Jordan Peterson em debate #1 – visionário ou falso profeta?

O debate, se lhe podemos chamar assim, foi lançado neste post, em que o leitor Ilo Stabet comentou:

Devo dizer de passagem, já que foi mencionado no post, que não sou adepto da interpretação psicológica/mítica que o JP faz da Bíblia. Acho que retira todo o poder às escrituras e coloca-as no mesmo plano que todas as outras tradições religiosas. No fundo o JP diz-nos que podemos aprender coisas com a Bíblia, mas as coisas que ele lá quer ver, podem ser vistas noutros sítios. E aquilo que só lá pode ser encontrado, não são mitos, nem predisposições psicológicas. A Bíblia é tanto um livro histórico como é filosófico, poético e legal e é impossível compreendê-lo retirando-lhe uma, ou várias, das suas dimensões.

Achei que devia mencionar isto, porque me exaspera a reverência com que o Jordan Peterson é tido, quando eu o considero, na melhor das hipóteses um intelectual banal e, na pior, uma voz que está a afastar vários jovens perdidos da Verdade, seja a da Bíblia, seja a da masculinidade.

O Patriarca, tendo seguido atentamente o Jordan Peterson nos últimos 2 anos, considera-o uma das vozes mais importantes da actualidade embora compreenda muitas das críticas que lhe são feitas – algumas válidas, outras decorrentes de uma má interpretação, intencional ou não, do que o homem está a dizer.

Neste sentido pareceu-lhe interessante discutir o caso com alguém que se lhe opõe não por uma histeria feminista/marxista, mas sim por motivos filosóficos e religiosos mais profundos. Ilo Stabet aceitou o desafio. Para facilitar a conversa, O Patriarca vai extraordinariamente deixar de se referir a si mesmo na terceira pessoa.

O PATRIARCA

Em primeiro lugar, uma pequena introdução à minha posição sobre o JP. Eu não sabia disto quando me comecei a interessar pelas suas conferências, mas ele, tal como eu, foi criado no seio de uma família religiosa, e durante a adolescência, confrontado com o conflito entre a ciência e perante a incapacidade de obter respostas satisfatórias a estas questões, afastou-se da religião.

Aqui é onde o JP e eu divergimos. Eu nunca mais fiz caso do assunto, enquanto ele dedicou a sua vida a buscar a origem do que ele chama significado, ou talvez mais correctamente, “significância” (Meaning). E isso trouxe-o de volta à religião, e à sua análise psicológica não só da tradição judaico-cristã, como de outras religiões como o Taoismo, as lendas mesopotâmicas, egípcias e eventualmente outras de que eu não tenha conhecimento.

A análise do JP à Bíblia torna-a, na minha opinião, “tragável” para alguém com um background científico forte. Essa é para mim a grande força da mensagem, e ao mesmo tempo para o Ilo, é algo criticável, porque A abordagem meramente psicológica que faz retira a veracidade e validade dos ensinamentos”.

Posso ser simplesmente um descrente condenado, mas não consigo, e estou acompanhado nisto por milhões de pessoas em todo o mundo, acreditar que Bíblia é “verdadeira”, pelo menos no sentido que a mente científica vê como “verdade”. No entanto, o argumento do JP é que há vários níveis (ou talvez melhor chamados “dimensões”) de “verdade” não necessariamente em contradição uns com os outros, antes coexistindo em eixos diferentes consoante o ponto de vista do qual a análise é feita. E neste caso, na dimensão científica – ou seja de medição, caracterização, registo, da realidade que designamos de “objectiva” – a Bíblia não é “verdadeira”, mas isso pouco interessa porque tão-pouco foi escrita com essa dimensão em mente. Já na dimensão psicológica / metafísica, que é o seu domínio efectivo, a Bíblia é não só verdadeira, é a maior verdade.

E esta pode ser a chave para trazer o Cristianismo para uma nova era, uma era em que as pessoas mais educadas não estão activamente contra a religião, mas sim dispostas a aceitá-la e a integrá-la nas suas vidas como algo que pode dar propósito à ciência e não como algo que é contradito pela ciência e atrasa o seu progresso.

ILO STABET

Começando com o primeiro ponto, conheço várias pessoas nessa situação – tendo crescido com a religião perderam a fé, ou o interesse, ou ambos. Da minha parte acabou por ser o contrário – fui educado de forma totalmente secular e para avaliar todas as coisas com racionalidade (algo que hoje considero ser pouco menos que abuso infantil, se me permitir ser hiperbólico – mas isso é outra questão). Para entender melhor o que queres dizer, tenho de perguntar qual foi o conflito que encontraste (e que o JP encontrou) entre ciência e religião, e quais eram as perguntas para as quais procuravam respostas e que eram incompatíveis com a religião. Para terminar este início, só para clarificar, suponho que tu tenhas sido educado na Igreja Católica Romana. O Jordan Peterson imagino que seja numa forma de protestantismo. Aí já há uma grande diferença de mundividências, sobretudo em relação à ciência.

Há várias razões para não compreender a compatibilidade psicológica e cosmológica da abordagem ‘tragável’ da Bíblia, e como tal não achar necessária. E não sendo necessária, só pode diminuir o seu entendimento. Em primeiro lugar, o que é um background científico forte? Lembro que o método científico nasceu no seio da Igreja, não na sociedade civil; lembro também que, até recentemente, uma boa parte, senão mesmo a maioria, dos cientistas eram religiosos e não olhavam para a Bíblia da forma metafórica/psicológica com que o JP olha. Ou seja, não havia qualquer contradição entre as duas coisas: o método científico e a Bíblia. Onde existe uma contradição é quando a Ciência (com C grande) deixa de ser somente um método de inquérito da realidade natural, mas passa a ser uma cosmovisão. Aí obviamente que vai haver uma contradição, pois procura-se no método científico (na biologia, no caso dos new atheists como o Dawkins, Hitchens, etc; ou na física, como Newton) um inquérito sobre metafísica. É como querer parir um rato de uma montanha. Ou como querer extrair investigações sobre a organização social das formigas da Bíblia. Uma coisa (a biologia ou a física) requer observação e teste, outra (a metafísica) requer instrospecção.

Passando ao ponto seguinte, o que é que a mente científica vê como verdade? A realidade observável? E o que é uma teoria verdadeira? É, como Popper, uma que seja falsificável? É que, se é assim, então tais asserções sobre a realidade também não são verdade. Não podemos observar a veracidade de uma asserção – podemos investigá-la racionalmente, mas não observar. E também a não podemos falsificar. Como tal, e sendo que não podemos observar ou falsificar a asserção de que ‘a verdade é somente aquilo que é observável, testável e falsificável’, então temos de admitir que essa asserção falha nos seus próprios termos. Ou seja, para tomarmos essa posição, temos de assumir previamente que existem asserções que não dependem de observação, teste e falsificação. E como tal, temos de avaliar o conceito de verdade nos termos metafísicos, não físicos.

Pela descrição das várias ‘dimensões’ de verdade que fizeste, parece-me que mesmo o JP vê uma hierarquia, ou uma primazia, do ‘observável’ sobre o ‘metafísico’ – quando, como expliquei acima, é erróneo conceber o mundo assim. Não há várias dimensões de verdade, há diferentes métodos de a conhecer. Como tal, discordo que seja necessário trazer o Cristianismo para uma nova era – na verdade, essa nova era é pautada por essa dialéctica errónea entre ‘verdades’ e é o status quo que temos hoje – a Cientifica (com C grande) e a outra. Pelo contrário, é preciso ressuscitar uma mundividência coerente que não contraponha o método científico à metafísica, e que acabe de vez com a falsa dialéctica entre pessoas ‘educadas’ (isto é, que entendem a Bíblia apenas como metáfora) e os idiotas comuns que nada entendem sobre o mundo onde vivem. Também necessário é destruir esta noção de progresso, científico e tecnológico, como se fosse sempre bom. Para se apurar os seus benefícios, não podemos usar o método científico – pois só nos diz como, nunca o porquê. Não é tanto uma questão da metafísica ‘dar propósito’ à ciência, mas sim de entender que, sem a metafísica não é possível sequer haver ciência (o paradoxo da posição mencionada acima): a investigação científica pressupõe uma ordem física no mundo, regularidade (caso contrário nunca poderíamos confiar nos testes) e como tal é necessário determinar de onde vem essa ordem. E como expliquei, é impossível (por ser contraditório) fazê-lo usando o mesmo método que se quer provar, pela observação, mas só é possível fazê-lo através da introspecção, do uso da razão, identificando as premissas apodícticas.

