Um resumo curto da minha vida íntima e muito provavelmente da tua

“She said she’s not interested, but she still flirts with me”“ I know she likes me, but she didn’t call me back last weekend”. Most dating advice exists to “solve” this grey area for people. Say this line. Text her this. Call him this many times. Wear that. These things may seem clever and exciting to some people who are stuck or frustrated. But this dating advice misses the point. If you’re in the grey area to begin with, you’ve already lost”. Mark Manson, Fuck Yes or No

Era a terceira vez que me tinha deixado pendurado para jantar, almoçar ou passear e, depois da promessa de “desta vez ser diferente”, tardava novamente a responder às mensagens enquanto eu ficava à espera no quarto de hotel que arrendara propositadamente para prolongar a minha estadia longe de casa por mais uma jorna. Conhecemos-nos no Tinder há dois meses, nunca nos vimos cara a cara e aqui os leitores  questionarão a minha resiliência mas, depois de mais de 300.000 swipe rights e apenas dois dates (só um dos quais direito a beijinho e punheta), esta candidata era a primeira que não vivia nos subúrbios de uma cidade operária nem consultava um psicoterapeuta. A minha boa vontade e infinita paciência não foram suficientes. Depois de protelar, tornou-se agressiva e depois silenciosa. Pensei em afundar o telemóvel dela em dezenas de mensagens como fizera na Finlândia por intermédio dum amigo programador e hacker, mas preferi aquiescer. Aceitar que as desculpas que me dera (o turno da noite num hospital metropolitano) são incontornáveis e inflexíveis, produto exclusivo da sua falta de entusiasmo.

Sorte ou azar, o contacto recente levou a que uma fotografia sua fosse exibida no meu feed, acabada de postar. Partilho os comentários

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Homens como eu (e também mulheres) elogiavam exageradamente a minha amiga virtual e o seu potencial reprodutivo, oferecendo-lhe inúmeras oportunidades de companhia, sexo, validação. Aquilo a que chamamos de mercado é essencialmente o número de compradores, dos interessados em adquirir um produto que antes de significar sexo ou compromisso, é essencialmente atenção. Eu e os seus lisonjeadores compulsivos estamos a disputar a atenção da jovem – vamos chamar-lhe B – e, como já perceberam, não a estou a vencer.

Tal como todas as medidas mensuráveis, a atenção da B é um bem escasso e portanto sensível às leis da concorrência. A quantidade de tansos que na net, nas redes sociais e em sites como o Tinder solicitam a sua atenção, torna-a mais dispendiosa como ao valor de renda de uma casa que subitamente encontrou mais clientes interessados. Isso obriga-me a mim a investir mais: mais tempo, mais mensagens, mais tentativas de interacção, mais viagens/noites perdidas e mais stunt-tricks para me sobrelevar face aos outros interessados. Uma boa parte daquilo a que chamamos PUA consiste nisso: fazer um malabarismo mais engraçado do que o dos outros palhaços ao meu redor.

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Não foi difícil encontrar um PUA que se autodenomina por malabarista (Juggler)

O prémio

O Domingo transformou-se em segunda-feira sem que conseguisse, por entre expectativas e lamentos, regressar à minha cidade. Toca o telefone: P, arquitecta-mundialmente-reconhecida foi visitar a família e quer companhia para jantar numa cidade vizinha. É preciso explicar que arquitecta-mundialmente-reconhecida é um eufemismo para cat-lady desesperada, com os indícios da doença mental a que as mulheres são acometidas quando passam os trinta sem filhos. Anuí: não voltaria à minha terra-natal sem esmegma no caralho. Lá me ponho de malas às costas, para o comboio mais próximo –  Sempre tive o hábito de meter conversa nos transportes mas torna-se difícil, à medida que as miúdas passam mais tempo agarradas aos telemóveis, a perscrutar mensagens idênticas às que postei linhas acima. As redes sociais, como tem dito o Paul Joseph Watson, são essencialmente instrumentos femininos para garantir validação, a mesma validação que me impedirá de lhes comer a rata mesmo quando a recuso.

Avanços e recuos na escolha do restaurante, das horas, do sítio, acabaram com um “vemos-nos mais tarde” porque provavelmente o convite inusitado da P, surgira face à recusa de alguém. Eu era o plano B da P. De facto, saí do trem na cidade dela mas para jantar com um velho amigo que acedeu ao meu convite apenas com uma chamada telefónica; Bastou um telefonema para que o jovem líder político mais promissor da região dissesse à esposa que naquele dia não jantaria em casa e me oferecesse 3 horas porreiras (e o jantar) matando saudades de outros tempos. A vida é fácil quando convivemos entre pessoas mentalmente sãs.

