Um resumo curto da minha vida íntima e muito provavelmente da tua

“She said she’s not interested, but she still flirts with me”“ I know she likes me, but she didn’t call me back last weekend”. Most dating advice exists to “solve” this grey area for people. Say this line. Text her this. Call him this many times. Wear that. These things may seem clever and exciting to some people who are stuck or frustrated. But this dating advice misses the point. If you’re in the grey area to begin with, you’ve already lost”. Mark Manson, Fuck Yes or No

Era a terceira vez que me tinha deixado pendurado para jantar, almoçar ou passear e, depois da promessa de “desta vez ser diferente”, tardava novamente a responder às mensagens enquanto eu ficava à espera no quarto de hotel que arrendara propositadamente para prolongar a minha estadia longe de casa por mais uma jorna. Conhecemos-nos no Tinder há dois meses, nunca nos vimos cara a cara e aqui os leitores  questionarão a minha resiliência mas, depois de mais de 300.000 swipe rights e apenas dois dates (só um dos quais direito a beijinho e punheta), esta candidata era a primeira que não vivia nos subúrbios de uma cidade operária nem consultava um psicoterapeuta. A minha boa vontade e infinita paciência não foram suficientes. Depois de protelar, tornou-se agressiva e depois silenciosa. Pensei em afundar o telemóvel dela em dezenas de mensagens como fizera na Finlândia por intermédio dum amigo programador e hacker, mas preferi aquiescer. Aceitar que as desculpas que me dera (o turno da noite num hospital metropolitano) são incontornáveis e inflexíveis, produto exclusivo da sua falta de entusiasmo.

Sorte ou azar, o contacto recente levou a que uma fotografia sua fosse exibida no meu feed, acabada de postar. Partilho os comentários

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Homens como eu (e também mulheres) elogiavam exageradamente a minha amiga virtual e o seu potencial reprodutivo, oferecendo-lhe inúmeras oportunidades de companhia, sexo, validação. Aquilo a que chamamos de mercado é essencialmente o número de compradores, dos interessados em adquirir um produto que antes de significar sexo ou compromisso, é essencialmente atenção. Eu e os seus lisonjeadores compulsivos estamos a disputar a atenção da jovem – vamos chamar-lhe B – e, como já perceberam, não a estou a vencer.

Tal como todas as medidas mensuráveis, a atenção da B é um bem escasso e portanto sensível às leis da concorrência. A quantidade de tansos que na net, nas redes sociais e em sites como o Tinder solicitam a sua atenção, torna-a mais dispendiosa como ao valor de renda de uma casa que subitamente encontrou mais clientes interessados. Isso obriga-me a mim a investir mais: mais tempo, mais mensagens, mais tentativas de interacção, mais viagens/noites perdidas e mais stunt-tricks para me sobrelevar face aos outros interessados. Uma boa parte daquilo a que chamamos PUA consiste nisso: fazer um malabarismo mais engraçado do que o dos outros palhaços ao meu redor.

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Não foi difícil encontrar um PUA que se autodenomina por malabarista (Juggler)

O prémio

O Domingo transformou-se em segunda-feira sem que conseguisse, por entre expectativas e lamentos, regressar à minha cidade. Toca o telefone: P, arquitecta-mundialmente-reconhecida foi visitar a família e quer companhia para jantar numa cidade vizinha. É preciso explicar que arquitecta-mundialmente-reconhecida é um eufemismo para cat-lady desesperada, com os indícios da doença mental a que as mulheres são acometidas quando passam os trinta sem filhos. Anuí: não voltaria à minha terra-natal sem esmegma no caralho. Lá me ponho de malas às costas, para o comboio mais próximo –  Sempre tive o hábito de meter conversa nos transportes mas torna-se difícil, à medida que as miúdas passam mais tempo agarradas aos telemóveis, a perscrutar mensagens idênticas às que postei linhas acima. As redes sociais, como tem dito o Paul Joseph Watson, são essencialmente instrumentos femininos para garantir validação, a mesma validação que me impedirá de lhes comer a rata mesmo quando a recuso.

