Um resumo curto da minha vida íntima e muito provavelmente da tua

“She said she’s not interested, but she still flirts with me”“ I know she likes me, but she didn’t call me back last weekend”. Most dating advice exists to “solve” this grey area for people. Say this line. Text her this. Call him this many times. Wear that. These things may seem clever and exciting to some people who are stuck or frustrated. But this dating advice misses the point. If you’re in the grey area to begin with, you’ve already lost”. Mark Manson, Fuck Yes or No

Era a terceira vez que me tinha deixado pendurado para jantar, almoçar ou passear e, depois da promessa de “desta vez ser diferente”, tardava novamente a responder às mensagens enquanto eu ficava à espera no quarto de hotel que arrendara propositadamente para prolongar a minha estadia longe de casa por mais uma jorna. Conhecemos-nos no Tinder há dois meses, nunca nos vimos cara a cara e aqui os leitores  questionarão a minha resiliência mas, depois de mais de 300.000 swipe rights e apenas dois dates (só um dos quais direito a beijinho e punheta), esta candidata era a primeira que não vivia nos subúrbios de uma cidade operária nem consultava um psicoterapeuta. A minha boa vontade e infinita paciência não foram suficientes. Depois de protelar, tornou-se agressiva e depois silenciosa. Pensei em afundar o telemóvel dela em dezenas de mensagens como fizera na Finlândia por intermédio dum amigo programador e hacker, mas preferi aquiescer. Aceitar que as desculpas que me dera (o turno da noite num hospital metropolitano) são incontornáveis e inflexíveis, produto exclusivo da sua falta de entusiasmo.

Sorte ou azar, o contacto recente levou a que uma fotografia sua fosse exibida no meu feed, acabada de postar. Partilho os comentários

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Homens como eu (e também mulheres) elogiavam exageradamente a minha amiga virtual e o seu potencial reprodutivo, oferecendo-lhe inúmeras oportunidades de companhia, sexo, validação. Aquilo a que chamamos de mercado é essencialmente o número de compradores, dos interessados em adquirir um produto que antes de significar sexo ou compromisso, é essencialmente atenção. Eu e os seus lisonjeadores compulsivos estamos a disputar a atenção da jovem – vamos chamar-lhe B – e, como já perceberam, não a estou a vencer.

Tal como todas as medidas mensuráveis, a atenção da B é um bem escasso e portanto sensível às leis da concorrência. A quantidade de tansos que na net, nas redes sociais e em sites como o Tinder solicitam a sua atenção, torna-a mais dispendiosa como ao valor de renda de uma casa que subitamente encontrou mais clientes interessados. Isso obriga-me a mim a investir mais: mais tempo, mais mensagens, mais tentativas de interacção, mais viagens/noites perdidas e mais stunt-tricks para me sobrelevar face aos outros interessados. Uma boa parte daquilo a que chamamos PUA consiste nisso: fazer um malabarismo mais engraçado do que o dos outros palhaços ao meu redor.

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Não foi difícil encontrar um PUA que se autodenomina por malabarista (Juggler)

O prémio

O Domingo transformou-se em segunda-feira sem que conseguisse, por entre expectativas e lamentos, regressar à minha cidade. Toca o telefone: P, arquitecta-mundialmente-reconhecida foi visitar a família e quer companhia para jantar numa cidade vizinha. É preciso explicar que arquitecta-mundialmente-reconhecida é um eufemismo para cat-lady desesperada, com os indícios da doença mental a que as mulheres são acometidas quando passam os trinta sem filhos. Anuí: não voltaria à minha terra-natal sem esmegma no caralho. Lá me ponho de malas às costas, para o comboio mais próximo –  Sempre tive o hábito de meter conversa nos transportes mas torna-se difícil, à medida que as miúdas passam mais tempo agarradas aos telemóveis, a perscrutar mensagens idênticas às que postei linhas acima. As redes sociais, como tem dito o Paul Joseph Watson, são essencialmente instrumentos femininos para garantir validação, a mesma validação que me impedirá de lhes comer a rata mesmo quando a recuso.

Avanços e recuos na escolha do restaurante, das horas, do sítio, acabaram com um “vemos-nos mais tarde” porque provavelmente o convite inusitado da P, surgira face à recusa de alguém. Eu era o plano B da P. De facto, saí do trem na cidade dela mas para jantar com um velho amigo que acedeu ao meu convite apenas com uma chamada telefónica; Bastou um telefonema para que o jovem líder político mais promissor da região dissesse à esposa que naquele dia não jantaria em casa e me oferecesse 3 horas porreiras (e o jantar) matando saudades de outros tempos. A vida é fácil quando convivemos entre pessoas mentalmente sãs.

Da P não ouvi mais nesse dia. Só duas semanas mais tarde com um convite para almoçar, sem menções ao sucedido ou um pedido de desculpas por me deixar pendurado no cu de Judas. A minha disponibilidade era ponto assente nos cálculos da portadora de útero-ressequido e as falhas morais e educacionais com que compromete a minha agenda não são alvo de consideração, nem de censura pelos demais frequentadores do Tinder que se disponibilizam perante a senhora, na medida da sua vontade, em Portugal e nos países que frequenta.