Da P não ouvi mais nesse dia. Só duas semanas mais tarde com um convite para almoçar, sem menções ao sucedido ou um pedido de desculpas por me deixar pendurado no cu de Judas. A minha disponibilidade era ponto assente nos cálculos da portadora de útero-ressequido e as falhas morais e educacionais com que compromete a minha agenda não são alvo de consideração, nem de censura pelos demais frequentadores do Tinder que se disponibilizam perante a senhora, na medida da sua vontade, em Portugal e nos países que frequenta.

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O Ocidente é Ginocrático

Na peça How many bones would you break to get laid Mike, um guia turístico com #bodycount de 50 que tinha de fazer swipe right 114 vezes para conseguir um match, fez à entrevistadora a mesma pergunta que eu – aos 14 anos – dirigi sensivelmente à rapariga mais bem torneada da turma: “Como é viver como uma mulher boa/normal sabendo que podes mandar vir um fuckboy gostoso do Tinder quando quiseres? Vê-lo assim?”. Na altura não existia Tinder e poucos de nós – excluindo a Maria – já tinham sexo. Mas o propósito do(s) entrevistado(s) não é exactamente foder mas granjear o estatuto social da menina na minha turminha de 9º ano: a babinha no canto da boca, a simpatia, os favores, as mensagens, a atenção, os convites, a companhia, uma vida preenchida. Passaram-se muitos anos desde que lhe fiz essa pergunta à qual ela, como a entrevistadora, não soube responder; ao contrário de quase todos, a Maria casou, tem emprego e filhos. Tudo porque quis. Este leque de opções é um exclusivo feminino – O movimento de dedos, digital, virtualidade irrelevante para mim e para os meus colegas tanto no 9º ano como hoje, significa para ela uma opção. Quer ou não quer. Esquerda ou Direita. Swipe

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Está tudo na tua mão (not)

Não é dificil perceber a diferença entre as vidas de um miúdo franzino e uma gaja boa na entrada da adolescência. Mas essas diferenças, desde então, não se esbateram mas acentuaram-se e se na altura teria de escolher entre qual de uma legião de seguidores queria enconar, depois de uma juventude de luxo, pode amadurecer optando por caminhos tradicionais (marido e filhos) ou alternativos (fodanguice e aventura). Só nós não tivemos escolhas nem fomos escolhidos e se na entrada da adolescência estávamos condenados a escárnio, desprezo e uns quantos carolos, quase tudo desde então, nos passou ao lado. Não tivemos liberdade para escolher.

Não penses que a vida vai mudar muito

Deambulei nestas verdades, naquilo que estava a perder – de que a vida me estava a privar –  por (sobre)viver num Ocidente que não me quer, quando voltei a olhar para o telefone, sem mensagens da P. Aí, vislumbrei um cenário distinto para esta tentativa de encontro, com uma marcação efectiva e tudo o que penso ter direito. O que pode esta relação efectivamente trazer-me de tão proveitoso que justifique qualquer esforço que possa fazer por ela? Rata ocasionalmente húmida? Uma prestação sexual qual, a julgar pela quantidade de inseguranças, ansiedades e dificuldades de socialização e expressão individual, deve ser uma merda? Companhia para a trienal de Viena? Contactos de terapeutas e receitas de antidepressivos?

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O custo

Desistindo da epopeia, já no regresso, corri mensagens sem resposta ou com resposta parca que adensam a solidão de milhares de homens como eu. Uma brasileira que está há 3 meses a encontrar tempo para um encontro, apesar de me telefonar quase todos os dias para dizer “oi, hoje fui nacademia” e não se digna a aprender Português sem sotaque de puta. Uma preta que quase me exigiu um matrimónio antes de me deixar-lhe ver a pintelheira. Uma gaja que quer que eu lhe dê dinheiro; Outra gaja quer que eu lhe dê erva. Uma gorda disse olá: o ex deixou-a – trabalhava como homem do gás, ela costumava pagar-lhe; Marcou-se um jantar mas o cetáceo Beirão resolveu-se a aprazer-me com detalhes sórdidos do seu relacionamento vigente, à mesa do restaurante, agora com um muçulmano. Uma Italiana deslocada que, num bairro degradado a quatro mil kms da aldeia pobre onde cresceu, partilha casa com o ex-namorado e su nova pirralha porque não ganha que chegue para se mudar, explicou-me porque é que – mesmo com a autoestima destruída – não me dá o segundo encontro: Tem outro(s); O seu último montador, a quem unidirecionalmente tratava – tal como a gorda e tal como a P – por “namorado”, era “poly”. Online, os respectivos perfis revelavam solteirice. O mundo é dos patriarcas, os outros só (sobre)vivem nele.

