Caricatura do multiculturalismo

“Dir-me-ão que as minorias étnicas também ofendem o politicamente correcto (basta pensar na misoginia e homofobia do hip hop). Só que esses grupos desempenham um papel importante como ‘vítimas’ no teatro progressista da ‘culpa pós-colonial’ ” Rui Ramos, Porque é que os pobres votam em Trump

O choque, o pânico, o horror com a vitória eleitoral democrática de um tipo com túbaros e sem preconceitos contra o uso de armamento.

As armas são um instrumento de opressão branca sobre o mui pacífico e tolerante multiculturalismo.

Tal inédita apologia do presidente eleito Brasileiro à cultura da violência e das armas é um nojo, não é? não é? não é? não é?

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Este nigga apoia o Bolsonaro
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Mandatária da cultura do Bolsonaro

Numa peça que li sobre a canção, os críticos declaram que “a cantora não te deixará indiferente neste verão”. Que produz uma mistura única que junta “O rap, o soul e o r’n’b” e repara que “no meio do rap, existem poucas ou nenhumas mulheres”.

Mas depois deixa a deixa feminista para a artista que rappa ao lado do traficante de droga assediador com aspirações terroristas e autor de Polygame (“Ela só quer sexo e a soma/se o Amor está morto, não tenho culpa/ela gosta de coleccionar homens”), GB (“Ela é a maior/Grandes tetas/grande peida”), Touchez le ciel (“Peço desculpa, há demasiadas putas” (…), “Há os que veneram vacas/E outros que veneram putas), Le Poids de mes Erreurs (“As línguas da puta só se juntam para dizer o mal (…) conheci alguns homens mas muitos chupavam piças), Pay Me (“Os judas crescem como flores quando há putas (…) em torno de mim só há homens”), Pas Pousser (“deixa todas as tuas putas abaixarem-se/vou acabar com o seu blabla/beijá-las todas sem viagra/fazer as contas a sério/obrigá-las a fazer a hagra*), Abdos Fessiers (Ela só se preocupa com o seu grande rabo/o que ela quer é esfumar os seus adversários/dobrar a atmosfera/apagar todas as luzes/diga-se que todas as equipas a apoiaram (…) nádegas, nádegas, a madame só opera com o rabo grande/diz a este cavalheiro/que a madame roça grandes pacotes), K-Méha (“Câmara em mim, eu gosto** de crianças e de adolescentes” (…) Não haverão (…) mulheres oprimidas/Elas querem-me ver nas sombras, eu resolvo-o/Elas gostam de me chupar a piça e é tudo um trabalho), Hermano (“Entro na cona do jogo como um tampax*** (…) É história antiga como a das cabras e das putas/Que acreditam nas Valsas de Viena/Mas já não têm hímen”), Zwin et Zen (Cambada de putas, o que foi? (…) Lamentos, putas, todos temos ambições/Todos queremos cuspir munições/Ela tem um compromisso com punições/Mexemos-nos no escuro, não sei onde ir/Em qualquer lugar, a qualquer hora, ela pode engolir/Não quer cuspir mais, quer engolir”), Gonzales (Sentimos mais a falta do que as gajas do Leste/Queremos algumas… grandes peidas), e Échec et M.A.T (“É o PMP**** na tua cona”). Caroliina que se define como rebelde, diz “desejar valorizar as mulheres”, dar “um toque feminino” ao rap, tomar as lides brasileiras e “casá-las com os (ritmos) Franceses”. Quão emancipadora.

Não comento as mentiras da cantora. Sobre a hipocrisia do seu feminismo. Sobre a hipocrisia das suas crenças. Sobre a hipocrisia de haverem 36 raponas que cantam em Francês e pintarem esta pegazuka como uma novidade. Tão nova como a música de Lartiste – um monheca na Europa que gosta de carros caros, com o refrão “Está tudo bem” – ao lado da música de L’Algérino – um monheca na Europa que gosta de carros caros, “Vá Bene“.  Sobre a hipocrisia de Hypocrite “Recolho o que herdei, sou parte da elite”, os carros de luxo no vídeo de Mafiosa e a sua conjugação com o patológico discurso pós-colonialista que nos imputa compulsivamente empatia pelos invasores como se se tratassem de um novo operariado Europeu. A hipocrisia de afirmar não existir tema tabu, excepto o de devolver esta escumalha ao buraco de onde vieram.

