2 comentários em “Viagem ao mundo encantado dos InCels(II)”

  1. A formulação é um pouco agressiva, mas a mensagem está correcta. A institucionalização da monogamia no Ocidente conduziu à paz e à coesão social. Há vários artigos científicos que mostram que as sociedades poligâmicas tendem a ser mais violentas e menos civilizadas por dois motivos principais: (1) os homens rejeitados não têm motivação para trabalhar em prol da sociedade; (2) mesmo entre os homens não-rejeitados, a competição pelo acesso às mulheres é muito intensa, pelo que só os homens mais agressivos tendem a singrar.

  2. A razão pela qual me encantei tanto com o Atomized (Les Particules élémentaires) foi por desnudar os mitos relativos à feminização da sociedade. Na melhor obra do Houellebecq (e provavelmente um dos melhores livros que já li) o autor caricatura os Hippies – a primeira cultura feminista, nascida directamente da invenção da pílula contraceptiva – como um grupo hierarquizado, segregacionista, gerontofóbico e inesperadamente agressivo. Na Possibilidade de Uma Ilha, o gajo explora muito bem esse tema, exibindo a barbárie das sociedades pagãs pré-cristãs e demonstrando que as ideias de igualdade e justiça social foram aprimoradas pelo Ocidente sob a alçada eclesiástica. Toda a alternativa, é sempre muito pior.

    O que eu acho mais interessante é verificar como a larga maioria dos InCels (se não todos) eram tipos que há uns cinco anos ou mais, apoiariam incontestavelmente a maioria das causas progressistas sem se aperceberem que, causa a causa, o seu futuro ficaria mais comprometido. Contra mim próprio falo. Foi preciso mexerem com os nossos direitos reprodutivos para nos insurgirmos. Mais vale tarde do que nunca

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