Há um aforismo corrente entre putanheiros que conta que todos os homens pagam por sexo: uns através de almoços e jantares, outros em bares de alterne. Acredito que seja verdade, mesmo que muitos o neguem mas o custo mais elevado é imputado aos negacionistas: o ginásio e as horas que lá perdem, a energia que aí gastam, os copos e o combustível moral de odisseias noctívagas, custos logísticos, entradas em clubes e respectivas deslocações, livros e viagens que preenchem conversas demonstradoras de valor, vestuário, mensalidade do Tinder, mensalidade de um apartamento estratégicamente localizado numa área residencial gentrificada, cosmética, aulas de dança/línguas e propinas académicas. Aos 29 anos, o custo por foda do nosso Roosh era de 3100 USD – 2790 € actuais. Na medida em que uma miúda da rua trabalha por 20 – 50 € e uma gaja de luxo pode chegar aos 200 €, vamos fixar o preço em 100 €, concluindo que se comem 28 putas pelo preço de uma gaja normal.

Com a diferença que se pagares 3000 € por um date, podes voltar para casa com a picha seca como me aconteceu com a R –  deambulando pela área de prostituição numa metrópole do Norte da Europa, percebi como optara mal. O Roosh não monetizou a sanidade mental, aquilo que dispendemos no destrate que a ginocracia reinante nos dá.

A Independência

Ao contrário do PJW, sou a favor da masturbação porque acredito que nos autonomiza de anseios fisiológicos cuja satisfação (de outra forma) passa para mãos alheias. Nesta pequena introdução, o Patriarca, apresenta uma tese que subscrevo integralmente “Um homem, dentro da medida do possível, não deve depender de terceiros”. Embora muitas escolas PUA defendam a cessação do onanismo (NoFAP) o excesso de tusa pode gerar desespero e uma mente bem treinada dispensa pulsões fisionómicas para saber interpretar situações sociais e agir, incisivamente, em conformidade. Não preciso de ter os colhões cheios para puxar o gatilho.

Ao mesmo tempo, sei que a minha libido é exponenciada por factores absortos, mas excepto se me mudar para um convento, não me posso isolar deles. Sem punheta, diletava um amigo, jamais podia existir a lucidez que permitiu ao homem edificar a obra que autoriou. Já sei que na natureza os chimpanzés raramente se masturbam porque não assumem comportamentos sexuais não reprodutivos excepto se estiverem em cativeiro. Em parte, sim, estamos em cativeiro. Mas não nos libertamos a fornicar, só libertaremos em castidade.  O movimento MGTOW, como explica o leitor mjv neste comentário, é composto por esses homens: que realizam e se realizam longe do sexo oposto.

A comodoficação do sexo está assente em desejos humanos que extravasam a fisionomia e para os quais não pode ser entregue uma resposta fisionómica como legalização da prostituição ou a proliferação de robots sexuais; Ambas ficarão muito aquém de satisfazer os anseios, necessidades e desejos dos Incels. Ademais neste mercado, cada agente experimenta uma dualidade em que é simultaneamente comprador e produtor, fonte de oferta e alvo de procura, consumidor e produto. Por isso quando se fazem abordagens de Esquerda e se se questiona se o sexo e a atenção não podem ser igualitariamente distribuídas, recordem-se que a vossa disponibilidade para fornicar também teria de ser igualitariamente distribuída (se esta ideia ainda vos parecer tolerável, recordem-se que muito provavelmente são cobiçados por agentes de consumo homossexuais).

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Se a minha experiência pessoal, os exemplos citados e a contabilidade do Roosh não vos chegarem para demonstrar a disparidade entre o que nos pedem e o que estamos dispostos a dar, fiquem com esta: S, uma jovem pobre e sem estudos a quem fui apresentado há algumas semanas, confessou-me recentemente que se prostituía e chegava a lucrar três salários médios mensais sem taxação; Homens educados, bem-sucedidos, estão dispostos a remunerá-la, dirigindo-se diariamente ao bairro mal-afamado onde divide casa (atempadamente publicarei uma entrevista) apenas para a ter. Aquilo que pagam à S, que poupariam caso tivessem um acesso ao mercado sexual aproximado ao da miúda, é uma taxa fornicatória.

A hierarquização a que são acometidos, contabilizada na diferença entre um montante negativo (remunerado) e um montante positivo (auferido), ainda não os impeliu a revoltarem-se mesmo que as revoltas mais significativas da história hajam decorrido dessa forma: A guerra da independência Americana tomou inicio quando os colonos se recusaram pagar impostos proibitivos sobre a importação de produtos Europeus, nomeadamente o Chá. O mote da reconquista Espanhola em 722, recaiu sob o aumento do Jizya declarado pelo emir Anbasa Ibn Suhaym Al-kalbi;  Em quatro anos, Al-kalbi, foi corrido do emirato Andaluz à porrada e séculos mais tarde os muçulmanos foram expulsos da península e Ceuta. É preciso ver que o Jizya  era o imposto com que os dhimmi, comerciantes que obedeciam a religiões abraâmicas como o Judeísmo e o Cristianismo, tinham de remunerar os senhores feudais muçulmanos e que era usado para pressionar os súbditos a converterem-se ao Islão. Mais tarde, foram os próprios Arabes a revoltarem-se contra a pressão fiscal Otomana.

