Aquilo que toda a gente pensa sobre a violência doméstica mas ninguém tem coragem para assumir

“Nem todas as mulheres gostam de apanhar, apenas as normais” – Nelson Rodrigues

A fotografia acima exibida pertence ao casal noticiado pelo Observador, exibido no vídeo da TVI24 (parcialmente censurado) e também no Correio da Manhã (sem censura). Na caixa de comentários, considerada a localização onde a gravação amadora foi realizada, um leitor assume tratar-se  do “típico subsidiodependente”. Na verdade, o rapaz que tentou asfixiar a mãe de dois dos seus três filhos grávida de 9 meses do 4º por estar embriagado à hora de almoço, é ex-aluno do Colégio Valsassina, corredor de karts, proprietário de um Ferrari desde os 18 anos e filho de um multimilionário com segurança particular quem se diz ter enriquecido a vender cocaína. Mas não é esse o ponto.

Acabada de parir pela 3ª vez em virtude da agressão, a psicóloga clínica do Hospital de Santa Maria já apresentara várias queixas no passado por violência doméstica e maus tratos contra o companheiro com quem vive e que, desde novo, era afamado por afiambrar na cara das múltiplas parceiras que nunca lhe faltaram. Sou o primeiro a declarar que me horroriza a violência e o tratamento a que esta senhora (sim, eu vejo rugas) tem sido sujeita. Acho desumano que alguém seja tratado deste modo, sobretudo ao longo de um período delicado como o da gravidez nas suas fases finais*. É obviamente necessário combater a violência doméstica e apurar e estigmatizar os culpados pela mesma. E de quem é a culpa das várias agressões de que a Drª foi alvo e a podem mesmo vitimar, caso não recupere dos danos que lhe foram infligidos? Obviamente, é dela.

O Sócrates é um conas

Na sua primeira encarnação governativa quando quis ser o Justin Trudeau Europeu, o presidiário nº 44 do estabelecimento prisional de Évora criminalizou a violência doméstica na revisão do código penal que realizou sob a forma da lei 59 de 2007. Inédito, no artigo 152º, o governante determina ” Quem, de modo reiterado ou não, infligir maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais a) Ao cônjuge ou ex-cônjuge; b) A pessoa de outro ou do mesmo sexo com quem o agente mantenha ou tenha mantido uma relação análoga à dos cônjuges, ainda que sem coabitação;” está metido num molho de brócolos. Desde então, dos dias em que eu podia ter sexo e não genero, a lei foi atualizada para contemplar a “relação de namoro”, uma “pena acessória de proibição de contacto com a vítima (que) deve incluir o afastamento da residência ou do local de trabalho desta e o seu cumprimento deve ser fiscalizado por meios técnicos de controlo à distância” e a difusão “através da Internet ou de outros meios de difusão pública generalizada, dados pessoais, designadamente imagem ou som, relativos à intimidade da vida privada de uma das vítimas sem o seu consentimento”; Transformaram-se ainda os procedimentos para garantir especial “celeridade processual”, outorgar “medidas de protecção à vítima”, aplicar “medidas de coacção urgentes” que incluem não permitir o suspeito de “permanecer na residência onde o crime tenha sido cometido ou onde habite a vítima” e registo em “Base de dados da violência doméstica

O Código de Processo Penal recomenda inclusive ao Ministério Público que promova  a nível de Distrito Judicial, DIAP, círculo judicial ou comarca, o desenvolvimento de parcerias, formas de articulação e canais de comunicação (…) com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, (…) e as instituições de solidariedade social cuja atividade incida sobre agressores ou vítimas ou sobre qualquer vertente relevante para a compreensão e intervenção nas situações de violência doméstica, tendo em vista o apoio à definição e à execução das injunções e regras de conduta. Nas fichas entregues às forças de segurança, encontramos questões mui imparciais como “Acredita que o ofensor a seja capaz de matar ou mandar matar (está convictA – homens não podem ser vítimas – de que ele seja mesmo capaz?) ou “A Vítima está grávida ou teve um bebé nos últimos 18 meses“.