Para terminar este primeiro round, diria que a popularidade de um intelectual como o JP, que considero banal, é um sinal da primazia desta falsa mundividência ‘científica’ e da sua falência ao fim de 200 anos . Muita gente se está a aperceber dos efeitos do vazio metafísico em que o Ocidente tem vivido desde que o pensamento empírico escocês e o materialismo suplantaram o idealismo germânico em termos de framework, e de que se começa a procurar uma fundação distinta novamente. Infelizmente, o compromisso do JP não é suficiente, é apenas uma variação da fundação infundada do cientismo. No fundo, é o mesmo que dizer que as fábulas para crianças têm ‘ensinamentos’ verdadeiros, mas não são Verdade – uma parte da afirmação é correcta, a outra é incorrecta.

A maioria das pessoas, conseguindo ver os efeitos da ausência de fundação metafísica, não consegue ver a causa (o vazio metafísico) – incidentalmente já escrevi um texto sobre isto no meu blog, que pelo menos em parte é relevante para a minha posição sobre esta questão – e como tal, não sabe onde ir buscar a solução. Daí aquele meme: «Cientistas descobriram que 95% das pessoas acreditam em qualquer artigo que comece com ‘cientistas descobriram’». No fundo, na mentalidade do homem comum, incapaz de pensar sobre estes assuntos, substituiu-se o padre pelo cientista. Mas a crença continua na base da fé. Isto nunca vai mudar. Só muda aquilo em que se coloca a fé.

Por tudo isto, considero não só que o JP está errado, mas que é mais do mesmo. No entanto, tenho de admitir que pelo menos serve para que se iniciem conversas como esta. E como tal, já não é inútil.

O PATRIARCA

Sim, Igreja Católica Romana.

Exactamente, o método científico nasceu no seio da Igreja. Aliás, a insistência da Bíblia na verdade pode ter sido o que permitiu esse nascimento. O “problema” é que a ciência ensina a questionar tudo.

Talvez não seja fácil, mas põe-te na perspectiva de um não crente. És uma criança que vai aos poucos aprendendo a diferença entre fantasia e realidade (Pai Natal, o Super-Homem etc). E ao mesmo tempo estão a ensinar-te uma narrativa que tem mais em comum com as habilidades fantásticas dos X-Men ou do Dragonball do que com a realidade que conheces. Deus mandou-te construir um barco? A sério? Mandaste abrir o Mar Vermelho? Mesmo? Depois aprendes mais coisas. Evolução, como nós descendemos dos macacos, e como isso entra em conflito com a história do Adão e Eva. Ok, em algum momento dizem-nos que são alegorias, não é para ser tudo levado à letra. Mas então qual é, exactamente, a diferença entre a Bíblia e as Tartarugas Ninja?

Honestamente, o que me surpreende é que haja pessoas que mantêm a fé mesmo depois de serem expostas a isto tudo. Na minha arrogância adolescente, achava que essas pessoas eram burras / ingénuas, e isso prolongou-se para a idade adulta até há relativamente pouco tempo.

Pequeno aparte / pergunta, só para me esclarecer – Tu acreditas LITERALMENTE em tudo o que está na Bíblia?

Pelo que dizes vou assumir que sim, e aí está um problema com que as pessoas como eu se deparam – a que tu provavelmente chamarás “falta de fé”.

Então aqui temos duas possíveis abordagens por parte de quem professa esta religião. Por um lado, podes dizer “quem não tem fé e não aceita as escrituras sem alguma interrogação/cepticismo, que se lixe”. Pode ser esse o caminho que os “verdadeiros fiéis”, chamemos-lhes assim, queiram seguir. Talvez seja por isso também que temos tantas “marcas” de cristianismo.

Mas por outro lado, podes querer conseguir passar a mensagem ao maior número de pessoas. Afinal de contas, quem acredita que o cristianismo ensina o caminho mais correcto para ter uma existência “boa” (o que quer que isso signifique), quererá estar rodeada de outros que professem a mesma fé, seja lá de que maneira for que lá cheguem.

Mais um aparte – dada a tua educação, como foi o teu caminho para a religão?

ILO STABET

Concordo que primeiro tiremos esta questão do caminho antes de seguir para o JP.

«a ciência ensina a questionar tudo.»

Se “a ciência” ensina a questionar tudo, então podemos e devemos questioná-la. e questionando-a no seu próprio parâmetro de validade, não é infalível – não é um método aplicável a toda a realidade.

«Depois aprendes mais coisas. Evolução, como nós descendemos dos macacos, e como isso entra em conflito com a história do Adão e Eva.»

Consigo colocar-me no lugar de um não crente, porque já lá estive. diria que metade da minha vida, incluindo uma parte em que era crente em Deus, considerava isso como um dado adquirido, é simplesmente uma coisa que não se questiona. E que a Bíblia é que tem de ‘encaixar’ na “ciência” sempre que se pensa nas duas ao mesmo tempo. daí a incapacidade de ver a Bíblia como algo distinto da “ciência” mas também das histórias da carochinha; e o suave desdém, mesmo que sem mácula, pela capacidade cognitiva ou até sanidade de quem é crente em Deus.

O meu principal argumento contra a ideologia do ateísmo, é que não existe ateísmo. Todos os seres humanos têm um centro de confiança epistémico, uma base de premissas sobre a realidade, que lhes permitem entender o mundo. E em última instância essas premissas não são testadas pelo método científico. Por isso, em termos epistemológicos, a explicação cosmológica da Bíblia e a do darwinismo, têm o mesmo valor.

Segundo o próprio método científico, a única forma de saber alguma coisa com certeza é testá-la nós mesmos. A alternativa a saber com certeza através do teste, é crer na palavra de outrem – por exemplo, de biólogos, arqueólogos, etc. Ou seja, a segunda hipótese baseia-se em grande parte em fé – pode ser uma fé com justificações (‘os cientistas têm acreditações académicas, artigos publicados em importantes jornais’, etc), mas continua em última instância a falhar no parâmetro único do método científico para determinar a verdade: é uma crença sem base no teste. Tal como a sua premissa, que não podendo ser testada (como se testa uma proposição no mundo físico?), tem de também ser baseada em fé em algo fora do método científico (a razão, por exemplo).

«Mas então qual é, exactamente, a diferença entre a Bíblia e as Tartarugas Ninja?»

Concordo completamente que é impossível racionalmente manter uma dicotomia de defender a primazia do darwinismo e ver no Génesis como metáfora, sem transformar a Bíblia inteira numa história de carochinha sem mais valor do que as fábulas de uma tribo qualquer em África. Por isso abandonei essa posição, porque não podem ambos ser verdade.

«Tu acreditas LITERALMENTE em tudo o que está na Bíblia?»

Acredito na veracidade histórica da Bíblia – isto é, os eventos descritos são reais (a Criação, Moisés, etc). Mas a Bíblia foi escrita por homens, e por vezes usando linguagem poética – pois muitas coisas descritas estão para além da nossa capacidade de compreender e descrever em termos terrenos. Foi uma perda para a humanidade quando a linguagem poética foi expurgada dos textos científicos – veja-se manuais de biologia ou geologia do século XVIII e os do século XX, por exemplo.

Certas coisas podem e devem ser lidas como metáfora. quando se diz que Deus ‘desceu para dispersar as nações’ (na Torre de Babel), Deus não ‘desce’ propriamente dito, e é difícil compreender o que descer quer dizer literalmente neste caso. É uma força de expressão que permite entender rapidamente o ponto fulcral da história que decorreu dos eventos descritos. E quanto a entender a Criação, é algo que eu acredito ser impenetrável excepto por Revelação – não só a linguagem usada é necessariamente insuficiente para capturar algo tão primordial, mas nós, sendo parte do universo criado, nunca poderemos fazer mais do que olhar de dentro para fora. Para vermos de fora para dentro, temos de confiar na perspectiva de quem lá está se esta nos for revelada. E eu acredito que foi.