 

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Cansados de pagar impostos sobre as importações, os colonos Americanos em Boston a 16 de Dezembro de 1773, iniciaram a Guerra da Independência Americana, incendiando os navios Britânicos que transportavam o Chá.

Estas taxas ascendiam ainda uma sensação de impunidade, com negócios de índole homologa sujeitos a regimes taxativos distintos, onde os pobres têm de largar o pouco que têm para que as elites se regalem com o produto do trabalho alheio. A história ensina que para cada Xerife de Nottingham, o fanfarrão que roubava o campesinato Britânico durante a ausência de Ricardo I, nos confis dos bosques e com uma flecha afiada para fazer justiça e matar, nascerá um Robin de Sherwood. Nunca a injustiça prevaleceu eternamente.

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Aguardemos pelo nosso.

 

 

As mulheres objectificam-se

Quão descabido é a chuPaula Cospe (po) Pinto não ter perdido um membro?

Sou repudiado, humilhado e sanificado todos os dias por causa da minha sexualidade, por facínoras da laia maldita desta e outras jornalistas de sarjeta. O mundo cheio de rótulos proíbe a asserção, demonstração e experimentação da minha sexualidade; Proibir-me-ão tudo menos de erguer a voz e dizer-lhes ao que tenho direito.

A defesa

Se alguma vez existiu homofobia, há muito tempo que se tornou residual, excepção, estatisticamente irrelevante. Mas ainda esta semana, no metro de londres, duas camionas levaram um par de estalos por ser armarem em espertas. Foi, não foi? Foi. Mas são duas camionas num Ocidente com mais de mil milhões de cidadãos que me provam, nas contas internacionais, a irrelevância do fenômeno. São pa cima de 38 milhões de lesbianas, 2 das quais, comendo no trombil fessureiro. 0.00000526315 %. Não são nada. A javarda diz que ‘Tal como já escrevi por aqui antes, são mais de 70 os países que ainda criminalizam o facto de uma pessoa ser homossexual, lésbica, bissexual, transgénero ou intersexos’. Mas em Portugal, bichas algumas serão ‘diariamente privadas do direito à sua individualidade. Internadas em alas psiquiátricas como se fossem doentes, presas como se fossem criminosas, alvos constantes de bullying psicológico e físico’. Os activistas Portugueses precisaram de atravessar 3 nações e o canal da mancha até encontrarem homofobia.

É esse o problema? O desespero da economia de atenção carecer de eventos semelhantes para accionar suas engrenagens. Repare-se: as fufas são sovadas, os cronistas ganham substracto, os jornais granjeiam partilhas, os activistas tempo de antena, os dirigentes políticos agremiam causas e bandeiras que lhes trazem votos e empregos. A homofobia é um filão económico; Sem ela resta-nos a bola. Fosse eu um maluquinho das conspirações, quase podia imaginar que nalgum momento, nalgum ponto do Ocidente, a cada três meses, alguém se organiza para manietar uma demonstração homofóbica, colocá-la na cadeia de valor, extrair regalias. Até porque as mais beneficiadas são mesmo as lambisgoias que recebem brownie points  por alguém com quem nunca falaram, num país onde nunca estiveram, foi vitimado – e a vitimização partilha-se – mas não aceitam serem cobradas ou culpabilizadas pela chacina cometida no Brasil por duas fufas.

Podemos compartilhar solidariedade por todas as fufas do mundo se duas fufas forem agredidas; Não podemos compartilhar responsabilidade por todas as fufas do mundo se Kacyla Damasceno Pessão e Rosana da Silva Candido esquartejarem, mutilarem e assassinarem o filho da segunda com apenas nove anos, que ambas detestavam, por ser homem. Mas a masculinidade é um privilégio.

Pelo contrário, ‘são milhões de pessoas mundo fora que não podem viver livremente o romance, o erotismo, a sexualidade, o desejo, o casamento, o namoro, a partilha, o amor. Milhões de pessoas que são discriminadas, repudiadas e violentadas na sua verdade. Pessoas que têm de fingir ser quem não são para se adaptarem àquilo que dezenas de sociedades mundo fora exigem e esperam que elas sejam, independentemente do sofrimento que isso lhes cause’. Chamam-se InCels

A nós, que não violentávamos, que ficávamos de fora sobre a discussão torneante ao befe alheio, era-nos dado o papel de observadores. Hoje o papel é compulsivo. A cronista que se julga ilegítima para comentar a vivência dos freaks, proibirá num próximo acto, os políticos abastados de se ocuparem da vida dos pobres. É o regresso do Gōngnóngbīng xuéyuán, promovido por uma senhora quem sob o auspicio do Maoísmo, estaria num hospicio com dúzias de chinos, furando-lhe os entrefolhos. Mas o que se segue, comportamentos de mulheres que não podem ser apreciados por homens? Lides de pretos que não podem ser comentados por brancos? Quem é que os tira da selva, e lhes dá de comer? E porque é que a senhora, que não é homem e não é eu, pode escrever nos jornais sobre o que eu posso e não fazer?