Dois anos depois,fez-se aprovar a lei 112/2009 que cria a «Rede nacional de apoio às vítimas de violência doméstica» e aplica “medidas de coacção urgentes”, no prazo de 48 horas, expulsando nomeadamente os “agressores” das suas próprias residências e impedindo-os de “contactar com a vítima, com determinadas pessoas ou frequentar certos lugares ou certos meios”, “mesmo nos casos em que a vítima tenha abandonado a residência”. À vítima, a lei presta “Apoio Financeiro”, força a “Cooperação das entidades empregadoras”, para efeitos de transferência, “suspensão do contracto de trabalho” ou justificação de faltas; Ao “apoio ao arrendamento”, “atribuição de fogo social”, “Rendimento Social de Inserção”, “Abono de família”, “Tratamento clínico”, “Isenção de taxas moderadoras”, “assegurada prioridade no acesso às ofertas de emprego, à integração em programas de formação profissional ou em qualquer outra medida ativa de emprego”, ” prioridade no atendimento nos centros de emprego e centros de emprego e formação profissional do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P. (IEFP, I. P.,)” e gratuitidade de tudo isto. Além de uma infinidade de estruturas apoio todas pagas pelo Zé povinho, o documento também cria os CIGanos**

ciganos
O Patriarca é um génio

Paralela aos trabalhos legislativos, a magistratura – liderada por uma especialista nestas merdas – coordenou-se para auto-atribuir, a alguns magistrados, a especialização na temática. Movida pela convenção de Istambul, congregação de juristas dedicada às temáticas da “Violência Doméstica, maus-tratos e contra a autodeterminação sexual” num país onde há algumas semanas as autoridades desmembraram um jornalista, a PGR “impõe que na investigação de tais ilícitos, o ministério público adopte na sua estrutura organizativa por forma a responder adequada e cabalmente às aludidas exigências”. Assim, contrariando o estipulado pelas normas judiciais em qualquer país civilizado no mundo, ao invés de sorteados, “os inquéritos referentes aos fenómenos criminais de violência doméstica, maus-tratos e/ou contra a autodeterminação sexual devem ser atribuídos a secções especializadas ou a magistrados específicos”.

Entretanto o crime evoluiu para Violência de Género, um termo onde a única palavra que existe no mundo real é a conjunção. Tem um observatório e um centro de Estudos na FCSH. Mas ignora duas informações tremendamente importantes sobre esta tipologia criminosa: mais de um terço se resume a maus tratos psíquicos*** (seja isso o que quer que seja) e  que a violência relacional é estatisticamente muito mais prevalente (alcançando os 26 %) na comunidade homossexual. Ou seja, quando a sua modalidade relacional foi liberada, na verdade, permitimos que um quarto da comunidade fosse violentada por membros da própria comunidade, nomeadamente através do Outing que pode ter como objectivo garantir o despedimento ou a remoção da custódia parental. Se tudo isto não bastasse, face a mais de 30 abrigos em todo o país para acolher mulheres, existe apenas um para acolher homens.

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As condições podiam ser melhores

Um crime que não existe

Agrada-me viver num país seguro onde as estatísticas criminais são francamente reduzidas (porque ainda não começamos a importar criminosos). O Estudo Avaliativo sobre o Grau de Satisfação de Utentes da Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica é uma irrelevância estatística, com 1.4 queixas a cada mil pessoas em seis meses no distrito mais problemático (Lisboa). Piora se pensarmos que as queixas podem ter a mesma protagonista tal como a jovem do texto (que se queixa várias vezes) , ou que algumas destas queixas podem ter na sua origem (segundo relatam os sociólogos do ISCTE) “o sentir medo pela sua vida e segurança pessoal” – a percepção,  feeling, aquilo que alimenta as capas de revistas cor-de-rosa e tem muito pouca substância.

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Continuamos consigo Excelentíssimo Senhor Professor

Mas desde que estas leis foram aprovadas, o país tornou-se mais perigoso. Para mim. Ou para um ciclista nos quarentas com quem travei amizade recente e que me contara como num dos seus treinos, na margem sul, se cruzara com uma ex-namorada a quem dera um soft next cordial por estar farto dela. A miúda estava acompanhada pela procuradora distrital de Setúbal de quem é amiga. Nenhuma das mulheres lhe falou e um par de quilómetros adiante foi detido pela GNR, sob o pretexto da violência doméstica. Resultado: multa, cadastro, e a proibição de continuar a realizar os seus treinos naquele circuito.

Uma lei que menoriza as mulheres

Os crimes de agressão, ameaça ou injúria são crimes privados. Significa que se eu bater nalguém, intimido alguém ou insulto, posso ser posto em tribunal se a vítima apresentar uma queixa, nomear um advogado e me colocar um processo. Enquadrados sob a bitola da Violência Doméstica, estes crimes cometidos contra uma entidade tipidificada (é mulher) passam a ser julgados pelo ministério público, sem que as agredidas (ameaçadas, injuriadas) se constituam noutro papel que não o de assistente. São observadoras passivas num processo que é montado não no sentido de fazer prevalecer a justiça, mas para agredir o agressor.