Mas repito o que disse acima: a maioria das pessoas acredita no darwinismo por revelação – não divina, mas humana.

«falta de fé»

Definiria apenas como falta de fé nesta explicação em particular, pois como apontei acima, a posição dos darwinistas é, também ela, fundada em fé.

Quanto à questão de se ser intransigente ou aberto a outras interpretações, acho que o problema não tanto como se ‘chega lá’, mas onde é que se quer chegar. Apontar numa direcção genérica pode ser bom até certo ponto, mas eventualmente leva ao destino errado. Se eu estiver em Lisboa e quiser ir para Braga posso ir na direcção do Porto, mas se depois não me orientar que tenho de mudar ligeiramente de direção, lá vou parar ao Porto em vez de Braga. Penso que aqui se passa o mesmo, o JP pode estar a despertar algum interesse pelas escrituras em pessoas que antes a não tinham e isso é bom, mas a meu ver não está a fazê-lo sem imprimir a sua própria visão mitológica-metafórica e, possivelmente, contribuir para o mesmo problema com que começámos – o perenialismo/”sou espiritual mas não religioso”/encaixar a Bíblia no darwinismo. Diria que uma boa parte dos Católicos Romanos em Portugal são-no apenas em nome – não só a Igreja deixou em grande parte de exigir padrões de conduta nas vidas das pessoas, mas mesmo exigindo, ninguém a ouve. A maior parte dos Católicos Romanos que conheço adoram o Papa pelo facto de ele ser tão aberto, tolerante e deixar as pessoas “em paz”. E na questão mais filosófica, provavelmente concordam mais contigo do que comigo.

Por fim, é difícil de dizer quando passei a acreditar no que acredito. Foi por fases, e não digo que venha a mudar de ideias pelo menos em parte, ou em pormenores. Comecei a ler a Bíblia por volta dos 12 ou 13, não tirei grande conclusão, mas quis ler porque sabia ser um texto fundacional da nossa civilização. Aos 16 diria que foi quando comecei a, conscientemente, acreditar em Deus, e em específico no Deus de Abraão. Comecei a ler sobre as várias tradições para poder escolher uma. Rapidamente fiquei só com o Judaísmo e o Cristianismo. E eventualmente, por mais leituras, fiquei só com o Cristianismo. Só quando houve esta decisão é que abandonei definitivamente a ideia da ‘bíblia metafórica’ e comecei a questionar o darwinismo. Depois tratou-se de investigar e descobrir qual a ‘marca’ (como disseste) de Cristianismo que considerava a certa, e a decisão definitiva sobre isto é bem mais recente.

O PATRIARCA

Ok, acho que já percebi mais ou menos.

O que começo a concluir é que a tua posição é mais aproximada à do JP do que tu pensas. Em particular este parágrafo:

“O meu principal argumento contra a ideologia do ateísmo, é que não existe ateísmo. Todos os seres humanos têm um centro de confiança epistémico, uma base de premissas sobre a realidade, que lhes permitem entender o mundo. E em última instância essas premissas não são testadas pelo método científico. Por isso, em termos epistemológicos, a explicação cosmológica da Bíblia e a do darwinismo, têm o mesmo valor.

Segundo o próprio método científico, a única forma de saber alguma coisa com certeza é testá-la nós mesmos. A alternativa a saber com certeza através do teste, é crer na palavra de outrem – por exemplo, de biólogos, arqueólogos, etc. Ou seja, a segunda hipótese baseia-se em grande parte em fé – pode ser uma fé com justificações (‘os cientistas têm acreditações académicas, artigos publicados em importantes jornais’, etc), mas continua em última instância a falhar no parâmetro único do método científico para determinar a verdade: é uma crença sem base no teste. Tal como a sua premissa, que não podendo ser testada (como se testa uma proposição no mundo físico?), tem de também ser baseada em fé em algo fora do método científico (a razão, por exemplo).”,

Poderia ter sido escrito pelo próprio. “Os ateus não acreditam que Deus existe; eu não acredito que o ateísmo existe” é uma frase que ele repete frequentemente.

Portanto concluo que, de facto, o grande posto de clivagem será que tu não acreditas no valor de procurar pontos de encontro entre a visão científica e a religiosa, enquanto que ele acabou por dedicar grande parte da sua actividade académica precisamente a tentar perceber porque é que surgiam as crenças religiosas e porque é que as “verdades” religiosas podem ser simultaneamente metafóricas e “verdadeiras” no sentido a que chamamos “objectivo”.

Não posso concordar que a ciência dependa de fé – a não ser que estejas a dizer que é necessário fé para acreditar que a nossa existência e o que podemos observar é real. Não acho que seja o caso – a nossa existência é auto-evidentemente real e só quando começas a tecer análises mais profundas e metafísicas é que isso é posto em causa. Ok, grosso modo tens de ter alguma fé no sistema, mas para isso é que tens a revisão de pares. Podes ter erros e patranhas, mais cedo ou mais tarde o joio é encontrado e deitado fora. Mas é uma discussão relativamente irrelevante para a maioria das pessoas que habitam este planeta. Felizmente não precisas de te atirar de um prédio para saber quais são os efeitos da desaceleração súbita no corpo humano, podes aprender com as experiências (e os erros) de outros. Grosso modo, se um fenómeno é mensurável e replicável, então é real aos olhos da ciência até melhor evidência surgir, e estar a discutir isto é na minha opinião um desvio relativamente ao cerne da questão.

Então e porquê tentar misturar tudo? Porque não o fazer trouxe-nos até ao ponto em que estamos hoje. Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas às sociedades ocidentais, é nestas que se vive melhor, e não acho que seja uma coisa que possa ser relativizada. O mundo ocidental é (exceptuando algumas sociedades asiáticas) onde podes ter a mais razoável expectativa de não estar morto ou em sofrimento amanhã. É uma melhor base para tentar edificar (ou restaurar) uma sociedade com bons princípios, do que uma pilha de cadáveres de malária. E é um paradigma que esteve à beira da aniquilação (mútua) no confronto com o bloco soviético, e está novamente sob ataque, desta vez ensanduichado entre as formas modernas de marxismo (que também é uma religião) e o mundo islâmico.

Portanto, neste momento estás efectivamente em luta com duas outras religiões, ainda por cima com pretensões totalitárias – e estás a perder, porque a tua é a única que está inserida num paradigma que permite que se questionem os seus próprios princípios.

Talvez a única saída seja o que discutimos no post Resiliência, mas isso é para mim uma perspectiva derrotista que eu prefiro não ter. Prefiro pensar como é que podemos recuperar os nossos valores sem perder tudo o que se construiu até aqui. Não creio que seja possível voltar atrás, aos tempos em que a Bíblia era para ser aceite por toda a gente sem questão e o conhecimento a ser entregue na missa por gente específica designada. Nietzsche escreveu sobre isto quando proclamou a morte de Deus, e não foi uma declaração triunfante, antes preocupada – o que é que fazemos agora? Ensinaste as pessoas a pensar, e agora tudo é posto em dúvida. Mesmo que toda a gente fosse obrigada a ir à igreja, tens tantos meios hoje em dia por onde as pessoas se podem expôr a informação, que ou a tua mensagem é a mais forte ou dificilmente passa. Aliás, como aparte, não é por acaso que tanto o marxismo como o islão censuram fortemente os meios de comunicação.

E atenção, “mais forte” não significa “mais fácil” ou “mais agradável”, aliás partilho completamente a tua crítica de que a Igreja deixou de exigir padrões de conduta nas vidas das pessoas. As pessoas podem “adorar” o Papa porreiro, mas na verdade vão à procura de alguém que lhes diga o que fazer, que é precisamente o que encontram no marxismo (luta contra os opressores) e no islão (rebenta com os infiéis). E neste contexto surge o JP, a dizer às pessoas o que fazer. Ou melhor, a relembrar que a Bíblia já tinha lá bem delineadinho o que devem fazer. E MUITA gente estava desesperada por esta mensagem, daí a sua ascensão meteórica.