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Talvez os beijos de Paula não sejam questiuncula até porque aquela boquinha tem bicho. Os meus são, o primórdio dum processo de assédio que me destrói a vida sem qualquer remédio. Ou o primórdio da violência, num bar de lésbicas em 2009, quando fui agredido precisamente por beijar a minha namorada. Só que o expresso não me deu cobertura. Nem o expresso nem ninguém –  Ninguém quis saber de mim

Uma curta pesquisa levou-me a compreender que a homossexualidade não existe fora dos dias modernos. Isto é, as pessoas fornicavam, mas a sua preferência pessoal não era um elemento identificador. Por isso, não podia existir discriminação. A que existe está confinada a países de bárbaros aos quais o ocidente devia estar hermeticamente cerrado. A bem, antes de mais, dos larilas. A verdadeira inimiga dos larilas é esta puta que os quer trazer para cá.

Ataque

Esta vaca alucinada promove e aplaude a minha discriminação. Quando tentei manifestar-me pelos meus direitos ela esteve entre os que nos quiseram prender e calar. Quando os Americanos que subscrevem a minha luta – os organizadores da inócua Super Happy Fun America – se mobilizaram, as autoridades em Boston boicotaram-nas e a vaca bateu palmas. Putéfia. Não há razões pedagógicas pelas quais se negue o direito de associação e manifestação a um segmento populacional, com necessidades, contendas e direitos civis.

Adiante, a quenga assume que é heterossexual – uma novidade, ou não fosse o seu alardeado ‘feminismo’ não ser mais do que uma desculpa para a intolerância betófobica que temos denunciado  – para recordar que não são todos os heterossexuais quem deve ser calado, mas sim ‘principalmente as que são brancas e do sexo masculino’. Sou eu. É a mim que a Paula quer excomungar.

No passado, pedi cordialmente que alguém molestasse a Maria Pessoa. O Patriarca, pediu à vacoila que fosse para o caralho. Eu lamento que ninguém lhe leve um braço, um órgão vital, uma visita à ala de estupradores da prisão da carregueira, só com bilhete de ida. A megera precisa de aprender uma lição.

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E não teremos direito de resposta formal, no seu jornal, com dados e informação que nos permitam ripostar e conquistar o espaço político e mediático de que esta gentalha usufrui. Seríamos linchados. Temos carreiras e famílias e tudo ficaria em risco porque nos opusemos ao status quo. Porque, tal como os organizadores da marcha, constatámos que somos a minoria oprimida. E que essa opressão é institucional: acontece nos jornais de referência, é promovida pela autarquia de Boston, é instigada pelas redes sociais e suportada pelos governos Ocidentais. Restam-nos os blogs, os corredores subversivos do activismo online onde nunca deixaremos de dizer o que pensamos.

Somos mais livres?

Aos primeiros dias de uma estadia prolongada numa cidade Universitária situada no norte da Europa. Nessa noite, a parafernália noctívaga não terminara fora de portas, pois no hotel onde me quedei, o corredor fora infestado por um numeroso grupo de jovens quem, além da minha paciência, esgotavam pizzas e charros. Os meus skills sociais não foram suficientes para saldar o diferencial etário e o grupo acabou por me alhear; Foi nessa noite que iniciei a divagação que se segue. Foi também nessa noite que instalei o Tinder.

Num episódio da série “Cold Case” um agente do departamento policial de Filadélfia interroga agressivamente um toxicodependente em torno dum homicídio ocorrido três anos antes. “Did you Kill that girl?” questiona o bófia. “No, I didn’t”, choraminga o adito. “Did you?” repete o moina, já aos berros, enquanto aponta os braços na cara do desgraçado. “No!” guincha o agarrado, completamente em pânico. “So, what where you doing in that field?” questiona o chui. “I went for a fix, I was there to score” responde o junkie, apontando para as veias irremediavelmente salientes num dos braços. A porta duma discoteca numa cidade europeia (do norte) maioritariamente universitária, um miúdo dos seus 22 anos. “What are you here for, mate?”. “I’m here to score”. Score: verb, 3rd person present: scores; past tense: scored; past participle: scored; gerund or present participle: scoring. 1. gain (a point, goal, run, etc.) in a competitive game. informal: buy or acquire (something, typically illegal drugs). informal: succeed in attracting a sexual partner for a casual encounter. Vêem as semelhanças?

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Muitos ditos libertários aprovam moralmente a legalização do consumo de drogas aditivas – a liberdade de a perdemos. Mas extinta na Europa a praga da heroína que destruiu uma geração de experimentalistas globalizados, provavelmente a primeira, a sociedade está hoje impregnada de outras tendências aditivas, agora, geracionalmente transversais. Vai ser muito difícil para esta geração legar sucessores e a infertilidade ocidental – compensada pela imigração em massa – demonstra-o. A liberdade individual, que se endeusou como último bastião do progressismo moderno, parece indissociável da pulsão para a sacrificar. Numa alegoria para o iphone, o autor Roosh Valadazeeh prevê a invenção dum instrumento futurista que providenciasse tanta satisfação artificial que os seus utilizadores – no prazo, todos os seres humanos – trocariam a vida real pela sua utilização.

