, nem de surpreender. Nao estou a dizer que nunca o tenha feita, mas muito poucas vezes. Eu fui sempre aguentando e aceitando, porque a amo e estou sempre a espera de algum pequeno momento bom. Mas desde que o mais pirralho nasceu a caminho de 2 anos que tudo piorou! Nao tenho um beijo, quando tenho é um “bate chapa” tipo os putos da escola, sexo 15 em 15 dias e depois de ouvir 50 NAOS. Vivemos tipo amigos, dentro da mesma casa sem nenhum tipo de cumplicidade. Eu perdi a forca de tentar mais e ela nao ta nem aí! Se nao fosse pelos filhotes ja tinha resolvido a minha vida. Eu sintome desprezado, infeliz, e ja pensei em fazer tanta coisa que cada vez sei menos o k fazer. E nao, ela n tem outro, disso tenho a certeza absoluta.

A situação da mulher que não quer sexo com o marido é um triste lugar comum que já foi referido antes por aqui. A sua frequência está patente não só nas pesquisas Google, como na existência de um subreddit popular dedicado exclusivamente ao tema.

Este caso é tão de livro que O Patriarca se sente obrigado a jurar a pés juntos que não foi lá fazer um clone para colocar este post! É um bom ponto de partida porque o problema é bastante fácil de identificar.

Temos aqui um homem que fez tudo certo segundo o que a Blue Pill manda. Tomamos a liberdade de assumir que tem um bom emprego (consegue ter empregada todos os dias), casou, teve filhos, trata deles e divide todas as tarefas da casa. O sonho de qualquer mulher! Menos da dele aparentemente.

O que nunca lhe ensinaram que ele devia fazer, nem ele nunca aprendeu sozinho? Provocá-la. Qualificá-la. Obrigá-la a investir. Obrigá-la a esforçar-se por ele, a merecê-lo. Desafiá-la. Ter mentalidade de abundância. Ocupar-se mais de tarefas masculinas, e deixar as tarefas femininas para ela. Liderar.

Aliás, note-se que nas próprias palavras dele, “ela nunca foi de se esforçar muito pelo relacionamento”, no entanto ele foi sempre “aguentando e aceitando, porque a amo e estou sempre à espera de algum pequeno momento bom”. Porque é que ele a ama? Aparentemente ela nunca fez nada por isso. O problema está logo na raiz do relacionamento. Ele entregou todo o seu valor (compromisso) quase de borla, desde o início, simplesmente pelo grato que estava de ter acesso à cona dela. Ele confirmou, desde o início da relação, o seu estatuto de Beta. Ela pode ter tido em tempos alguma atracção por ele, mas a mesma foi-se esbatendo com o passar do tempo. Ele tem a certeza absoluta, como todos os Betas que não conseguem ver defeitos ou culpas na cara-metade, que ela não tem outro. O Patriarca aconselhá-lo-ia vivamente a fazer testes de paternidade aos fedelhos.

Para tentar remediar a situação, ele usou as duas únicas ferramentas que conhece: comunicação / negociação, e ser ainda mais cumpridor dos seus “deveres” (A.K.A. Beta Game). Como é óbvio, não funcionou. O problema é falta de atracção da parte dela, e como sabemos a atracção não pode ser negociada. Mesmo assim ainda fode (uma morta) de 15 em 15 dias. Há casos piores.

Feito o diagnóstico, qual é então o tratamento? Sem filhos, a solução seria obviamente saltar fora e começar de novo com outra mulher (depois de um bom estágio de game e convivência carnal com um número apreciável de fêmeas). Aqui o nosso amigo tem filhos e a atitude louvável de querer manter a relação por eles. Segue-se então um plano com uma possibilidade realista de reacender a relação, para ser aplicado ao longo de vários meses – ou até um ano ou mais!

1. Divórcio mental

divorcio

Infelizmente não há milagres, e o primeiro passo para salvar esta relação é aceitar que ela pode estar condenada a acabar. Para ter a coragem para dar os passos necessários a eventualmente levar isto a bom porto, e fazê-lo com a convicção necessária e não com a atitude de um cão que está constantemente com medo de levar com o jornal, tem de se divorciar dentro da sua cabeça. O objectivo não é o divórcio efectivo, claro, mas ele tem de aceitar e estar em paz com essa possibilidade.