No mundo ocidental actual já não podes obrigar as pessoas a aceitar a mensagem à força como antigamente. Ou melhor, podes, mas aí já deixas de estar no mundo ocidental actual e passas a estar numa ditadura religiosa. Portanto a única hipótese, na minha opinião é fortalecer a mensagem em vários níveis de análise, para poder dar resposta a toda a gente, desde os que só querem um código para seguir e o aceitam sem grandes reservas, até os que querem questionar tudo incluindo a própria existência e são suficientemente sofisiticados e articulados para fazer cair todos os argumentos pobremente formulados. Não se trata de encaixar a Bíblia no Darwinismo ou vice versa. Antes entrelaçar onde houver pontos de contacto, para que nosso melhor conhecimento científico possa mais facilmente ser guiado pelos princípios morais que tornaram possível a civilização que o produziu.

O Darwinismo pode e deve ser questionado, ainda há muitas lacunas por preencher. Mas é o melhor que temos até agora.

O teu exemplo da viagem Lisboa – Braga é muito interessante, capta muito bem o âmago da questão. Podes chegar lá pelo Porto. Podes ir por Castelo Branco. Podes até ir por Faro, vais dar uma grande volta desnecessária mas se tiveres combustível suficiente (ou apanhares um avião)… Como garantidamente não chegas, é não saindo de Lisboa.

ILO STABET

«Portanto concluo que, de facto, o grande posto de clivagem será que tu não acreditas no valor de procurar pontos de encontro entre a visão científica e a religiosa, enquanto que ele acabou por dedicar grande parte da sua actividade académica precisamente a tentar perceber porque é que surgiam as crenças religiosas e porque é que as “verdades” religiosas podem ser simultaneamente metafóricas e “verdadeiras” no sentido a que chamamos “objectivo”.»

Eu não diria que não existe valor em fazê-lo – até certo ponto é positivo pois ajuda alguns homens que previamente não teriam interesse nenhum em religião, em investigar por si mesmos, e inclusivamente a ter discussões como esta, e como tu disseste, levou a que deixasses de achar que todas as pessoas religiosas eram burras. O meu problema com a abordagem do JP nesta questão particular é que ele próprio trata a questão sob a assumpção de que a matéria religiosa é metafórica e tenta ‘inserir’ a verdade nesse paradigma; e por essa razão, trata toda a religião da mesma forma, não avaliando a verdade da mentira, mas a ‘utilidade’ e a ‘adaptabilidade’ (por exemplo, o Cristianismo é bom, não por ser intrinsecamente verdade, mas porque permitiu aos europeus elevarem-se acima do paganismo e/ou barbarismo; e valoriza-o porque é a religião dos seus antepassados, não por ser verdade – ou seja, é outra forma de ‘idolatria dos antepassados’, i.e., paganismo).

«Não posso concordar que a ciência dependa de fé – a não ser que estejas a dizer que é necessário fé para acreditar que a nossa existência e o que podemos observar é real.»

O que estava a tentar dizer era que a “ciência” enquanto conceito monolítico, que a meu ver não existe fora da cabeça das pessoas, necessita da fé – pois a sua base epistemológica não pode ser provada nos seus próprios parâmetros (o paradoxo que apontei). Não acho que seja necessário fé para saber que existimos – é, como disseste, auto-evidente. Só pode mesmo ser posto em causa por, como diria o JP, pós-modernistas que pretendem desconstruir tudo, faça ou não sentido – a sua descontrução, obviamente, depende de existir ordem e regularidade no universo, algo que não conseguem justificar ou explicar dentro dos seus próprios parâmetros. Mas nesse ponto estão no mesmo patamar dos ateus e pagãos.

Quando disse que necessitava de fé, não queria dizer mais do que disse. Se a certeza sobre algo só pode ser baseada no teste, e visto que a maioria daquilo que damos como certo não é testado por nós, então é fundado na fé – geralmente de pessoas que consideramos especialistas.

Não acho que a questão epistemológica da mundividência ‘científica’ (considerada como o conceito monolítico, não como método) seja irrelevante, pois a rejeição da Revelação é feita a partir dessa mundividência. E dado que a utilização do método científico para testar proposições metafísicas é impossível então a posição dos arautos do cientismo é comprovadamente contraditória, como eu expus anteriormente. O que significa que a crença no cientismo é, na melhor das hipóteses, epistemologicamente equivalente à crença na Revelação – com a diferença que, a mundividência Cristã não esconde o facto de que a sua mundividência tem uma origem inacessível em última instância. Os defensores do ‘cientismo’ dizem que é acessível – mas não o conseguem provar.

«Apesar de todas as críticas que possam ser apontadas às sociedades ocidentais, é nestas que se vive melhor, e não acho que seja uma coisa que possa ser relativizada. O mundo ocidental é (exceptuando algumas sociedades asiátias) onde podes ter a mais razoável expectativa de não estar morto ou em sofrimento amanhã. É uma melhor base para tentar edificar (ou restaurar) uma sociedade com bons princípios, do que uma pilha de cadáveres de malária. E é um paradigma que esteve à beira da aniquilação (mútua) no confronto com o bloco soviético, e está novamente sob ataque, desta vez ensanduichado entre as formas modernas de marxismo (que também é uma religião) e o mundo islâmico.»

Acho que discordamos ligeiramente aqui também, não no sentido de as sociedades ocidentais e norte-asiáticas pós-industriais providenciarem um nível de vida material vastamente superior aos outros modelos. Mas não considero que seja a melhor (ou sequer uma boa) base para edificar uma sociedade com bons princípios. Se alguma coisa, a sociedade industrial e pós-industrial é um dos veículos pelo qual se destrói a moralidade, coesão social e, como vemos hoje, capacidade de sobrevivência de um povo. Do meu ponto de vista evitar o sofrimento não é um objectivo em si mesmo. Pelo contrário, precisamos de sofrer, sobretudo quando toda a nossa existência roda à volta da procura de conforto e prazer. A civilização que os nossos antepassados construíram já morreu e a nossa raça está a morrer em grande parte devido ao torpor induzido pela tecnologia. É uma ‘faca de dois legumes’, como diria o poeta. Já escrevi uns textos sobre isto no blog, pois a meu ver a ameaça do capitalismo liberal e do progresso tecnológico é muito maior do que a do Islamismo ou do (erroneamente chamado) ‘marxismo cultural’ (MC) – o ponto principal é que os objectivos dos MCs só podem ser concretizados em sociedades pós-industriais e em regimes capitalistas liberais, não em regimes comunistas.

«Portanto, neste momento estás efectivamente em luta com duas outras religiões, ainda por cima com pretensões totalitárias – e estás a perder, porque a tua é a única que está inserida num paradigma que permite que se questionem os seus próprios princípios.»

Como disse acima, acho que estamos em luta contra várias coisas, mas acho que muita gente ataca os sintomas (Islão, SJWs) em vez da doença (concepção iluminista, que leva ao capitalismo, ao socialismo, ao desenvolvimento tecnológico desenfreado, à apatia, ao hedonismo). A razão porque sei que são sintomas em vez da doença é porque a Bíblia tem inúmeros exemplos de sintomas equivalentes (no tempo deles), mas a doença continua a mesma, vai reaparecendo, apenas as manifestações têm outros nomes e cores.

«Talvez a única saída seja o que discutimos no post Resiliência, mas isso é para mim uma perspectiva derrotista que eu prefiro não ter. Prefiro pensar como é que podemos recuperar os nossos valores sem perder tudo o que se construiu até aqui. Não creio que seja possível voltar atrás, aos tempos em que a Bíblia era para ser aceite por toda a gente sem questão e o conhecimento a ser entregue na missa por gente específica designada. Nietzsche escreveu sobre isto quando proclamou a morte de Deus, e não foi uma declaração triunfante, antes preocupada – o que é que fazemos agora? Ensinaste as pessoas a pensar, e agora tudo é posto em dúvida. Mesmo que toda a gente fosse obrigada a ir à igreja, tens tantos meios hoje em dia por onde as pessoas se podem expôr a informação, que ou a tua mensagem é a mais forte ou dificilmente passa. Aliás, como aparte, não é por acaso que tanto o marxismo como o islão censuram fortemente os meios de comunicação.»

