Dois Dias

Compreendo os críticos de Marx e Fukuyama, relutantes a realizar uma leitura científica, determinística e exclusiva do curso da história; Não compreendo os que estão obstinados a ignorá-la, recusando-se a aprender com ela.

No meu último texto questionei-me se seria apenas uma questão de tempo até, um dia, algum InCel voltar a matar. Na verdade, foram dois dias: em Santa Fe, Novo México, Dimitrios Pagourtzis assassinou a tiro 8 colegas e dois professores. Diz que mataria todos aqueles de quem não gostava porque o tratavam mal, excomungavam-no e agrediam-no diariamente. O assassino tinha ascendência Ocidental/Europeia, era homem e heterossexual. E – apesar de ser aluno de straight A’s, frequentar a Igreja, emprestar dinheiro aos amigos, praticar desporto, não possuir registo criminal, não beber álcool nem consumir drogas, o pacato Pagourtzis era vitima de bullying. Abaixo deixo as fotos mais emblemáticas dos seus Bullies americanos.

Bully anglosaxónico – Garcia, tem um nome tipicamente britânico
Bully Norteamericana – Angelique Ramirez
Bully fuzilada – Foi furada quatro vezes na boca, muito antes dos disparos
Bully caucasiano
lol
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Bully SoyBoy
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Bully Fufa
Bully quenga – filha de Sara Rodriguez

Há falta de controlo de armas  na região dos assassinatos? Claro. E de controlo de emigração? As armas estão omnipresentes. Os autóctones ausentes. A segunda emenda da constituição é tão responsável como a Naturalization Act. E é inacreditável que estes miúdos se instalem em país alheio para infernizarem a vida dos locais.

Perdoem-me a comoção em torno de um assassino. Em minha defesa: não sou o único! no grupo Dimitrios Pagourtiz Pesquisa e Discussão a mensagem central repetida pelos utilizadores é Rise Up Against the Bullies.

Como sempre, opomos-nos todos a qualquer tipo de violência e repudiamos o comportamento do jovem assassino. Mas enquanto escrevia estas palavras, percebi como o meu cérebro fora sequestrado para tomar indefinidamente o partido das vítimas vingativas que derrubam carrascos. Terão sido os  Pearl Jam (Clearly I remember/ Pickin’ on the boy Seemed a harmless little fuck/But we unleashed the lion/Gnashed his teeth and bit the recessed lady’s breast/How could I forget/And he hit me with a surprise left/ My jaw left hurting/ Dropped wide open(…)King Jeremy rulled his world) a fazê-lo? Terão sido os Linkin Park (Forfeit the game, before somebody takes you out of the frame/Put your name to shame, cover up your face/You can’t run the race, the pace is too fast, you just won’t last)? Terão sido oitocentos filmes de adolescentes que formataram mais os meus valores do que qualquer professor na escola? Claro que não. Foi a Bíblia.

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Munido de uma arma de médio alcance, acertando na cabeça do guerreiro filisteu com um projéctil, David o Belenense é um dos protagonistas do Livro de Samuel no Velho testamento; Seria coroado Rei de Israel e é tido como antepassado terreno de Nosso Senhor Jesus Cristo

Quase todos os comentadores declararam que este era um caso diferente dos outros. Porquê? Pela selectividade de um rapaz que em vez de matar todos quantos visse, poupou “os miúdos que eram bons miúdos“? Porque se quis suicidar e não conseguiu? Um pouco de tudo. Ah e porque a motivação central do homicídio em massa foi uma gaja.

 

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A motivação central do homicídio em massa terá sido a filha de Sara Rodriguez

Num “comunicado” publicado no facebook, a mãe de Shana Fisher terá escrito que “a filha foi intencionalmente visada por recusar os avanços do homicida ao longo de quatro meses” e que “na semana antes do atentado o enfrentou e humilhou publicamente”. Inexplicavelmente, o advogado de Pagourtzis prefere contrapor que essa rejeição nunca aconteceu porque, para Nicholas Poehl, a possibilidade de Pagourtzis ser indesejável torna os seus actos mais condenáveis. Para Sara Rodriguez, a melhor forma de honrar e elevar o nome da filha assassinada, é apresentá-la ao mundo como a adolescente que deu barra ao homicida. É um feito!

Lembro-me quando Fernanda Câncio escreveu “A prostituição é uma subversão das regras: as mulheres passam de presas a predadoras;  Não são passivas, são elas que escolhem fazer aquilo e ser sexualmente ativas, e isso contraria todo o estereótipo da mulher enquanto vítima, passiva, submissa, à mercê dos homens. (…) Aquilo que observei no meu trabalho de campo é que o poder do cliente existe até que ele escolhe a mulher. A partir desse momento, naquela relação, o poder está todo do lado da trabalhadora ou trabalhador sexual: é ela ou ele que dita as regras, diz o que faz, como faz, e por que dinheiro faz, que tipo de práticas, com ou sem preservativo. Se uma mulher não quiser fazer sexo anal”. Este é o poder da mulher: Dizer que não. E levar um tiro.

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O atentado de Santa Fe é o 22º ocorrido nos Estados Unidos durante este ano. Todos eles foram cometidos por rapazes humilhados. Em vez de encará-lo como um problema, apoiar estes miúdos, muitas das análises que encontrei reforçam a necessidade de os rebaixar, perseguindo-os desde o berço para garantir a sua submissão.  Até houve quem escrevesse que a misoginia mata, que é uma tomada do poder pelo patriarcado, que a culpa é de Trump, que é a masculinidade tóxica que incentiva estes homicídios ao persuadir os rapazes a competirem uns com os outros pelo maior número de parceiras sexuais quando na verdade a maior parte apenas se quer sentir integrado, ter companhia, ternura, ser amado.

Não compreendo uma cultura onde a emasculação, a rejeição e o bullying são celebrados como a mãe Rodriguez o faz, mesmo quando produz estes resultados. Lamento constatá-lo, do fundo do coração. Mas de facto, se ao menos Shana Fisher tivesse dito que sim, dez (onze) jovens vidas teriam sido salvas. Querem continuar a troçar do rapaz? Uma ideologia deixa de ser alvo de troça quando apresenta uma contagem de mortos

 

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Se Shana Fisher tivesse dito que sim, a vida de onze pessoas teria sido salva

Mas o que pode o mundo, o estado, o POTUS, fazer para evitar novos massacres como o de Santa Fe? Promover uma atmosfera cultural onde a rejeição se torne um ónus feminino? Conduzir os Pagourtzis desta vida para dentro dos lençóis e solucionar as suas frustrações? Terão Dimitrios, Alek e Eliot o direito a ter relações sexuais e, com esse direito injustamente negado, o mesmo deve ser reposto? Sim.