Não lhes é dada qualquer escolha sobre um processo que gira em seu torno. Não lhe dão inicio nem lhes é permitido terminar. A sua vontade, numa matéria desenhada por feministas radicais, é radicalmente ignorada. Aos olhos da justiça, mesmo num contexto factual, as mulheres, vítimas, o seu depoimento e intenção, são um pequeno pormenor face à prioridade de inculpar os homens com tanta agressividade quanto possível. Não têm voto na matéria.

Já sei que estas agressões, apreciadas à luz do crime privado, jamais seriam julgadas. A justiça jamais interviria no caso de um furto sem denuncia, ou de um dano patrimonial sem reporte. E então? Mais: Dizem os “especialistas” que as mulheres como a agredida não se emancipam por causa do wage gap. Mas o wage gap é a última das mentiras usadas para justificar o injustificável. Alvos de violência doméstica e de violação matrimonial mulheres sem educação nem autonomia financeira sujeitavam-se aos maus tratos onde a alternativa era a miséria. O mundo mudou e evoluiu. Há mais mulheres no Ensino Superior do que homens, há mais mulheres jovens no mercado laboral e a ganhar mais (Ben Shapiro e Milo têm-no demonstrado, googlem). Aqui, temos uma mulher formada numa das melhores escolas do país, a trabalhar no melhor hospital do país, com mais formação académica e meios de fortuna pessoal do que o conjugue. Porque é que leva na cara****? Porque quer.

É do entender público que a mão do estado existe para fazer cumprir a vontade dos cidadãos. E a das cidadãs?

Nem todos os homens batem em mulheres, só os anormais

Nunca conheci um homem agressivo, com propensão para agredir mulheres mas carente de mulheres a quem agredir. Conheço todavia centenas de homens, preenchidos por desejos sexuais e demasiado solitários para encontrar quem os satisfaça. Como qualquer pessoa civilizada, respeito o desejo sexual alheio e repúdio o desejo de violência. As mulheres que se recusam a dormir com rapazes pacatos mas aceitam ser violentadas por homens agressivos, não são responsáveis pela sua situação? Não são elas cúmplices da fenomenologia estrutural da violência doméstica?

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Se o Luís tivesse sido rejeitado e deixado pela primeira mulher a quem levantou a mão, teria cambiado o seu comportamento. Assim não foi. Essa primeira mulher – e as muitas (muitas) que se seguiram – também são responsáveis pela situação reportada. E a inevitável atracção por este tipo de homens tem de ser responsabilizada, como as mulheres que regressam inevitavelmente para os seus agressores, têm de ser responsabilizadas pelas suas escolhas – Não só pela escolha de permanecer sob maus tratos, mas como de optar por um tratante em vez de um tipo educado e amável. Lamentando profundamente a ocorrência, não deixo de denotar o ímpeto karmico na entrada desta rapariga no Hospital de Vila Franca, de placenta deslocada, depois de passar uma vida a ignorar qualquer um dos meus amigos virgens que nunca a trataria assim. Não tenho pena nenhuma.

Uma megera psiquiatra estrebuchou numa discussão comigo, que estas vítimas desenvolvem Síndrome de Estocolmo e se tornam clinicamente inimputáveis; O termo, cunhado por Jan Erik Olsson, foi estabelecido no assalto ao banco de  Norrmalmstorg Square onde quatro raptados fizeram a defesa cerrada dos raptores. Dos quatro, 3 (Birgitta Lundblad, Elisabeth Oldgren, Kristin Ehnmark) eram mulheres e todos os quatro exemplos de casos famosos que a wikipedia escolhe para exemplificar o fenomeno (Colleen Stan, Patty Hearst, Natascha Kampusch e Mary McElroy) também. A última cometeu suicídio acreditando que “Os meus quatro raptores são provavelmente as únicas pessoas que não me consideram uma tola”.

Podem-me falar que os InCels albergam ambas as situações: São carentes e violentos. Mas a sua violência parte da carência e não da abundância em que o Luís sempre viveu. É difícil, no entanto, determinar se a abundância do Luís lhe permitiu ser violento ou se o seu perfil violento lhe trouxe muitas mulheres. São discussões complexas e cheias de risco. O que sei é que podendo o rapaz pagar fianças, quedando-se em liberdade, acontecerá como nos raps que ouvíamos na adolescência, quando nos conhecemos.

