Angelika: O profícuo mundo da prostituição de luxo [Entrevista]

Desmultiplicam-se por cenários, tipologias serviçais e países de actuação – pelo menos dentro da UE, onde não conhecem fronteiras. Utilizam com mestria as redes sociais e uma infinidade de instrumentos internautas que as permitem chegar melhor ao cliente qual, apesar de todas as chamadas vitórias progressistas, nunca esteve tão disposto a pagar tanto por tão pouco. Pintam com as aguarelas da modernidade, a profissão mais velha do mundo

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Encontrámos-nos num subúrbio manhoso duma capital do Norte da Europa. Nunca ali tinha estado mas ouvira relatos de locais que equiparavam o bairro às vilas iraquianas: Crime, tiros, explosões, num dos países estatisticamente mais seguros do mundo. Ali, por entre as mulheres de burka e dezenas de crianças que entusiasticamente gravitavam em torno de cada, entre os homens de olhar agressivo e barba comprida que acompanhavam as primeiras, reconheci-a. Angelika, conhecida online por Amanda, botas de salto alto, nascida no ano da expo. Elegante, dois sinais na cara, o inglês tem falhas, a segurança não. Enquanto a observava, alternava entre três telefones, manuseando-os com destreza. Avisou-me que estava sem tempo porque esperava por um e-mail sobre o contracto de alojamento e, sem que desse por isso, roubo-lhe as coordenadas do facebook (adicionou-me online no fim da conversa). Sem guião, mas com algumas guias, questionei-a. Paguei à cabeça. E expliquei-lhe ao que vinha

– Fui primeiramente ao site, ao site onde te encontrei, porque queria conhecer mulheres.

– Porquê?

-Porque é que tens um emprego? Porque é que tens um mercado de gajos que estão dispostos a pagar para estar contigo e que te permitem não trabalhares em mais nada que não nisto?

– Então és um jornalista?

– Não, não sou.

– Então porque é que estás aqui?

– Porque percebendo que seria uma opção pouco esperta pagar para ter sexo, achei que seria adequada para este projecto. Eu e uns amigos estamos a escrever um blog da chamada “RedPill”. Este é o tipo de assuntos que tratamos e escrevemos. Por isso perguntei-lhes “o que pensam se eu entrevistar esta miúda, esta” não sei bem o que é que tu própria te intitulas. Todos responderam “excelente ideia” mas foi só isso. É que geralmente, as entrevistas que fazemos, são extensamente preparadas e todos acrescentam várias perguntas. Desta vez só aplaudiram a ideia mas não me deram nada. Em todo o caso, pareces-me uma rapariga interessante.

– Obrigado! Vou só agarrar a minha mala porque, bem, considerando o bairro em que estamos…

– Deixei a minha bicicleta destrancada.

– Isso é ousado.

– Sabes que é a primeira pergunta que te faço. Este é suposto ser um bom negócio e tu cobras imenso, mas vives aqui…

– Como assim?

– Tipo, pelo que me disseste, parece-me muito.

– É diferente. Eu agora vou para a Polónia trabalhar

– Tu és polaca.

– Sim, mas agora vou lá apenas para trabalhar. Por exemplo, gastei 80 € por um bilhete de avião e vou ganhar cerca de 60 € por noite mais, talvez, 150 € durante o dia.

– Durante o Dia?

– Durante o dia. Por isso, vou agora para a Polónia – já viste? Polónia! – para trabalhar…

– Mas o que te pagam as pessoas para fazeres durante o dia?

– Para encontrar, almoçar, arranjar um quarto – Como se diz? Arrendar – Sim, arrendar – Arrendar um quarto, para fazer striptease, massagens… o que queres?

– Eu não quero nada a não ser ouvir-te! É a melhor parte. Portanto, vais voltar para a Polónia, o país de onde vens, para trabalhar apesar de viveres aqui no Norte da Europa. E há gajos polacos dispostos a pagar imenso para fazeres essas coisas.

– Exacto

– Mas então o que estás aqui a fazer?

– Estudo aqui!

– Fixe! O que estás a estudar?

– Às vezes arrependo-me de ter vindo para aqui porque aqui não consigo ganhar dinheiro como na Polónia, em Varsóvia, eu fazia pelo menos 500 € por noite. E aqui dizem-me “500 €? Estás a brincar?”

– Mas aqui são mais ricos.

– Sim, mas não querem pagar por sexo… tanto.

– Porquê?

– Não sei

– Dizes que vais à escola aqui. Também trabalhas?

– Não. Não estou legalizada… preciso dos papeis para poder trabalhar, para ter bolsa de acção social escolar e tudo mais.

– O que estudas?

– Gestão de Marketing. Mas é um curso de bacharel. Quero fazer um mestrado ligado à bolsa de investimentos… Sabes, talvez me candidate a uma boa escola, deixa ver onde. Talvez na capital.

– Estudas na faculdade local?

– Sim

– Tenho bons amigos lá, um dos meus melhores amigos estuda contigo. Talvez ele te conheça.

– Oh

– Tipo, tens colegas? Dás-te bem com eles? Os teus colegas sabem o que fazes para ganhar a vida?

– (riso) claro que não. Bom, tenho uma amiga que sabe o que eu faço e que me protege. E quando vou a algum lado, sabendo que uma pessoa me pode matar, raptar-me, trancar-me numa cave, é ela quem – se não souber de mim dentro de vinte e quatro horas – pode telefonar à polícia.

– Isso já aconteceu?

– Não

– Então porque pensas que aconteceria??

– Não sei, em caso de emergência. Precisas de te manter segura

– Se trabalhasses noutro ramo ou negócio, tipo, se fosses uma enfermeira ou prestadora de outro tipo de serviços, também pensarias que terias o mesmo…

– Dinheiro?

– Não, claro, essa pergunta é fácil. Mas achas que terias a mesma preocupação.

– A mesma preocupação?

– Sim, imagina que és enfermeira e um dos teus pacientes precisa que vás à casa dele ou dela porque precisa de certo tratamento, e tu vais. Também avisarias os teus amigos pedindo-lhes que liguem para a polícia caso não dês sinal de vida em 24 horas?

– Não,  não penso que não. Mas eu sei que este é um negócio perigoso, nunca viajo para fora da Europa porque tenho medo. E agora sei que devo temer pelo mercado de tráfico de seres humanos que continua a existir.

– Claro que continua e em grande.

– Por isso tenho medo.

– Mas porque então porque tens medo disso? Sendo uma cidadão Europeia, sendo profissional…

– Eu não sou profissional.

– Então não te devia pagar!

– As profissionais levam 3000 €/noite.

– Então a diferença entre profissionais e amadoras é o preço?

– Definitivamente! E eu penso que as profissionais têm um melhor nível de vida.

– Padrões de vida?

– Sim, dá-me um segundo (pega no computador) tenho de verificar se (o mail) já veio.

– Se veio? Então uma profissional é a que verifica se o cliente já se veio.

– Não, não é nada disso. Estou à espera dum amigo que me vem buscar para que eu possa ir assinar o contracto de alojamento. Ele é de cá, a senhorio é de cá, não falam Inglês.

– E tu não.

– Não. Só sei dizer “Obrigado”.

 – Eu nem isso. Mas isto é fascinante porque dizes-me que se fosses enfermeira, não pensarias que os teus clientes te poderiam fazer mal, mas como trabalhas neste ramo – chama-lhe o que quiseres – partes do pressuposto que os clientes te podem fazer mal. Portanto, tens um preconceito contra os teus próprios clientes, isto é, um preconceito contra os homens que pagam para ter sexo. Mas se os homens não pagarem para ter sexo, como acontece aqui no Norte, não conseguirias ter uma vida… Felizmente, que existem homens dispostos a pagar para sexo, certo? Senão, não terias dinheiro.

– Não tenho a certeza que compreenda o que estás a dizer. Todo o tempo em que tenho medo de ir a casa de alguém, e se não teria caso lá fosse como enfermeira? É a mesma pergunta?