Os Direitos de Dimitrios

Não deve ter sido com a intenção de apoiar um miúdo heteró que a 17 de Junho de 2011 o concelho das Nações Unidas para os Direitos Humanos determinou como Direito Universal, o Direito à Sexualidade. Outros documentos legais já tinham sido redigidos por grupos da UN: A carta dos princípios de Yogyakarta (Toda a gente tem direito à integridade física e mental, autonomia e autodeterminação independente da sua orientação sexual (…) tomando medidas que combatam o estigma, a discriminação e os estereótipos baseados no sexo (…) combatendo o uso desses estereótipos, bem como as perspectivas casamenteiras ou outras racionalizações religiosas, sociais e culturais para justificar modificações às características sexuais), a carta Universal dos Direitos do Homem (Homens e Mulheres de idade adulta, sem limitação devida à raça, à nacionalidade ou à religião, têm o direito de casar e formar família. Têm os mesmos direitos durante o matrimónio), o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (Direito à vida famíliar), o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (O Direito do Homem de idade casamenteira a casar e encontrar família deve ser reconhecido), a Proclamação de Teerão (Os Pais têm o Direito básico humano a determinar livre e responsavelmente o número e o espaçamento dos seus filhos).

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Conhece os teus direitos

Uma formação em legislação internacional, explicaria às queixosas que os InCels têm direito (de acordo com a Associação Mundial para a Saúde Sexual e desde 1999) “Ao mais elevado atingível padrão de saúde, incluindo de saúde sexual; com a possibilidade de experiências prazenteiras, satisfatórias e seguras”. Têm o direito (de acordo com a Comissão Internacional de Juristas e desde 2006) “À capacidade de profunda atracção emocional, afectiva e sexual, ao estabelecimento de relações íntimas com indivíduos de um género diferente”. Têm direitos.

Num painel de debate sobre a lei Cristas, ouvi em tempos que o despacho contrapunha dois direitos constitucionalmente salvaguardados: O direito à habitação e o direito à propriedade. Quando encontramos alguém que rouba de um supermercado para se alimentar, vemos contrapostos dois direitos constitucionalmente salvaguardados: O direito à propriedade e o direito à subsistência. Mas porque nos solidarizamos com o inquilino faltoso que não quer dormir na rua, com o mendicante larápio que não quer morrer à fome, mas não com os abusadores sexuais?

Se o sexo pode ser uma experiência bela e alegre partilhada, uma expressão de compaixão e Amor altruístico feito objecto de canções e lendas porquê vedá-lo a tantos homens necessitados; E se não passa de um divertimento inconsequente, porque não cedê-lo levianamente?

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Huckeberry Finn, o protagonista dos contos de Mark Twain, frequentemente furta para comer mas o leitor é convocado a solidarizar-se com ele e não com os merceiros desfalcados

Feminismo 

Em torno dos InCels não existe misoginia, existe misandria selectiva (hipergamia). Mas os InCels odeiam o feminismo mesmo que muitos tenham sido feministas. Porque eles mudaram ou porque o feminismo mudou?  O nosso Lynce já o explicou e creio que a mais desgraçada comunidade InCel concordaria com ele. Quando o feminismo pedia direitos eleitorais iguais, os homens apoiavam-no: a democracia devia incluir a participação de todos por igual. Quando o feminismo solicitava direitos laborais iguais, os homens subscreviam-nos: a sociedade devia remunerar o trabalho de todos por igual.

Mas a luta da terceira vaga é contraditória. O feminismo agora exige direitos culturais iguais, os homens entreolham-se: a sociedade devia aceitar o comportamento de todos por igual, mas podem esses comportamentos tornarem-se mais igualitários? Muitos homens cessariam com o slut shaming,  com o body shaming e tudo demais, se lhes fosse outorgado um acesso equivalente ao mercado sexual. Não é. Enquanto esse aspecto do relacionamento intersexo não for igual, todos os demais deverão ser diferenciados.

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Enquanto esse aspecto do relacionamento intersexo não for igual, todos os demais deverão ser diferenciados

As demais lutas igualitárias foram resolvidas por meios legais. Despachos e decretos-lei que forçaram os empregadores a adquirir mão-de-obra fêmea, forçaram as comissões eleitorais a receber votos do mulherio. Podemos aqui agir da mesma forma? Ilegalizar a hipergamia feminina como forma de discriminação equivalente ao racismo ou à homofobia. Os InCels buscam essa igualdade que lhes foi extorquida. Da mesma forma como os empresários abastados cedem parte considerável dos seus vencimentos (valor S) em prol da ordem social, as mulheres devem ceder (valor R). Ou a supracitada ordem ficará francamente ameaçada.

Urgência

Em  Soumission Houelebecq prevê uma França distópica com sete (dez?) milhões de muçulmanos organizados e desejando impor uma agenda (sharia, poligamia etc) ao resto do país. País ocupado por uma estrutura societária niilista, fragmentada, dividida e enfadada. O problema não é discutir a justeza das suas reivindicações mas sim como lidar com sete milhões de indivíduos coordenados, dispostos a tudo e objectivamente muito zangados. É neste patamar que se encontra o problema dos InCels. A respeito do Islão, os líderes Franceses já não o escondem –  Têm medo.

Incels are way more about this sort of sentiment than trying to get dates.

É que este critério é muito objectivo. Foi o mesmo que moveu os sindicatos Americanos em 1886. Um ano antes da segunda internacional declarar o dia do trabalhador, os cavaleiros do trabalho (Knights of Labour) paralisaram meio milhão de postos de trabalho reivindicando a redução do horário laboral. Os políticos tiveram de se render às evidências: Se não agissem, se não cedessem, o país parava.

A comunidade InCel já canonizou mais dois santos desde o meu primeiro texto. Os políticos e os agentes de mercado ainda não agiram. Mas cederão. Amanhã, haverá um bully a questionar-se se será boa ideia aterrorizar a vida das suas vítimas. Amanhã, existirá uma rapariga evitando refutar os avanços de outrem. Amanhã, os sentimentos de um rapaz jovem serão poupados. Vidas serão poupadas. Podemos não estar a caminho de um mundo pior.

