Quem disse que ir às putas não era divertido?

A intrigante análise da viagem à terra das mulheres trabalhadores do nosso Myrddin, trouxe à Távola Redonda um conjunto de leitores que procura alagar o seu conhecimento sobre o tema da prostituição lisboeta. O Caro Patriarca decidiu então dar a sua opinião sobre a procura destes serviços por parte dos homens, concluído que apreender game seria uma alternativa viável – ponto de vista unânime na Távola. Eu, por outro lado, decidi alargar os meus conhecimentos sobre esse mundo. Como tal, que melhor lugar para o efeito que visitar o maior fórum de acompanhantes português – gp-pt.net.

O gp-pt é um site onde putanheiros e confrades trocam ideias sobre as putas que visitaram ou pretendem visitar. Fazem-se análises das sessões, trocam-se informação sobre preços, características físicas, veracidade de fotos, respeito e simpatia das moças e claro sobre a qualidade do coito. 

putas portugal
Método de avaliação estandardizado do SMV feminino

Por entre os milhares de TD’s ( uma espécie de Fiel Report do mundo das acompanhantes) disponíveis no gp-net, há um do user JonyBardo que merece um lugar de destaque.

Telefono à GP a saber as condições. Telefonema normal. Oral e vaginal com massagem por 20€. Vamos lá arriscar.

Chego ao local e ela explica-me em maior pormenor. Subo ao quarto andar. Abre a porta escondida e só se revela após eu ter entrado. Primeiro impacto negativo. Ela anúncio 28 anos. Meus amigos, 28 anos tenho eu e ela podia ser minha mãe. Mas enfim, agora já cá estou. Começa a falar e se o aspecto já era mau os modos são ainda piores. É uma barraqueira do Picoto, sem tirar nem por. Olho para ela com mais atenção e atende de cuecas e de top verde. O top verde está sujo com nódoas. A higiene não promete ser boa.

Olho em redor por uns instantes e tenho o primeiro momento WTF. Logo na entrada está um pequeno altar de madeira, com uma bíblia aberta, um crucifico em cima da bíblia e uns recipientes com um liquido escuro. Bruxarias e voodoo é algo que não me aquece nem me arrefece, mas sangue de galinha é algo que reconheço à distância por causa do cheiro. Começo logo a pensar onde caralho me vim meter. Fiquei sem saber se fui ali para dar uma queca ou para à imagem do filme “Cidade de Deus” entrar lá Dadinho e sair Zé Pequeno. Isto estava a ficar tão surreal que eu quis ver até que ponto chegava.

GP encaminha-me para o quarto. Está quente, sem AC nem ventoinha. Estavam perto de 40ºC lá fora. Escuso de dizer o quão mau isto é.

GP fecha a porta e exclama: “Pagamento adiantado!”. Se até agora ela era GP passou a ser puta de rua que por acaso está num apartamento. Falta de classe e de tacto tremenda. GP sai, assumi eu que para se higienizar. GP volta rapidamente pois higiene não é algo que a ela lhe assiste. Ela não se lava nem pede para me lavar. Num dia quente de verão. Boa.

Quando volta diz-me para me deitar de barriga para baixo para fazer a massagem. Eu nem sei como apelidar o que ela fez mas massagem não era de certeza. Aplicou um creme qualquer nas costas e fez menos esforço do que se estivesse a passar bronzeador. Depois dá uns toques com as pontas dos dedos. Aquilo está para uma massagem como um arroto está para um discurso do John F. Kennedy. Durou cerca de 2 minutos. Isto conclui o segundo momento WTF.

Viro-me para cima e ela inicia o que eu pensava que ia ser um oral encapotado mas que veio a ser a coisa mais surreal que nestes anos todos eu tive a infelicidade de presenciar. Vou relatar com a máxima fidelidade possível e em verdade vos digo caros foristas que é 100% real.

Primeiro saca do preservativo e faz questão de dizer que só ela pode mexer nele porque tem de ficar bem posto senão sai. Ok, tem a sua lógica. No entanto a lógica esbate-se logo nos primeiros segundos. Tira o profilatico para fora e desenrola-o por completo. De seguida enche o um pouco de ar. Eu fico com ar de parvo a olhar para ela. Garanto-vos que naquele momento pensei que ela ia fazer como os palhaços de circo que fazem uma escultura de cão com balões. Pensei ter encontrado a mítica puta batatoon mas não. A realidade era ainda mais ridícula.