Não sei se é derrotista ou não, mas estou convencido que haverá um colapso social, e que as pessoas que se prepararam para isso através da formação de comunidades semi-autonomas, com organização patriarcal e hierárquica, serão as com melhor oportunidade de sobreviver. Tudo o que li até hoje me diz que, quando uma civilização entra na fase em que a nossa está, não é possível recuperar. Vai abaixo, e depois reconstrói-se. Porque a fundação (o Cristianismo) foi deitada abaixo e pôr remendos nas janelas e no telhado é irrelevante quando as fundações da casa foram destruídas.

Quanto ao ‘o conhecimento era entregue na missa por gente específica’, a única diferença em relação aos nossos tempos é que a missa é outra (a escola, a televisão, as redes sociais), os padres são outros (os cientistas, os intelectuais, os políticos, os jornalistas), e o “conhecimento” é outro (em grande parte, mentiras ou deturpações). Mas nunca vais conseguir alterar o facto de que a maior parte das pessoas não vai investigar nada por elas mesmas, e que tudo aquilo em que acreditam é simplesmente transmitido através de outras pessoas que consideram ‘autoridades’ na questão.

«E MUITA gente estava desesperada por esta mensagem, daí a sua ascensão meteórica.»

Espero que isso seja verdade. No entanto, acho que existe uma diferença de exigência entre ‘arruma o teu quarto’ e ‘segue a Lei divina’. Não sei se a maioria dos seguidores do JP vai passar a adorar (no sentido de ‘worship’) Deus da mesma forma que adoram o JP.

«No mundo ocidental actual já não podes obrigar as pessoas a aceitar a mensagem à força como antigamente. Ou melhor, podes, mas aí já deixas de estar no mundo ocidental actual e passas a estar numa ditadura religiosa.»

Nós vivemos em ditadura religiosa – aliás, não há outro sistema possível. Há aquela célebre frase que diz que ‘o maior truque do Diabo foi convencer as pessoas que não existia’. Similarmente, eu digo que o maior truque da democracia secular é convencer as pessoas que não vivem em ditadura religiosa. As diferenças, no entanto, são só cosméticas, e sobre que religião é aplicada legalmente.

«Portanto a única hipótese, na minha opinião é fortalecer a mensagem em vários níveis de análise, para poder dar resposta a toda a gente, desde os que só querem um código para seguir e o aceitam sem grandes reservas, até os que querem questionar tudo incluindo a própria existência e são suficientemente sofisiticados e articulados para fazer cair todos os argumentos pobremente formulados. Não se trata de encaixar a Bíblia no Darwinismo ou vice versa. Antes entrelaçar onde houver pontos de contacto, para que nosso melhor conhecimento científico possa mais facilmente ser guiado pelos princípios morais que tornaram possível a civilização que o produziu.»

Com isto não tenho problemas.

«O teu exemplo da viagem Lisboa – Braga é muito interessante, capta muito bem o âmago da questão. Podes chegar lá pelo Porto. Podes ir por Castelo Branco. Podes até ir por Faro, vais dar uma grande volta desnecessária mas se tiveres combustível suficiente (ou apanhares um avião)… Como garantidamente não chegas, é não saindo de Lisboa.»

Bom remate para a questão. E percebo o que queres dizer. Lá está, a minha objecção maior é que com a abordagem do JP seja muito fácil perderes-te no caminho.


Uma discussão bastante interssante e que nesta altura já se fazia bastante longa, parecendo a’O Patriarca uma boa altura para fazer uma pausa e publicar esta primeira parte.

Entretanto foi publicada esta semana a versão em Português de “12 Rules for Life”, pelo que o timing é excelente.

O Patriarca já leu o livro e recomenda-o vivamente. Este capítulo publicado no Observador mostra no entanto que a tradução é atroz. Provavelmente foi feita à pressa para capitalizar na popularidade. Mas a mensagem é suficientemente forte para merecer a leitura.

#MeToo Em Portugal

“Em política, o que parece é” – António Ferro

Não é Lucília Gago, a amiga pessoal de José Sócrates que com ele surge numa fotografia publicada nas redes sociais, o foco das minhas preocupações. Afinal, não sendo membro da família Espírito Santo, não integrando o circulo pessoal das pessoas que espatifaram o país, a nomeação da nova procuradora-geral da república devia passar-me completamente ao lado. Certo? Errado. Porque depois de 6 anos focando o ministério público no combate à corrupção, doa a quem doer, nomeia-se uma procuradora cujo foque profissional foi “o direito da família” e da “protecção de menores”. Nós sabemos o que isso quer dizer.

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Lucília Gago é amiga pessoal de José Sócrates

No Centro de Estudos Judiciais, Gago leccionava sobre direito de família e menores. Foi convocada pelo governo a dar parecer sobre a alteração legislativa dos regimes jurídicos de adopção que permitia à paneleiragem violar adoptar crianças. Nesse contexto profissional, assinou um livro intitulado ““Violência Doméstica – Implicações sociológicas, psicológicas e jurídicas do fenómeno”. A Violência Doméstica que se tornou crime no código penal de 1982, foi-se gradualmente tornando mais abstracta com as revisões propostas pelos Socialistas em 1995, 1998 e 2000. Já o crime era público quando em 2007, as relações de namoro (?) passam a estar sujeitas a apreciações de natureza criminal. Quem foi o proponente? O amigo da Lucília, o Socialista José Sócrates. Sei que soa a circular. É.

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A namorada de José Sócrates aplaude a substituição da PGR

Fernanda Câncio, a putona mais detestada pel’A Távola Redonda, celebrou a nomeação provavelmente numa das suas sessões de cocaína e sexo agressivo com os miúdos menores com que encornava o ex-primeiro ministro. Sim, evidencia-se a circularidade, porque também ela (entre outras) mamava a picha do dirigente Beirão. Mas não se trata de ilibar o engenheiro falseado, pois a escolha de Lucília Gago pode implicar mais. Muito mais.

Justiça Machista não é Justiça

É o titulo de um evento organizado para contestar uma decisão de um qualquer magistrado nortenho. Provavelmente a decisão é boa e provavelmente o crime não aconteceu. Não foi o evento, mas o artigo de Isabel Moreira uma deputada omnipresente nas redes sociais e em tudo quanto é lugarejo fétido que em vez de comentar o momento político mais relevante dos últimos meses, preferiu escrever sobre a não-existência do assédio sexual que há muito – muito – devia estar legalizado (Estamos a poucos anos de encontrarmos uma vaga assustadora de desemprego feminino porque os empresários e patrões que não querem merdas, preferirão simplesmente contratar gajos e evitar chatices como esta), que me pôs em riste. E se fossem uma e a mesma coisa? E se o avanço da nova procuradora não for apenas o fim do combate à corrupção, mas a chegada da justiça #MeToo a Portugal?

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Queixo torto, nariz curvado, rugas prematuras e cabelo curto: Deve ser feminista

Depois do heteropatriarcado, dos seguranças em discotecas onde o desconto patareca garante entradas gratuitas, dos assentos do metro e dos violadores de autocarro, o principal alvo do movimento feminista tem sido a justiça. Como um político sequioso, corrupto e desesperado (lá voltei a Sócrates), os feministas põe em causa cada decisão judicial, cada acórdão, cada impulso de apreciação jurídica que não obedece à sua tramitação, à sua leitura do mundo, e às suas regras. Implícito no titulo do evento está a visão de duas justiças: a Justiça Portuguesa e a Justiça MeToo.