O que pode ajudar a dar este passo? Saber que não corre o risco de ficar sozinho. Os homens não têm o mesmo constrangimento de idade que as mulheres. Saber que, se estiver disposto a sair da sua zona de conforto, pode estar à sua espera uma vida sexual que nunca sonhou. Saber que, se é mau para os seus filhos deixá-los num lar destroçado pelo divórcio, também não é bom para eles crescer tendo como exemplo masculino um homem vergado pela vida e pela assexualidade.

2. Mudança de atitude.

“Faz o que sempre fizeste e terás os resultados que sempre tiveste”

alguém esperto

Nesta fase não estamos à procura de uma mudança radical. Uma relação destas tem dinâmicas que se desenvolveram durante anos e não se vão alterar de um dia para o outro. Uma volta de 180º a única coisa que conseguirá é um “mas agora estás armado em parvo ou quê?” e o surgimento de conflitos. Ninguém aceita que de repente um “subalterno” comece a sair da casca. O que é necessário são pequenas alterações graduais.

Para começar, até podem não ter a ver directamente com ela. Por exemplo, no caso de não o fazer já, começar a praticar desporto. De preferência levantar ferro, mas qualquer coisa serve. Sem explicações, se ela perguntar “apetece-me”.

haltere
Um dos teus melhores amigos nesta demanda

Retomar o contacto com os amigos. É frequente, na tentativa de “salvar a relação”, dirigir todos os esforços para a mesma, o que vai implicar uma diminuição do investimento nas amizades. Está na altura de reverter isso.

Ir conviver com colegas do trabalho. Beber um copo antes de ir para casa. Se houver mulheres melhor, mas não é necessário. Quando ela invariavelmente reclamar, não dar azo a grande discussão.

Arranjar um hobby. Aquela coisa que sempre se quis fazer e se foi adiando por diversos motivos, relacionados ou não com a esposa? Está na altura.

3. Interagir com outras mulheres

mulher ciumenta

Calma. O Patriarca não está a sugerir passar já à fase de aplicação de apêndices frontais à respectiva. O objectivo aqui é habituar-se a ser sedutor. Nesta fase é importante, para os que nunca tiveram jeitinho nenhum com mulheres, ler alguma teoria (boa! – nada de cosmopolitans, men’s health e afins – A Távola Redonda e os blogs / livros recomendados são um bom começo). Aprender a provocar as mulheres e a fazer kino. Estar confortável com ser um pouco “maroto”. Não é para fechar (embora haja algum risco de a coisa correr bem e não haver força para resistir – há coisas piores).

Todas as situações servem. Amigas, colegas de trabalho, meninas das lojas, empregadas de balcão, voluntárias que andem a impingir cenas na rua, tanto faz.

Esta fase ajuda também com o ponto 1 da lista – a constatação de que se obtém respostas positivas de outras mulheres diminui o receio do regresso ao mundo dos descomprometidos.

4. Afastamento físico

Efectuada alguma modificação a nível individual (e O Patriarca volta a reforçar que isto deve ser feito ao longo de meses), dependendo da gravidade da situação isto poderá ou não já ter tido algum efeito nela.

Independentemente disso, este passo deve ser dado, simplesmente se ela tiver melhorado, deve ser feito apenas como punição por mau comportamento e não constantemente.

Ele deve parar de procurar o contacto físico com ela. Não só a tentativa de iniciação de sexo como beijos, abraços, tudo. Usar o contacto apenas como recompensa a algum bom comportamento dela. Obrigá-la a sentir falta desse conforto e a procurá-lo.

5. Afastamento emocional

Ela já deve ter visto algo a mudar, mas ainda não é evidente o quê. Se a retirada do contacto físico não produziu o efeito desejado, é altura de passar à fase seguinte. Retirar gradualmente aquilo que elas mais valorizam numa relação – o apoio emocional.

Esta fase será em parte um subproduto natural do ponto 1, mas é altura de o fazer com mais intenção. Não é ser hostil. É simplesmente deixar de vez de se ralar com ela. Interagir amigavelmente, mas sem emoção e absolutamente sem nenhuma tentativa de agradar – excepto, mais uma vez, como recompensa intermitente de bons comportamentos da parte dela.