Homofobia e outros mitos: Obrigado Mesquita Nunes

Não podemos assistir impávidos a uma invasão cultural – despótica, liquidatária, avassaladora – sem agir renitentemente em sentido inverso. Além de estarmos em paz com a nossa consciência e com os valores humanistas judaico-cristãos que nos norteiam, sabemos o que sabemos e o que não sabemos, sem medo de questionarmos, de fazer perguntas; E temos muitas perguntas

Quando conheci Mesquita Nunes, há uns dez anos, o tipo que mo apresentou acrescentou em surdina, enquanto o dirigente centrista se afastava do nosso redor: “Olha que o gajo é paneleiro”. Não era caso único na Direita Portuguesa, numa altura em que o seu partido era liderado por Paulo “Panisgas” Portas; É mais regra do que excepção e a sexualidade de AMN está adequada ao perfil político. Educado numa grande cidade, cosmopolita, bem falante e bem parecido, globalista e neoliberal, isto é, devotado a destruir o Estado – a última camada, depois da religião, do matrimónio e da família – que garante a protecção do individuo face ao mercado.

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Além de ser paneleiro, Mesquita Nunes quer destruir o Estado

A aceitação que achou junto desta trupe prova o que temos dito sobre a malta que se diz de Esquerda não querer saber dos pobres: as feministas taradas no encontro de chão comum com o neoliberal em temas da panascada, silenciam-se quando Mesquita Nunes investe para desregular o mercado mesmo quando essa desregulação implica destruir a vida das famílias Portuguesas. Os despejamentos em massa na baixa de Lisboa e Porto? Milhares de Portugueses expulsos dos bairros onde nasceram e os centros históricos citadinos das capitais Portuguesas descaracterizados? São culpa do Adolfo. Por isto, mais do que pela rabolhice, podemos dizer que Mesquita é um adversário directo d’A Távola Redonda.

Ao mesmo tempo estou-lhe grato. Profundamente agradecido. Porquê? Porque me ajudou a provar que a homofobia não existe.

Ontem

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Assinalou-se o dia mundial contra a homofobia, mas não provém de nenhum acontecimento traumático para a comunidade colorida. A lei 175 do código penal Prussiano previa a clausura dos homens que fornicassem com outros homens e os maricolas chalaceiros adaptaram a celebração ao 17-5. É importante sublinhar 3 aspectos da velha lei germânica para não nos enganarmos sobre as intenções do legislador.

Primeiro: Ao colocar os actos homossexuais no mesmo patamar que a bestialidade, o autor da lei não dirige a punição aos panilas mas sim a toda e qualquer classe de fornicador. Entende-se por fornicador aquele que conduz a sua energia sexual num propósito que não o de gerar família. Na Prússia, como em qualquer lugar do mundo até à industrialização ter tornado o labor displicente, a procriação era uma prioridade social e a pujança um bem escasso. Não se podia desperdiçar e por isso também se condenava a masturbação. Aqueles que se demonstrassem comportamentos antinómicos ao intuito de procriar, atentavam explicitamente contra o bem-estar presente e futuro da sociedade. Todas as culturas assim o determinaram. Podemos concordar que o fornecimento de descendência é um tributo adequado à comunidade que nos protege, cuida e acolhe ou podemos ser umas bestas egoístas e individualistas mais preocupados com o prazer pessoal do que com o meio que nos rodeia, mas temos de reconhecer que a lei condena todo o tipo de degenerados e não apenas dos maricones – Aliás, enquanto fornicadores profissionais, os PUA’s seriam igualmente perseguidos.

Segundo: Esta lei é inaplicável. Excepto por denúncia, numa época em que nem a gravação de vídeo ou imagem existia, era materialmente impossível demonstrar que fulcrano tinha a picha metida no rego de belcrano. É mesmo provável que nunca jagunço algum alguma vez tenha sido preso por causa da lei 175 e, se tiver sido, imaginem de que forma divertida gastariam os panões o seu tempo na choldra.

Terceiro: Esta lei perseguia os actos e não as pessoas. No limiar, dois homens que partilhassem uma devoção emocional e demonstrassem o mútuo apreço sob formas quais extraviassem a sodomia, não seriam incomodados. Um amigo gay confessou-me o ódio à palavra “homossexual” por não retractar o tipo de relação que mantinha com os parceiros e que, segundo ele, não se limitava ao coito. Mesmo descrendo no tema, a isenção da lei vai de encontro à mensagem propalada nos dias de hoje, de que os panucos nascem panucos. Na casa de Hohenzollern, o bundão assim nascido, seria um homem livre até levar na bunda.

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Na casa de Hohenzollern, o bundão é um homem livre até levar na bunda

Portanto, onde exactamente encontramos a homofobia? Não será à esquerda, sempre com a boca cheia de maricas – mesmo que nenhum Partido de Esquerda em Portugal integre um único paneleiro nos seus quadros dirigentes. Mas também não é à Direita, com Mesquita Nunes a obter resultados eleitorais respeitáveis numa autarquia do interior. Isto é: não só um tipo não é vexado, humilhado, perseguido, violentado nem agredido, como ainda por cima tem uma fatia de eleitorado potencialmente hostil (rural, conservador) a confiar-lhe os destinos da Covilhã.

Encontramos-la no passado? Duvido. Não podemos retractar como preconceito, o desprezo que uma comunidade em guerra sente para com os homens que investem a sua agressividade – um bem escasso – num propósito qual não seja o de lutar. Pelo contrário, nos momentos abonados e de paz, como hoje, os homossexuais foram endeusados como uma vanguarda esclarecida. Curiosamente os gay foram os primeiros machistas, com tanto desprezo pelas mulheres que nem as comiam. Na Grécia antiga, enquanto as classes trabalhadoras asseguravam a reprodução, a elite intelectual entregava-se à pederastia. Na sua cultura, essa mesma elite tinha condições sociais e económicas para louvar o ócio; já a classe baixa, materialmente incapaz de levar esse comportamento, praticava em antítese o negócio – a negação do ócio – para a condução do qual a reprodução era um elemento fundamental. Escusado será dizer que essa cultura não acabou bem.