– Sim

– Porque as enfermagem tem outro carácter e, por exemplo, quando vais a casa de alguém como enfermeira, encontras alguém na cama, inamovível, e que estará acompanhado por outras pessoas; É diferente ires a algum lado onde só está um homem e eu sou uma mulher, portanto, ele será mais forte do que eu.

– Mas sendo homem, também já fui paciente, já tive enfermeiras em minha casa para me cuidarem, sofri muitos acidentes. Também tive uma namorada enfermeira que passava a vida a ir a casa de outros homens para fazer tratamentos e não tinha medo deles. Mas tu tens medo dos teus clientes

Sim, tenho. Só me encontro em hotéis.

– Mas ao mesmo tempo, são os teus clientes quem te permite viver

– (risos) tens razão.

– Ok, deixa tentar outra. Tu cobras muito. Menos do que as profissionais, mas cobras uns 500 €/noite? (sim). Mas vives no pior sítio onde já estive neste país.

– O pior?

– Estou aqui há meses e nunca tive num sítio tão mau como este. É fantástico, obrigado por me dares oportunidade de visitar o gueto.. Portanto, o negócio está a ir bem?

– Aqui? Não. Nunca tive um cliente de cá. E tentei. Quando vim, pensava “rica Europa do Norte, ricos europeus, vai ser melhor do que trabalhar na Polónia”, não. agora, vou para a Polónia trabalhar.

– Mas sabes que todas as coisas que tu fazes são legais aqui. Os bordéis são legais, os strips são legais, há um bairro enorme na capital apenas dedicado a actividades sexuais,

– Já ouvi falar, chamam-lhe uma espécie de red light district do norte.

– Então se tudo é legal, porque não trabalhas sobre os trâmites legais?

– Porque teria de pagar  impostos aqui em vez de os pagar na Polónia. Na Polónia não pago nenhuns. Lá é legal e ilegal. É ilegal forçar alguém a fazê-lo ou beneficiar do trabalho sexual alheio. Portanto é legal e ilegal. Na Polónia eu posso fazê-lo, ninguém me pune por isso e não tenho de pagar impostos. Aqui, tenho. E aqui, a sério, querem-me pagar 150 € por tudo.

– Isso é pouco?

– Muito pouco

– Os preços nos bordéis estão entre 80 e 130 €. Achas que é pouco?

– Para mim, muito.

– Mas mesmo as escorts profissionais, aqui, levam 200 € por hora

– É pouco.

– Porquê?

– Porque eu não gasto apenas a hora em que estou com o cliente. Demoro pelo menos duas horas mais a preparar-me (agarro-lhe no cabelo com ar de desaprovação) Hoje não, não me arranjei para vir cá, desculpa, não tenho maquilhagem nenhuma e para me encontrar com um cliente levo maquilhagem, visto umas roupas decentes.

– As tuas roupas nem são más…

– Sim, mas tenho de tomar um banho longo, arranjar o cabelo, esfoliante, pôr cremes para ficar com a pele muito suave (volto a tocar-lhe na mão com ar de desaprovação), não não, não me preparei hoje, mil desculpas…

– Isso incomoda-te? Tipo um trabalho ou uma tarefa, como num emprego das 9 às 5. Pensas, “oh , não, bolas, lá vou eu trabalhar” e em vez de 3 horas de reunião, são 3 horas de banho, 3 horas de cabeleireiro, isso aborrece-te? Preferias não o fazer?

– Eu não gosto de o fazer. Se pudesse escolher, nunca usaria maquilhagem e até acho que não preciso, mas sabes como é, high class é high class. Portanto preciso de parecer o melhor que consigo. Mas durante o resto do tempo não a uso, não gosto de o fazer, é mau para a pele… Quando te dizem “faz esta coisa que é má para a tua  pele” eu penso, “nããã”. Por mim vou sem ela, tomo um banho curto e estou pronta.

– E isso paga? Tem retorno? Sentes uma diferença grande se… Imagina que tens um encontro, imagina que sou, chego aqui e digo-te “vamos foder” ou o que for. Achas que eu quereria pagar menos porque não puseste maquilhagem, ou não cuidaste o teu cabelo?

– Tu pagas o que eu te pedir, mas da próxima vez, por exemplo, já não te querias encontrar comigo porque acharias que eu não valeria o dinheiro.

– Isso já te aconteceu? Clientes que tentam uma vez e não querem repetir?

– Não, todos ficam satisfeitos

– Isso é uma coisa boa. (risos) Mas porquê? Porque é que vales a pena? Porque razão as pessoas que encomendam os teus serviços, encomendam-no de novo?

– Porque eu os trato bem (volta a olhar para o computador). Peço desculpa, isto nunca acontece mas eu avisei-te. Se fosses meu cliente, teria tudo, facebook etc, desligado e só te prestaria atenção a ti.

– Não te preocupes, eu é que te quero ouvir e em todo o caso, isto está a gravar.

– Porque estás a gravar?

– Porque quero escrever sobre isto. Quero escrever sobre ti. Porque é fascinante. Tu és fascinante. Este conceito é fascinante e eu quero escrever sobre ele. Tenho pensado e escrito bastante sobre este assunto, nas últimas semanas, falei com prostitutas, escorts, fui a bordéis, paguei serviços aos meus amigos e enquanto os meus amigos estão a comer as prostitutas, eu estou a falar com elas e a tomar notas: Em Portugal, França, Alemanha, em todo o lado. E até aqui. Toda a gente fode às minhas custas. Até podia pagar a um amigo para te comer, excepto os amigos que tenho cá e que não precisam disso. Daí que eu quisesse perceber porque é que alguns homens acham que vale a pena gastar dinheiro em ti? Eu já te dei 40 €, mas porque gastaria mais?

– Porque gostam do meu aspecto

– Gostam do teu aspecto? Porquê?

– Se conhecemos alguém cujo aspecto gostamos, pensamos que essa pessoa vale a pena. Não sei como dizê-lo em Inglês, mas quando gostamos do aspecto de alguém acreditamos que é melhor pessoa do que é na vida real. Não sei como dizê-lo, mas há um ditado polaco, tem que ver com anjos.

– Não precisas, eu percebo.

– Eles gostam do meu aspecto, sei fazer massagens, striptease, tudo. Não tenho muita experiência, comecei este ano. Quando estava a viver na Polónia tinha duas relações permanentes, uma na Polónia leste, depois outra quando me mudei para Cracóvia por isso não tenho muita experiência. Vou agora voltar para lá, ver como isto vai.

– Que idade tens?

– 19?

– Claro que não. Claro que não tens.

– Queres ver o BI ?

– Quero (era verdade).

– Oh meu Deus.

– (risos).

– Então, porque é que uma rapariga com 19 anos se mete nisto?

– Dinheiro. Quero comprar um apartamento para viver de rendas.

– Sim, mas como começaste? Como te surgiu a ideia? Tipo, “posso ganhar dinheiro com isto”

– Nem sequer tinha nenhum amiga nisto que fossem strippers ou prostitutas. Mas sempre quis ser stripper, adorava poledance na Polónia. É tipo o meu hobby. Via mulheres fazerem Poledance, ia aos espectáculos, acho que é muito atraente. Gostava de  trabalhar como stripper aqui.

– Há uma casa de strip cá.

– Eu sei, mas candidatei-me à única casa daqui e disseram-me “Oh, muito obrigado, mas estamos cheios este ano e talvez para o ano”.

– O que lhes mandaste? O CV?

– Não, nada de informação pessoal, apenas fotos, a minha experiência como poledancer e uma pequena descrição sobre quem sou eu.

– Quem és tu?

– Angelika… Mas por favor não coloques informação pessoal minha no teu blog.

– Não te preocupes, apenas porei o teu primeiro nome e o ano em que nasceste. Até estou a escrever em Português, só quero o conteúdo. Mas acho que é uma peça extraordinária.  E sabes, muitos dos meus amigos, muitos dos gajos que escrevem comigo adoram a Polónia.

– A Polónia é o paraíso para SugarDaddys.