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O Ocidente é Ginocrático

Na peça How many bones would you break to get laid Mike, um guia turístico com #bodycount de 50 que tinha de fazer swipe right 114 vezes para conseguir um match, fez à entrevistadora a mesma pergunta que eu – aos 14 anos – dirigi sensivelmente à rapariga mais bem torneada da turma: “Como é viver como uma mulher boa/normal sabendo que podes mandar vir um fuckboy gostoso do Tinder quando quiseres? Vê-lo assim?”. Na altura não existia Tinder e poucos de nós – excluindo a Maria – já tinham sexo. Mas o propósito do(s) entrevistado(s) não é exactamente foder mas granjear o estatuto social da menina na minha turminha de 9º ano: a babinha no canto da boca, a simpatia, os favores, as mensagens, a atenção, os convites, a companhia, uma vida preenchida. Passaram-se muitos anos desde que lhe fiz essa pergunta à qual ela, como a entrevistadora, não soube responder; ao contrário de quase todos, a Maria casou, tem emprego e filhos. Tudo porque quis. Este leque de opções é um exclusivo feminino – O movimento de dedos, digital, virtualidade irrelevante para mim e para os meus colegas tanto no 9º ano como hoje, significa para ela uma opção. Quer ou não quer. Esquerda ou Direita. Swipe

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Está tudo na tua mão (not)

Não é dificil perceber a diferença entre as vidas de um miúdo franzino e uma gaja boa na entrada da adolescência. Mas essas diferenças, desde então, não se esbateram mas acentuaram-se e se na altura teria de escolher entre qual de uma legião de seguidores queria enconar, depois de uma juventude de luxo, pode amadurecer optando por caminhos tradicionais (marido e filhos) ou alternativos (fodanguice e aventura). Só nós não tivemos escolhas nem fomos escolhidos e se na entrada da adolescência estávamos condenados a escárnio, desprezo e uns quantos carolos, quase tudo desde então, nos passou ao lado. Não tivemos liberdade para escolher.

Não penses que a vida vai mudar muito

Deambulei nestas verdades, naquilo que estava a perder – de que a vida me estava a privar –  por (sobre)viver num Ocidente que não me quer, quando voltei a olhar para o telefone, sem mensagens da P. Aí, vislumbrei um cenário distinto para esta tentativa de encontro, com uma marcação efectiva e tudo o que penso ter direito. O que pode esta relação efectivamente trazer-me de tão proveitoso que justifique qualquer esforço que possa fazer por ela? Rata ocasionalmente húmida? Uma prestação sexual qual, a julgar pela quantidade de inseguranças, ansiedades e dificuldades de socialização e expressão individual, deve ser uma merda? Companhia para a trienal de Viena? Contactos de terapeutas e receitas de antidepressivos?

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O custo

Desistindo da epopeia, já no regresso, corri mensagens sem resposta ou com resposta parca que adensam a solidão de milhares de homens como eu. Uma brasileira que está há 3 meses a encontrar tempo para um encontro, apesar de me telefonar quase todos os dias para dizer “oi, hoje fui nacademia” e não se digna a aprender Português sem sotaque de puta. Uma preta que quase me exigiu um matrimónio antes de me deixar-lhe ver a pintelheira. Uma gaja que quer que eu lhe dê dinheiro; Outra gaja quer que eu lhe dê erva. Uma gorda disse olá: o ex deixou-a – trabalhava como homem do gás, ela costumava pagar-lhe; Marcou-se um jantar mas o cetáceo Beirão resolveu-se a aprazer-me com detalhes sórdidos do seu relacionamento vigente, à mesa do restaurante, agora com um muçulmano. Uma Italiana deslocada que, num bairro degradado a quatro mil kms da aldeia pobre onde cresceu, partilha casa com o ex-namorado e su nova pirralha porque não ganha que chegue para se mudar, explicou-me porque é que – mesmo com a autoestima destruída – não me dá o segundo encontro: Tem outro(s); O seu último montador, a quem unidirecionalmente tratava – tal como a gorda e tal como a P – por “namorado”, era “poly”. Online, os respectivos perfis revelavam solteirice. O mundo é dos patriarcas, os outros só (sobre)vivem nele.

Há um aforismo corrente entre putanheiros que conta que todos os homens pagam por sexo: uns através de almoços e jantares, outros em bares de alterne. Acredito que seja verdade, mesmo que muitos o neguem mas o custo mais elevado é imputado aos negacionistas: o ginásio e as horas que lá perdem, a energia que aí gastam, os copos e o combustível moral de odisseias noctívagas, custos logísticos, entradas em clubes e respectivas deslocações, livros e viagens que preenchem conversas demonstradoras de valor, vestuário, mensalidade do Tinder, mensalidade de um apartamento estratégicamente localizado numa área residencial gentrificada, cosmética, aulas de dança/línguas e propinas académicas. Aos 29 anos, o custo por foda do nosso Roosh era de 3100 USD – 2790 € actuais. Na medida em que uma miúda da rua trabalha por 20 – 50 € e uma gaja de luxo pode chegar aos 200 €, vamos fixar o preço em 100 €, concluindo que se comem 28 putas pelo preço de uma gaja normal.

Com a diferença que se pagares 3000 € por um date, podes voltar para casa com a picha seca como me aconteceu com a R –  deambulando pela área de prostituição numa metrópole do Norte da Europa, percebi como optara mal. O Roosh não monetizou a sanidade mental, aquilo que dispendemos no destrate que a ginocracia reinante nos dá.

A Independência

Ao contrário do PJW, sou a favor da masturbação porque acredito que nos autonomiza de anseios fisiológicos cuja satisfação (de outra forma) passa para mãos alheias. Nesta pequena introdução, o Patriarca, apresenta uma tese que subscrevo integralmente “Um homem, dentro da medida do possível, não deve depender de terceiros”. Embora muitas escolas PUA defendam a cessação do onanismo (NoFAP) o excesso de tusa pode gerar desespero e uma mente bem treinada dispensa pulsões fisionómicas para saber interpretar situações sociais e agir, incisivamente, em conformidade. Não preciso de ter os colhões cheios para puxar o gatilho.