Ela agora agarra a base do preservativo e estica com ambas as mãos. Eu não estou a dizer esticar um pouco, quando digo estica é ao ponto que dava para meter a cabeça lá dentro e fazer de gorro. A cabeça de cima, para que não haja dúvida. De seguida mete o preservativo no zé tolas e pela primeira vez na minha vida – morra eu aqui ceguinho – METE OS TOMATES JUNTOS.
Eu não aguentei. Tive de me partir a rir e perguntar o que ela estava a fazer. Ela continuou a afirmar que era o método dela. Eu ironicamente perguntei se ela queria que eu fosse buscar película de cozinha para enrolar o que sobrava de mim. Ela ponderou durante uns 30 segundos e disse “Não filho, não é preciso”. Foi ai que me apercebi que tinha uma puta maluca a segurar-me nos genitais. O modo de sobrevivência ficou ON.

Faz mais uns ajustes e puxa para cima e para baixo, com que objectivo final não consigo entender. No final os tomates ficam de fora do preservativo e ele foi puxado para cima de modo a que mais pareço ter uma peúga na piroca. Aproveitei este momento para reflectir na minha situação actual e cheguei à conclusão que para ter este karma devo ter sido o Hitler na vida passada. Mas adiante, que estou a divagar.

Quando finalmente aos olhos da GP o preservativo está correctamente colocado ela inicia o que chama de “oral”. Caros amigos, eu não sou doutorado em sexologia mas assumo que para ser chamado de oral o sexo tem de envolver a boca. Este não foi o caso. A GP chega-se perto do malho, abre a boca e começa a bater uma como quem está a transformar natas em manteiga ao mesmo tempo que arfa para cima do pénis. Este foi o terceiro momento WTF. Eu disse-lhe pelo menos 3 vezes “Mete-o na boca”, ao que ela aquiescia mas voltava a fazer exactamente a mesma coisa. Eu tive de lhe perguntar se isto era o oral. Ela diz que sim. Eu digo OK. Nesta altura só pensava se devia escrever um TD ou não pois os confrades talvez nem fossem acreditar em mim. Aproveito para dizer que ela não tirou o top, apenas as cuecas. Isto feito sempre a despachar, parecia que os meus genitais eram um carro de formula 1 e ela uma equipa de pit stop.

Quando o malho atinge algum volume, coisa que dada a confluência de circunstâncias foi tarefa de Sísifo, ela mete-se de gatas e diz-me para meter por trás. Eu pego no meu malho coberto por um preservativo esticado que mais parece uma peúga e ia mete-lo quando ela diz “NÃO MEXAS, SÓ EU É QUE MEXO!”. Aparentemente a única parte do corpo do cliente que pode tocar lhe é a piroca coberta com látex ao modo sui generis da GP. Ela lá encaixa e basicamente a sensação foi a de meter o pénis dentro de uma pochete com areia lá dentro. Nunca fodi nada tão seco e eu sou um gajo que uma vez fodi um pacote de bolachas de agua e sal – true story. Saco o zé tolas para fora e olho para lá a ver o que se passa. Aí vejo a vagina dela. Lábios dependurados e caídos, parecia a manga de um feiticeiro. Isto se a manga fosse de cor roxa. Foi aí que meti um ponto final nisto. Ela ainda me amarrou pela base da piroca e tentou meter lá dentro mas eu disse simplesmente: “Filha, isto não dá. Fica com o dinheiro porque se és assim com todos vais precisar dele.” Não devo ter sido o primeiro a dizer isto porque ela nem reagiu. Tirei o preserva, deitei-o para o chão porque LOL e comecei a vestir-me. Saí sozinho. Voltei a confirmar que no altar de voodoo era mesmo sangue de galinha.

Disclaimer: A Távola Redonda não é apologista do uso de putas.

Violem-me esta gaja

Rogo encarecidamente aos leitores que violem a discriminadora, androfóbica e muito provavelmente feminista, Maria Pessoa. Não se trata de violência, satisfação sexual ou um misto dos dois, trata-se de serviço público.

É assustador acordar num mundo onde alguém que julga “a diferença entre violação e sexo assim-assim” ser “pouca e muitas vezes nenhuma” está em liberdade, viva e pode publicar num jornal. Se penso que devia ser presa, assassinada ou silenciada? Imagine-se que a autora se dava ao trabalho de aferir como a maioria absoluta das vítimas de violação são homens forçados por homossexuais; Muito provavelmente o seu contracto cessaria sob pressão dos LGBT e os demais pasquins manginas jornais culturais fechar-lhe-iam as portas. Se a autora fosse um gajo, o supracitado lobby garantiria sua detenção, agressão, violação, morte.