– Porque há muitas raparigas?

– Sim, porque há muitas raparigas, porque são mesmo raparigas simpáticas, porque há muita gente disposta a pagar… Eles são muito mais pobres, mas usam muito mais dinheiro. Pagam como pagam no Luxemburgo, ou em Londres, por miúdas.

– A minha impressão da Polónia, de quando lá estive num congresso, era a de ver todas estas raparigas muito bonitas sozinhas num canto dos bar, e os homens agarrados a cantar e a enfrascarem-se em vez de prestar atenção às mulheres. As mulheres eram muito mais femininas e muito simpáticas. Tudo era barato, excepto o álcool que é o mesmo preço que o do álcool em Portugal, mas tudo o resto era tão barato. Em Cracóvia tive o melhor almoço da minha vida incrivelmente barato.

– E podes ir à Ucrânia. Ainda é mais barato.

– Ucrânia?

– Sim, Ucrânia. Mas precisas de passaporte para entrar. Podes ir a Lviv que é a capital da Ucrânia, é uma cidade próxima da fronteira polaca

– Desculpa, mas a capital é Kiev

– Ok, desculpa, a sério? Toda a minha vida acreditei que a capital era Lviv. (Mostra-me o mapa) Olha, aqui foi onde vivi. Aqui, aqui, aqui e aqui.

– Olha Odessa… esta era uma cidade muçulmana, sabias?

– Não sabia.

– Não sou grande fã destes países. Mas já andei para aqui. Um bom amigo meu diz que as mulheres mais bonitas do mundo vêm daqui da Bielorrússia.

– Que giro.

– Mas eu continuo sem perceber porquê gastar dinheiro para estar com mulheres.

– Eu também não consigo perceber. Se fosse homem, nunca pagaria a uma mulher por sexo. Se o fosse fazer, se fosse fazer sexo, quereria que ela gostasse de fazer e o quisesse fazer de borla.

– Fazes sexo de borla?

– Não. Agora, nunca. E não quero fazê-lo nos próximos anos. Já tive dois namorados no passado e o segundo era polígamo. Andámos um ano até eu saber, disso e eu aí pensei ‘Ok, ele é polígamo, ele anda a fazer sexo com muitas mulheres diferentes e eu posso apanhar uma doença dele. É o mesmo que ajavardar. É o mesmo risco’.

– Não tens medo de apanhar uma doença tu?

– Não, porque uso preservativo. Mas com ele não, confiava nele.

– Não há gajos que te pedem ou que te oferecerem mais dinheiro para não usares preservativo?

– Não, nunca.

– Nunca te perguntaram

– Nem por 100.000 dólares eu o faria.

– Então, se um tipo pode conhecer outro tipo de rapariga e não usar preservativo, qual a vantagem de estar contigo? Tipo, a tua vantagem. Promove-te como se eu fosse um cliente potencial.

– Mas tu não és um cliente potencial porque eu sou honesta contigo. Com os clientes nunca sou. Não é ser desonesta, mas não posso ser honesta como sou contigo. Por exemplo, aos meus clientes potenciais nunca diria que não gosto de sexo. Porque não gosto de sexo, percebes? Eu nunca tive um orgasmo. Agora percebes porque é que eu não o faço aqui? É um preço demasiado baixo para fazer uma coisa de que não gosto e que me vai enojar, faz-me correr o risco de ficar doente, porque por exemplo a SIDA? Podes apanhar SIDA com preservativo.

 – Eu sei

 – Por isso é um risco, tudo é um risco.

– Bom eu sou um tipo porreiro, não te quero forçar a fazeres algo de que não gostas. Mas vamos imaginar que não era, gostava de te ver a promoveres-te, que me explicasses porque razão te devo escolher a ti e não à próxima tipa.

– Eu não me costumo promover. Estou farta de me vender. Agora até tenho algum dinheiro, é uma questão tua se me quiseres pagar ou não. Tenho muita gente que me quer pagar, sabes? (Mostra o computador)

– Fica aqui o registo de que a Angelika tem 48 mensagens apenas hoje.

– Amanhã haverão mais.

– Não são de cá?

– São de Varsóvia.

– Todas?

– Todas. Está no meu perfil. Aqui na minha descrição (mostra-me um site de encontros que eu nunca vira antes) digo no meu perfil que sou discreta e que não se arrependerão

– (vendo as idades dos solicitadores marcadas dos 18 aos 80 pergunto) 80? Já tiveste algum potencial cliente muito velho?

– Não, mas se eu limitar a clientela aos 40 e um tipo tiver 41, o site não o deixa ver. Eu quero ser vista por toda a gente. Por isso pus o limite máximo. Por exemplo, este site (mostra outro) tem algumas fotos secretas, mas tens de as pagar para ver.

– Pagar? Porque alguém pagaria só para ver fotos?

– Não sei, mas é como funciona o site.

– Bom, tu estás em muitos sites

Sugardates, Whatsyourprice, Seekingarrengement, tinder, tantos outros… e também nos anúncios! Tipo metes um anúncio num jornal ou na Internet, do género “eu quero vender um carro” ou “eu ando à procura dum patrocinador”

– Mas apesar de todos estes instrumentos, não consegues fazer dinheiro por aqui.

– É um mau país para mim.

– Porquê?

– Ainda não percebi. Olha, desculpa, mas podemos-nos encontrar noutra altura, no facebook ou no skype, mas eu tenho de ir agora. Recebi agora o mail e preciso de ir assinar o contracto, estou à espera disto desde Agosto, peço imensa desculpa. O meu amigo já está a vir, tínhamos date marcado.

Date, também é teu cliente?

– Não, é mesmo amigo. Tipo, conhece a minha família

– E a tua família, sabe disto?

– Claro, que não

– Não se questiona de onde vem o dinheiro?

– Não sabe do dinheiro. Tipo, eu tenho cinco contas bancárias.

– Ok, podemos continuar isto depois. Eu espero por ti. Até já

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Uma nota de respeito aos transsexuais

Cessarei toda a chalaça, escárnio ou achincalho dirigido a transsexuais – indivíduos que se submeteram a uma cirurgia de mudança de sexo. Serão substituídos, doravante, por empatia, solidariedade, compaixão – também partilho a sua dor, também combaterei a sua luta.

Foi nas primeiras palavras de Warren Farrell – porta-voz da segunda vaga feminista e pai do Movimento dos Direitos dos Homens (MRA) – que me apercebi do erro que cometera outrora ao perseguir os transsexuais. Diz o Professor: “Vamos começar pela nossa cegueira. Pensem quando ouvimos falar de um agente da polícia que alvejou um rapaz preto. Rapidamente protestamos, dizendo que “As vidas dos rapazes pretos importam” mas ninguém pensa em mencionar que “as vidas dos rapazes importam. “Rapaz” em “Rapaz preto” é invisível”. Transsexuais – indivíduos que se sujeitam a uma intervenção cirúrgica para trocar o sexo. Há surpresa em constatar que a grande maioria dos seus aderentes, é homem?

O que leva um individuo a proceder à sua própria castração? Em todas as partes do mundo, o procedimento era aplicado sobre prisioneiros de guerra, adversários derrotados. Está na mitologia grega (em representação do complexo de édipo, milénios antes de Freud, o senhor do Olimpo castra o próprio Pai) e era prática corrente na China onde eram confiadas, aos jovens capados, as esposas dos senhores feudais. Assim também se fazia nos haréns Otomanos e no médio Oriente. Num filme que vi sobre um império médio-oriental, o tutor da princesa (filha do imperador) deseja sexualmente a tutorada e é apanhado pelo todo-poderoso num desses desvaneios. É-lhe dado a escolher: “castração ou morte”. Um dos argumentos para viabilização da transsexualidade bate precisamente nesta tecla: a taxa de suicídios entre os homens a que não deixamos que cortem a piça. Estamos a dizer a esses homens “castração ou morte”

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Que surpresa (not)

Promoção

Há dez anos ninguém ouvia falar de transsexuais e a palavra “género” era usada em substituição de “sexo” quando se queria referir, sem enganos, à tipologia sócio/psicó/biológica de um individuo. A forma como hoje muitos de nós – inclusive redpillers – falam de género, foi desmontada pelo José Manuel Fernandes. É através destas pequenas invasões que as ideologias se instalam sendo depois muito difíceis de expurgar.