Ao mesmo tempo, sei que a minha libido é exponenciada por factores absortos, mas excepto se me mudar para um convento, não me posso isolar deles. Sem punheta, diletava um amigo, jamais podia existir a lucidez que permitiu ao homem edificar a obra que autoriou. Já sei que na natureza os chimpanzés raramente se masturbam porque não assumem comportamentos sexuais não reprodutivos excepto se estiverem em cativeiro. Em parte, sim, estamos em cativeiro. Mas não nos libertamos a fornicar, só libertaremos em castidade.  O movimento MGTOW, como explica o leitor mjv neste comentário, é composto por esses homens: que realizam e se realizam longe do sexo oposto.

A comodoficação do sexo está assente em desejos humanos que extravasam a fisionomia e para os quais não pode ser entregue uma resposta fisionómica como legalização da prostituição ou a proliferação de robots sexuais; Ambas ficarão muito aquém de satisfazer os anseios, necessidades e desejos dos Incels. Ademais neste mercado, cada agente experimenta uma dualidade em que é simultaneamente comprador e produtor, fonte de oferta e alvo de procura, consumidor e produto. Por isso quando se fazem abordagens de Esquerda e se se questiona se o sexo e a atenção não podem ser igualitariamente distribuídas, recordem-se que a vossa disponibilidade para fornicar também teria de ser igualitariamente distribuída (se esta ideia ainda vos parecer tolerável, recordem-se que muito provavelmente são cobiçados por agentes de consumo homossexuais).

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Se a minha experiência pessoal, os exemplos citados e a contabilidade do Roosh não vos chegarem para demonstrar a disparidade entre o que nos pedem e o que estamos dispostos a dar, fiquem com esta: S, uma jovem pobre e sem estudos a quem fui apresentado há algumas semanas, confessou-me recentemente que se prostituía e chegava a lucrar três salários médios mensais sem taxação; Homens educados, bem-sucedidos, estão dispostos a remunerá-la, dirigindo-se diariamente ao bairro mal-afamado onde divide casa (atempadamente publicarei uma entrevista) apenas para a ter. Aquilo que pagam à S, que poupariam caso tivessem um acesso ao mercado sexual aproximado ao da miúda, é uma taxa fornicatória.

A hierarquização a que são acometidos, contabilizada na diferença entre um montante negativo (remunerado) e um montante positivo (auferido), ainda não os impeliu a revoltarem-se mesmo que as revoltas mais significativas da história hajam decorrido dessa forma: A guerra da independência Americana tomou inicio quando os colonos se recusaram pagar impostos proibitivos sobre a importação de produtos Europeus, nomeadamente o Chá. O mote da reconquista Espanhola em 722, recaiu sob o aumento do Jizya declarado pelo emir Anbasa Ibn Suhaym Al-kalbi;  Em quatro anos, Al-kalbi, foi corrido do emirato Andaluz à porrada e séculos mais tarde os muçulmanos foram expulsos da península e Ceuta. É preciso ver que o Jizya  era o imposto com que os dhimmi, comerciantes que obedeciam a religiões abraâmicas como o Judeísmo e o Cristianismo, tinham de remunerar os senhores feudais muçulmanos e que era usado para pressionar os súbditos a converterem-se ao Islão. Mais tarde, foram os próprios Arabes a revoltarem-se contra a pressão fiscal Otomana.

 

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Cansados de pagar impostos sobre as importações, os colonos Americanos em Boston a 16 de Dezembro de 1773, iniciaram a Guerra da Independência Americana, incendiando os navios Britânicos que transportavam o Chá.

Estas taxas ascendiam ainda uma sensação de impunidade, com negócios de índole homologa sujeitos a regimes taxativos distintos, onde os pobres têm de largar o pouco que têm para que as elites se regalem com o produto do trabalho alheio. A história ensina que para cada Xerife de Nottingham, o fanfarrão que roubava o campesinato Britânico durante a ausência de Ricardo I, nos confis dos bosques e com uma flecha afiada para fazer justiça e matar, nascerá um Robin de Sherwood. Nunca a injustiça prevaleceu eternamente.

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Aguardemos pelo nosso.

 

 

A Hipergamia Mata (II)

“A história de toda sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de ofício e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos se encontraram sempre em constante oposição, travando uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre através de uma transformação revolucionária de toda a sociedade” – Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto do Partido Comunista

 “A rebelião dos celibatários involuntários já começou” (The InCel Rebellion has already begun!). Foi com estas palavras que o Canadiano Alek Minassian se despediu das redes sociais, antes de assassinar 9 pessoas e ferir algumas dezenas. Isto aconteceu na 3ª cidade do mundo mais adequada para acolher LGBT’s , capital do sétimo melhor país onde residir uma feminista, o país onde a elevada regulação do porte de arma devia manter a população segura, e a elevada incidência do estado social deveria manter as franjas desacreditadas, satisfeitas

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23º Governo Canadiano de sua majestade (Her Majesty’s Government)

Eliot Rodgers, a quem o assassino se referiu como “irmão”, era Americano. Mas provinha da Califórnia, considerado o quarto Estado mais liberal dos USA, menor incidência de armas e maior incidência de impostos . Vale a pena mencionar que, como o congénere yankee, Alek não era especialmente mal parecido, com o seu queixo definido, nariz direito, malares proeminentes e olhos grandes. Ainda assim se queixava de insucesso nos jogos de conquista, demonstrando como o fenómeno InCel é um problema societário e factual, em vez de individual e psíquico.