Mera androfobia ou desejo de levantar movimentos radicais persecutórios? Falta de picha honestidade intelectual ou parte de uma conspiração internacional votada a garantir a extinção do Ocidente? A preconceituosa autora julga ainda que as mulheres  “não (têm) os mecanismos biológicos para (se) protegere(m) de uma agressão”. É discriminatório: metade da população nacional não consegue fisionómicamente evitar o abuso do seu próprio corpo e por essa razão deve ser alvo de diferentes e especiais cuidados. Insinua que a prevaricada pode-o ter sido sem saber – é preciso que esta Pessoa e respectiva vanguarda esclarecida determinem, em lugar da própria, da ocorrência de violação. Sozinha, uma mulher “acha que não é uma vítima”, mas de facto, “não o quer ser”, não consegue determinar um consentimento antecedente; Pode ter pensado que sim, mas na verdade não o fez. É que sabem, as mulheres são  muito estúpidas.

Feminismo: Há 30 anos a procurar decidir no lugar das mulheres

Um organismo estatal encabeçado por Maria devia aferir se a coitada (vítima de coito), “queria mesmo ter feito” e, à resposta negativa, providenciar “os meios” para sentenciar os parceiros da arrependida/abusada. A culpa de uma má decisão só pode ser masculina, já que consabidamente, as mulheres não conseguem tomar decisões; Deviam ser, segundo Maria, excluídas de responsabilidades profissionais e políticas.

Segui o conselho da putéfia cronista e recordei a última mulher com quem me deitei. As últimas cinquenta e seis e cada uma individualmente convidadas a apresentarem queixa nos órgãos judiciais apropriados. Se todas as partes estavam entusiasmadas? É nessas condições que o acto se desenrola. Participativas? Infelizmente nem tanto, mas culpo o clorofórmio. Se alguém teve de ser convencido ou foi ocultada informação relevante? Perguntas retóricas. De que forma a ocultação informativa altera o contexto do consentimento? E o que determina uma informação como relevante?

O melhor instrumento de engate

Sobreleva por fim o significado de ser violado quando tantas vítimas lhe sobreviveram. Talvez em risco de forçamento – como estive na adolescência – compreenda a sua insignificância, dedicando a escrita a outros temas. Por essa razão, desejo que seja violada. Ou, em alternativa, que sofra uma sessão de “sexo assim-assim” já que são equiparáveis – quanto respeito pelas mártires.

Os conhecedores recomendam que na senda pelo Amor à próxima deva tomar iniciativa, insinuar-me, marcar o ritmo de penetração na intimidade absorta, a transição entre cada estágio, cada peça de roupa. Respeitoso mas assertivo. Cordial mas determinado. É uma reacção às regras das raparigas que mexem no cabelo quando querem beijar na boca. Penso em todas as noites e todas as Amantes com quem procedi segundo este ideário e pergunto-me quanto se perderia, quando perderíamos, se em cada momento me levantasse as perguntas da Maria Pessoa. Tal como as prostitutas francesas o foram para François Hollande, as protegidas de Maria serão sempre as maiores prejudicadas.

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Este escarro alfabetizado é a tradução Portuguesa disto, tardio e a desproposito, considerando que o número de violações per capita foi reduzido em quase 6 vezes nos últimos 38 anos. A insinuação sub-reptícia é a de que a maioria dos actos sexuais acontece com pouco consentimento, com consentimento parcial, entusiasmo do homem e permissão (discutível) da mulher. Algures entre JoséMaria Escrivá e Muhammad ibn Abd al-Wahhab, a ultramontana Maria revela tremendo preconceito para com o desejo sexual feminino, recusando reconhecê-lo, validá-lo. Só pode ser fruto de um excesso persuasivo, de um convencimento, de uma pressão, do envenenamento com substâncias psicoactivas ou, em alternativa, de um logro, um desacato. Justifica-se assim a pretensão de reconhecer juridicamente a anulação do consentimento subsequente à prática dos actos, a pretensão de permitir que se uma mulher se arrepender do sexo, possa acusar (e condenar) o parceiro por violação. Por fim, explana a personagem omnipresente na cultura latina, o pulha trapaceiro mas sedutor, que conhece “a cantiga do bandido” e desencaminha a inocência (?) das jovens circundantes. Parece em desuso nos dias da pílula e do Tinder, mas não por acaso, o hit da época, trauteia sobre uma intrujice em castelhano. Nunca deixámos de ser países da contra-reforma.