A ideologia de género apareceu depois da legalização do casamento homossexual. Serviu para ocupar as agendas reunidas, as carreiras construídas e os meios mobilizados em torno do contrato civil de união entre pessoas do mesmo sexo. Enquanto que muitos o apoiaram, convencidos de ser uma causa estanque – talvez estendida à polémica co-adopção – pensadores como César das Neves viram-no como um foot on the door, a primeira e mais aceitável de entre um turbilhão de causas gradualmente mais aberrantes, que não ia parar por ali. Hoje é praticamente omnipresente e os eventos gay  com cada vez mais letras do alfabeto, ignoram cabalmente os visados originais dedicando-se a públicos mais estrambólicos. No livro transiberic love Raquel Freire lança farpas permanentes aos homens a quem chama de gays ricos, prevendo a balcanização agressiva da malta bicha.

A sua entrada igualmente agressiva nos meandros educativos não serve apenas para gerar confusão ou inspirar o parricídio. Tem o propósito de pressionar os rapazes menos aptos a escambarem o sexo afim de serem aceites. É um desprezível ataque sobre a masculinidade, oferecendo a auto-mutilação como porta única de saída para uma vida de desprezo. O mais inaceitável é verificarmos a capacidade de alcance desta campanha atroz. Na wikipedia, podemos ler para trans-woman, “is a woman who was assigned male at birth” (uma mulher que foi registada macho aquando do nascimento). Ou seja, um gajo. Uma instituição em cuja credibilidade e validade cientifica confiávamos já está tão contaminada que diz aos homens que são mulheres. Que não são homens. Que deviam detestar o corpo e os genes com que nasceram e que esta condição, a dualidade discrepante corpo/espírito, é uma imutável condição de nascença. Devem perecer na maca dum cirurgião ou sumir.

Por esta monstruosidade vale também a pena apontar o dedo aos progenitores. todos os Pais que premeiam e incentivam comportamentos desta índole, que esperam atenção, reconhecimento e validação pela sua abertura de espírito. Ter um filho transsexual, em países como o Canadá, é o equivalente ao que era, na geração dos meus bisavós, ter um filho comunista – motivo de orgulho. Mas se um individuo interferir activamente com a genitália da prole, não lhe chamamos pedófilo? Não se a interferência em causa for no sentido da mutilação. Talvez tenha copiado a prática do médio-oriente onde as mulheres – tidas, por razões economicistas – como o sexo fraco, são submetidas. Mas do livro biográfico de Miguel Marujo e Octávio Lousada “António Costa”, fiquei a saber que Maria Antónia – mãe do primeiro-ministro – tentou pôr o filho a brincar com bonecas. Educação diversificada? Devia era estar presa

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Não leiam

Resistência

Como escrevi aqui, não sou um fanático das expressões de género. Pelo contrário: Nada me agrada mais do que ter mulheres a laborar e a despender como homens, ou não fosse o feminismo, uma estratégia capitalista. O problema é esta tese partir da antítese: que os papeis de género são fixos e fechados, que as preferências pessoais, gostos, opções estão tipificadas sobre a caixa estanque do género; que se um rapaz gosta de cozinhar ou tiver traços comportamentais femininos, não é um rapaz mas um candidato a ser operado numa salsicharia. Quer-se fazer esta avaliação o mais cedo possível para moldar a cabeça dos infantes o mais cedo possível e inspirar-se-á o medo nos que mais depressa se aperceberem do engodo: o miúdo que efectivamente gosta de bonecas mas não quer ficar sem a pichota vai viver até tarde o mais possível longe delas.

É esta ideologia que associa o gosto das bonecas – e eu gosto muito – à homossexualidade e às parafilias enquanto os seus opositores não vêem mais do que isso mesmo: um gosto, uma preferência, um detalhe que se esgota em si próprio. Dessa forma, a ideia revolucionária não está em permitir às pessoas trans (que não existem) a utilização da casa de banho alheia, mas em tornar todas as casas de banho mistas como acontece nos países nórdicos. Tudo o que diversifique géneros e atribua direitos excepcionais a indivíduos (frequentemente com problemas mentais) não é mais do que inconstitucional e as definições adjacentes deviam ser banidas da lei vigente. A legislação dos transsexuais espelha o mesmo que se viu com os panascas: a incapacidade de compreender que a realidade é sempre mais extensa e serena do que a caricatura legal.

Por brutalmente ditatorial, o conceito neomaoísta de género também não aceita a ideia de escolha. Recusa que um tipo opte por mudar de sexo e mudaram cirurgicamente o titulo da cirurgia “sex reassigment” como se a operação repusesse ou corrigisse algo erradamente definido. Perante a lei, esta ideia pretende forçar o estado a soltar fundos monetários extensos numa intervenção que não cura doenças nem salva vidas e não é mais do que um capricho pessoal; perante os doentes, indica-lhes que não têm escolha porque nasceram assim – diferentes, desencaixados, transgéneros. Dizê-lo a crianças pequenas, a adolescentes confusos, consistentemente aos mais influenciáveis e aos mais fracos, é criminoso e devia ser criminalizado. Temos de o impedir. Temos de lhes dizer que é mentira.

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Temos de lhes dizer que é mentira

À medida que vejo estrelas de Hollywood principescamente remuneradas para expandir esta fantochada, para contaminar os filhos do Ocidente com ideias auto-destrutivas, mais me convenço tratar-se de uma estratégia maquievélica, visando a nossa eliminação, telecomandada remotamente. Na China, a castração era uma estratégia de guerra: quando invadiam um território, os senhores feudais mandavam capar os inimigos conquistados para prevenir ataques futuros vindos de uma descendência vindoura. Enquanto vejo os meus semelhantes serem analogamente capados e lhes é roubada propositadamente a possibilidade de gerar descendência, só não discerni ainda, quem são os nossos inimigos.

De novo a prostituição, desta vez contra

Tornou-se sufocante o ambiente incutido à população heterossexual masculina, com demasiadas prerrogativas concêntricas para as julgar meramente casuais. Este é um plano orquestrado contra nós; Temos de o travar.

Já defendi a prostituição, acerrimamente, em nome da liberdade de escolha. Moderei o entusiasmo ao mensurar essa liberdade, nos actuantes e nas actuadas, apreciando as condicionantes que a toldam, minora, que deturpa as escolhas individuais. A prostituição parte de Foucault (“Tudo é permitido, nada é possível”) e de MC Xeg (“Foi por isto que lutaram ou foram apenas o que conseguiram). O mercado nasce da necessidade; o mercado da prostituição nasce do desespero. O país que outorga um rendimento mínimo de subsistência, extrai condições mínimas de sobrevivência. A mim e aos meus. Aos nossos.

Não sei se é a profissão mais velha do mundo e muitos antropólogos questionam-no com fiúza. Facto é que nasce de uma premissa que ao longo da minha experimentação sexual (uma que dura há mais de meia vida) tenho provado persistentemente estar errada: a de que a sexualidade feminina tem um valor económico positivo (é trocada por dinheiro) e a sexualidade masculina tem um valor económico negativo (é trocada com dinheiro). Isto é mentira. Um trajecto direccionado à igualdade entre sexos (géneros, só os botânicos) condenaria esta leitura; A inclusão das mulheres no mercado de trabalho e os direitos laborais que granjearam, têm de ser contrabalançados com a respeitabilidade da sexualidade masculina, uma valorização legislativa do homem enquanto providenciador de (maior) prazer à contraparte. Mas o que vemos nós?

Pacotes legislativos que castram a nossa heterossexualidade. Sucessivamente. Compulsivamente. Impiedosamente.