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Minassian, o segundo em cima a contar da esquerda, não era mal parecido

Na China e na Índia, o celibato involuntário foi gerado pela demografia. A política de planeamento familiar inaugurada por Hua Guofeng e prosseguida por Deng Xiaoping gerou, geração mais tarde, 70 milhões de ínubos. 7 x 107 machos quem, segundo as previsões das autoridades locais, serão incapazes de emparelhar, não obstante as práticas de casamentos combinados ou entrega de dotes pré-matrimoniais. Solução? Importar mulheres de países menos bem-sucedidos (como o Camboja ou o Vietnam) ou enfrentar a obliteração genética. No médio Oriente, a poligamia permitida e promovida pelo Islão também condenou muitos homens ao isolamento em vida. Mas a sociedade teocêntrica que gerou o problema também lhes oferece uma solução – devotar a vida ao todo-poderoso ou entregar-lha em nome da guerra santa.

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Ao Ocidente a maleita, tardia e artificial, lá chegou. Não pela falta de direitos ou autonomia das mulheres, mas pelo excesso. Não em 2018, mas em 1989. Não na conservadora América, na economicista Alemanha, na ultramontana Inglaterra, mas no libertino Canadá. Acossado pelo feminismo e decidido a cambiar o seu destino, Marc Lépine – filho da globalização entre um Argelino e uma Enfermeira Québécoise – assassinou 14 mulheres no chamado “massacre de Montreal” por querer “combater o feminismo”. O mesmo aconteceu com o terrorista Andrew Berwick, na superigualitária Noruega, em 2011.

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Os últimos anos foram marcados por ocorrências sobrenaturais: camiões revessando-se sobre a população, expansão de doenças psicológicas e, claro, desintegração por falta de meios socioeconómicos. Frequentemente, os especialistas em odiar brancos (Lépine não o era, mas vamos ignorar isso), branqueiam atentados brutais com a terminologia supracitada, mesmo que estejam implícitos mais assassínios do que os cometidos por Berwick ou Rodgers. Mas quando um tipo massacra em nome da Jihad, eu considero um desrespeito para com ele próprio (e já agora, para com as vítimas) que não escutemos os seus intuitos. Há inúmeros paralelismos entre as duas classes de morticínios e pretendo explorá-los detalhadamente. Por isso vou ouvi-los. Vou escutar o que os facínoras têm para dizer. Enquanto se enumeram as causas fictícias por detrás do ímpeto homicida do Canadiano, eu acho que vale a pena atentar nas suas palavras, ou não fossem o acto terrorista – como todos os actos terroristas –  uma manobra promocional nos dias do ego.


Jude Appatow lançou em 2005 o filme Virgem aos quarenta anos. A wikipedia descreve o protagonista do filme como “um virgem de 40 anos de idade, que é involuntariamente celibatário. Ele mora sozinho, recolhe figuras de acção, joga jogos de vídeo, e sua vida social parece consistir em assistir Survivor com seus vizinhos idosos. Ele trabalha no estoque em uma loja de electrónicos chamada SmartTech

Não só este perfil é factual como se tornou mais frequente após 13 anos de acossa feminista , e se estendeu além das fronteiras do tenebroso mundo Ocidental. Simultaneamente, e mesmo sem ver o filme ou qualquer descritivo seu, sabe o leitor e por automatismo que alguém virgem aos 40 anos é necessariamente um homem, que se pode chamar Carrell (o personagem da película) ou Alek ou Elliot.

É este o queixume dos homicidas. E é um problema válido. Apesar de condenarmos severamente a sua atitude perante o mesmo, identificamos-lo e reconhecemos-lo. Não se trata meramente de não ter sexo ou não procriar, ou quedar-se condenado a uma vida de solidão. Recentemente, num casamento Católico escutei duas frases que me marcaram: “Deus criou a mulher para fazer companhia ao homem” e “Enquanto prova do Amor de Deus, o Casamento é um projecto de felicidade”. Estes homens estão condenados a desconhecer a companhia, o Amor de Deus e a Felicidade.

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Expectativa de vida de um InCel

Mas é também sobre o preconceito de que os homens solitários sofrem no Ocidente, seja no trabalho, seja na vida cívica , seja na vida social. Se não nos fizermos acompanhar por uma fêmea, somos vistos como perigosos. Somos concordantemente discriminados – Por outras mulheres! pois à excepção dos SJW, os homens com sucesso vaginal são tão solidários para com estes pobres coitados que se aglomeram em fóruns oficiosos para lhes ensinar como levar uma vida melhor. Quando este preconceito verter em perseguições, prisões, despedimentos massivos? É tão mau que há gajos que escolhem deixar de o ser para fugirem ao preconceito

I'm not sure if I should be offended or happy since then we could get free neetbux

Validando estes problemas, muitos buscam soluções e o Pick-up deixou de ser uma subcultura estigmatizada para ser legitimado como instrumento valioso à sobrevivência no Ocidente. O autor Roosh V escreveu que se Eliot Rodgers houvesse aprendido PUA, nunca teria cometido nenhum massacre, e até o reputado psicólogo Jordan Peterson admite a importância da sedução, explicando-a brilhantemente com base no filme “O Rei Leão”.

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Segundo o também académico, na narrativa, Simba desilude a parceira ao recusar aceitar responsabilidades que o transitem para a vida adulta, e só depois de realizar essa transição (tornar-se adulto, assumindo responsabilidades) passa a poder usufruir dos direitos correspondentes como a intimidade, o sexo e a chave para a parentalidade. Fica dado o recado de que os PUA’s devem amadurecer, antes de almejarem seduzir mulheres.

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InCel: Individuo que apenas encontrou este olhar na tela do cinema

Mas perante uma trupe de jovens que estariam dispostos a governar as Terras do Orgulho ou a defrontar o malvado Scar só para poderem ver pachacha, Peterson forçou-me a rever o filme. Vendo-o, apercebi-me de que esta sequência de acontecimentos está enviesada. Na verdade, a fêmea já seduzira o príncipe antes deste realizar a dita transição. Na verdade, ela tomara iniciativa nesse ritual sem lhe colocar contrapartidas*. Na verdade, o seu envolvimento data de quando Simba se recusa terminantemente a crescer e a maturação pessoal do leão não é condição sine qua non para este acontecer.