É uma nasty bitch

Mas comigo não faz batota

Diz que me vai abandonar

Mas eu sei que ela volta

 

 

 

* Se a gravidez estivesse no inicio e a mulher abortasse espontaneamente por causa da agressão, podemos considerá-lo de facto um criminoso e não um clínico homeopata ao serviço do SNS?

** Existem ainda os artigos 77º a 80 º que são, no mínimo, assustadores

*** Há mais queixas por “Violação da obrigação de alimentos” do que por “Assédio”

**** Tecnicamente levou na barriga, mas vocês perceberam

 

Correio do Leitor: Falsos Moralistas e Falsas Puritanas

Pese embora* o que afirmam betas cavaleiros brancos como o nosso provador de buttplugs de serviço, o betacoresoul, a Red Pill é um tema de interesse também para as senhoras.

Prova disso, um recente e-mail recebido pel’O Patriarca. A leitora não será identificada porque não fez nenhum pedido nesse sentido. O Patriarca terá todo o gosto em fazê-lo se ela assim o desejar.

Olá Patriarca

Este blog chamou-me atenção o texto sobre a Paula Cosme, vai par o caralho.
Parabéns! Pois, como mulher, não poderia concordar mais.

Esta sociedade está repleta por demais de falsos moralistas e meninas de bem, falsas puritanas…que na vida pessoal deles por terem tido vivências que as marcam psicologicamente, “cospem” barbaridades na via pública. Que se resolvam primeiro, a a ganhar amor próprio e segundo a se curarem e depois, sim, falem se quiserem…

Vou seguir o seu blog e ler o que há para trás.

Concordo em absoluto com isto: “O Patriarca considera o feminismo o maior flagelo que assola a sociedade actual, é importante realçar que não há nada de pejorativo neste prémio.”

Já agora, leu o último artigo da criatura, dessa Paula? Sobre os beijos dos avós? Vem no expresso.
https://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_lifestyle/Avidadesaltosaltos/2018-10-17-O-beijo-na-avozinha-e-o-esgoto-da-hipocrisia-da-nossa-sociedade

Com os melhores cumprimentos,

[A Leitora]

Cara leitora, é um prazer receber estas suas palavras.

O Patriarca já terá passado os olhos por esse artigo, não vai agora confirmar porque acabou de almoçar e seria bastante inconveniente sujar o chão da sala.

Resta-lhe pedir que se reproduza abundantemente, se ainda não o fez. O mundo precisa de crianças educadas por pessoas que rejeitem veementemente as demências que megeras como esta querem impor.

E já agora, passe a palavra sobre o nosso blog.

Com os melhores cumprimentos,

O Patriarca


*Mentira, o que estes merdas dizem não pesa nada

 


LINKS GUARDADOS

https://web.archive.org/web/20181123155316/https://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_lifestyle/Avidadesaltosaltos/2018-10-17-O-beijo-na-avozinha-e-o-esgoto-da-hipocrisia-da-nossa-sociedade

Chauvinista do Mês #7 – Carlos Ramos

Nota prévia: relembrando que O Patriarca considera o feminismo o maior flagelo que assola a sociedade actual, é importante realçar que não há nada de pejorativo neste prémio. O Chauvinista do Mês é um galardão de honra que O Patriarca (e outros membros da Távola que assim o entendam) atribui a quem vê a realidade em geral, os choques culturais e as dinâmicas intersexuais tal como elas são, e tem os tomates de ferro necessários para, por palavras ou acções, apregoá-lo em público.

Estava a faltar, não era?

Tinha que ser um tuga com túberos de aço para fazer frente a uma das maiores estrelas do ténis, ainda por cima pertencente a dois grupos “oprimidos” (ou seja, protegidos) – gaja e preta.

Como é óbvio, foi atacado por todo o tipo de degenerados por algo tão obsceno como cumprir o seu dever. O que é que ele tem a dizer sobre isso?

“Estou apenas focado nesta eliminatória e em trabalhar de novo. É apenas isso que posso dizer”

Não há desculpas, não há sequer a mínima valorização do assunto. O homem faz o seu trabalho e segue em frente. “Como se atreve a tratar assim uma mulher?” Fala para a mão. O mundo precisa é de homens destes.