Avanços e recuos na escolha do restaurante, das horas, do sítio, acabaram com um “vemos-nos mais tarde” porque provavelmente o convite inusitado da P, surgira face à recusa de alguém. Eu era o plano B da P. De facto, saí do trem na cidade dela mas para jantar com um velho amigo que acedeu ao meu convite apenas com uma chamada telefónica; Bastou um telefonema para que o jovem líder político mais promissor da região dissesse à esposa que naquele dia não jantaria em casa e me oferecesse 3 horas porreiras (e o jantar) matando saudades de outros tempos. A vida é fácil quando convivemos entre pessoas mentalmente sãs.

Da P não ouvi mais nesse dia. Só duas semanas mais tarde com um convite para almoçar, sem menções ao sucedido ou um pedido de desculpas por me deixar pendurado no cu de Judas. A minha disponibilidade era ponto assente nos cálculos da portadora de útero-ressequido e as falhas morais e educacionais com que compromete a minha agenda não são alvo de consideração, nem de censura pelos demais frequentadores do Tinder que se disponibilizam perante a senhora, na medida da sua vontade, em Portugal e nos países que frequenta.

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O Ocidente é Ginocrático

Na peça How many bones would you break to get laid Mike, um guia turístico com #bodycount de 50 que tinha de fazer swipe right 114 vezes para conseguir um match, fez à entrevistadora a mesma pergunta que eu – aos 14 anos – dirigi sensivelmente à rapariga mais bem torneada da turma: “Como é viver como uma mulher boa/normal sabendo que podes mandar vir um fuckboy gostoso do Tinder quando quiseres? Vê-lo assim?”. Na altura não existia Tinder e poucos de nós – excluindo a Maria – já tinham sexo. Mas o propósito do(s) entrevistado(s) não é exactamente foder mas granjear o estatuto social da menina na minha turminha de 9º ano: a babinha no canto da boca, a simpatia, os favores, as mensagens, a atenção, os convites, a companhia, uma vida preenchida. Passaram-se muitos anos desde que lhe fiz essa pergunta à qual ela, como a entrevistadora, não soube responder; ao contrário de quase todos, a Maria casou, tem emprego e filhos. Tudo porque quis. Este leque de opções é um exclusivo feminino – O movimento de dedos, digital, virtualidade irrelevante para mim e para os meus colegas tanto no 9º ano como hoje, significa para ela uma opção. Quer ou não quer. Esquerda ou Direita. Swipe

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Está tudo na tua mão (not)

Não é dificil perceber a diferença entre as vidas de um miúdo franzino e uma gaja boa na entrada da adolescência. Mas essas diferenças, desde então, não se esbateram mas acentuaram-se e se na altura teria de escolher entre qual de uma legião de seguidores queria enconar, depois de uma juventude de luxo, pode amadurecer optando por caminhos tradicionais (marido e filhos) ou alternativos (fodanguice e aventura). Só nós não tivemos escolhas nem fomos escolhidos e se na entrada da adolescência estávamos condenados a escárnio, desprezo e uns quantos carolos, quase tudo desde então, nos passou ao lado. Não tivemos liberdade para escolher.

Não penses que a vida vai mudar muito

Deambulei nestas verdades, naquilo que estava a perder – de que a vida me estava a privar –  por (sobre)viver num Ocidente que não me quer, quando voltei a olhar para o telefone, sem mensagens da P. Aí, vislumbrei um cenário distinto para esta tentativa de encontro, com uma marcação efectiva e tudo o que penso ter direito. O que pode esta relação efectivamente trazer-me de tão proveitoso que justifique qualquer esforço que possa fazer por ela? Rata ocasionalmente húmida? Uma prestação sexual qual, a julgar pela quantidade de inseguranças, ansiedades e dificuldades de socialização e expressão individual, deve ser uma merda? Companhia para a trienal de Viena? Contactos de terapeutas e receitas de antidepressivos?