Se outro personagem assumisse o pesado ónus que o jovial Simba recusou, se outro interveniente cumprisse a condição posteriormente colocada a Simba, jamais com essa coragem – por esse cumprimento – conquistaria o coração e o corpo da leoa.

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“Se nós aceitarmos governar esta merda, podemos montar a gaja?”

Rodgers e Alek pensaram como Peterson. Eles acreditaram que as suas virtudes pessoais lhes trariam a companhia almejada. Eles creiam mais cedo ou provavelmente mais tarde que o dinheiro e classe social de Rodgers ou a humildade e capacidade de trabalho de Alek, compensariam sob a forma desejada, sob a forma de uma vagina molhada. Mas como later never comes, aperceberam-se de que foram logrados desde o primeiro dia das suas vidas quanto aos mecanismos que estabelecem atracção e uma mulher por um homem. A atracção não é uma escolha.

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A face da desilusão

Assim, não pode ser merecida, conquistada ou transacionada. O sexo pode e as relações resumidas a quartos mortos ou a sessões mensais de posição missionário com choro e rata seca, demonstram que uma mulher pode foder até para que o homem deixe o lixo no contentor**. Naturalmente, é dessa possibilidade que nasce a prostituta.

Este conceito, todavia, também se cola aos PUA’s e Redpillers que propagam o seu game pelo espaço cibernético. Obedecendo a uma filosofia platónica, semelhante à que moveu os InCels, os gurus instruem os seus aprendizes a decorar este número de linhas ou a adquirir esta forma física, dizendo-lhes que a recompensa virá mais tarde. Na sua linguagem, o dinheiro de Rodgers e o labor de Alek traduzem-se em horas de treino ou sessões de sarge e eu pergunto-me quantos contarão, com a mesma ansiedade, o número de abdominais ou as repetições do bench-press; Quantos enumerarão, com o mesmo desespero, o número de abordagens ou os timingos de Hook-Point, necessários para merecer chavoita, interiorizando – em ambos os casos – que se lhes deve ser exigido sacrifícios para obter aquilo que as mulheres conseguem sem esforço.

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“Quantas faltam para foder?”

Alguns InCels advogam que o auto-desenvolvimento é um mito. No limiar, impelir alguém a “apostar em si mesmo” ou investir numa carreira ou num ganha pão ou num qualquer tipo de prestígio, é pedir-lhe que espere até aos 40 ou 50 anos para poder ter direito a rata (falta saber durante quanto tempo). É claro que depois estão confinados a congéneres hediondas, gastas, gastadeiras e mal-agradecidas porque se dormirem com alguém mais novo, podem aguardar por uma torrente de impropérios e acusações legais. Por outro lado, Houellebecq escreveu que a vida sexual dos homens se divide entre o período das suas vidas em que não aguentam suficiente tempo para satisfazer uma mulher, e o período das suas vidas em que não possuem pujança suficiente para o fazer. Aqueles que esperam sucesso e fortuna para copular, podem contar com a segunda.

Diz o povo que “quem espera desespera”. Para alguns, efectivamente a vida melhora. Para Alek e Eliot não. Perceberam que depois do liceu, da faculdade, da idade, não chegou o momento das suas vidas em que finalmente se tornavam atraentes. Nunca chegaria. Nunca estariam vivos. Por isso, mataram.

É para Esperar? Pelo quê?

Sem regulação apertada e redistribuctiva, a intimidade – tal como a atenção – converte-se num bem escasso. Uma sociedade que mede os cidadãos pela quantidade de intimidade obtida é tão desigual como a que mede o homem pela nobreza de sangue ou pela quantidade de dinheiro. Não  se fizeram esforços eficientes para democratizar a carne; Pelo contrário, a sua liberalização aumentou a disparidade social, a segmentação de classes, a diferença entre os que têm muito e os que não têm nada.

Esses são os InCels.

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Os InCels estão no fundo da cadeia alimentar e sem cona

 

No meu texto anterior, dei o exemplo de 1789 para explicar o sentimento revoltoso entre os despojados do mercado sexual liberal – os famintos do alimento humano. O brilhante Roosh escreveu-o o melhor: “‘Deixa-os comer bolo’ é hoje ‘Deixa que estes falhados privilegiados e socialmente estranhos tenham XBox e pornhub”. No ano de todas as revoluções – 1848 –  a liberalizarão industrial retiraria poder de compra ao proletariado enquanto aumentava a sua dimensão e reduzia os direitos laborais. Também a emigração era problemática, com os orientais a capturar os postos de trabalho como hoje os pretos capturam fanfa. As más colheitas dos anos transactos e a imobilidade da propriedade da terra, ditariam a virga-férrea reivindicativa; Simultaneamente, a imprensa escrita e a sua disseminação rural promoveria a união entre proletários apartados. Foi sobre esse solo fértil, fervilhante e preconizando ruptura eminente que dois ensaístas germânicos, munidos de extensos conhecimentos sobre economia e filosofia, lançariam as sementes revolucionárias cujos frutos seriam pois lavrados a foice e martelo. Postulando a teoria Marxista, Karl e Friederich Engels mudariam o curso da história através da publicação de Das Kommunistische Manifest. Estava fundado o Comunismo.

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A disparidade numérica foi essencial ao sucesso da Revolução. A base da pirâmide na França do século XVIII ou na Alemanha do século XIX é mais larga do que o topo. Obedecendo o mercado sexual às regras de pareto, serão os InCels suficientes para inverter a pirâmide sexual? Poderão eles – com o 4chan no lugar do Rheinische Zeitung – revolucionar o mercado?