O problema da Justiça MeToo não é só a injustiça (Pais em divórcio que perdem os filhos, maridos que perdem o ganha pão, jovens que perdem a liberdade, desportistas que perdem bolsas, pessoas que perdem as vidas) nem a perversa tentativa de submeter um pilar do Estado de Direito a uma corporativa minoritária, carente de mandato ou asseveração legitima e constitucional de poder popular – quem são estas putas para exigir a um magistrado que faça o que for?! Mas também a ideia de que a justiça corrente não é funcional: De que os juízes condenam menos os outros homens, de que os magistrados brancos deixam passar os crimes de brancos em branco, de que só um juíz paneleiro pode enrabar condenar um arguido paneleiro e toda a demais lengalenga das políticas identitárias. Subjacente está a ideia de que  todos os juízes brancos são racistas mesmo quando os juízes pretos são igualmente acirrados; todos os juízes homens são machistas mesmo quando o comportamento das magistradas é semelhante e discrepante da agenda feminista, ou pior, de que todos os juízes homens – porque são homens – têm o seu quê de violador.

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Brett Kavanaugh, nomeado por Donald Trump para o Supremo Tribunal Americano, está a ser acusado de violador

Esta narrativa também ignora que desde 2007 existam maior número de mulheres magistradas do que de homens magistrados e o seu número em absoluto esteja a decair desde 2005 e o seu número relativo esteja a decair desde, bem, sempre; descendo de 843 (2005) para 702 (2017) e de  82 % (1991) para 39.6 % (2017). Em cada 10 juízes, 6 são mulheres. A procuradora-geral é mulher. Fodasse. Estou sub-representado

A Justiça Portuguesa

A justiça é o terceiro pilar do Estado de Direito. Por ser benevolente é Feminina como Maat, a deusa egípcia cujo nome originou a palavra magistrado. Por ser imparcial é cega, apresentada com uma venda nos olhos que a impede de conhecer os protagonistas dos factos que está a julgar. Por necessitar de ponderar todos os elementos em jogo, é retratada com uma balança na mão como o arcanjo São Miguel, o justiceiro da mitologia judaica. Por ser implacável, porta uma espada na mão, destinada a aplicá-la impiedosamente sobre os faltosos. Sob a forma da deusa grega Têmis, Justitia, está presente na soleira de cada tribunal ocidental. Temo-la assim por benevolente, imparcial ponderada e implacável. E se não for?

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Personificação escultural da justiça

A justiça Portuguesa é demorada, inoperante e muitas vezes injusta. Mas terá, como afirma José Sócrates, uma agenda? Vamos assumir que sim. Vamos assumir, por exemplo, que tem uma agenda anti-masculina e que desfaz os homens na partilha da parentalidade depois dos processos de divórcio. Eu, homem, depois de um processo de divórcio onde a juíza decretou apenas poder passar dois dias semanais com os meus filhos, acredito que essa decisão foi toldada pelo sexo da juíza ou por uma agenda anti-masculina. Porque razão hei-de entregar os miúdos à mãe em vez de mandar o tribunal à bardamerda e fugir com eles para Singapura? Porque razão hei-de obedecer a uma justiça que sei, como diz Sócrates, que funciona contra mim?

Mas a justiça tem na verdade, e segundo o ex-líder, uma agenda de direita política, determinada em garantir o prestígio da Direita e prejudicar a reputação da Esquerda, nomeadamente na pessoa do próprio Sócrates, certo? Portanto, sendo munícipe dum concelho governado pelo PSD/CDS, presidido por um autarca profundamente corrupto, de nada me adianta apresentar queixa do executivo local pois a justiça não actua contra a Direita. Mais vale ir à câmara e fazer justiça com as minhas próprias mãos, certo?

Parabéns Zé Sócas. Acabaste de legitimar o justicialismo.

A Justiça #MeToo

Até agora preocupamos-nos com a justiça das redes sociais, do twitter que nos apaga a voz e do facebook que nos apaga da história como se de uma purga Stalinista se tratasse. Podemos estar perto de a sofrer nas mãos da justiça local, que nos entre pelas casas, pelos locais de trabalho, legitimados por uma procuradora-geral da república corrupta, sedenta de sinalizar virtude, para nos arrestar pelo que escrevemos num blog obscuro?

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Podemos acabar presos pelo que escrevemos num computador

Estas são as minhas preocupações, de quem não é militante do PSD/CDS nem, valha-me Deus, do PS ou de qualquer partido esquerdalha. As preocupações de que a nova PGR remeta para nós a violência e incisão que poupará ao, cá vem ele outra vez, Sócrates. Podia Marcelo nomear alguém que não despertasse, em mim, semelhantes preocupações? Claro que sim.

 

Nomeasse um gajo

Defendendo Serena Williams – A Fisiognomia É Real #3

Muito já foi dito sobre a birra da selvagem tenista Serena Williams, bem como as imbecis acusações de racismo, sexismo, e outros -ismos e -fobias que os membros de espécies protegidas invariavelmente lançam quando são postos na berlinda por mau comportamento.

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Dado que O Patriarca não gosta de gastar o seu latim em vão, não é sobre isso que versará o post de hoje. Antes discutirá novamente um tema que lhe é querido, a fisiognomia.

Também não cairá na óbvia tentação de incidir sobre a cavernícola atleta. Martelar na gasta tecla de que a criatura tem aspecto de troglodita e portanto não surpreende ninguém quando se porta como um(a?), não é a matéria de que grandes blogs são feitos. Há muitos antros de racismo e nazismo na internet onde se pode ler interminavelmente sobre o tema, e O Patriarca não é nem uma coisa nem outra.

O que chamou realmente a atenção foi quem o Observador (ou melhor, a quenga que escreveu o artigo) escolheu para defender a posição da brutamontes.

Daniel Cardoso, professor catedrático na Universidade Lusófona, também é da opinião de que Carlos Ramos foi motivado por estigmas sexistas […] Mas tão preocupante quanto a atitude do árbitro foi a cobertura mediática feita ao episódio, considera o feminista

“O feminista” é uma expressão que faz sempre soar o “alarme pusilânime” d’O Patriarca. Analisemos…

Daniel dos Santos Cardoso é “Doutorado em Ciências da Comunicação [ou seja, nada], na Faculdade de Marxistas Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Com Mestrado na mesma área [ou seja, nada], especialização em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias [ou seja, nada], da mesma instituição, sobre o tema Poliamor [BINGO!]. Colabora com o Projecto EU Kids Online desde 2007 [alerta pedófilo?]

Fazendo uma pequena tangente. Estes artigos são difíceis de escrever porque começas com a ideia de ridicularizar um tipo mas conforme vais escavando, o curriculum deles ridiculariza-se a si próprio. “Ah mas Patriarca, o tipo é da cena do poliamor, ou seja come montes de gajas, e ao mesmo tempo”, poderia dizer um leitor mais distraído. Nada disso. Comer montes de gajas ao mesmo tempo é aquilo que qualquer homem (na sociedade actual pelo menos – tema para outro artigo) deve fazer no mínimo durante algum tempo enquanto não encontra uma que mereça assentar, se assim o desejar. “Poliamor” é conversa de betas degenerados para dar glamour à sua situação relacional – fazer tag team com outro gajo para foder servir uma quenga gorda.

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Poliamor: o mito…
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… e a realidade

Adiante. Vamos fingir que a FCSH é uma faculdade a sério, e que Ciências da Comunicação é um curso a sério. Vamos supor que ser professor de cenas de género é um emprego a sério. E que com este curriculum cometes o erro de, nem que seja por um momento, dar o mínimo de credibilidade ao que este gajo diz.

O engraçado da fisiognomia é que facilmente funciona para os dois lados. Se “o feminista” começa a falar de “uma expressão evidente de machismo e de patriarcado em que há um duplo padrão moral”, então podes ter a certeza de que o aspecto dele vai ser algo como…

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… isto!

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A sério, onde é que arranjam esta gente? Se querem acabar com os estereótipos, o primeiro passo talvez fosse pedir às pessoas que não sejam encarnações perfeitas dos mesmos…

Mas calma, caro leitor. O Patriarca não botaria tanta faladura apenas para gozar com uma cara demasiado bolachuda e uma má escolha de cabelo. Não se pode gastar a pólvora toda no primeiro foguete.