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O futuro de uma civilização que pratica o ócio, o hedonismo e a homossexualidade

A palavra gay possui várias e discutíveis origens etimológicas. No século XVII chamavam depreciativamente gay aos “viciados no prazer e na dissipação”. Mulheres gay eram prostitutas, homens gay eram libertinos e casas gay eram putedos. A transição para a homossexualidade fez-se por associação: os heterossexuais honrados constituíam famílias portanto os únicos libertinos eram forçosamente homossexuais. Passariam, por essa razão, a ser gay e no século XX estabeleceu-se o sinónimo com um estilo de vida hedonista e desinibido.

Mas, perscrutando essas mesmas origens, também encontramos uma história da Raínha Vitória observando um grupo baitola. Gay – do francês ancestral gai – significava alegre, divertido ou exibicionista e a monarca terá assim chamado aos larilas por exibirem alegria e diversão nos seus modos (provavelmente, também por se exibirem).

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Calma, não é isto

O ponto fundamental do conto é que os homens cognominados não estavam numa sala da cadeia, amarrados num pelourinho, acorrentados numa via pública à espera da morte bárbara mas em liberdade e à vista de todos. Vitória governou no século XIX, quando o termo foi cunhado. Onde estava o preconceito?

Mas mesmo que ele tivesse havido – em tempos idos ou em zonas recônditas do globo –  recuso-me a granjear qualquer panegírico por actos cometidos antes da minha era. Tenho a mesma atitude que perante o colonialismo: estou-me a cagar. Até porque estes não se podem julgar descendentes dos homossexuais doutros tempos – os homossexuais não produzem descendência.

Heterofobia

Se a homossexualidade nunca foi vítima de preconceito, a heterossexualidade sempre o foi. Junto das elites ociosas e debochadas, ser heterossexual era ser enfadonho – desligado das artes e da cultura, da vida e do mundo. Os homossexuais eram necessariamente ricos, os heterossexuais eram putativamente pobres: Dedier Eribon comenta a falta de aceitação que o seu background acolhia na comunidade gay, forçando-o a mentir sobre a sua proveniência.

A legalização do casamento entre paneleiros foi uma antinomia na medida em que os seus apologistas medem a qualidade de um país pela sua taxa de divórcios: O casamento passa a ser salutar e libertador quando praticado entre homossexuais, castrador e disfuncional quando praticado entre heterossexuais. Quem tomou a RedPill sabe que o casamento é um instrumento regulador contra a hipergamia e por essa razão não se aplica às relações entre dois gajos.

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O casamento é um regulador da hipergamia

Os heterossexuais que obedecem à agenda promiscua gay e também são avessos ao casamento, ainda terão mais problemas. A cultura que ostracizava a leviandade doutras eras não se auto-anulou, apenas mudou de sujeito. Percebe-se que o cronista Alberto Gonçalves tenha denotado que “um pedacinho da história da humanidade” era “a história da repressão sexual, que antes de ser um produto das religiões é um produto da natureza humana. Mesmo sem a crença no divino, o homem – e a mulher, acrescente-se para fugir a equívocos – haveria sempre de arranjar maneira de crer no gozo em proibir o gozo alheio, na cama e onde calha”. Por isso, e ao contrário do que muitos afirmavam, “Não é a religião que tenta impedir-nos de comer sal ou bolachas. A vontade de limitar “excessos” paira por aí, à espera dos zelotas que a transformem na sua “causa”. O movimento #MeToo e as perseguições a Harvey Winstein se justificam por aí.

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Vejo este filme há quase trinta anos

 

O que retiramos daqui? Que a homofobia não existe. É mais um mito criado para enxovalhar os desgraçados que andam aí a tentar dormir com mulheres e, coisa louca, construir família. Mas encontrem-nos um homofobico para que o possamos condenar. Tragam-no a montado num unicórnio, na companhia de uma feminista mentalmente sã. Acho que dos três, acredito no unicórnio

 

A Hipergamia Mata (II)

“A história de toda sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de ofício e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos se encontraram sempre em constante oposição, travando uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre através de uma transformação revolucionária de toda a sociedade” – Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto do Partido Comunista

 “A rebelião dos celibatários involuntários já começou” (The InCel Rebellion has already begun!). Foi com estas palavras que o Canadiano Alek Minassian se despediu das redes sociais, antes de assassinar 9 pessoas e ferir algumas dezenas. Isto aconteceu na 3ª cidade do mundo mais adequada para acolher LGBT’s , capital do sétimo melhor país onde residir uma feminista, o país onde a elevada regulação do porte de arma devia manter a população segura, e a elevada incidência do estado social deveria manter as franjas desacreditadas, satisfeitas

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23º Governo Canadiano de sua majestade (Her Majesty’s Government)

Eliot Rodgers, a quem o assassino se referiu como “irmão”, era Americano. Mas provinha da Califórnia, considerado o quarto Estado mais liberal dos USA, menor incidência de armas e maior incidência de impostos . Vale a pena mencionar que, como o congénere yankee, Alek não era especialmente mal parecido, com o seu queixo definido, nariz direito, malares proeminentes e olhos grandes. Ainda assim se queixava de insucesso nos jogos de conquista, demonstrando como o fenómeno InCel é um problema societário e factual, em vez de individual e psíquico.

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Minassian, o segundo em cima a contar da esquerda, não era mal parecido

Na China e na Índia, o celibato involuntário foi gerado pela demografia. A política de planeamento familiar inaugurada por Hua Guofeng e prosseguida por Deng Xiaoping gerou, geração mais tarde, 70 milhões de ínubos. 7 x 107 machos quem, segundo as previsões das autoridades locais, serão incapazes de emparelhar, não obstante as práticas de casamentos combinados ou entrega de dotes pré-matrimoniais. Solução? Importar mulheres de países menos bem-sucedidos (como o Camboja ou o Vietnam) ou enfrentar a obliteração genética. No médio Oriente, a poligamia permitida e promovida pelo Islão também condenou muitos homens ao isolamento em vida. Mas a sociedade teocêntrica que gerou o problema também lhes oferece uma solução – devotar a vida ao todo-poderoso ou entregar-lha em nome da guerra santa.