Ou resultarão tão mal como o já mencionado terrorismo islâmico, desorganizado, despropositado, apertando o controlo e hostilidade sobre a população do praticante, incapaz de satisfazer qualquer necessidade dos necessitados?

E há a sucessão cronológica. A segunda república francesa foi naturalmente fruto da primeira, inspirada no espaço de duas gerações, pela revolução antecedente mas com o terror cuidadosamente omisso dos relatos oficiais. Duas gerações posteriormente, viria a Revolução de Inverno, marcando a história da libertação dos povos como uma sequência de revoluções. Com a popularização da expressão “Going ER” (Indo ER – Elliot Rodgers) na darkweb qual revolução sucederá ao atropelamento de Toronto? Será mesmo apenas uma questão de tempo até alguém voltar a matar?

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A expressão “Going ER” popularizou-se na darkweb

Antes de terminar vale a pena recordar que a palavra InCel é um acrónimo involuntário. Enquanto os demais grupos mencionados são integrados por ventureiros conscientes, o estatuto InCel não é auto-determinado mas exógeno. Assim, não prevê uma conversão religiosa como no activismo islâmico, ou uma adesão militante como num Partido Político ou o treino paramilitar como nas organizações terroristas. Os outros membros da manosphere são definidos pela actividade: os RedPillers que escolhem tomar a RedPill, os PUA’s que escolhem sarjar, os MRA’s que escolhem o activismo, os MGTOW que escolhem ir no seu caminho. Os InCels não têm escolha. No limiar, um jovem bluepiller, tímido, feminista que não faça sexo é, passivamente, definido como InCel. Não quis ser InCel. Ninguém quer ser InCel.

Também se escreveu que os InCels são misóginos. Não podia estar mais longe da verdade. Os InCels são adoradores de mulheres que não vêm os seus sentimentos adequadamente respondidos. Se fossem misóginos seriam MGTOW, optariam pela prostituição ou pela homossexualidade. Um homossexual com quem fiz amizade recente confessou-mo numa madrugada alcolizada que enrabava outros tipos porque as mulheres não o desejavam. “Ninguém nasce gay”. Foi o estratagema que adoptou para deixar de ser InCel.

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Mas eu não condeno

Outros estratagemas foram elencados pelos InCels, da remoção do direito feminino a escolher um parceiro até um sistema análogo à social-democracia que partilhe as mulheres entre aqueles que não as têm. Não se trata de uma agenda, apenas um conjunto desagregado de ideias postadas entre lamúrios e muita tristeza, solidão. Nem são apenas eles: Um amigo que já fez mais de 100 lays advoga o método SD, abdicando ele próprio de muitas noites bem passadas em nome da igualdade, da justiça e da estabilidade social. De alguma forma foi esse o papel da Esquerda moderada, prosseguir os objectivos da revolução retirando-lhe a violência. Nem os objectivos dos InCels nem os InCels são violentos.

Mas aqueles que são – estes InCels – são de facto como terroristas, porque cometem actos terroristas. Porque inspiram terror. Entre os paralelismos face ao do terror islamita, além da incompreensão, encontramos tantos outros: A desorganização, a caracterização sociológica dos pertencentes – desenquadrados, alheados, atomizados – as estratégias de recrutamento, a dificuldade em seguir as redes, que apenas existem online, e um misticismo quasi-religioso em dias descrentes. Foi aí que Rodgers foi canonizado. Saint Elliot, há semelhança dos mártires nos primórdios do Cristianismo, morreu virgem. Morreu inocente.

Saint Elliot morreu inocente

Comecei por dizer que oiço extensamente todos os terroristas em vez de culpabilizar a incapacidade de integração, o capitalismo, o colonialismo… Qual fenómeno externo poderia culpabilizar pelo terrorismo InCel? A Hipergamia, claro. A Hipergamia mata. Matou quase vinte pessoas entre os dois casos explorados e matará muito mais. Matou Alek e Elliot, as suas primeiras vítimas, falecidos muito antes de pegarem nas armas ou ao volante do camião. O Profeta limitou-se a antever, com uma clarividência assustadora, os acontecimentos do século seguinte.

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O Profeta anteviu os acontecimentos do século seguinte

Conforme escutaram o sucedido nas notícias, questiono-me sobre quantas das colegas, das conhecidas, das raparigas que se cruzaram e ignoraram os mencionados não se questionaram se deviam ter prestado atenção, despendido um beijo nos lábios ou minutos de folia vaginiforme para evitar estes acontecimentos. Se o fizeram tantos milhares de vezes, por motivos tão fúteis, será que o fariam para salvar mais de vinte vidas? E se fossem apenas duas?

 

* Embora tenham sensivelmente a mesma idade, Nala é muitíssimo mais experiente do que Simba nos jogos da intimidade psicológica e física. Lembrem-se lá de outro filme para crianças onde um protagonista, masculino, se aproveite da inexperiência de uma fêmea para a seduzir.

** Há muitos anos li numa revista cor-de-rosa sobre quais as principais razões pelas quais as mulheres “cediam” sexo aos maridos onde a mais caricata era “convencê-lo a ir deixar o lixo ao contentor”. Não encontrei o registo. Se houvesse sido publicado hoje, o tipo seria preso por violação no casamento.

 

À porta da loja

Na publicidade, na televisão, na rádio, nos cafés, nos bares, nas discos, nos bordéis, na internet nos telefones, na música, nas escolas, nas Universidades, nas ruas, nas casas, aqui, agora. Nunca se pensou tanto em sexo. Não é bom para ninguém. Não é bom para mim.