 

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Carros de luxo pagos pelo estado social Francês

Mas Mafiosa, onde Caroliina dispara “em ritmos endiabrados” soa a toda uma apologia à agressão. Contra quem dispara a autora? Julgo ser contra mim e foi isso que me chamou à atenção na música, ao tom furioso com que se dirige a uma plateia, provavelmente composta por homens beta, tal como o faz em Caipirinha. Contra o tipo “no canto” que “está olhando e está babando”, a Brasileira não exibe simpatias nem parece disposta a abraçar a emotividade dos ocidentais nem a repudiar a masculinidade tóxica; pelo contrário, procura-a junto do Marroquino. Num momento de inédita doçura, após o refrão, permuta o tom com que atacava os brancos, para se dirigir ao Artista “Então faz eu me apaixonar/vem comigo nesse samba/Vamos ver se vai rolar*****” 

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Depois do google nos ensinar que apenas os brancos são ladrões e a wikipedia nos endoutrinar sobre o que é um traveca, a cultura popular esforça-se em definir o que são relações salutares, o que são homens atraentes, e o que são aborrecidas perdas de tempo. Segundo a minha cor de pele, encaixo na segunda categoria sem o encaixar em lado nenhum. O problema é a ostensividade com que vemos esta tendência impingida às jovens ocidentais. Num outro vídeo (God is a woman) Ariana Grande (grande puta) ignora obstinada um conjunto de homens brancos, mas canta sobre Amor dedicando-o a alguém. Com 149 milhões de views, considerada a forma como fui tratado no último bar, diria que esta é uma campanha bem sucedida.

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O sucesso comercial de Mafiosa

Continuaremos a realizar interpretações dúbias, ambivalentes e cínicas sobre os fenómenos culturais que nos rodeiam. Continuaremos a abraçar estrangeirismos e a desprezar a cultura Ocidental. Continuaremos a endoutrinar as massas para detestarem o que é seu. Continuará a ser hilariante: As referências pacifistas à Jamaica, cuja capital é a cidade com maior número de homicídios per capita do mundo; As referências sensuais ao Brasil, que teve 65.000 assassinatos no último ano e o Rio de Janeiro em Estado de Emergência tomado por militares. A cantora assinala “Aqui no RDV” onde a música foi gravada. Que melhor local para estar no mundo do que o Senegal?

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O paraíso de Caroliina

Queria acabar a minha crónica sobre a automutilação Ocidental mas não me posso esquecer de Sinead O’Connor. A mundialmente famosa interprete de “Nothing Compares to U” rasgou em 1992 uma fotografia do Papa São João Paulo II acusando “Lutem contra o verdadeiro inimigo”. Agora converteu-se ao Islão. E é só.

CAF

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* – A hagra é uma forma de humilhação/mortificação moral pública islâmica onde um índividuo espezinha a reputação de outrem. É um termo coloquial proveniente do Magreb

 ** – No original j’fais kiffer les gosses et les ados onde “fais kiffer” é traduzido no google como “eu fodo” [crianças e adolescentes]. Na verdade, kiffer vem de kif, uma palavra árabe para hashish e derivados do canábis. Existe na França continental há 12/15 anos; Não existe noutros países francófonos como o Canadá (porque será) e significa “aprecio, disfruto”. A metáfora pode implicar que o rapper droga crianças e adolescentes, com a sua música cativante ou quiçá no sentido literal.

*** – Como já tínhamos falado, PIV is always rape, ok?

**** – PMP, Purple Money, é a editora de Lartiste

***** – Rolar é eufemismo para foder. Caroliina apenas fode com pretos.

PS – Tenham complacência por este humilde redactor, agregador de segmentos informativos atomizados, colador de recortes, que leu todas as letras dos seis álbuns deste jagunço. Mereço o céu

4 comentários em “Caricatura do multiculturalismo”

  1. Vai ser giro quando a mulher moderna e independente, que decidiu meter o véu, começar a levar porrada no focinho quando pisar a linha, e ninguém lhe ligar ponta porque “é a cultura deles”.