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Quando legalizaram o casamento entre paneleiros, não interessava realmente o casamento – a maior parte dos seus promotores desdenha profundamente o matrimónio – mas sim passar uma imagem pública de aceitação da homossexualidade. Quando aprovaram as quotas para mulheres, não interessava realmente ter mulheres na política – a maior parte dos seus promotores desdenha profundamente todas as mulheres  que tiveram um papel de relevo na polis em vez de coadjuvarem esposos, amantes ou familiares, de Thather a Ferreira Leite – mas passar uma imagem pública de promoção à igualdade no acesso aos lugares de poder. Com a legalização da prostituição, não interessa realmente a prostituição – a maior parte dos seus promotores nunca frequentou um serviço sexual  – mas passar uma imagem pública de que os homens devem satisfazer as suas necessidades sexuais a troco de dinheiro. Dinheiro que passa a ser taxado. Querem a heterossexualidade a pagar IVA.

A maior parte dos seus promotores repudia a frequência dos serviços sexuais. Na entrevista a Alexandra Oliveira,  a puta Câncio vai tão longe no desprezo a que vota os clientes da prostituição, que apresenta as desgraçadas como “predadoras”cujo controlo sobre o cliente vai ao ponto de “recusar sexo sem preservativo” ou “sexo anal”. Ao cruzar a esquina do Instituto Técnico, nalgumas zonas obscuras do Monsanto, observando as mulheres da vida ao frio e à chuva durante horas para fazer 10 € por um broche a um trolha, deixarei de sentir complacência ou solidariedade. Afinal, elas são “comerciantes” e “sexualmente activas”. São o pináculo da civilização progressista.

O que Alexandra Oliveira não respondeu neste escarro jornalístico foi o que me disse a mim, em pessoa, há 5 anos atrás: “Nenhuma mulher escolhe ser prostituta. Não há nada pior do que fazer Amor com alguém de quem não se gosta”, ouviu de uma meretriz. Como também não mencionou que sem os tenebrosos e repelentes clientes, as prostitutas morrem à fome.

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Pináculo do progresso social na Avenida Rovisco Pais; Candidata a broncopneumonia

As prostitutas que conheci em Lisboa eram filhas das classes industriais, criadas nos subúrbios,  vítimas de todos os fenómenos que recaem sempre sobre os mais pobres – do desemprego à gravidez precoce. Na Alemanha, as prostitutas eram maioritariamente emigrantes de Leste, da Moldávia e da Roménia, estados falhados com governos corruptos. A Esquerda combate o colonialismo e seus vestígios, mesmo que este tenha terminado há mais de meio século em Portugal (e há mais de um século nos restantes países), mas era hábito dos colonizadores trazerem mulheres das terras conquistadas para as fazer render na metrópole – Luís de Camões, em Lisboa, vivia às custas de uma prostituta Macaense. A Esquerda combate o economicismo das relações internacionais que hierarquiza povos e nações, subjugando os mais fracos; Foi porém a fraqueza das economias da ex-URSS – outrora estados comunistas – que gerou os fenómenos de emigração em massa através dos quais estas mulheres acabaram, viabilizados por Schengen, a vender-se à toda-poderosa Germânia. A Esquerda opôs-se ao neoliberalismo, ao capitalismo selvagem, à necessidade de espremer as contas públicas para saldar défices e dividas custe o que custar, mas no desespero, os legisladores são capazes de ceder as próprias mulheres se isso gerar receita fiscal e possibilitar saldar computo. A Esquerda opôs-se à escravatura mas o que são estas mulheres que abrem as pernas para poder comer? Trabalhadoras independentes?

Em vez de instrumentos carnais de satisfação lúbrica, nos sumptuosos quartos de Colónia, eu vi as colonizadas, despojos do triunfo ariano sobre as nações eslavas. Autorizar a prostituição é dar corpo jurídico à profanação do corpo físico, é tabelar a intimidade da mulher. Representa o machismo porque valida a fêmea na sua exclusiva função prazenteira e o feminismo porque monetiza o direito do homem ao prazer. Corresponde ao regresso do feudalismo quando os detentores da terra (hoje, do capital) podiam usar e desposar as filhas dos camponeses, ao mais barbárico capitalismo porque outorga direitos superlativos aos mais ricos. Legalizar a prostituição é um instrumento sociopata de opressão sob a sanidade relacional, disposta a regulamentar beijos e carícias; é o mais vil mecanismo da burguesia promovendo a subordinação da mulher ao grande capital, a submissão do fraco ao mais forte, a exploração do Homem pelo seu igual e muito me custa que esteja a ser apresentada por um conjunto de gente inefável mas que se diz Socialista.

Também se diz progressista mas não fará mais do que expandir o preconceito que recai sobre os homens que solicitam prostitutas. Além de as tornar mais caras.

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Socialismo do século XXI

Continuará a haver prostituição com ou sem leis para tal, frutos da incompetência legislativa e executiva – as mesmas forças policiais que não conseguem impedir a entrada de droga na cidade, serão demasiado fracas para encerrar os milhares de prostíbulos ilegais que existem há décadas pelo país. A alternativa dos seus clientes, no combate contra a solidão, é a paneleiragem. Neste momento já lhes vendem como normal a ideia de acasalar com um homem sem piça, e também essa é uma forma de manipular e inferiorizar os homens – sub-humanos. Fazem “o segmento mais perigoso de qualquer sociedade” sentir-se menos merecedor, dando “migalhas” a fim de nos controlar.

Além do Portal-privado, dos serviços de escorts Europeus e de um website chamado Seeking Arrangement, um Tinder remunerado onde os homens apresentam o seu networth ao invés de fotografiasexiste já um serviço de arrendamento de namoradas onde um tipo pode pagar a uma central proxeneta para lhe dispensar alguém que finja suficientemente bem que gosta dele. Não existem vozes em contraditório quer pelo receio de ser publicamente visto como conservador (ou pior, machista!) quer porque muitos homens esperam finalmente quebrar a solidão, abrindo os cordões à bolsa. Parece ser uma forma diplomática de excluir os homens indesejados do mercado sexual, erradicando-os dos bares e discotecas (onde já têm dificuldades de entrada), pela porta dos fundos.

Na canção Lori Meyers, da banda NoFX, uma actriz porno (prostituta filmada) reporta ao jovem Mike Burkett (vocalista) “pensas que vendo o meu corpo, meramente vendo o meu tempo”. Porque razão devem os homens heterossexuais com princípios combater a legalização da prostituição? Para deixar claro que o tempo de pega alguma é mais importante do que o nosso.

Untermenschen

Sou um homem branco heterossexual no Ocidente. Sou Untermenschen

“Precisas de ajuda?”. Não conhecia a língua que falava, mas sabia ser esta a tradução. A frase repetida 3 vezes, depois por mais outra rapariga dirigidas àquela com quem eu conversava, que afagava o cabelo e me tocava no braço durante uma festa por volta das duas. Conheço aquele guião desde criança, o que assume que uma rapariga que converse com um rapaz está permanentemente em perigo e necessitando de ser salva. É uma humilhação a que estive sujeito toda a vida, como do cigano que entra numa loja e assiste aos proprietários protegendo a caixa registadora. Sou depois interpelado por um rapaz embriagado que procura fixar a minha atenção enquanto que as moças agarram (fisicamente) a minha companhia e a transportam para longe do meu raio de alcance. Depois de o ignorar, um segundo, sisudo, da soleira da porta do espaço do ajuntamento onde já sei que não posso entrar, fala-me em tom grave para me advertir “esta é uma festa privada”. “Não tencionava entrar”. “Mas também não podes estar aí, vai-te embora”. Ainda o ouviria oferecer companhia a uma desconhecida, pela estrada, pela noite fora “Olha que este é um bairro perigoso”, como o verifiquei, calcorreando-o sozinho, sob um risco estatisticamente superior de ser assaltado, agredido ou morto ao de qualquer mulher. Conheço todavia o regimento qual determina a irrelevância do meu desaparecimento, numa artéria urbana, numa noite Europeia, do plano terreno, no dia de hoje. Sou um homem branco heterossexual no Ocidente. Sou Untermenschen – um sub-humano.