Eram dez da noite, segunda-feira, quando entrei num bar da zona habitacional. Não diria um bar, mas um café com horário prolongado. Não diria zona habitacional, quer dizer, era mesmo ao lado de casa. Nem eram bem dez, eram aí umas nove e pouco, hora de jantar para quem não janta cedo. Mas o ecrã central do espaço, geralmente votado à bola, revelava mulheres semi-nuas, corpos, no canal VH1, outrora exclusivo para música. Aumentando as horas aumentava a cadência de sensualidade, a decadência de moralidade, decrescia o gradiente de pudor, aumentava o furor, sem censor. No aproximar ao centro da cidade, seria pior.

O videoclip de que falo teria bolinha vermelha há quinze anos, estaria interditado há 30, seria alvo de uma comissão reguladora que aglomerasse Pais, educadores e responsáveis políticos. Os miúdos à minha volta, muitos menores, absorviam-no indiferentes. Estão habituados. Eu não estou: perco a concentração no ritmo da canção, sinto o desejo a fervilhar. Vai piorar? Oiço na letra, “estoy muy duro, si si”, mais pele, mais corpos, FREEZE, mais sexo. Mais pinturas tribais, mais músculos definidos, mais nádegas tremidas, mais crianças (crianças!) em movimentos pélvicos sensuais. Mais mulheres de pernas abertas, olhares orgásmicos, pernas, posses. Mais à frente oiço a verdadeira mentira da canção “Mi musica no discrimina a nadie”. Falso.

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Figura 1 – Discriminado por J Balvin, o autor de Mi Gente

Podemos imputar ao cantor colombiano as responsabilidades pela degradação moral da sociedade? Ou aos danos que infligiu à vida de todos os solitários, dos masturbadores compulsivos, dos frequentadores insistentes de serviços sexuais, os peregrinos à sacra-Tailândia apenas com bilhete de ida… para não falar das putas? Como pode não o ser se fomos saturados ad nausean pela propaganda obsessiva com o sexo e as temáticas sexuais. Não há como conduzir uma vida sadia sem permanecer em busca incessante pela próxima parceira, desejoso pela próxima penetração, ansioso pelo próximo coito, prometido pela publicidade do Tinder, recusado pelo swipe left. É essa propaganda a responsável pelo estado de hypersexualidade em que eu e todos os que me rodeiam se encontram. Endoidece-nos. Um psicologo Norte-americano, começou recentemente a estudar os danos psicológicos causados pelo grinder entre homens gay.  Como subsistirão emocionalmente quando perderem, por força do tempo, acesso à sua fonte primordial de estabilidade mental?

Vivemos na cultura mais sexualizada da história e também a mais infeliz. A forma como interpretamos o sexo –  simultânea e paradoxalmente, como a expressão mais profunda da personalidade, e como um divertimento inconsequente – Está muito para além da nossa natureza. De excessiva, transbordante, a minha líbido assemelha-se anómala, como que hetero-imposta por forças exógenas, obscuras. E se da nossa natureza fosse, solucionar-se-ia com a monogamia, brutalmente discriminada em terras do burgo  sobretudo entre as mulheres (It takes a village to keep a woman monogamous). Percorri a árvore genealógica da família por cinco séculos e encontrei não mais do que junções profícuas, duradoras, funcionais e jovens (quem, ainda jovens, procriavam). As pessoas costumavam casar e prosseguir as suas vidas, em vez de permanecerem eternamente neste estádio degradante de pós-adolescência, na senda, à espera que a sorte mude na próxima noite ou na próxima mensagem. Um familiar por afinidade, mantém três namoradas aos 58 anos. Será feito ou fracasso?

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Figura 2 – A forma como interpretamos o sexo tem consequências directas na demografia e na sociedade

Três rapazes juntam-se em casa de um quarto, 25, 26 e 27 anos, licenciados com notas brilhantes, mas também com um bom currículo em boémia, actividades académicas, associações e palanques. Habituados aos últimos, a discursar, a colocar a voz e as ideias no coração das multidões, junta os rapazes a particularidade de serem oradores exímios. A conversa adensa-se e com os copos em cima, chega-se à hora da verdade: Inversamente proporcional à destreza oratória, a experiência com mulheres é tão escassa, que quando um dos visados declara ter, em toda a vida, malhado cinco (CINCO?!), os amigos acusam-no de estar a exagerar o número (por cinco). O mais ousado do trio teria a sua quarta desposa nessa mesma noite, e a situação global deixou-me na dúvida sobre a quais expedientes recorreriam os rapazes dentro de quinze ou vinte anos.

O desfasamento entre a minha experiência de vida e a dos amigos mencionados, parte apenas da quantidade de tempo que gastei na inglória demanda por calor húmido feminino. Na senda. Um esforço que investido de forma profícua e construtiva teria vertido em várias obras literárias publicadas e um par de doutoramentos. Foi inútil? Não sei. Na escola PUA chamam-lhes – às tardes e noites em que deambulei transviado pelas ruelas do meu desconforto – “experiência” e “valor” incapazes de compreender que é na zona de conforto que se produz o portefólio material a que costumávamos valorizar. Sempre que conheço uma mulher, pergunto-me se nessa avaliação global e inultrapassável que faz da minha pessoa nos primeiros segundos, ela toma em consideração essa despesa improfícua, ou se não serviu mesmo para nada.

Nesta fase da minha vida, sinto que o custo por foda ultrapassou as minhas possibilidades. O mercado, determinado pelo número de pretendentes e tipologia de pretensões que cada individuo tem em órbita, põe-me no lado de baixo, incapaz de encontrar uma mulher congénere com menores possibilidades do que o investimento que tenho a fazer. É impossível achar raparigas que não me requeiram tempo, dinheiro ou compromissos que não estou disposto a oferecer.