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“uso barba porque senão pareço um anão chinês”
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“sou temperamental, misterioso e pensativo…”
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“… mas sorrio um bocadinho quando me metem um massajador prostático”
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“Envia-me os teus filhos, juro que não os molesto!”
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“Isto são só adornos, nunca na minha vida andei de trela!”
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O teu filho, nas aulas dele

A fisiognomia permite assim pôr a nu uma dinâmica que pode parecer óbvia, mas que nos pode escapar ao ser confrontados com a opinião supostamente credível de um “professor catedrático” (ainda que não se saiba de quê):

  • as coisas indefensáveis são defendidas por degenerados
  • os degenerados defendem coisas indefensáveis

Corolários:

  • não oiças degenerados
  • quando ouves uma coisa estúpida, procura por um degenerado

A aplicação destes princípios permite manter o nosso cérebro refrescantemente livre de uma imensa quantidade de ruído maléfico.

Há no entanto outra pessoa no artigo a defender a mesma posição. Poderá Patrícia Vassallo e Silva ser alguém merecedor do nosso respeito e atenção? Estará O Patriarca enganado?

Patrícia Vassallo e Silva 1

Patrícia Vassallo e Silva 2

Patrícia Vassallo e Silva 3
Harpia confirmada

smilelaugh

Pá. A sério. Podiam ao menos fazer-nos a vida mais difícil. Tipo, a gaja podia ser boa. Ou ter família. Qualquer coisa. Mas não. Vive com um gato e escreve nas Capazes. É preciso dizer mais alguma coisa?

No meio disto tudo, há uma verdadeira vítima. Uma jovem de 20 anos que atingiu um pináculo com que todos os que se iniciam no ténis sonham, ainda por cima frente a um dos monstros (heh, raramente este adjectivo foi tão adequado em todos os sentidos) da modalidade, e cujo momento de glória foi completamente eclipsado por uma birra à qual foi dado demasiado protagonismo e pelas razões erradas. Que ela se possa queixar mais de racismo que a sua adversária é um bónus de ironia que não escapa a’O Patriarca.


P.S. É interessante verificar que o argumento de que “os homens fazem pior e não acontece nada” não só é estúpido como é falso.


Links guardados:

https://web.archive.org/web/20180917114133/https://observador.pt/especiais/pode-a-polemica-com-serena-williams-minar-a-luta-feminista/

https://web.archive.org/web/20180917114303/https://en.wikipedia.org/wiki/Naomi_Osaka

https://web.archive.org/web/20180917114400/https://www.ulusofona.pt/docentes/daniel-dos-santos-cardoso

https://web.archive.org/web/20180917114503/https://capazes.pt/author/patricia-vassalo-e-silva/

https://web.archive.org/web/20180917115615/https://observador.pt/2018/09/14/carlos-ramos-arbitra-jogo-da-taca-davis-esta-sexta-feira-o-primeiro-depois-da-polemica-com-serena/

 

Uma proposta política para extinguir os InCels

Hoje a Maria João Marques dirige-se erradamente à questão InCel cheia de preconceito e veneno, incapaz de se aperceber que para suprimir um InCel, basta que a jornalista lhe empreste a cona. É o cúmulo da cobardia, culpar a condição alheia, com uma cura nas mãos (entre as pernas) e recusar-se a entregá-la pela necessidade de conservar a existência de InCels como um alvo doméstico, uma ameaça omnipresente que – à semelhança do jargão fascista – permite que uma série de gente de merda continue a ter um poder tremendo num país com medo de discutir o que de facto aconteceu em Abril de ’74, ou de um saco de pancada.

Porque não desejo tão mal aos jovens InCels nem tão bem à genitália da opinadora, prefiro transcrever a proposta do fenomenal Roosh. O Microbiólogo e brilhante escritor conseguiu mais do que todas as câmaras legislativas atentas ao fenómeno supracitado; Deviam substituir o congresso Americano pela redacção do ROK.

  1. Ao contrário de quase todos os demais, Roosh caracteriza correctamente o Incel
    “Os Incels estão a matar somente porque estão a falhar em ligarem-se romanticamente ou sexualmente num mercado sexual intensamente competitivo que constantemente te esfrega na cara sexo e nudez. (…) É primeiro útil determinar o perfil básico de um InCel. Tipicamente ele não teve as mãos de um pai masculino ensinando-lhe os caminhos da vida e das mulheres. Ele foi provocado na escola, apesar de não agressivamente vítima de bullying, e tem poucos amigos. Ele não é bom em desporto ou em qualquer actividade que ajudasse a dar-lhe uma estética sexy. Ele não tem habilidades além de programar ou jogar jogos de vídeo. A sua educação lectiva ensinou-lhe que qualquer exibição de comportamento masculino é prejudicial às fêmeas, coisa que ele interiorizou em seu próprio detrimento. Mais severamente, ele é introvertido e não tem praticamente nenhuma habilidade a falar com raparigas ou atraí-las. Há uma década atrás, este tipo de macho herbívoro tornou-se num fenómeno cultural no Japão. Na América, este está-se agora a tornar no homem mediano. Dentro de alguns anos, mais de 50 % de todos os homens caíram no espectro incel.” 
  2. O Roosh identificou correctamente o que pretendem os InCels
    “Um Incel quer primeiramente uma relação amorosa com uma mulher atractiva. Segundo, ele quer sexo com qualquer mulher. Um macho que apenas se consiga deitar mas não experiêncie Amor pode ficar deprimido ou infeliz, mas é improvável que possua uma pulsão para matar. Aqueles quem acabam matando não receberam nem relações nem sexo. Sentem-se derradeiramente esquecidos pela sociedade. Para recordar a sociedade que eles de fato existem, eles recorre, a obter atenção da única maneira que conhecem: Matando. Alvejar pessoas é o mesmo para um InCel o que é para uma mulher fazer upload à Selfie (texto instagram) perfeita. É uma forma de dizerem por favor reconhece a minha existência e valida-a para mim.”
  3. Um InCel deixa de ser InCel se conseguir foder e por isso, para extinguir o InCel, têm de lhe arranjar foda*
    “Os InCels devem ser providenciados com prostitutas gratuitas. Aos InCels será dado um código QR móvel para ter sessões sexuais legalizadas complementares a cada seis meses, o intervalo de tempo que eliminaria imediatamente a sua necessidade de matar. Às putas que fizessem parte deste programa seria dado um treino especial para fazerem os InCels sentirem-se especiais chamando-lhes “bonitos”, “poderosos” e “confiantes”, elogios que nunca ouviram nas suas vidas. As putas arrasarão o seu mundo a uma extensão tal que os InCels esperariam pacientemente para viver em liberdade mais seis meses para poderem fornicar de novo. (…) Depois da experiência sexual, o InCel daria à sua puta governamental uma classificação num sistema de 1 – 5 estrelas. Putas que ficassem aquém das três estrelas, seriam eliminadas do programa, garantindo que o governo apenas contrataria as melhores putas para os InCels visto que esta é uma matéria literalmente de vida ou morte.”
  4. Não só os homens devem ser artificialmente abonados por culpa das suas vantagens naturais no mercado sexual como as mulheres devem ser prejudicadas
    “As mulheres solteiras vão pagar pelas putas dos InCels. Vão ser recordadas que as suas escolhas em parceiros sexuais têm ambas consequências financeiras e mortais.(…) Quem comprar um iPhone terá de providenciar identificação pessoal que revele o seu sexo. Se o comprador for mulher e não casada, um imposto de 100 % será adicionado. As mulheres também serão taxadas em 5 Dolares por cada match que receberem no Tinder e cada pílula contraceptiva comprada por uma mulher solteira virá com um dólar extra de impostos que irá directamente para financiar o programa. (…) Sempre que uma rapariga utilizar o seu telemóvel para conseguir a atenção de um homem atraente, obtenha um novo match no Tinder com um tipo bom, ou meta uma pílula de controlo de natalidade que a deixe ter sexo sem se querer reproduzir, a sua mente irá exibir a percepção de que o seu dinheiro facilmente ganho está a ir para os InCels que ela se recusa a comer. Se uma mulher escolher InCels simpáticos para ter sexo, esses InCels não precisaram das putas e assim, os impostos serão reduzidos.”
  5. Apesar de ter sido tratado pelos média como um activista de extrema-direita, as políticas que Roosh propõe são profundamente Socialistas
    “O programa vai ser integralmente financiado por impostos nos Productos que permitem às mulheres terem sexo casual com homens atractivos: a pílula, as aplicações de encontros e os Smarthphones. É aceitável que as mulheres queiram esquecer os 50 % do fundo da população masculina para relações sexuais, mas terão de pagar para que estes homens não matem outros cidadãos. Temos de impedir que os requisitos elevados das mulheres modernas causem mortes.”
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Eu votava nele