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As referências ideológicas de Maria Pessoa

O final, “façamos amor com quem o quer loucamente fazer connosco também”, é o substituto moderno (?) do matrimónio, um imperativo que extravasa o intento e minora a sexualidade alheia. Dada a ausência dum gérmen extraordinário fomentador à fornicação, o “sexo assim-assim” equipara-se à violação, punível, condenável; Na melhor das hipóteses, será como comer um pastel de Nata. Imagino-a numa secretária, recebendo jovens vitimadas, esmiuçando tortuosamente as experiências em relato, com a sua coroa de flores e um sorriso solidário. “Pecaste, minha filha”, prescrevendo orações marianas. O seu céu também sabe perdoar, contudo, episodicamente. Não nos deixais cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Avé Maria.

A tradição judaico-cristã (aristotélica, dizem-me) estabeleceu exigências intransponíveis para o livre usufruto do prazer. Porque não cabe a vontade Nietchziana nas páginas do P3? Manifesta intenção, desejo, fulgor, ambição, apetite de proceder e consumir, é enclaustrado 2000 anos depois pela mesma paralisia, o mesmo receio de ver consubstanciado, o poder da vontade humana. Por isso se arroga a decidir, a julgar e a condenar o funcionamento dos corpos alheios, preenchida de pressupostos mesquinhos e desdenhosos. Não será também uma forma de violação, a imposição de uma constrição corpórea contra o impulso individual?

Avisam-me que esta é uma das faces do feminismo, a intenção de constranger a sexualidade masculina outorgando à sexualidade feminina o exclusivo selectivo, retirar o poder de escolha ao homem e entregá-lo por inteiro à mulher. Agradeço a honestidade de não afirmar (em algum momento) que deseja gerar uma sociedade igualitária e ainda de desmistificar a autoria do slut shaming, uma estratégia ancestral de emparelhamento feminino através da difamação da libertinagem alheia (ocultando a própria) para excluir a concorrência do mercado. Pergunto-me todavia como se viveria a sexualidade numa sociedade ideada por Maria, onde as mulheres são pressionadas a não outorgar o seu consentimento ou a renegar ao consentimento previamente atribuído para lesar os parceiros sexuais, enquanto se premem os homens a evitar avanços sexuais. O mundo à sua semelhança é desconfiado, descrente, moralista, atomisado, é o mundo onde os sexos se evitam ou degladeiam  em lutas inglórias. Um mundo assexuado, imberbe, murcho, pequeno. Um mundo onde os adultos evitam o contacto e a reprodução.

Não estaríamos mais satisfeitos nem tampouco mais felizes. Mas sobretudo, não seríamos mais livres. Vede em ti, oh Maria, os inimigos da sociedade aberta.

Dia de São Valentim

skittles

Ontem foi dia de São Valentim. O Patriarca é Benfiquista, e tem namorada. Marcou jantar para as 22h. Saiu do trabalho, sentou-se num café perto do local onde a cara-metade tem aulas, a beber tranquilamente umas imperiais enquanto via o inapropriadamente calendarizado embate entre Benfica e Borussia Dortmund. A querida juntou-se a ele pouco depois. Não aprecia particularmente futebol mas o entusiasmo contagia-se. São Ederson salvou a noite desportiva.

Mas O Patriarca não tinha nada para oferecer à querida (para além do jantar). Para ser honesto, até tinha intenção de comprar uma flor ou um cartãozito lamechas, mas uma semana de loucos não o permitiu. Foi com algum alívio que constatou que não estava numa relação com um transgénico particularmente bem conseguido, pois como boa mulher não perdeu a oportunidade de comentar “Então e não me compraste nada??”

“Pensava que a partir de um certo grau de ser DO CARALHO um gajo estava dispensado dessas coisas”

Seguiu-se uma tentativa de resposta indignada que fez um péssimo trabalho em disfarçar um brilho de luxúria nos olhos. Não se tocou mais no assunto, o jantar foi excelente. O garçon ainda providenciou uma rosa. Desnecessário, mas perfeito.

O Patriarca foi furiosamente cavalgado nessa noite. Os vizinhos não devem ter gostado. Ao preparar-se para adormecer, não pôde deixar de esboçar um sorriso maldoso ao imaginar a quantidade de Benfiquistas por esse país fora que não viram o jogo e ainda lidaram com uma “dor de cabeça”.

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Um homem confiante na sua frame dá presentes à namorada quando quer e quando pode, pelo prazer de o fazer e não pelos resultados que isso lhe possa trazer. Ela vai respeitá-lo  e desejá-lo quer venha com um ramo enorme de rosas quer venha com as mãos a abanar – desde que ele não se ponha a tentar arranjar justificações e desculpas como um beta.

E em caso de dúvida, sê um homem Skittles. (tl;dr – duas amigas descobrem que tinham andado a ser comidas pelo mesmo gajo, que mantinha uma espécie de harém e lhes oferecia Skittles no aniversário)