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Figura 3 – Marie Antoinnete, meses antes de perder a cabeça

 

Houellebecq chamou-lhe a extensão do domínio da luta. À senda. Os amigos que citei, estão quais os camponeses derreados pelas políticas desastrosas de Louis XVI, as políticas do feminismo que condenaram milhões à fome; Políticas que elevam artificialmente o preço por foda, criando o excesso de procura e falta de oferta, que juntam a fome à falta de comer. Famélicos da terra diante de Marie Antoinette, ouvem José Alvaro Osório dizer-lhes Qu’ils mangent de la brioche; infelizmente, quase duas décadas desde que a senda começou, estão cansados de saber que para eles não haverão broches.

Existirão raparigas em situação idêntica mas são escassas. Sobretudo depois de anos de vida numa capital Europeia, com aplicações informáticas e smartphones à disposição. Mesmo essas, continuam a ser presenteadas com incontáveis alternativas à que envolve um relacionamento com os rapazes mencionados: Uma amiga polaca, gorda, que ganha o salário mínimo e fez um aborto recentemente, recebeu 350 matches no Tinder (e 48 super matches) aquando da sua primeira noite em Portugal. A solidão, no caso dela, será sempre uma escolha e não uma imposição.

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Figura 4 – “Game is gaining popularity because men see that disparity and want to increase their odds”

Porventura será essa disparidade o maior inimigo de quem frequenta as lides do Pick-up. Por compreendê-la bem – demasiado bem – sou mais solidário com os PUA’s do que o foi o nosso Roossh V. Não acho que seja o celibato involuntário, o avolumamento testicular, o isolamento compulsivo, sejam questiúncula de somenos. Pelo contrário, creio ser a maior epidemia – a par da queda da natalidade – a que o Ocidente esteve sujeito desde a gripe Espanhola. O problema é que todas as tentativas de o vencer são tentadas dentro do sistema: o nightgamer que aborda na discoteca para a qual pagou duas vezes mais do que a gaja para entrar, o daygamer que se resigna e anui à vox poppulli inventar o conceito de assédio em seu torno, o netgamer que  informa a gorda de que ela é interessante e desejável mesmo que esteja de pijama e sem maquilhagem no hotel de um canto degradado da cidade e até o putanheiro, disposto a gastar suor do seu trabalho, a prazentear uma vadia desconhecida. Todos contribuem para validar a narrativa de que as mulheres são seres superiores, encantados e únicos. Todos são culpados. E todos estão enganados.

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Figura 5 – O caralho

O pior é que muitos destes cavalheiros falham redondamente no seu propósito sedutor. As comunidades PUA’s estão preenchidas de tipos virgens e sozinhos ou escassamente acompanhados quem, a cada dia que passam, estão mais longe dos seus intentos. Na noite, na net, nos cafés, estão a lutar uma guerra e a perdê-la. São os combatentes alemães no cerco de Leninegrado. Perecendo gaseados nas trincheiras francesas, a caminho de Abbeville onde os inimigos se banqueteiam despreocupados. Bombardeados com a percepção de insuficiência a que o celibato involuntário incute. A percepção de que toda a gente o tem excepto nós.

Estamos entrincheirados na nossa própria solidão, na soleira da festa para a qual não fomos convidados, à porta da loja de doces à qual nunca tivemos acesso. E para além da legião adversária, sabemos dos demais em manjares sumptuosos. Queremos-los. Vale a pena recordar como terminou Marie Antoinnette, depois do mesmo povo faminto se recusar a recusar forçar o acesso aos produtos de luxo que a corte real não partilhava. Em Doullens, já depois dos combates terrestres terminarem e prontos a assinar a paz, os homens que passaram quatro anos à fome não se coibiram em lançar uma bomba na cidade que nunca conseguiram invadir. Houve sempre um castigo para quem esfaimou o seu semelhante, no século XVIII e no século XX. Este século não será excepção

 

Sobre o Respeito

Na sequência deste post e de uma discussão relacionada, O Patriarca chegou a uma conclusão interessante.

Uma sedução bem sucedida é uma série de desrespeitos tacitamente aceites.

Primeiro, em caso de uma abordagem a frio, o desrespeito de ires falar com uma mulher que não conheces de lado nenhum.

O desrespeito de a qualificares. O desrespeito de uma neg. O desrespeito de um toque não autorizado. O desrespeito pelo namorado dela (real ou fictício). O desrespeito de fazeres um bounce sem sequer lhe dizeres onde vão a seguir. O desrespeito de te convidares para casa dela, ou de a meteres na tua.

Por fim, o desrespeito de a foderes apesar de ela a determinada altura dizer não (embora todas as suas acções até aí digam “sim”). E quiçá o desrespeito de correres com ela ou te pôres a andar, sem certezas de se voltarão a falar.

O principal obstáculo a que um homem tenha uma vida sexual gratificante é o respeito pelas mulheres.

respect is the key
… mas não da maneira que a maioria dos homens pensa.

Angelika: Sexo vs. Validação

Em primeiro lugar, O Patriarca gostaria de parabenizar o nosso Myrddin Emrys por um dos melhores artigos d’A Távlola Redonda.

O Myrddin destaca o medo que a jovem tem dos seus clientes, mas vamos lá, isso é natural mesmo sem a vilificação actual dos homens. O porquê vai para além do âmbito deste post, mas resumidamente, o acto de uma mulher se encontrar a sós com um completo estranho para se despir e não só, é uma vulnerabilização enorme.

O Patriarca acha mais interessante o seguinte facto – a miúda tem um fascínio por poledance e quer ser stripper, mas tem nojo de sexo. Há aqui um exemplo prático de uma “regra” da RedPill. As validação que as mulheres sentem por ser o alvo do desejo masculino é um substituto perfeitamente aceitável do acto sexual, sendo que para algumas mulheres é mesmo mais prazenteira a validação que o sexo.

Moral da história: nunca dês validação a uma mulher que tencionas foder.