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O custo

Desistindo da epopeia, já no regresso, corri mensagens sem resposta ou com resposta parca que adensam a solidão de milhares de homens como eu. Uma brasileira que está há 3 meses a encontrar tempo para um encontro, apesar de me telefonar quase todos os dias para dizer “oi, hoje fui nacademia” e não se digna a aprender Português sem sotaque de puta. Uma preta que quase me exigiu um matrimónio antes de me deixar-lhe ver a pintelheira. Uma gaja que quer que eu lhe dê dinheiro; Outra gaja quer que eu lhe dê erva. Uma gorda disse olá: o ex deixou-a – trabalhava como homem do gás, ela costumava pagar-lhe; Marcou-se um jantar mas o cetáceo Beirão resolveu-se a aprazer-me com detalhes sórdidos do seu relacionamento vigente, à mesa do restaurante, agora com um muçulmano. Uma Italiana deslocada que, num bairro degradado a quatro mil kms da aldeia pobre onde cresceu, partilha casa com o ex-namorado e su nova pirralha porque não ganha que chegue para se mudar, explicou-me porque é que – mesmo com a autoestima destruída – não me dá o segundo encontro: Tem outro(s); O seu último montador, a quem unidirecionalmente tratava – tal como a gorda e tal como a P – por “namorado”, era “poly”. Online, os respectivos perfis revelavam solteirice. O mundo é dos patriarcas, os outros só (sobre)vivem nele.

Há um aforismo corrente entre putanheiros que conta que todos os homens pagam por sexo: uns através de almoços e jantares, outros em bares de alterne. Acredito que seja verdade, mesmo que muitos o neguem mas o custo mais elevado é imputado aos negacionistas: o ginásio e as horas que lá perdem, a energia que aí gastam, os copos e o combustível moral de odisseias noctívagas, custos logísticos, entradas em clubes e respectivas deslocações, livros e viagens que preenchem conversas demonstradoras de valor, vestuário, mensalidade do Tinder, mensalidade de um apartamento estratégicamente localizado numa área residencial gentrificada, cosmética, aulas de dança/línguas e propinas académicas. Aos 29 anos, o custo por foda do nosso Roosh era de 3100 USD – 2790 € actuais. Na medida em que uma miúda da rua trabalha por 20 – 50 € e uma gaja de luxo pode chegar aos 200 €, vamos fixar o preço em 100 €, concluindo que se comem 28 putas pelo preço de uma gaja normal.

Com a diferença que se pagares 3000 € por um date, podes voltar para casa com a picha seca como me aconteceu com a R –  deambulando pela área de prostituição numa metrópole do Norte da Europa, percebi como optara mal. O Roosh não monetizou a sanidade mental, aquilo que dispendemos no destrate que a ginocracia reinante nos dá.

A Independência

Ao contrário do PJW, sou a favor da masturbação porque acredito que nos autonomiza de anseios fisiológicos cuja satisfação (de outra forma) passa para mãos alheias. Nesta pequena introdução, o Patriarca, apresenta uma tese que subscrevo integralmente “Um homem, dentro da medida do possível, não deve depender de terceiros”. Embora muitas escolas PUA defendam a cessação do onanismo (NoFAP) o excesso de tusa pode gerar desespero e uma mente bem treinada dispensa pulsões fisionómicas para saber interpretar situações sociais e agir, incisivamente, em conformidade. Não preciso de ter os colhões cheios para puxar o gatilho.