As noted above Egyptians, Ottomans, North Africans have all enslaved other people. There have also been a number of mass killings by people of color: 1949-1976 Chinese Genocide, the Mao government killed 45-75 million citizens1937-1945 Hirohito Genocide, the Japanese killed 10 million Asians 1945-1950 Eastern European Genocide, killed 3 million ethnic Germans and Allied Slavs when expelled after WWII (many living legally)1914-1923 Ismail Enver's Genocide, Ottoman Turks killed, 3 mill (1.2 mill Armenians, 1.4-1.7 Greeks and 5-750 000 Assyrians)1980-1990 Iraq Kurdish Genocide, Saddam Hussein killed 1.8-2 million Kurds1948-1994 N. Korean Genocide, Kim Ill Sung killed 1.6 mill, concentration camps1975-1978 Ethiopian Genocide, Menghistu killed 1.5 mill citizens1864-1867 Circassian Genocide wiped out 1.5 million1967-1970 Nigerian Genocide, Yakubu Gowon killed 1-3 million citizens1975-1979 Cambodian Genocide, Pol Pot wiped out 1-3 million citizens1994 Rwandan Genocide, Jean Kambanda killed 800, 000- 1 mill Tutsi1755-1758 Dzungar Genocide, Qing dynasty killed 600, 000-800, 000 Chinese2003 Congo Genocide, Les Effaceurs killed 250-600, 000 Pygmies (cannibals)1965-1966 Indonesian Genocide, Suharto/Soeharto killed 500, 000See also: Fumimaro Konoe, Japan; Jonas Savimbi, Angola; Mullah Omar, Afghanistan; Idi Amin, Uganda; Yahya Khan, Pakistan; Mobutu Sese Seko, Zair; Foday Sankoh, Sierra Leone; Suharto, Aceh, East Timor, New Guinea; Ho Chi Min, Vietnam; Michel Micombero, Burundi; Hassan Turabi, Sudan; Syngman Rhee, South Korea; Efrain Rios Montt, Guatemala; Papa Doc Duvalier, Haiti; Rafael Trujillo, Dominican Republic; Bashir Assad, Syri; Francisco Macias Nguema, Equatorial Guinea; Hissene Habre, Chad; Chiang Kai-shek, Taiwan; Fidel Castro, Cuba; Maximiliano Hernandez Martinez; El Salvador; Hafez Al-Assad, Syria; Khomeini, Iran; Robert Mugabe, Zimbabwe; Rafael Videla, Argentina; Sikh/Hindu Genocide, India; Augusto Pinochet, Chile; Osama Bin Laden, Amalekites and Midianites, Israel; Maori Moriori Genocide

Sei a quem tal regimento não está sujeito – O meu amigo paneleiro, dentro da sala, extremamente bebido (ao contrário de mim que não bebo), quem acaba de dar uma chapada no traseiro dum desconhecido previsivelmente heterossexual; O fulano vira-se irado com a intromissão, mas apercebendo-se de tal contacto indesejado como proveniente de outro gajo, a sua expressão espelhou o pânico instantâneo – sabe que qualquer queixume lhe valerá o epíteto homofóbico, condenado à violência social generalizada. Por isso consente.

Também não se apoquenta a minha amiga, igualmente borracha, apalpando um tipo nos testículos enquanto o mesmo se tentava afastar; A táctica habitual dela consiste em alternar entre desafios (“não és homem para me comer”) e ameaças (“vou dizer a toda a gente que forçaste”) e mesmo escutando, da boca do rapaz, “desculpa mas tenho namorada”, sabe que a palavra deste de nada vale contra as lágrimas, as descrições escandalosamente detalhadas, as cronologias dúbias, que ela elaborará mais tarde como tantas vezes o fez antes; sabe, o tipo, que ainda se arrisca a perder a liberdade e também a namorada. Ele auto-anula-se e ela enfastia-se, abandona-o num esquisso, sai da sala para me sussurrar “hoje quero comer Preto”.

Se Preto fosse podia, dada a minha interdição de entrar na festa, contactar a SOS Racismo, a Plataforma Gueto, a Afrolis, a Djass, a Associação Caboverdeana de Lisboa, a Griot, a Femafro, a Mariana Mortágua ou ao Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial; Assim, não tenho a quem recorrer. Podia até fazer uma posta facebookiana sobre as organizações festeiras que não me julgam procedente de participar nas suas recreações, ou que me exigem um valor várias vezes superior ao dos demais participantes como o fez o famoso Nelson Évora. Não, não podia, porque ao contrário do saltador, não tenho uma página com 332 mil fãs nem ganho mensalmente quanto baste para abrir um par de boates semelhantes à que me recusou. Coitadinho que é preto.

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Instituamos quotas raciais nas equipas de triplo salto

O estabelecimento que me exige 12 € na entrada, 7 € por bebida e uma quantia variável para o retorno a casa, consoante a alcoolemia do taxista, oferece-a às raparigas quem beberão à conta dentro do espaço e usufruirão dos serviços de deslocação a troco de géneros não monetários. Numa ocasião em que uma rapariga me pediu dinheiro para apanhar um taxi em ir para casa, à minha recusa, a mesma bateu à porta de cada carro na rua, pedindo que a levassem para uma localidade a mais de 20 kms. Ofereci-lhe casa (vivia à altura numa vivenda partilhada) e depois do desprezo inicial (foi pedinchar a outras raparigas um sítio para ficar) e da false compliance (“Dá-me só o teu número de telefone” – sem nunca o anotar), desatou a correr fugindo de mim enquanto telefonava em Francês pedindo socorro – por causa do meu simpático convite, entenda-se.

Essa viagem de taxi me custaria mais de 40 €, para ela, seria gratuita. A noite que me custou 70 €, nada ficaria para a menina. As dezenas de dates infortuitos, os jantares, as deslocações, os presentes e noitadas. São legítimos? Para os apoiantes da prostituição, sim: Mesmo experimentando (muito) menos prazer com o acto, para o homem, a intimidade deve vir com factura. Assume-se que temos de abrir a carteira para ter companhia. Ou para frequentar a noite. Ou o WebSummit as palestras do Bruce Jenner.

Foto de Web Summit.
Também assino textos sob um pseudónimo mas não preciso de usar cabeleira

Transcrevi até agora apenas um punhado de experiências pessoais, ilhadas, uma gota no oceano das humilhações que o homem médio tem de atravessar no quotidiano. Das minhas experiências. Mas de além fronteiras chegam-me gradualmente notícias cada vez mais tenebrosas sobre o triunfo da androfobia sobre a razão. Como os Judeus previram em ’33 com o resultado eleitoral de um Partido que vendia tabaco da marca “anti-semita” nos anos 20, eu acompanhei a vitória de Macrón e as suas primeiras consequências, os avisos do metro Madrilheno, a legislação anti-solicitação Sueca, os protestos do BLM. Vai chegar a Portugal, à Esquerda e à Direita. Portanto, após a noite das facas longas, para qual Terra-Santa poderei fugir?

Estou assustado.

Porquê

Foi no Mystery Method que pela primeira vez encontrei o termo. S-Value – Survival value. Há quem o substitua por Suplier, o valor de fornecer, providenciar. Ao homem que é mais forte, mais dotado, mais célere, mais apto, mais conhecedor e mais decidido, está atribuída a função de satisfazer as necessidades primárias de Maslow – comida, abrigo, protecção.

Valorizando a profissão, o Ocidente – a sociedade mais justa alguma vez concebida até à chegada do feminismo – Valorizava o papel de todos e era, por isso, igualitarista. Um médico salva vidas mas também um nadador o faz. A imperícia dum piloto de aviões é tão mortal como a de um motorista da Carris. O tipo que não é dotado para os números pode ser um excelente psicólogo e o tipo que não é dotado para as pessoas pode ser um excelente engenheiro. O conhecimento técnico-cientifico era endeusado na medida em que este evidenciava os que sabiam por antítese aos que ignoravam e  muitas pessoas que eram desprovidas de talentos, podiam conquistar o respeito da comunidade como “campeões do esforço”. Como no mercado sexual regulado pelas instituições religiosas e decorrente nos modelos tradicionais, cada um encontrava o seu lugar.