Não é a vida per si – talvez uma fatia sua (3 horas diárias de Social Media? 12.5 % de vida). Mas o conteúdo dessa vida já é confessado e reportado aos Deuses do blockchain. Quando me iniciei na web, os meus Pais recomendaram-me que apenas navegasse se não expusesse nenhum dos meus dados nos chats que frequentava. Depois vieram as redes sociais, onde postei detalhes inocentes como ‘o meu filme favorito’ ou a frase que mais me inspirava. Hoje, o cuck Zuck tem mais informação armazenada sobre a minha vida nos últimos dez anos do que eu próprio e os seus motores de busca providenciam-na a milhares de companhias de publicidade dirigida, o verdadeiro negócio de Silicon Valey. Num blog da manosphere questionavam: Entregarias informação sobre onde vives, com quem te relacionas, ou o que gostas de fazer a uma sinistra empresa online? Nem por um milhão de euros. Mas mais de duas mil milhões de pessoas fizeram-no gratuitamente, compondo o maior Estado (ditatorial) da história da humanidade – O Facebook.

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Um registo de informação único e homologado, converteu-se na nossa identidade online e quase todos os sites permitem registos automáticos, em vez do mesmo extenso, custoso, fastidioso, preenchimento compassado de dados em cada serviço. Por isso podemos usar instrumentos extraordinários como o gmail e aplicações fenomenais como o busuu ou jogar videojogos divertidos como o candy crush, sem custo, pagando com a nossa privacidade, que os geradores de apps e conteúdos venderão a terceiros. Como costuma dizer um bom amigo, se não pagas por um serviço online, não és o cliente – és o produto.

Mas há pior.

O que a internet nos faz

Um sociólogo conhecido afirmou que ninguém compreenderá a era presente sem presente ter de que o ser humano é uma máquina programável. Isto é, a exposição a estímulos capazes de moldar e viciar o cerebro humano, pode mudar – como o faz nas lagostas – a sua própria estrutura, viciada em descargas de dopamina e nos comportamentos que a produzem. Além de nos fazer perder tempo a vasculhar o casamento do colega de infância, o noivado de um primo afastado ou a fotografia em trajes menores da colega boazuda, as redes sociais estão-nos a mudar. A fotografia em trajes menores da colega boazuda seria inviável noutra era; hoje é inevitável porque é esta que concentra atenção e qualquer boazuada (colega ou não) sabe que precisa de estar um passo adiante (nas escalas da sensualidade, do arrojo, da nudez) para  gerar mais buzz do que a concorrência. Ao mesmo tempo, sua confusa, autoritária e enviesada política de conteúdos, claudica a elaboração de certos posts e a discussão de certos temas. Por causa disso, fomos já banidos, mesmo que a plataforma aceite ou até popularize coisas abjectas como os travecas em jardins-de-infância extremando mais uma vez a assunção de comportamentos impensáveis há um par de décadas. Essa é também uma forma de condicionar o nosso comportamento através de um estimulo negativo – Se publicar uma foto desnuda providencia likes e escrever que os transgéneros são doentes mentais resulta numa suspensão, temos uma boa razão para aceitarmos o tema ou pelo menos silenciarmos a nossa opinião.

Image result for pavlov dog cartoon facebook‘Políticas restrictionistas são transversais a todas as comunidades e gajas boas descascadas cativam punheteiros’. Isto é natural à sociedade humana. Mas a net de hoje levou-o um passo mais longe, com algorítmos interpretativos e respostas consequentes.

Internet
Roubado de O Insurgente

Há cerca de meia hora pesquisei por ‘vivendas para compra’ na área urbana de Lisboa. O blog neoliberal ‘O Insurgente’ publicitou-as. Tenho bem presente que os responsáveis do blog não receberam informação quanto às minhas pesquisas e que o economista Ricardo Arroja não repostou o seu texto com imagens cativantes para apelar ao vosso feiticeiro. Tudo acontece por automatismos de máquinas a quem confesso permamentemente os meus intentos; processam-nos e respondem assertivamente com o intuito de me pressionar a optar por uma casa, um produto, um comportamento, uma liderança política. Esta confissão é inadvertida: Uma pesquisa na web, um gosto, uma conversa privada, a adesão a um grupo? Até que estes se auto-propaguem como forma de encaixar e catalogar a populaça. Exemplo: acabei com a minha namorada e, nos dias seguintes, no feed da minha rede social de eleição, surgiu-me a história sobre como um psicólogo canadiano deslindara o mistério da sedução feminina coisa que, solteiro, me faz imensa falta. Um par de pesquisas mais, levou-me à comunidade PUA, um grupo que, como qualquer grupo , gera uma caixa de ressonância que opera por retroacção positiva, onde todos partilham e reforçam crenças torneantes a alguns aspectos específicos do processo sedutivo. Eu, que me havia juntado com o intuito de encontrar outra cara metade e esquecer a antiga, dou por mim submerso nas maningâncias metafilosófias do engate, criando novas relações interpessoais e rotinas além de cambiar os meus credos.