6. NÃO FALAR DISTO DE MANEIRA NENHUMA

boca selada
A sério, fechem a boca

Em alguma destas fases ela vai inevitavelmente notar que algo está diferente. E isso vai incomodá-la. E ela vai tentar falar disso. É absolutamente crucial não se deixarem cair nessa armadilha. Isto não pode ser discutido de forma alguma, para ter alguma hipótese de funcionar não podem confirmar as suspeitas dela – de que estão a tentar mudar alguma coisa conscientemente. É aqui que o ponto 1 assume crucial importância – ajuda imenso a manter a frame se efectivamente já tiverem assumido e aceite a possibilidade de terminar a relação, estiverem já pelo menos conceptualmente a ponderar provar a relva de outras paragens, e estiverem simplesmente a dar-lhe a oportunidade de vos reconquistar.

Portanto, ante as insistências dela (e ela vai insistir) – negar; mudar de assunto; exagerar (“não tinha notado que estávamos num daqueles reality shows em que se discute tudo” [revira os olhos]).

Missão cumprida?

Era bom que isto fosse uma fórmula mágica e ao fim de cumprir estes passos a relação tivesse garantidamente voltado ao modo “adolescentes apaixonados”. A única coisa que se pode praticamente garantir é mudança. Esta abordagem pode reacender o desejo da mulher, criando condições para uma redefinição das dinâmicas da mesma com a nova atitude Red Pill do homem, mas também pode levar à rotura. É no entanto opinião d’O Patriarca que qualquer dos resultados é positivo – é preferível um divórcio a um homem reduzido ao estatuto de animal doméstico.

Uma não resposta, ou uma resposta insuficiente, não auguram grande futuro às possibilidades de o homem redefinir o seu SMV dentro desta relação, mas há ainda mais algumas atitudes que podem ser tomadas e que serão discutidas nos próximos capítulos.

A Feira do Relógio, o canto do Erasmus e um bar chamado Damas

Nos primórdios da Adolescência gastei uma noite em casa do ora melhor amigo, beto, afortunado, bem-sucedido. Qual não foi a minha surpresa quando no Sábado pela manhã o programa consistiu em deslocarmos-mos à feira de Cascais a fim de comprar roupa contrafeita. Aí, cruzei-me com alguns dos mais respeitados, mais elitistas, mais imbecis colegas da escola que gastavam 10 em roupa para aparentar haver gasto 1000. Era prática dos meninos de bem. E eu não a sabia. Pois, decidido a explorar terrenos novos, agora com 26 e duas rodas, desloquei-me no fim de um Domingo à zona Este da minha cidade e qual não é o espanto – observando um oceano de vestígios feirantes – quando me informam ali também existir uma algaravia. E eu também não a sabia.

terreno de caça para puas
Foi preciso chegar aos 26 anos para conhecer a Mítica feira do Relógio

Gabriel Garcia Marquez descreveu o meu berço de nascença em Pero que carajo piensa el Pueblo?, como “A maior aldeia do mundo”. Fala de uma “cidade militante” onde “Toda a gente fala e ninguém dorme, às quatro da manhã de uma quinta-feira qualquer não havia um único táxi desocupado (…)Marcam-se reuniões para altas horas da madrugada, os escritórios ficam de luzes acesas até de madrugada”. Eu traduzo a citação não só pela intensidade das dinâmicas vividas no coração de um país que todos apontam como soturno e integrista, como pela sua multiplicidade da sua composição. Como que na aldeia (e eu vivi numa) cada recanto tem encanto, cada estreito, riacho, beco, ponto de encontro, a central recreativa ou a porta da cooperativa, Lisboa é pitoresca ao ponto de cada bairro ser único, mais extenso e profundo e o seu colectivo um universo infindável de experiências. Viajei pelo mundo e não reconheço esta propriedade a qualquer outra capital (talvez Atenas?). Em Nova York e Londres, quais visito (malgrado) frequentemente, todas as ruas, todos os sítios parecem iguais. Despidos de peculiaridades, de emoção, de romantismo. Das nossas idiossincrasias.

lisboa é a melhor cidade para conhecer mulheres
A Lisboa de Gabriel García Márquez