 


Vencedores anteriores:

Chauvinista do mês #6 – Paulo Almeida

(Alegado) Chauvinista do Mês #5 – Jorge de Sá Gouveia

Chauvinista do Mês #4 – O segurança anónimo do Algarve

Chauvinista do Mês #3: António Gentil Martins [Extra!]

Chauvinista do Mês #2: Luís Aguiar-Conraria

Chauvinista do Mês #1: Prof. Dr. José Luís Pio Abreu


Links guardados:

https://web.archive.org/web/20181014124756/https://www.record.pt/modalidades/tenis/us-open/detalhe/carlos-ramos-quebra-silencio-apos-polemica-com-serena-williams

#MeToo Em Portugal

“Em política, o que parece é” – António Ferro

Não é Lucília Gago, a amiga pessoal de José Sócrates que com ele surge numa fotografia publicada nas redes sociais, o foco das minhas preocupações. Afinal, não sendo membro da família Espírito Santo, não integrando o circulo pessoal das pessoas que espatifaram o país, a nomeação da nova procuradora-geral da república devia passar-me completamente ao lado. Certo? Errado. Porque depois de 6 anos focando o ministério público no combate à corrupção, doa a quem doer, nomeia-se uma procuradora cujo foque profissional foi “o direito da família” e da “protecção de menores”. Nós sabemos o que isso quer dizer.

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Lucília Gago é amiga pessoal de José Sócrates

No Centro de Estudos Judiciais, Gago leccionava sobre direito de família e menores. Foi convocada pelo governo a dar parecer sobre a alteração legislativa dos regimes jurídicos de adopção que permitia à paneleiragem violar adoptar crianças. Nesse contexto profissional, assinou um livro intitulado ““Violência Doméstica – Implicações sociológicas, psicológicas e jurídicas do fenómeno”. A Violência Doméstica que se tornou crime no código penal de 1982, foi-se gradualmente tornando mais abstracta com as revisões propostas pelos Socialistas em 1995, 1998 e 2000. Já o crime era público quando em 2007, as relações de namoro (?) passam a estar sujeitas a apreciações de natureza criminal. Quem foi o proponente? O amigo da Lucília, o Socialista José Sócrates. Sei que soa a circular. É.

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A namorada de José Sócrates aplaude a substituição da PGR

Fernanda Câncio, a putona mais detestada pel’A Távola Redonda, celebrou a nomeação provavelmente numa das suas sessões de cocaína e sexo agressivo com os miúdos menores com que encornava o ex-primeiro ministro. Sim, evidencia-se a circularidade, porque também ela (entre outras) mamava a picha do dirigente Beirão. Mas não se trata de ilibar o engenheiro falseado, pois a escolha de Lucília Gago pode implicar mais. Muito mais.

Justiça Machista não é Justiça

É o titulo de um evento organizado para contestar uma decisão de um qualquer magistrado nortenho. Provavelmente a decisão é boa e provavelmente o crime não aconteceu. Não foi o evento, mas o artigo de Isabel Moreira uma deputada omnipresente nas redes sociais e em tudo quanto é lugarejo fétido que em vez de comentar o momento político mais relevante dos últimos meses, preferiu escrever sobre a não-existência do assédio sexual que há muito – muito – devia estar legalizado (Estamos a poucos anos de encontrarmos uma vaga assustadora de desemprego feminino porque os empresários e patrões que não querem merdas, preferirão simplesmente contratar gajos e evitar chatices como esta), que me pôs em riste. E se fossem uma e a mesma coisa? E se o avanço da nova procuradora não for apenas o fim do combate à corrupção, mas a chegada da justiça #MeToo a Portugal?

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Queixo torto, nariz curvado, rugas prematuras e cabelo curto: Deve ser feminista

Depois do heteropatriarcado, dos seguranças em discotecas onde o desconto patareca garante entradas gratuitas, dos assentos do metro e dos violadores de autocarro, o principal alvo do movimento feminista tem sido a justiça. Como um político sequioso, corrupto e desesperado (lá voltei a Sócrates), os feministas põe em causa cada decisão judicial, cada acórdão, cada impulso de apreciação jurídica que não obedece à sua tramitação, à sua leitura do mundo, e às suas regras. Implícito no titulo do evento está a visão de duas justiças: a Justiça Portuguesa e a Justiça MeToo.