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Vamos analizar passo-a-passo a sequência ficticia que acabei de narrar. A pressão do grupo e das novas amizades que forjei têm um impacto tremendo nas minhas decisões e visões subsequentes. Antes de o alcançar, ‘tropeçara’ no Mystery Method e nas receitas milagrosas para conquistar conedo com o paleio – creio que o livro, publicado nos anos 90, estava no feed, o instrumento de discorrência infinita que a big coorp utiliza para alimentar o meu cérebro com a sua propaganda. E antes disso, eu cambiara o meu estado relacional para que os meus ‘amigos’ soubessem que regressara ao mercado dos solteiros. E tudo aconteceu por acaso. Ou não?

Acaso o feed me conduzisse a uma loja de bonecas insufláveis online, à pornografia, ao portal privado, à colectânia do Jack Donnovan ou a uma agência de viagens especializada em pacotes ‘Filipinas+Tailândia’ e o desfecho desta história teria sido outro. O problema é deixar-me guiar por um algorítmo que me conhece tão bem que sabe como me enganar.

Fui Enganado
Passou-se há três meses, numa tarde de sexta-feira. Combinava uma saída com um amigo de há anos para uma festa onde encontraríamos muitos velhos conhecidos, colegas e rivais. Era um momento importante para mim, denso e emocionante. Talvez por isso me sentisse um pouco nervoso, enquanto combinava o plano, logo a seguir ao almoço. Para relaxar, espreitei o Tinder onde uma conversa emergiu. Era a C e a C não se fez rogada, deu-me o número e agendou um encontro. Um par de horas mais tarde apanhava-a no Rato, bonita (embora mais gordinha do que as fotos mostravam) e carismática. De um café para um bar, para um par de cervejas entre muitas conversas, estavamos-nos a dar bem. Quando a deixei à porta de casa, trocámos um beijo e combinámos outro encontro na semana seguinte. Que na verdade se antecipou para horas mais tarde, pelas 22, uma hora antes do que agendara com o meu amigo.

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Em casa dela, as coisas descontrolaram-se. As horas, digo. A primeira volta puxou uma segunda e só na rua, à frente do parlamento nacional, me apercebi do quanto me distraira: pela praça de são bento ecoavam os sinos duma igreja local, quatro badaladas. Quatro da manhã.

Enquanto me desfazia em desculpas para com o amigo que deixara pendurado, fitei o edificio de estado com uma preocupação acrescida. O compromisso que trocara por algumas horas de companhia agradável, era lúdico e pessoal. Mas imaginemos que não fosse. Imaginemos tratar-se de uma actividade consequente, onde a minha presença podia decidir uma opção social de fundo ou destituir a manutenção de um governo em funções? Serei assim tão fácil de manipular? A verdade é que para preservar a integridade do meu discernimento, optei toda a vida por não me entregar ao vício, não fumar nem beber, não consumir estupefacientes nem ócio. Mas a cona… Talvez fosse o meu ponto fraco. E os mecanismos que lucram com o meu estado relacional, que beneficiam da informação que em seu torno submeto gratuitamente no computador, que ganham com as minhas conquistas e/ou frustrações sexuais, e que potenciam a minha líbido pois sabem-na motor de irracionalidade e fraqueza, podem emparelhar-me com alguém compatível, suficientemente leviano para conduzir a este desfecho e igualmente insciente do processo através do qual o Tinder, o instagram, o facebook, o twiter et al, nos acometem conteúdo e emparelham.

Como avisou Paul Joseph Watson, ‘ninguém devia surfar na web’ porque ela tem corrente e pode levar-nos substancialmente para longe da costa ou de onde queremos chegar.