  2. @Myrddin,
    @Zé Manel,

    secretamente, elas querem mesmo levar no focinho. as feministas especialmente querem literalmente ser dominadas em todos os sentidos. a sua revolta contra os homens ocidentais é, de certa forma, perfeitamente justificada – pois foram os homens que abdicaram do seu domínio e em vez disso se tornaram passivos e fracos. elas não vão descansar até estarem amordaçadas socialmente mais uma vez, daí a simpatia para com os árabes ou os africanos, que sabem como lidar com as suas mulheres.

    será por acaso que a vanguarda do feminismo hoje considera que sedução é uma forma de violação? ou seja, que a mulher não tem capacidade para resistir a iniciativas verbais mas que tem de ser protegida da sua própria incapacidade? no fundo estão a dizer o mesmo, embora de forma enviesada, que todos os homens e todas as civilizações dignas desse nome tomavam por óbvio: que as mulheres devem ser entregues do pai para o marido, e não ter praticamente nenhuma capacidade de decisão. porque mesmo havendo algumas que têm capacidade para o fazer, a nível social dar a possibilidade a todas de o fazer quando a maioria não é capaz de tomar boas decisões para si mesmas, é socialmente suicidário (como observamos hoje).

    são os liberais, os democratas, os moderados que estão em grave erro pois acreditam mesmo na igualdade e tentam a todo o custo forçá-la. criticam o feminismo por atentar contra a igualdade verdadeira sem se aperceberem que igualdade verdadeira não existe, e que um sistema feito à medida dessa qualidade inexistente é absurdo. apontam a hipocrisia sem perceberem que, mais a fundo, essa hipocrisia é um pedido de ajuda. um clamar por homens que as ponham no seu lugar, onde sempre deveriam ter ficado, e onde podem ser realmente mulheres. como crianças que, por um lado acham que já são ‘crescidas’ e por outro pedem atenção constante, o problema não é das crianças, que estão apenas a ser crianças, mas dos pais que não as repreendem quando estão a ser demasiado barulhentas. não, o moderado diz: “estas crianças estão a ser hipócritas, dizem que são crescidas e depois fazem estas fitas! hipócritas”. e depois tentam argumentar com elas.

    “nem toda a mulher gosta de apanhar, só as normais” já dizia o Nelson Rodrigues. as mulheres querem homens dominantes, e ser dominadas por eles. demorei algum tempo a perceber isto nas minhas relações, e até tê-lo feito, falharam. quando a luz se acendeu, em parte pelos escritos da manosphere, e comecei a agir em conformidade vi com os meus próprios olhos a mudança.

    Ilo

  3. bolas, falhou a primeira parte, para o Myrddin:
    tinha escrito que de facto tiveste uma paciência de santo para investigar isto. eu ficava doente. não consegui sequer ouvir mais de 10 segundos da ‘música’.

  4. Nem de propósito, estive num casamento este fim de semana.

    A noiva é cristã, o noivo não sei, não o conheço bem. A dada altura da cerimónia o pastor cita a Bíblia na parte em que refere que as mulheres devem submeter-se ao marido. A noiva encarou aquilo com uma naturalidade completa (e eu conheço-a há muitos anos e sei que se o sangue lhe estivesse a ferver por ouvir aquilo não mantinha o sorriso na cara).

    Deu para perceber que as mulheres não religiosas que lá estavam não gostaram nada de ouvir aquela frase.

    Eu consigo respeitar uma mulher independente que o é de facto. Que paga as contas, que leva o seu carro à inspecção, que resolve os seus problemas.

    Eu consigo respeitar uma mulher que não resolve o mínimo problema e deixa tudo para o marido, se o marido não tiver que fazer absolutamente nada em casa (o casal à antiga).

    As mulheres que são independentes e modernas para meter o homem a ajudar em casa, andarem a trabalhar e a dedicar-se à carreira até terem o útero seco como uma passa, mas na hora de tratar seja do que for chamam o pai ou o marido para lhes resolver o problemas, são um problema social grave e quanto mais depressa forem ridicularizadas em público, melhor para todos.

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