Um amigo Alemão pediu-me para lhe mostrar a metrópole e foi complicado. Dez mil dias não chegariam para exibir na minha cidade que se estende do Oriente à Cruz Quebrada, da calçada de Carriche ao Tejo na Torre de Belém, seu ponto mais a sul. Antes de questionar quantos fizeram game no arco do cego, gostaria de vos perguntar quantos frequentaram os concertos de hardcore em Alvalade, as festas de trance na tapada d’Ajuda, de techno em Santa Apolónia, os festivais da antiga Fábrica armeira no Braço de Prata, os fados de Alfama, casas de vinho na Madragoa ou clubes alternativos do meu bairro onde ainda ontem, durante um concerto, vi um tipo abordar calibradamente uma rapariga, jogar, KC e, depois da Jasmin Jones dar por finalizada a exibição, levá-la para casa. É que esta propriedade de unicidade para cada um dos cem milhões e cinquenta mil metros quadrados quais compõe a diver-cidade Olisiponense, transladam de igual forma aos quinhentos e cinquenta mil habitantes, talvez mais de dois milhões e meio de voláteis. Dos quais apenas 10.74 % correspondem a mulheres entre os 19 e os 38 anos (sorry Martini; e em 2001 seriam 14.71, com mais 22133 mulheres só entre os 18 e os 28 :’( ), mas mesmo que apenas uma em cada vinte destas fosse fornicável – para quem tenha padrões realmente altos – seriam precisos cerca de trinta (!) anos Vladescos (traduzido – mais de cem FCs/ano) para esgotar o stock. E uma em cinquenta, doze anos? Não se trata de regressar à velha discussão de Portuguesas e não-Portuguesas (ou de munícipes contra não-munícipes porque nem sequer, nestes cálculos, cheguei ainda a Miraflores), mas ganhar percepção sobre quais são as reais hipóteses de um bom sedutor, esforçado, hábil, dormir com uma mulher. Mas enquanto se questionam como eu o fiz na feira do relógio e ignoram cabalmente uma capital que nunca descansa, regressam a discussões infecundas e desmobilizadoras, escondendo complexos de inferioridade sob o manto da selectividade mentideira enquanto se escusam de fazer game na festa de hoje no bar Popular, convencidos de que o game só pode decorrer na travessa da Cara e na baixa de Pombal porque uma amostra não-representativa de experiências delimitadas a uma idiossincrática zona de conforto, foi base para extrapolações precipitadíssimas. Ou como brilhantemente o escreveu Alexandre Domingues, Ao que parece, havia um país para lá das fronteiras Cais do Sodré – Príncipe Real. Ao que parece, por mais amigos que tenhamos, há sempre uns 10 milhões de portugueses com quem nunca falámos.

lisboa relações

O Espaço físico e social continua a ser uma das mais batidas desculpas dos camarada se apartarem das mudanças desejadas, lamentando-se viver longe dos centros urbanos ou dos círculos certos: O jovem que lamuria a sua vivência nos subúrbios citadinos e sonha com o dia em que pode afundar o martelo sem se martirizar em esperas de transportes, que cresceu numa aldeia do interior mas não tem fundos para se mudar para um centro urbano, que organiza horas específicas e calendarizadas para treinar o seu DayGame no Terreiro, deixa – sob uma série de desculpas constrangedoras e limitantes – escapar a vizinha nas escadas do prédio, na porta da mercearia local. Lembra as palavras do MC Xeg, “Eu tenho uma dama no teu bairro/Tu é que não lhe dás valor”. Porque as gajas – até as mais boas, até as que fodem – são um bocado como os microrganismos (ou, segundo uma Professora geneticista, o ácido ribonucleico) – Estão por todo o lado! Admiti-lo só custará aos egos da praxe que – ora para se auto-engrandecerem, ora para opilarem as suas inseguranças – imaginam mulheres bonitas em locais inacessíveis aos quais os meros mortais não têm acesso (só os mPUA’s que alcunham os estabelecimentos públicos para que ninguém saibam onde ficam ou a – com certeza restrita e parca – cona, ainda se dispersa!). Eppur, a quilómetros da noite cara e dispendiosa, também si fornica. Admiti-lo é ter a humildade para reconhecer a vida na nossa ausência, nas nossas costas. Reconhecer que desabrocham mil festas a cada noite pela cidade, apenas que se decorrem sem mim, então não devo ter sido convidado..

A lei da abundância de que tanto se fala, não pode ser limitada a locais, meios, círculos, subculturas. Aliás, como diria o meu amigo Duarte Marques, “Se a mentalidade de abundância compreendesse circunscrições, seria uma mentalidade de escassez”.