* Nos anos ’70, provavelmente como consequência da revolução sexual e do abandono definitivo da Igreja, polvilhavam as seitas e os cultos de entre os quais o de Manson, não era o mais marado. Associado, surgiu a figura do desprogramador, popularizada pelo autor Ted Patrick, um teso que resgatou o seu próprio filho Michael da seita “As Crianças de Deus”. O complexo e tortuoso processo de desprogramação, envolvia abdução, sequestro, privação de sono, violência e até violação, por forma a persuadir o individuo a abdicar da sua identificação grupal prévia, renunciar à sua ideologia ou fé. Era exercido essencialmente sobre jovens cujos Pais remuneravam os desprogramadores para retirarem os filhos da influência dos cultos e uma sessão podia custar até 25.000 dólares. Podia a mesma técnica servir para dissuadir membros de organizações terroristas, islâmicas ou comunistas? Provavelmente, mas fechem os cordões à bolsa quando chegarem aos InCels, já que não têm ideologia nem fé nem são um grupo. Basta darem-lhes coninha para extinguir o critério de pertença. Do que estão à espera? Que mais alguém morra?

Estamos sob ataque

Três continentes. Cinco países. Pela Europa fora, nos USA e também no Sudoeste Asiático. Num prédio construído durante a guerra fria, perdido nas imediações dos montes Urais. Os sinais de alarme regressaram: tinha o meu facebook bloqueado e o mesmo acontecia com os meus amigos.

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Fizeram queixa de um post. Depois de outro e de um terceiro. As 24 horas ameaçavam um bloqueio de três dias a pessoas que, perdidos nos confins da terra, precisam destes instrumentos para comunicar e se orientarem.

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Ao autor material do post, ainda perguntaram se ele se arrependia ou se aceitava apagar, ou se queria justificar porque razão as suas palavras não deveriam ser listadas como ofensivas

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E tudo porque este filha da puta ditatorial não gosta que chamemos os bois e as vacas pelos nomes

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Não admito nenhum constrangimento do meu discurso. Não aceito condicionamentos linguísticos. Não admito censura. Não me tirarão a liberdade de expressão. Puta que os pariu a todos. Não me calam.

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A dívida pública é um logro, o feminismo é cancro e as pessoas transgénicas não existem: é uma doença mental

Bloqueiem isto, paneleiros

Touros, girafas e PANeleiros

O Patriarca não é particularmente fã de touradas, mas respeita enormemente os volumosos testículos daqueles que fazem hobby ou profissão da actividade de se confrontar fisicamente com um animal feroz de 600kgs.

No entanto, todas as actividades eminentemente masculinas, principalmente aquelas que estão mais em contacto com o nosso lado mais primitivo e selvagem, levam a esquerda aos arames.

Assim, a tauromaquia está mais uma vez debaixo de fogo, desta vez sob a liderança do PAN (as sapatonas e os comunas estão ocupadas a tentar desgovernar o país), o que não é de estranhar.

A esquerda (a actual, pelo menos) vive da negação da realidade e do mito da tabula rasa, pelo que uma arte que não se compadece com teorias igualitárias e em que um erro de casting pode acabar com uma cornada no bucho põe um importante problema. Não vemos, por exemplo, nenhuma campanha contra a gritante desigualdade de género nas lides. Isto apesar de haver apenas 2 mulheres em Portugal com alternativa de cavaleiras, não haver mulheres a fazer toureio a pé*,  e a palavra “forcado” não ter equivalente feminino. Não admira. A festa brava não acontece em confortáveis gabinetes com ar condicionado. O que é que vão fazer? Obrigar por decreto as mulheres a fazer fila para entrarem numa arena e enfrentar um bicho enraivecido de meia tonelada? Exigir que os pais metam as suas princesas em escolas de toureio enquanto os rapazes brincam com bonecas?

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Um só forcado tem mais testosterona que todo o eleitorado do BE e do PAN junto.

Portanto só resta uma opção para combater a dissonância cognitiva: tentar proibir as touradas.

O resultado foi o óbvio e esperado chumbo, mas o sucesso não é o objectivo destes arruaceiros. Pretendem simplesmente agitar as hostes de imbecis como os que frequentam os acampamentos do BE para facilitar a insidiosa disseminação da doença mental de que padecem.

Coincidência ou não, na véspera da dissertação de Ribeiro e Castro sobre a Disneylei, surgiu o desenterrar de uma polémica com um ano. Mais uma actividade tipicamente masculina, a caça, desta vez com o plot twist de uma mulher a ser publicamente crucificada por a praticar. O que é que tínhamos dito aqui sobre a misoginia?

O facto de a caça, quando devidamente organizada, ser um adjuvante importante aos esforços de conservação ambiental, é algo que passa ao lado da manada do politicamente correcto. Que a girafa caçada fosse velha, fora da idade reprodutora, e andasse a matar girafas mais jovens** e a impedi-las de se reproduzir, é de uma ironia deliciosa.

girafa feminista
Deve ser feminista

A masculinidade é um alvo a abater. E O Patriarca, que já andava há vários anos com curiosidade em ir ver uma tourada, decidiu finalmente juntar esse agradável ao útil de refutar o disparatado argumento da falta de público (vamos acabar, para além dos PANeleiros, com o futebol distrital?).

A experiência foi no mínimo interessante. Imagine-se ir ver um jogo de futebol sem conhecer as regras. Aliás, se algum aficionado e/ou organizador ler isto, teria algum interesse distribuir no início do espectáculo um panfleto com uma breve explicação de algumas regras e tradições, quiçá uma ajuda importante para uma actividade que se quer defender dos ataques constantes e talvez até expandir-se.

O que é notório e que não transparece tanto na televisão é a proximidade entre a excelência e a catástrofe. É perfeitamente evidente a mestria na afinada coordenação entre o homem e o cavalo, e como uma hesitação pode acabar em atropelamento pela besta.

Por outro lado, o matador a pé enche a arena com uma imponência fascinante para quem gosta de estudar linguagem corporal. A compostura com que se mantém por longos períodos de tempo a escassos centímetros do touro é impressionante. E a fanfarronice que transparece deve fazer parte do arsenal de qualquer homem.

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Muito refrescante também a quantidade de crianças e jovens presentes e fascinados com o espectáculo, a contrastar com a bafienta imagem que os marxistas insistem em colar à tauromaquia. Bem como a educação e respeito pelas normas sociais.

O Patriarca não pode dizer que tenha ficado fã – a experiência foi demasiado breve e o desconhecimento dos rituais associados cria um certo alheamento – mas certamente não foi aborrecido e poderá ser para repetir. Há pontos de interesse claros. Aconselha os leitores d’A Távola Redonda a descobrir por si mesmos.


*A entrevistada queixa-se de misoginia, mas qualquer pessoa (homem ou mulher) que queira afirmar-se num meio competitivo enfrenta pressões semelhantes. A diferença é que os fortes aguentam. O filme Eu, Tonya, é um retrato interessante disso.

**O Observador continua com a mania irritante de traduzir à letra artigos do inglês sem se dar conta que bulls neste caso não são touros mas sim girafas macho.

Acampamento Liberdade

É com grande regozijo que O Patriarca vai vendo surgir aqui e ali denúncias do marxismo descarado do Bloco de Esquerda em meios de comunicação de primeira linha.

A agremiação das Sapatonas promove anualmente um comício de endoutrinação marxista acampamento, cujo programa este ano é o seguinte:

Acampamento Sapatonas

Tinha guardada esta imagem para mais próxima da data, mas o artigo publicado por José Manuel Fernandes no Observador este fim de semana é um excelente mote pelo que aqui vai uma tradução do programa, não vá alguém pensar meter lá os filhos pensando que “é só um acampamento, que mal tem?”

Acampamento marxista