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Ao Ocidente a maleita, tardia e artificial, lá chegou. Não pela falta de direitos ou autonomia das mulheres, mas pelo excesso. Não em 2018, mas em 1989. Não na conservadora América, na economicista Alemanha, na ultramontana Inglaterra, mas no libertino Canadá. Acossado pelo feminismo e decidido a cambiar o seu destino, Marc Lépine – filho da globalização entre um Argelino e uma Enfermeira Québécoise – assassinou 14 mulheres no chamado “massacre de Montreal” por querer “combater o feminismo”. O mesmo aconteceu com o terrorista Andrew Berwick, na superigualitária Noruega, em 2011.

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Os últimos anos foram marcados por ocorrências sobrenaturais: camiões revessando-se sobre a população, expansão de doenças psicológicas e, claro, desintegração por falta de meios socioeconómicos. Frequentemente, os especialistas em odiar brancos (Lépine não o era, mas vamos ignorar isso), branqueiam atentados brutais com a terminologia supracitada, mesmo que estejam implícitos mais assassínios do que os cometidos por Berwick ou Rodgers. Mas quando um tipo massacra em nome da Jihad, eu considero um desrespeito para com ele próprio (e já agora, para com as vítimas) que não escutemos os seus intuitos. Há inúmeros paralelismos entre as duas classes de morticínios e pretendo explorá-los detalhadamente. Por isso vou ouvi-los. Vou escutar o que os facínoras têm para dizer. Enquanto se enumeram as causas fictícias por detrás do ímpeto homicida do Canadiano, eu acho que vale a pena atentar nas suas palavras, ou não fossem o acto terrorista – como todos os actos terroristas –  uma manobra promocional nos dias do ego.


Jude Appatow lançou em 2005 o filme Virgem aos quarenta anos. A wikipedia descreve o protagonista do filme como “um virgem de 40 anos de idade, que é involuntariamente celibatário. Ele mora sozinho, recolhe figuras de acção, joga jogos de vídeo, e sua vida social parece consistir em assistir Survivor com seus vizinhos idosos. Ele trabalha no estoque em uma loja de electrónicos chamada SmartTech

Não só este perfil é factual como se tornou mais frequente após 13 anos de acossa feminista , e se estendeu além das fronteiras do tenebroso mundo Ocidental. Simultaneamente, e mesmo sem ver o filme ou qualquer descritivo seu, sabe o leitor e por automatismo que alguém virgem aos 40 anos é necessariamente um homem, que se pode chamar Carrell (o personagem da película) ou Alek ou Elliot.

É este o queixume dos homicidas. E é um problema válido. Apesar de condenarmos severamente a sua atitude perante o mesmo, identificamos-lo e reconhecemos-lo. Não se trata meramente de não ter sexo ou não procriar, ou quedar-se condenado a uma vida de solidão. Recentemente, num casamento Católico escutei duas frases que me marcaram: “Deus criou a mulher para fazer companhia ao homem” e “Enquanto prova do Amor de Deus, o Casamento é um projecto de felicidade”. Estes homens estão condenados a desconhecer a companhia, o Amor de Deus e a Felicidade.

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Expectativa de vida de um InCel

Mas é também sobre o preconceito de que os homens solitários sofrem no Ocidente, seja no trabalho, seja na vida cívica , seja na vida social. Se não nos fizermos acompanhar por uma fêmea, somos vistos como perigosos. Somos concordantemente discriminados – Por outras mulheres! pois à excepção dos SJW, os homens com sucesso vaginal são tão solidários para com estes pobres coitados que se aglomeram em fóruns oficiosos para lhes ensinar como levar uma vida melhor. Quando este preconceito verter em perseguições, prisões, despedimentos massivos? É tão mau que há gajos que escolhem deixar de o ser para fugirem ao preconceito

I'm not sure if I should be offended or happy since then we could get free neetbux

Validando estes problemas, muitos buscam soluções e o Pick-up deixou de ser uma subcultura estigmatizada para ser legitimado como instrumento valioso à sobrevivência no Ocidente. O autor Roosh V escreveu que se Eliot Rodgers houvesse aprendido PUA, nunca teria cometido nenhum massacre, e até o reputado psicólogo Jordan Peterson admite a importância da sedução, explicando-a brilhantemente com base no filme “O Rei Leão”.

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Segundo o também académico, na narrativa, Simba desilude a parceira ao recusar aceitar responsabilidades que o transitem para a vida adulta, e só depois de realizar essa transição (tornar-se adulto, assumindo responsabilidades) passa a poder usufruir dos direitos correspondentes como a intimidade, o sexo e a chave para a parentalidade. Fica dado o recado de que os PUA’s devem amadurecer, antes de almejarem seduzir mulheres.

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InCel: Individuo que apenas encontrou este olhar na tela do cinema

Mas perante uma trupe de jovens que estariam dispostos a governar as Terras do Orgulho ou a defrontar o malvado Scar só para poderem ver pachacha, Peterson forçou-me a rever o filme. Vendo-o, apercebi-me de que esta sequência de acontecimentos está enviesada. Na verdade, a fêmea já seduzira o príncipe antes deste realizar a dita transição. Na verdade, ela tomara iniciativa nesse ritual sem lhe colocar contrapartidas*. Na verdade, o seu envolvimento data de quando Simba se recusa terminantemente a crescer e a maturação pessoal do leão não é condição sine qua non para este acontecer.

Se outro personagem assumisse o pesado ónus que o jovial Simba recusou, se outro interveniente cumprisse a condição posteriormente colocada a Simba, jamais com essa coragem – por esse cumprimento – conquistaria o coração e o corpo da leoa.

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“Se nós aceitarmos governar esta merda, podemos montar a gaja?”

Rodgers e Alek pensaram como Peterson. Eles acreditaram que as suas virtudes pessoais lhes trariam a companhia almejada. Eles creiam mais cedo ou provavelmente mais tarde que o dinheiro e classe social de Rodgers ou a humildade e capacidade de trabalho de Alek, compensariam sob a forma desejada, sob a forma de uma vagina molhada. Mas como later never comes, aperceberam-se de que foram logrados desde o primeiro dia das suas vidas quanto aos mecanismos que estabelecem atracção e uma mulher por um homem. A atracção não é uma escolha.

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A face da desilusão

Assim, não pode ser merecida, conquistada ou transacionada. O sexo pode e as relações resumidas a quartos mortos ou a sessões mensais de posição missionário com choro e rata seca, demonstram que uma mulher pode foder até para que o homem deixe o lixo no contentor**. Naturalmente, é dessa possibilidade que nasce a prostituta.