Ao mesmo tempo, sei que a minha libido é exponenciada por factores absortos, mas excepto se me mudar para um convento, não me posso isolar deles. Sem punheta, diletava um amigo, jamais podia existir a lucidez que permitiu ao homem edificar a obra que autoriou. Já sei que na natureza os chimpanzés raramente se masturbam porque não assumem comportamentos sexuais não reprodutivos excepto se estiverem em cativeiro. Em parte, sim, estamos em cativeiro. Mas não nos libertamos a fornicar, só libertaremos em castidade.  O movimento MGTOW, como explica o leitor mjv neste comentário, é composto por esses homens: que realizam e se realizam longe do sexo oposto.

A comodoficação do sexo está assente em desejos humanos que extravasam a fisionomia e para os quais não pode ser entregue uma resposta fisionómica como legalização da prostituição ou a proliferação de robots sexuais; Ambas ficarão muito aquém de satisfazer os anseios, necessidades e desejos dos Incels. Ademais neste mercado, cada agente experimenta uma dualidade em que é simultaneamente comprador e produtor, fonte de oferta e alvo de procura, consumidor e produto. Por isso quando se fazem abordagens de Esquerda e se se questiona se o sexo e a atenção não podem ser igualitariamente distribuídas, recordem-se que a vossa disponibilidade para fornicar também teria de ser igualitariamente distribuída (se esta ideia ainda vos parecer tolerável, recordem-se que muito provavelmente são cobiçados por agentes de consumo homossexuais).

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Se a minha experiência pessoal, os exemplos citados e a contabilidade do Roosh não vos chegarem para demonstrar a disparidade entre o que nos pedem e o que estamos dispostos a dar, fiquem com esta: S, uma jovem pobre e sem estudos a quem fui apresentado há algumas semanas, confessou-me recentemente que se prostituía e chegava a lucrar três salários médios mensais sem taxação; Homens educados, bem-sucedidos, estão dispostos a remunerá-la, dirigindo-se diariamente ao bairro mal-afamado onde divide casa (atempadamente publicarei uma entrevista) apenas para a ter. Aquilo que pagam à S, que poupariam caso tivessem um acesso ao mercado sexual aproximado ao da miúda, é uma taxa fornicatória.

A hierarquização a que são acometidos, contabilizada na diferença entre um montante negativo (remunerado) e um montante positivo (auferido), ainda não os impeliu a revoltarem-se mesmo que as revoltas mais significativas da história hajam decorrido dessa forma: A guerra da independência Americana tomou inicio quando os colonos se recusaram pagar impostos proibitivos sobre a importação de produtos Europeus, nomeadamente o Chá. O mote da reconquista Espanhola em 722, recaiu sob o aumento do Jizya declarado pelo emir Anbasa Ibn Suhaym Al-kalbi;  Em quatro anos, Al-kalbi, foi corrido do emirato Andaluz à porrada e séculos mais tarde os muçulmanos foram expulsos da península e Ceuta. É preciso ver que o Jizya  era o imposto com que os dhimmi, comerciantes que obedeciam a religiões abraâmicas como o Judeísmo e o Cristianismo, tinham de remunerar os senhores feudais muçulmanos e que era usado para pressionar os súbditos a converterem-se ao Islão. Mais tarde, foram os próprios Arabes a revoltarem-se contra a pressão fiscal Otomana.

 

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Cansados de pagar impostos sobre as importações, os colonos Americanos em Boston a 16 de Dezembro de 1773, iniciaram a Guerra da Independência Americana, incendiando os navios Britânicos que transportavam o Chá.

Estas taxas ascendiam ainda uma sensação de impunidade, com negócios de índole homologa sujeitos a regimes taxativos distintos, onde os pobres têm de largar o pouco que têm para que as elites se regalem com o produto do trabalho alheio. A história ensina que para cada Xerife de Nottingham, o fanfarrão que roubava o campesinato Britânico durante a ausência de Ricardo I, nos confis dos bosques e com uma flecha afiada para fazer justiça e matar, nascerá um Robin de Sherwood. Nunca a injustiça prevaleceu eternamente.

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Aguardemos pelo nosso.

 

 

2 comentários em “Um resumo curto da minha vida íntima e muito provavelmente da tua”

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