A aquisição desse valor tem ainda um custo, de tempo e meios, treino e educação. Como escreveu o Roosh, achievements são a conversão de tempo e força de vontade. O tempo que exige a um taxista conhecer uma cidade, ou a um tradutor dominar uma língua. Por fim, o papel do labor não se esgota nas contribuições sociais ou geração de produção ou no alavancar da economia; É também uma medida de identificação. José, o Carpinteiro. Mário, o Doutor.  Myrdin, o Alquimista. Durante milénios a nossa profissão dizia-nos o que éramos e éramos validades largamente pelo que fazíamos ou sabíamos fazer.

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Mas o corpo do homem está francamente inadaptado ao mundo de hoje. Da longevidade (não é suposto vivermos para lá da primeira geração sucedânea) às alergias, o contacto entre a sociedade moderna e o ambiente circundante é altamente crispado. Não significa que seja mau já que, felizmente, a maioria das regiões da Terra deixou de oferecer os perigos de subnutrição ou segurança que enfrentaram os nossos antepassados.

À falta de procura, pelo excesso de oferta trazida com alargamento da educação, pela imigração, pela entrada da mulher e depois da máquina no mercado de trabalho, o valor do homem desapareceu. Qualquer economista – sujeito que baseia o valor na utilidade –  vê sob essa lupa, o homem de trabalho face ao mundo moderno, como um cabo telefónico da internet nos dias do wireless. O papel do homem assemelha-se ao negócio de um empresário riquíssimo meu conhecido que detinha o monopólio da produção de discos em vinil e acompanhou o aparecimento da gravação digital, condenado à falência.

Os homens já não têm de laborar, ou providenciar, ou combater e as tarefas que lhes restaram carecem de talento ou treino. Qualquer tipo aprende a preencher papeis no espaço de um ano e obtém com isso um salário que lhe alimentar-se e dormir sob um tecto até ao fim dos dias. Nesse sentido, decretou-se o fim da especialização e as grandes consultoras – as empresas que mais recrutam em Portugal a par do Estadão – afunilam milhares de licenciados recém-formados (o geólogo, o engenheiro, o gestor) sob a mesma bitola. O taxista foi substituído por um tipo da Uber com um GPS e o tradutor pelo smartphone.

Toda a informação do mundo está sintetizada e simplificada no wikipedia e os cientistas de hoje têm a sua investigação gratuita online e quase pagam para poder publicar; estão entre os piores remunerados da actualidade, sobretudo se contabilizarmos à hora. Tudo o que o Homem é, consegue, produz, vale, está – passo por passo- a ser desmontado. As suas funções são alocadas a tecnologia, engenhos e software que o anularam. Fala-se em Rendimento mínimo porque existe um excesso de produção para a quantidade de trabalho necessário. Para a quantidade de homens necessários.

“All these fantastic toys, leave these boys sadly unemployed”

É verdade que à fêmea cabe apenas o valor reprodutivo e a fêmea que não é capaz de se reproduzir, não serve biologicamente para nada – Darwin dixit. Mas esse valor permanece inalterado como no primeiro dia da humanidade. Por isso, hoje, vale mais do que nós.

O Valor delas

As mulheres trabalham por pressão social mas também tem a possibilidade de não o fazer. Uma mulher incompetente pode aninhar-se próximo de um marido trabalhador ou subsistir da família que na larga maioria dos casos não tem preconceitos contra mulheres dependentes. A maior parte das tarefas que desempenha são sobre-consideradas e a larguíssima maioria não encontra qualquer satisfação no labor, independentemente da remuneração.

Ver a função reprodutiva como o exclusivo da mulher é redutor. Mas mantém o exclusivo da função. Mesmo sem estarem emparelhadas e graças às histéricas do Bloco de Esquerda mais a harpia infértil das Torres do Restelo, as mulheres podem recorrer à  procriação médica assistida, com acesso livre a bancos de esperma fornecidos pelos mesmos desocupados antes mencionados, i.e., tipos quem não se importam de bater canholas para ganhar uns cobres solucionando os problemas do excesso de libido potenciada pelo quotidiano dos anúncios às mini-saias. Gajos que entregam a sua capacidade de procriar a um serviço financiado com fundos estatais. Elas podem assim suportar a maternidade através de bolsas para mães solteiras, na companhia dos seus gatos ou das suas namoradas, ou de dildos e de robots sexuais, ou de um pelotão de senegaleses.

Qualquer mulher pode ter um filho sem precisar de um homem sendo o contrário impossível.A reprodução é um primado da espécie e aquele que não se pode reproduzir não a pode integrar. Estamos portanto abaixo dos humanos . Sub-humanos. Untermenschen

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A disparidade

“Nós andamos atrás delas… e elas atrás de nós”, confiou-me como corolário de uma vida de aprendizagem, já uns pares de anos depois dos 90. Será assim?

O PSD e o PS distinguir-se-iam (segundo os dirigentes do primeiro) entre “igualdade à partida e igualdade à chegada”. Os homens e as mulheres também, sendo os primeiros “inférteis à partida” e as segundas, apenas se o quiserem. As mulheres podem encontrar a sua satisfação sexual artificialmente, ou na noite, ou através das aplicações online concebidas exclusivamente para as deixar escolher. Por esse excesso de escolha tratam os homens abaixo de cão. Não têm medo do slutshaming porque as suas escolhas são validadas socialmente ou porque podem prevaricar longe da vista e do coração. Salazar, conhecedor da natureza feminina, interditou as viagens ao estrangeiro sem consentimento – Ele conhecia a preferência das clientes de uma agência turística alemã especializada em transportar mulheres de meia idade para a Namíbia. Mesmo que seja promiscua ou desrespeitosa para com alguém, amanhã estará num avião em busca de um destino onde isso não importe.

As mulheres têm também facilidades no mercado de trabalho, porque têm mais preparação, porque as universidades se moldaram à sua existência e um corpo docente maioritariamente feminino entrega melhores notas e preferências lectivas, em cursos fabricados para o seu agrado. Esses empregos, melhores remunerados na primeira instância (conforme o provou o Milo), permitem-lhes receber a atenção que já não têm nas discotecas e na noite à medida que a população das mesmas começa a ser substituída pela geração seguinte. Tal como a prioridade das que entraram na década de ’50 e ’60 no IST era “arranjar marido”, o mercado de trabalho é uma fonte de pretendentes para uma rapariga nos seus vintes – em qualquer “posto de trabalho”, ela será sempre a mais nova, a mais desejada. Alargámos-lhes dessa forma a capacidade de arranjar parceiro enquanto extinguimos a dos homens, assolados pelo desemprego e privados no acesso a certas profissões nas quais encontram tremendos preconceitos – veja-se o exemplo deste famoso direitista ‘tuga que julga que um educador de infância é um pedófilo violador.

Se casar tem o monopólio pós-divórcio dos despojos conjugais e da parentalidade. Duas décadas de vida facilitada? Se acreditarmos no sexo e a cidade, esta maravilha de estatuto social, protecção e validação constante, pode durar até aos 50’s. E depois disso, adoptam um par de pretinhos como a Madona.

A grande discrepância é a inversão dos valores. A feminização da sociedade.

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Os sapatos de bebé à esquerda foram retirados do mercado porque constrangiam o saudável crescimento da criança e inferiorizavam o papel social da mulher. O memme da direita foi divulgado em blogs e aplaudido

A desocupação compulsiva a que os homens foram acometidos trás-nos a agrura das mulheres, guardiãs do útero, inexistentes durante milénios fora do lar e das cozinhas. O valor da mulher está largamente associado à beleza porque os homens a associam à fertilidade e à satisfação das nossas necessidades reprodutivas; no entanto uma mulher extremamente bela que consuma contraceptivos, não devia valer um chavo porque é incapaz de se reproduzir, enquanto que se for suficientemente feia para permanecer casta durante um período alargado de tempo, não necessita de tomar contraceptivos e é então fértil – mais valiosa – do que uma mulher bonita.