Este conceito, todavia, também se cola aos PUA’s e Redpillers que propagam o seu game pelo espaço cibernético. Obedecendo a uma filosofia platónica, semelhante à que moveu os InCels, os gurus instruem os seus aprendizes a decorar este número de linhas ou a adquirir esta forma física, dizendo-lhes que a recompensa virá mais tarde. Na sua linguagem, o dinheiro de Rodgers e o labor de Alek traduzem-se em horas de treino ou sessões de sarge e eu pergunto-me quantos contarão, com a mesma ansiedade, o número de abdominais ou as repetições do bench-press; Quantos enumerarão, com o mesmo desespero, o número de abordagens ou os timingos de Hook-Point, necessários para merecer chavoita, interiorizando – em ambos os casos – que se lhes deve ser exigido sacrifícios para obter aquilo que as mulheres conseguem sem esforço.

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“Quantas faltam para foder?”

Alguns InCels advogam que o auto-desenvolvimento é um mito. No limiar, impelir alguém a “apostar em si mesmo” ou investir numa carreira ou num ganha pão ou num qualquer tipo de prestígio, é pedir-lhe que espere até aos 40 ou 50 anos para poder ter direito a rata (falta saber durante quanto tempo). É claro que depois estão confinados a congéneres hediondas, gastas, gastadeiras e mal-agradecidas porque se dormirem com alguém mais novo, podem aguardar por uma torrente de impropérios e acusações legais. Por outro lado, Houellebecq escreveu que a vida sexual dos homens se divide entre o período das suas vidas em que não aguentam suficiente tempo para satisfazer uma mulher, e o período das suas vidas em que não possuem pujança suficiente para o fazer. Aqueles que esperam sucesso e fortuna para copular, podem contar com a segunda.

Diz o povo que “quem espera desespera”. Para alguns, efectivamente a vida melhora. Para Alek e Eliot não. Perceberam que depois do liceu, da faculdade, da idade, não chegou o momento das suas vidas em que finalmente se tornavam atraentes. Nunca chegaria. Nunca estariam vivos. Por isso, mataram.

É para Esperar? Pelo quê?

Sem regulação apertada e redistribuctiva, a intimidade – tal como a atenção – converte-se num bem escasso. Uma sociedade que mede os cidadãos pela quantidade de intimidade obtida é tão desigual como a que mede o homem pela nobreza de sangue ou pela quantidade de dinheiro. Não  se fizeram esforços eficientes para democratizar a carne; Pelo contrário, a sua liberalização aumentou a disparidade social, a segmentação de classes, a diferença entre os que têm muito e os que não têm nada.

Esses são os InCels.

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Os InCels estão no fundo da cadeia alimentar e sem cona

 

No meu texto anterior, dei o exemplo de 1789 para explicar o sentimento revoltoso entre os despojados do mercado sexual liberal – os famintos do alimento humano. O brilhante Roosh escreveu-o o melhor: “‘Deixa-os comer bolo’ é hoje ‘Deixa que estes falhados privilegiados e socialmente estranhos tenham XBox e pornhub”. No ano de todas as revoluções – 1848 –  a liberalizarão industrial retiraria poder de compra ao proletariado enquanto aumentava a sua dimensão e reduzia os direitos laborais. Também a emigração era problemática, com os orientais a capturar os postos de trabalho como hoje os pretos capturam fanfa. As más colheitas dos anos transactos e a imobilidade da propriedade da terra, ditariam a virga-férrea reivindicativa. A imprensa escrita promoveria a união entre proletários apartados. Marx e Engels deitaram foice em solo fértil e nasceu o comunismo.

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A disparidade numérica foi essencial ao sucesso da Revolução. A base da pirâmide na França do século XVIII ou na Alemanha do século XIX é mais larga do que o topo. Obedecendo o mercado sexual às regras de pareto, serão os InCels suficientes para inverter a pirâmide sexual? Poderão eles – com o 4chan no lugar do Rheinische Zeitung – revolucionar o mercado?

Ou resultarão tão mal como o já mencionado terrorismo islâmico, desorganizado, despropositado, apertando o controlo e hostilidade sobre a população do praticante, incapaz de satisfazer qualquer necessidade dos necessitados?

E há a sucessão cronológica. A segunda república francesa foi naturalmente fruto da primeira, inspirada no espaço de duas gerações, pela revolução antecedente mas com o terror cuidadosamente omisso dos relatos oficiais. Duas gerações posteriormente, viria a Revolução de Inverno, marcando a história da libertação dos povos como uma sequência de revoluções. Com a popularização da expressão “Going ER” (Indo ER – Elliot Rodgers) na darkweb qual revolução sucederá ao atropelamento de Toronto? Será mesmo apenas uma questão de tempo até alguém voltar a matar?

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A expressão “Going ER” popularizou-se na darkweb

Antes de terminar vale a pena recordar que a palavra InCel é um acrónimo involuntário. Enquanto os demais grupos mencionados são integrados por ventureiros conscientes, o estatuto InCel não é auto-determinado mas exógeno. Assim, não prevê uma conversão religiosa como no activismo islâmico, ou uma adesão militante como num Partido Político ou o treino paramilitar como nas organizações terroristas. Os outros membros da manosphere são definidos pela actividade: os RedPillers que escolhem tomar a RedPill, os PUA’s que escolhem sarjar, os MRA’s que escolhem o activismo, os MGTOW que escolhem ir no seu caminho. Os InCels não têm escolha. No limiar, um jovem bluepiller, tímido, feminista que não faça sexo é, passivamente, definido como InCel. Não quis ser InCel. Ninguém quer ser InCel.

Também se escreveu que os InCels são misóginos. Não podia estar mais longe da verdade. Os InCels são adoradores de mulheres que não vêm os seus sentimentos adequadamente respondidos. Se fossem misóginos seriam MGTOW, optariam pela prostituição ou pela homossexualidade. Um homossexual com quem fiz amizade recente confessou-mo numa madrugada alcolizada que enrabava outros tipos porque as mulheres não o desejavam. “Ninguém nasce gay”. Foi o estratagema que adoptou para deixar de ser InCel.