Claro que é mais provável ver mulheres muito bonitas durante uma sessão do Moda Lisboa do que na plateia dos espetáculos de Wrestling em Santo Amaro e muitas parecerão mais tentadoras e convidativas num clube da moda do que as Jammers das Lisbon Grrrls Roler Derby. Ou seduzir com direito a uma relação numa discoteca em vez de nas portas da Torre do Tombo. Todavia, alguém sabe quantas discotecas tem a city? (Quem me responder como esta besta quadrada apanha uns carolos!) E bem ouvem o Eddie Hitchens falar sobre como preferia engatar mulheres em museus, biblioteca ou galerias porque garantia que eram inteligentes. Nos tempos do Daybang, o Roosh não apostava em discotecas, mas no Starbucks. Um amigo meu romancista que passa os dias num café da praça das flores redigindo o próximo livro, seduz frequentemente as demais clientes do estabelecimento. Durante o dia, no trânsito, nos transportes públicos, na rua, vejo permanentemente miúdas – giras, vivaças – o suficiente para eu as querer. E durante a noite, observando os grupos nos cafés dos bairros, na porta dos lounges, nos vendedores clandestinos e barateiros de cerveja, nas discotecas onde os estrangeiros não chegam, pergunto-me como podem, depois de anos de intensa vida social, ainda existirem tantas dinâmicas, tantas pessoas, nesta cidade que eu não conheço. Se não estará na altura de as ir conhecer.

skaters lisboa
Lisbon Grrrls Roler Derby. Para quê pensar na Polónia quando existem gatas no bairro d’Ajuda?

Isso fez-me deixar o Canto do Erasmus – repetitivo, amorfo, enfadonho, e debruçar-me sobre uma discoteca chamada Damas. Prestes a deixar a minha namorada em casa, num bairro residencial da zona história Lisboeta e à frente de um restaurante onde passei muito tempo na adolescência, um bar/discoteca abrira recentemente. Não o encontrei nos roteiros turísticos nem nos guias universitários nem está no topo da noite burguesa/chique que – por ímpeto camarário – passou a caracterizar a cidade mais recente. Mas estava ao barrote com mulheres de todas as gerações, qualidades e belezas. O Damas, na Graça, não se assemelhava às discotecas californianas onde o Mystery concebeu seu método nem ao santo graal do conedo; apenas um entre milhares de lugares jovens e ligeiramente menos jovens onde se pode ouvir música, beber copos e conhecer mulheres. Não só não o conheço – estive lá apenas dessa vez – como conheço muito pouco do Lisboa tem para me mostrar, demasiado pouco para permanecer sempre nos mesmos sítios. Afinal, não é esse o papel do PUA – Cortejar o desconhecido?

noite da graça

Se o Mistery Method foi publicado em 2007, e o Daygame Manifesto em 2014 (mas aconselho-o vivamente, é puro ouro) a minha experiência mais marcante (não a primeira, claro, sempre fui descarado) foi a 20 de Outobro de 2005. Há dez anos. Quero-vos contar uma história sobre como meti conversa com uma rapariga na rua sem a conhecer de lado nenhum. Sobre como ela me abordou numa discoteca três semanas mais tarde dizendo lembrar-se de mim e me adicionou no MSN por me querer conhecer melhor. A história sobre como falava constantemente sobre sexo comigo, sabendo que eu já não era virgem há um par de anos na altura, mas como eu cortava essas conversas sempre por achá-las desinteressantes e ignorava o intuito de uma pessoa falar, madrugada após madrugada, todos os dias online comigo, apesar de um namorado de quem parecia nem gostar um bocadinho. Como quis ir à Bana em Cascais e ignorou o namorado e me deu a mão no caminho enquanto procurávamos a loja. A história sobre como ela acabou com ele e disse-mo em primeira mão, como se desmultiplicou em convites depois dessa ocorrência. De como me convidou várias vezes para ir a sua casa. De como eu fiquei no hall de entrada até às tantas da madrugada. De como me enviava músicas “nossas” e me deitou na sua cama. De como nunca lhe dei um beijo nestes dez anos porque achava estar na friendzone.

Eu quero-vos contar a história sobre porque razão entrei no fórum PUA cinco anos mais tarde do que aquilo que devia. Porque meter conversa com miúdas na rua foi coisa que sempre fiz; Só me faltava era ter game.