Encontramos aí a verdade sobre a narrativa que hierarquiza as mulheres segundo a beleza: É uma narrativa feminina, medida entre pares numa escala homogénea. São as mulheres quem seguem e obedecem (e invejam) a mais bonita e sugerir a uma mulher que ela não é suficientemente bonita constitui uma poderosa forma de insulto. Não possuem historicamente outra forma (de trabalho, mérito) para se distinguirem. Não há método mais consistente de atrair do que estar rodeado de mulheres bonitas porque as outras mulheres veneram a beleza, sobretudo as que não a possuem.

São também as mulheres quem se mede na medida das suas conquistas amorosas. Incapazes de outro feito, a sua competição é a competição dos companheiros conquistados e dos filhos produzidos. “A felicidade do homem está em dizer ‘eu posso’; A felicidade da mulher está em dizer ‘Ele pode'”. Essa realidade, está agora a ser transposta para o homem.

Consequências

Porque não pode – porque se inutilizou progressivamente – o homem moderno encontra-se desprovido de ambos os valores e talvez isso explique as astronómicas estatísticas suicidárias. É desse limbo não-identitário que nascem muitos dos movimentos actuais como o MRA e a alt-right: Não conseguem constituir uma carreira ou uma família que lhes digam quem são e um voto colectivo, massivo, em Trump parece um bom identificador. Outros escolhem cortar a piça  ou levar no cu porque passam a ser acompanhados e acarinhados pelo monstruoso e receptivo lobby gay. Porque, escolhendo ser gay,  podem conservar a virilidade e fazer-se acompanhar maioritariamente de outros homens (os heterossexuais são pressionados a escolher grupos mistos e desvalorizados ou activamente perseguidos caso integrem grupos concisos de machos), enquanto escolhem o papel feminino: medir-se pelas suas conquistas sexuais e pela beleza. As mulheres validam os gay enquanto companheiro de armas até porque, simultaneamente, são inofensivos para a sua clique.

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É também aí que nasce o PUAcluster de homens sob um chapéu identitário único especialmente desenhado para aqueles que – como eu – são permanentemente postos fora de festas. É a mais honesta adequação dos homens ao mundo feminino, aquele onde inabilitados das demais funções, exaltam as suas capacidades reprodutivas enaltecendo o tipo que melhor as consegue É uma resposta assertiva ao movimento feminista, protagonizada por homens que passaram décadas a masterizar uma função para descobrirem que sexualmente, apenas a beleza os valoriza. E é uma resposta tão fiel como a proliferação dos gay mas, porque ao contrário dos primeiros os PUA’s objectificam as mulheres (à semelhança da forma como elas objectificam os homens) deixaram de ser companheiros de armas e passam a competidores. São uma ameaça.

O flirt entre um PUA e uma feminista parecer-se-ia a um concurso de desprezo mútuo em que ganha aquele que conseguir dominar o outro, com esse domínio a remeter-se à conquista sexual; porque o sexo é uma actividade a dois, porém, torna-se difícil discernir um vencedor. Torceria pessoalmente pelo PUA, pela sua vingança, por que se aproprie dos meios reprodutores da cabra, através do charme e destreza, para lhe dar uma lição em nome de todos os homens desprezados. Mas a cabra já se vingou superlativamente, tomando a pílula.

Não é um RedPiller

 

Alternativa

No dia seguinte à noite na qual, mais uma vez, tive uma jovem a fugir pela rua da minha gratidão, cruzei-me com ela na soleira da entrada à saída da minha casa: tinha conhecido uma das minhas companheiras de casa num bar da baixa e acabara a pernoitar no mesmo sofá que eu lhe oferecera. Humilhação? É mais uma e só piorará. O progresso da tecnologia, da robotização e da inteligência artificial, significa muito más notícias para o mundo do trabalho enquanto as taxas de natalidade dos últimos quinze anos indicam que uma rapariga com 15 actuais – um par de ovários funcionais e livres – é mais invulgar, vulgo precioso, do que o era em qualquer era do mundo até à data.

Porque os instrumentos reprodutivos a solo, como a PMA estão vedados aos homens que desejem ter filhos e todo o mercado dos robots sexuais (e da legalização da prostituição) parece instalado no sentido de prejudicar o homem, serão os homens das próximas gerações a endeusá-la e encher-lhe a atenção, o tempo e o ego.  Por mais que não o queiram admitir, a culpa exclusiva do mau comportamento das mulheres, é sua.

Mas a colaboração e coordenação entre pares pode gerar novas práticas que se tornam regra e melhoraram o circujacência dos praticantes a contragosto do status quo. Como a reciclagem diminuiu o desperdício e melhorou o ambiente, temos também de expurgar o lixo que foi o endeusamento feminino e tentar melhorar o ambiente social que nos rodeia. Don’t enable. Da rapariga que bebeu demais e quer que alguém a ature à tipa que precisa de companhia porque o caminho para casa é sinistro. Don’t enable. Sobretudo quando o pedido de atenção vai no sentido de prejudicar injustamente outro homem, como quando a namorada de um amigo me disse na noite “afasta este gajo, está-me a chatear. Se o mandares embora, apresento-te amigas”, sendo diligentemente ignorada. Outra rapariga, perante a acusação de que um colega a stalkava, não recebeu complacência em resposta, recebeu uma ameaça “pedes-lhe desculpa por inventares boatos ou terás problemas”.

A minha própria irmã adolescente fez queixa de um rapaz que andava atrás dela, onde “andar atrás” vai de “persegue-me todos os dias a caminho de casa e tentou arrombar a porta às cinco da manhã para me conspurcar” a “enviou-me uma mensagem à tarde à qual não tive paciência para responder porque sou mimada e egoísta.  Resposta: “Não tenho nada a ver com isso”. Intransigente. Don’t enable.

Como Adolf Hitler encerrou os judeus em campos de concentração, eu daria o mesmo tratamento aos White Knights. Mas os campos, como na Coreia do Norte, seriam reeducativos: damos uma chance para que aprendam a comportar-se antes de gaseá-los. Aprenderem a recusar pedestais, a ignorar pedidos de atenção, a não viabilizar, a não abrir excepções e a discriminar activamente quem o faça. Discriminar comportamento frouxo.

 

O último white knight com quem me cruzei (quase)

Talvez esta mudança de atitude, por pequena e curta ao contrário deste longo texto, seja uma gota no Oceano, com tantos obstáculos à reposição de uma vida salutar, igualitária e justa. As agressões colectivas nunca podem ficar impunes. Agora que os mencionei, explico o titulo do texto: dizia-se que numa visita a um campo de concentração, Goebbels terá dito a um amigo enquanto apontava para os judeus “Eles não são como nós”. Hitler também o escreveu em Mein Kempf, “Os judeus são indubitavelmente uma raça mas não são humanos”. Os Judeus que não soçobraram nos campos, vieram a instalar-se na cúpula dirigente dos vencedores da WWII para propagarem disputas no médio oriente cuja população nativa invadiria a Alemanha sete décadas mais tarde. Fez-se justiça.

Essa população que não sabe o que é o feminismo nem os direitos sociais, que mantém a tradição ancestral do pequeno comércio e que por viver numa região onde as condições de subsistência são insuportáveis e onde os homens tornam a vida possível através da construção, do esforço e do engenho. Essa falta de recursos levou à tribalização e ao desapontamento permanente de pelejas, travadas exclusivamente por homens. As mulheres ficam em casa porque não têm espaço no palco de combate e como a esperança média de vida entre homens é curta considerados todos os que perecem em combate, a oferta masculina é indiscutivelmente mais pequena. Há demasiadas mulheres inutilizadas para a escassez de homens sobejantes e por isso são tratados com respeito e as mulheres são tratadas como gado.
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Querem ver o vosso papel reforçado no Ocidente? Esperem pela guerra.