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Mas eu não condeno

Outros estratagemas foram elencados pelos InCels, da remoção do direito feminino a escolher um parceiro até um sistema análogo à social-democracia que partilhe as mulheres entre aqueles que não as têm. Não se trata de uma agenda, apenas um conjunto desagregado de ideias postadas entre lamúrios e muita tristeza, solidão. Nem são apenas eles: Um amigo que já fez mais de 100 lays advoga o método SD, abdicando ele próprio de muitas noites bem passadas em nome da igualdade, da justiça e da estabilidade social. De alguma forma foi esse o papel da Esquerda moderada, prosseguir os objectivos da revolução retirando-lhe a violência. Nem os objectivos dos InCels nem os InCels são violentos.

Mas aqueles que são – estes InCels – são de facto como terroristas, porque cometem actos terroristas. Porque inspiram terror. Entre os paralelismos face ao do terror islamita, além da incompreensão, encontramos tantos outros: A desorganização, a caracterização sociológica dos pertencentes – desenquadrados, alheados, atomizados – as estratégias de recrutamento, a dificuldade em seguir as redes, que apenas existem online, e um misticismo quasi-religioso em dias descrentes. Foi aí que Rodgers foi canonizado. Saint Elliot, há semelhança dos mártires nos primórdios do Cristianismo, morreu virgem. Morreu inocente.

Saint Elliot morreu inocente

Comecei por dizer que oiço extensamente todos os terroristas em vez de culpabilizar a incapacidade de integração, o capitalismo, o colonialismo… Qual fenómeno externo poderia culpabilizar pelo terrorismo InCel? A Hipergamia, claro. A Hipergamia mata. Matou quase vinte pessoas entre os dois casos explorados e matará muito mais. Matou Alek e Elliot, as suas primeiras vítimas, falecidos muito antes de pegarem nas armas ou ao volante do camião. O Profeta limitou-se a antever, com uma clarividência assustadora, os acontecimentos do século seguinte.

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O Profeta anteviu os acontecimentos do século seguinte

Conforme escutaram o sucedido nas notícias, questiono-me sobre quantas das colegas, das conhecidas, das raparigas que se cruzaram e ignoraram os mencionados não se questionaram se deviam ter prestado atenção, despendido um beijo nos lábios ou minutos de folia vaginiforme para evitar estes acontecimentos. Se o fizeram tantos milhares de vezes, por motivos tão fúteis, será que o fariam para salvar mais de vinte vidas? E se fossem apenas duas?

 

* Embora tenham sensivelmente a mesma idade, Nala é muitíssimo mais experiente do que Simba nos jogos da intimidade psicológica e física. Lembrem-se lá de outro filme para crianças onde um protagonista, masculino, se aproveite da inexperiência de uma fêmea para a seduzir.

** Há muitos anos li numa revista cor-de-rosa sobre quais as principais razões pelas quais as mulheres “cediam” sexo aos maridos onde a mais caricata era “convencê-lo a ir deixar o lixo ao contentor”. Não encontrei o registo. Se houvesse sido publicado hoje, o tipo seria preso por violação no casamento.

 

À porta da loja

Na publicidade, na televisão, na rádio, nos cafés, nos bares, nas discos, nos bordéis, na internet nos telefones, na música, nas escolas, nas Universidades, nas ruas, nas casas, aqui, agora. Nunca se pensou tanto em sexo. Não é bom para ninguém. Não é bom para mim.

Eram dez da noite, segunda-feira, quando entrei num bar da zona habitacional. Não diria um bar, mas um café com horário prolongado. Não diria zona habitacional, quer dizer, era mesmo ao lado de casa. Nem eram bem dez, eram aí umas nove e pouco, hora de jantar para quem não janta cedo. Mas o ecrã central do espaço, geralmente votado à bola, revelava mulheres semi-nuas, corpos, no canal VH1, outrora exclusivo para música. Aumentando as horas aumentava a cadência de sensualidade, a decadência de moralidade, decrescia o gradiente de pudor, aumentava o furor, sem censor. No aproximar ao centro da cidade, seria pior.

O videoclip de que falo teria bolinha vermelha há quinze anos, estaria interditado há 30, seria alvo de uma comissão reguladora que aglomerasse Pais, educadores e responsáveis políticos. Os miúdos à minha volta, muitos menores, absorviam-no indiferentes. Estão habituados. Eu não estou: perco a concentração no ritmo da canção, sinto o desejo a fervilhar. Vai piorar? Oiço na letra, “estoy muy duro, si si”, mais pele, mais corpos, FREEZE, mais sexo. Mais pinturas tribais, mais músculos definidos, mais nádegas tremidas, mais crianças (crianças!) em movimentos pélvicos sensuais. Mais mulheres de pernas abertas, olhares orgásmicos, pernas, posses. Mais à frente oiço a verdadeira mentira da canção “Mi musica no discrimina a nadie”. Falso.

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Figura 1 – Discriminado por J Balvin, o autor de Mi Gente

Podemos imputar ao cantor colombiano as responsabilidades pela degradação moral da sociedade? Ou aos danos que infligiu à vida de todos os solitários, dos masturbadores compulsivos, dos frequentadores insistentes de serviços sexuais, os peregrinos à sacra-Tailândia apenas com bilhete de ida… para não falar das putas? Como pode não o ser se fomos saturados ad nausean pela propaganda obsessiva com o sexo e as temáticas sexuais. Não há como conduzir uma vida sadia sem permanecer em busca incessante pela próxima parceira, desejoso pela próxima penetração, ansioso pelo próximo coito, prometido pela publicidade do Tinder, recusado pelo swipe left. É essa propaganda a responsável pelo estado de hypersexualidade em que eu e todos os que me rodeiam se encontram. Endoidece-nos. Um psicologo Norte-americano, começou recentemente a estudar os danos psicológicos causados pelo grinder entre homens gay.  Como subsistirão emocionalmente quando perderem, por força do tempo, acesso à sua fonte primordial de estabilidade mental?

Vivemos na cultura mais sexualizada da história e também a mais infeliz. A forma como interpretamos o sexo –  simultânea e paradoxalmente, como a expressão mais profunda da personalidade, e como um divertimento inconsequente – Está muito para além da nossa natureza. De excessiva, transbordante, a minha líbido assemelha-se anómala, como que hetero-imposta por forças exógenas, obscuras. E se da nossa natureza fosse, solucionar-se-ia com a monogamia, brutalmente discriminada em terras do burgo  sobretudo entre as mulheres (It takes a village to keep a woman monogamous). Percorri a árvore genealógica da família por cinco séculos e encontrei não mais do que junções profícuas, duradoras, funcionais e jovens (quem, ainda jovens, procriavam). As pessoas costumavam casar e prosseguir as suas vidas, em vez de permanecerem eternamente neste estádio degradante de pós-adolescência, na senda, à espera que a sorte mude na próxima noite ou na próxima mensagem. Um familiar por afinidade, mantém três namoradas aos 58 anos. Será feito ou fracasso?