Uma bolha dourada

Quando me juntei às redes, fi-lo convicto de que alargaria o meu espectro de informação, acesso a fontes diversas e visões distintas. Mas uma interacção numa fotografia exótica, num post político, informa a rede de que sou sensível àquela tipologia de conteúdo, de opinião, criando um engagement auto-induzido. Em semanas, a minha interacção social na rede estará confinada a semelhante génese de dados e aos seus autores, encerrando-nos numa bolha, reforçando os nossos laços e claudicando os restantes. Pior: fornece uma percepção falseada sobre ‘o que as pessoas pensam’ sem dar conta de que o espaço de trocas de informação é muito restricto e exclusivo a um posicionamento. O Feed é fed a interacções, de circulos limitados de pessoas semelhantes com ideias semelhantes. Por isso, ordas de jornalistas, formados nas mesmas escolas e com valores políticos esquerdalhas viam o mundo da lente do twitter concluíndo tratar-se de uma boa população amostral para prever o resultado eleitoral de 2016. Levaram um barrete, não por estarem esperançados ou desejarem enganar o público, mas sobretudo por não se aperceberem que falavam uns para os outros. Ao mesmo tempo, além de providenciar uma percepção muito errada do mundo exterior, confiamos-lhe na prática que decida com quem nos relacionamos não obstante da distância, nacionalidade, etnia etc. Os critérios são os seus. E está construída para que não a abandonemos, sob qualquer circunstância.

O receio de que a tecnologia nos pode dominar e subjugar data dos seus primórdios – muito antes de I Robot, ou Matrix.  No fim da II guerra mundial, Orwell anteviu o regresso do despotismo: Estados securitários, altamente policiados, onde uma hierarquia reducta impusesse um modo de vido pela força à população. Colocando as máquinas como agentes de controlo, este receio foi reprecurtido desde então com um grau de detalhe cada vez mais elevado.

Onde Orwell se enganou foi na assunção de que será a força a domar-nos. Como o autor Mark Manson bem assinalou, as máquinas que o fizerem serão demasiado inteligentes para desejar combater. Pelo contrário, disciplinar-nos-ão pelo prazer, viciando o nosso cerebro em disparos dopaminérgicos, encerrando a nossa conduta em hábitos improfícuos e degenerados mas jucondos, instigando a nossa libertinagem e luxuria, satisfazendo-a a pedido, controlando-nos. O mundo ditatorial que se adivinhava regressar nos anos 40 e 50 é mais longínquo de Orwell e mais próximo de Aldous Huxley. O sistema de créditos pessoais na China fornecedor de perks libertinos pode estar num futuro próximo. Em V (2009) a raínha e comandante suprema Anna mantém a lealdade do seu exército através da benção, uma benesse de que é titular exclusiva e que providencia euforia, satisfação e apaziguamento àqueles que a experienciam. Ou como me explicou um antigo toxicodependente, ‘Se diriges um centro de recuperação com cem camas e possuis um stach de heroína no gabinete, tens cem escravos’.

Admirável Mundo Novo

Liberdade

A magnamidade do índividuo, representada na tradição judaico-cristã por Nosso Senhor Jesus Cristo, meio homem meio Deus, é a capacidade de raciocinar e tomar escolhas lógicas, que não provenham exclusivamente de necessidades impostas pelo organismo ou pelo metabolismo basal. Distingue-nos da bicharada. Os Ocidentais – Os homens que mais fizeram para projectar o poder do índividuo e a dignidade da pessoa humana sob a natureza – edificaram a sua sociedade nos últimos dois mil anos em torno da ideia (inexistente em todas as outras culturas) de que podemos conduzir a nossa vida como desejarmos. Sem isso, ideias como democracia e justiça, mercado e carreira, virtude e pecado, são inadequadas.

A esse ponto, julga-se, com alguma arrogância, como através de várias revisões fundamentais – da Reforma ao concílio do Vaticano II – a sociedade Ocidental foi capaz de melhorar os seus hábitos e funcionamento interno, comparando soberanceiramente a nossa forma de vida e a das zonas do globo que ainda são controladas pelos Bárbaros – países onde os casamentos são decididos pelos Pais e a filiação social é castradora. Assim, e desde a revolução sexual dos anos sessenta, julgavam que aumentavam a nossa liberdade. O que talvez não tenham percebido é que, nas palavras da feminista Camile Paglia, a demanda por liberdade através do sexo está condenada ao fracasso.

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Há as acusações de Houellebecq e dos RedPillers de que essa liberdade é a das mulheres comerem picha alfa e ignorarem a restante; uma liberdade celebrada à custa da minha liberdade. E a constatação de que libertar-nos das normas sociais é uma forma de nos tornar reféns dos nossos desejos mais rasteiros, viciados na dança e na atenção. Mas entregues às mãos de um algorítmo? Ora vejamos: No passado, as nossas opções, os nossos laços e a nossa descendência seria condicionada pelas circunstâncias à nascença, o meio social, a classe e a geografia, a circujacência e a família.

Hoje é o Facebook que decide com quem me relaciono e que grupos integro, o instagram que influência de que forma me visto ou me apresento ao mundo; O Twitter molda as minhas ideias políticas e o meu sentido de voto; a Google Ads escolhe a casa onde vou viver e as viagens que farei; O Pinterest opta pelas modas que vou acompanhar, o Youtube decide que sistemas de crenças assimilarei; O Linkedin encaminha-me para uma carreira; A Uber sabe onde estou porque o Iphone lhe conta quais bares frequento; O AirBnB determina onde durmo e o Tinder seleciona com quem.

Somos mais livres?