O problema da Justiça MeToo não é só a injustiça (Pais em divórcio que perdem os filhos, maridos que perdem o ganha pão, jovens que perdem a liberdade, desportistas que perdem bolsas, pessoas que perdem as vidas) nem a perversa tentativa de submeter um pilar do Estado de Direito a uma corporativa minoritária, carente de mandato ou asseveração legitima e constitucional de poder popular – quem são estas putas para exigir a um magistrado que faça o que for?! Mas também a ideia de que a justiça corrente não é funcional: De que os juízes condenam menos os outros homens, de que os magistrados brancos deixam passar os crimes de brancos em branco, de que só um juíz paneleiro pode enrabar condenar um arguido paneleiro e toda a demais lengalenga das políticas identitárias. Subjacente está a ideia de que  todos os juízes brancos são racistas mesmo quando os juízes pretos são igualmente acirrados; todos os juízes homens são machistas mesmo quando o comportamento das magistradas é semelhante e discrepante da agenda feminista, ou pior, de que todos os juízes homens – porque são homens – têm o seu quê de violador.

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Brett Kavanaugh, nomeado por Donald Trump para o Supremo Tribunal Americano, está a ser acusado de violador

Esta narrativa também ignora que desde 2007 existam maior número de mulheres magistradas do que de homens magistrados e o seu número em absoluto esteja a decair desde 2005 e o seu número relativo esteja a decair desde, bem, sempre; descendo de 843 (2005) para 702 (2017) e de  82 % (1991) para 39.6 % (2017). Em cada 10 juízes, 6 são mulheres. A procuradora-geral é mulher. Fodasse. Estou sub-representado

A Justiça Portuguesa

A justiça é o terceiro pilar do Estado de Direito. Por ser benevolente é Feminina como Maat, a deusa egípcia cujo nome originou a palavra magistrado. Por ser imparcial é cega, apresentada com uma venda nos olhos que a impede de conhecer os protagonistas dos factos que está a julgar. Por necessitar de ponderar todos os elementos em jogo, é retratada com uma balança na mão como o arcanjo São Miguel, o justiceiro da mitologia judaica. Por ser implacável, porta uma espada na mão, destinada a aplicá-la impiedosamente sobre os faltosos. Sob a forma da deusa grega Têmis, Justitia, está presente na soleira de cada tribunal ocidental. Temo-la assim por benevolente, imparcial ponderada e implacável. E se não for?

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Personificação escultural da justiça

A justiça Portuguesa é demorada, inoperante e muitas vezes injusta. Mas terá, como afirma José Sócrates, uma agenda? Vamos assumir que sim. Vamos assumir, por exemplo, que tem uma agenda anti-masculina e que desfaz os homens na partilha da parentalidade depois dos processos de divórcio. Eu, homem, depois de um processo de divórcio onde a juíza decretou apenas poder passar dois dias semanais com os meus filhos, acredito que essa decisão foi toldada pelo sexo da juíza ou por uma agenda anti-masculina. Porque razão hei-de entregar os miúdos à mãe em vez de mandar o tribunal à bardamerda e fugir com eles para Singapura? Porque razão hei-de obedecer a uma justiça que sei, como diz Sócrates, que funciona contra mim?

Mas a justiça tem na verdade, e segundo o ex-líder, uma agenda de direita política, determinada em garantir o prestígio da Direita e prejudicar a reputação da Esquerda, nomeadamente na pessoa do próprio Sócrates, certo? Portanto, sendo munícipe dum concelho governado pelo PSD/CDS, presidido por um autarca profundamente corrupto, de nada me adianta apresentar queixa do executivo local pois a justiça não actua contra a Direita. Mais vale ir à câmara e fazer justiça com as minhas próprias mãos, certo?

Parabéns Zé Sócas. Acabaste de legitimar o justicialismo.

A Justiça #MeToo

Até agora preocupamos-nos com a justiça das redes sociais, do twitter que nos apaga a voz e do facebook que nos apaga da história como se de uma purga Stalinista se tratasse. Podemos estar perto de a sofrer nas mãos da justiça local, que nos entre pelas casas, pelos locais de trabalho, legitimados por uma procuradora-geral da república corrupta, sedenta de sinalizar virtude, para nos arrestar pelo que escrevemos num blog obscuro?

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Podemos acabar presos pelo que escrevemos num computador

Estas são as minhas preocupações, de quem não é militante do PSD/CDS nem, valha-me Deus, do PS ou de qualquer partido esquerdalha. As preocupações de que a nova PGR remeta para nós a violência e incisão que poupará ao, cá vem ele outra vez, Sócrates. Podia Marcelo nomear alguém que não despertasse, em mim, semelhantes preocupações? Claro que sim.

 

Nomeasse um gajo