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Figura 2 – A forma como interpretamos o sexo tem consequências directas na demografia e na sociedade

Três rapazes juntam-se em casa de um quarto, 25, 26 e 27 anos, licenciados com notas brilhantes, mas também com um bom currículo em boémia, actividades académicas, associações e palanques. Habituados aos últimos, a discursar, a colocar a voz e as ideias no coração das multidões, junta os rapazes a particularidade de serem oradores exímios. A conversa adensa-se e com os copos em cima, chega-se à hora da verdade: Inversamente proporcional à destreza oratória, a experiência com mulheres é tão escassa, que quando um dos visados declara ter, em toda a vida, malhado cinco (CINCO?!), os amigos acusam-no de estar a exagerar o número (por cinco). O mais ousado do trio teria a sua quarta desposa nessa mesma noite, e a situação global deixou-me na dúvida sobre a quais expedientes recorreriam os rapazes dentro de quinze ou vinte anos.

O desfasamento entre a minha experiência de vida e a dos amigos mencionados, parte apenas da quantidade de tempo que gastei na inglória demanda por calor húmido feminino. Na senda. Um esforço que investido de forma profícua e construtiva teria vertido em várias obras literárias publicadas e um par de doutoramentos. Foi inútil? Não sei. Na escola PUA chamam-lhes – às tardes e noites em que deambulei transviado pelas ruelas do meu desconforto – “experiência” e “valor” incapazes de compreender que é na zona de conforto que se produz o portefólio material a que costumávamos valorizar. Sempre que conheço uma mulher, pergunto-me se nessa avaliação global e inultrapassável que faz da minha pessoa nos primeiros segundos, ela toma em consideração essa despesa improfícua, ou se não serviu mesmo para nada.

Nesta fase da minha vida, sinto que o custo por foda ultrapassou as minhas possibilidades. O mercado, determinado pelo número de pretendentes e tipologia de pretensões que cada individuo tem em órbita, põe-me no lado de baixo, incapaz de encontrar uma mulher congénere com menores possibilidades do que o investimento que tenho a fazer. É impossível achar raparigas que não me requeiram tempo, dinheiro ou compromissos que não estou disposto a oferecer.

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Figura 3 – Marie Antoinnete, meses antes de perder a cabeça

 

Houellebecq chamou-lhe a extensão do domínio da luta. À senda. Os amigos que citei, estão quais os camponeses derreados pelas políticas desastrosas de Louis XVI, as políticas do feminismo que condenaram milhões à fome; Políticas que elevam artificialmente o preço por foda, criando o excesso de procura e falta de oferta, que juntam a fome à falta de comer. Famélicos da terra diante de Marie Antoinette, ouvem José Alvaro Osório dizer-lhes Qu’ils mangent de la brioche; infelizmente, quase duas décadas desde que a senda começou, estão cansados de saber que para eles não haverão broches.

Existirão raparigas em situação idêntica mas são escassas. Sobretudo depois de anos de vida numa capital Europeia, com aplicações informáticas e smartphones à disposição. Mesmo essas, continuam a ser presenteadas com incontáveis alternativas à que envolve um relacionamento com os rapazes mencionados: Uma amiga polaca, gorda, que ganha o salário mínimo e fez um aborto recentemente, recebeu 350 matches no Tinder (e 48 super matches) aquando da sua primeira noite em Portugal. A solidão, no caso dela, será sempre uma escolha e não uma imposição.

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Figura 4 – “Game is gaining popularity because men see that disparity and want to increase their odds”

Porventura será essa disparidade o maior inimigo de quem frequenta as lides do Pick-up. Por compreendê-la bem – demasiado bem – sou mais solidário com os PUA’s do que o foi o nosso Roossh V. Não acho que seja o celibato involuntário, o avolumamento testicular, o isolamento compulsivo, sejam questiúncula de somenos. Pelo contrário, creio ser a maior epidemia – a par da queda da natalidade – a que o Ocidente esteve sujeito desde a gripe Espanhola. O problema é que todas as tentativas de o vencer são tentadas dentro do sistema: o nightgamer que aborda na discoteca para a qual pagou duas vezes mais do que a gaja para entrar, o daygamer que se resigna e anui à vox poppulli inventar o conceito de assédio em seu torno, o netgamer que  informa a gorda de que ela é interessante e desejável mesmo que esteja de pijama e sem maquilhagem no hotel de um canto degradado da cidade e até o putanheiro, disposto a gastar suor do seu trabalho, a prazentear uma vadia desconhecida. Todos contribuem para validar a narrativa de que as mulheres são seres superiores, encantados e únicos. Todos são culpados. E todos estão enganados.

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Figura 5 – O caralho

O pior é que muitos destes cavalheiros falham redondamente no seu propósito sedutor. As comunidades PUA’s estão preenchidas de tipos virgens e sozinhos ou escassamente acompanhados quem, a cada dia que passam, estão mais longe dos seus intentos. Na noite, na net, nos cafés, estão a lutar uma guerra e a perdê-la. São os combatentes alemães no cerco de Leninegrado. Perecendo gaseados nas trincheiras francesas, a caminho de Abbeville onde os inimigos se banqueteiam despreocupados. Bombardeados com a percepção de insuficiência a que o celibato involuntário incute. A percepção de que toda a gente o tem excepto nós.

Estamos entrincheirados na nossa própria solidão, na soleira da festa para a qual não fomos convidados, à porta da loja de doces à qual nunca tivemos acesso. E para além da legião adversária, sabemos dos demais em manjares sumptuosos. Queremos-los. Vale a pena recordar como terminou Marie Antoinnette, depois do mesmo povo faminto se recusar a recusar forçar o acesso aos produtos de luxo que a corte real não partilhava. Em Doullens, já depois dos combates terrestres terminarem e prontos a assinar a paz, os homens que passaram quatro anos à fome não se coibiram em lançar uma bomba na cidade que nunca conseguiram invadir. Houve sempre um castigo para quem esfaimou o seu semelhante, no século XVIII e no século XX. Este século não será excepção