A Hipergamia Mata (II)

“A história de toda sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de ofício e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos se encontraram sempre em constante oposição, travando uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre através de uma transformação revolucionária de toda a sociedade” – Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto do Partido Comunista

 “A rebelião dos celibatários involuntários já começou” (The InCel Rebellion has already begun!). Foi com estas palavras que o Canadiano Alek Minassian se despediu das redes sociais, antes de assassinar 9 pessoas e ferir algumas dezenas. Isto aconteceu na 3ª cidade do mundo mais adequada para acolher LGBT’s , capital do sétimo melhor país onde residir uma feminista, o país onde a elevada regulação do porte de arma devia manter a população segura, e a elevada incidência do estado social deveria manter as franjas desacreditadas, satisfeitas

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23º Governo Canadiano de sua majestade (Her Majesty’s Government)

Eliot Rodgers, a quem o assassino se referiu como “irmão”, era Americano. Mas provinha da Califórnia, considerado o quarto Estado mais liberal dos USA, menor incidência de armas e maior incidência de impostos . Vale a pena mencionar que, como o congénere yankee, Alek não era especialmente mal parecido, com o seu queixo definido, nariz direito, malares proeminentes e olhos grandes. Ainda assim se queixava de insucesso nos jogos de conquista, demonstrando como o fenómeno InCel é um problema societário e factual, em vez de individual e psíquico.

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Minassian, o segundo em cima a contar da esquerda, não era mal parecido

Na China e na Índia, o celibato involuntário foi gerado pela demografia. A política de planeamento familiar inaugurada por Hua Guofeng e prosseguida por Deng Xiaoping gerou, geração mais tarde, 70 milhões de ínubos. 7 x 107 machos quem, segundo as previsões das autoridades locais, serão incapazes de emparelhar, não obstante as práticas de casamentos combinados ou entrega de dotes pré-matrimoniais. Solução? Importar mulheres de países menos bem-sucedidos (como o Camboja ou o Vietnam) ou enfrentar a obliteração genética. No médio Oriente, a poligamia permitida e promovida pelo Islão também condenou muitos homens ao isolamento em vida. Mas a sociedade teocêntrica que gerou o problema também lhes oferece uma solução – devotar a vida ao todo-poderoso ou entregar-lha em nome da guerra santa.

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Ao Ocidente a maleita, tardia e artificial, lá chegou. Não pela falta de direitos ou autonomia das mulheres, mas pelo excesso. Não em 2018, mas em 1989. Não na conservadora América, na economicista Alemanha, na ultramontana Inglaterra, mas no libertino Canadá. Acossado pelo feminismo e decidido a cambiar o seu destino, Marc Lépine – filho da globalização entre um Argelino e uma Enfermeira Québécoise – assassinou 14 mulheres no chamado “massacre de Montreal” por querer “combater o feminismo”. O mesmo aconteceu com o terrorista Andrew Berwick, na superigualitária Noruega, em 2011.

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Os últimos anos foram marcados por ocorrências sobrenaturais: camiões revessando-se sobre a população, expansão de doenças psicológicas e, claro, desintegração por falta de meios socioeconómicos. Frequentemente, os especialistas em odiar brancos (Lépine não o era, mas vamos ignorar isso), branqueiam atentados brutais com a terminologia supracitada, mesmo que estejam implícitos mais assassínios do que os cometidos por Berwick ou Rodgers. Mas quando um tipo massacra em nome da Jihad, eu considero um desrespeito para com ele próprio (e já agora, para com as vítimas) que não escutemos os seus intuitos. Há inúmeros paralelismos entre as duas classes de morticínios e pretendo explorá-los detalhadamente. Por isso vou ouvi-los. Vou escutar o que os facínoras têm para dizer. Enquanto se enumeram as causas fictícias por detrás do ímpeto homicida do Canadiano, eu acho que vale a pena atentar nas suas palavras, ou não fossem o acto terrorista – como todos os actos terroristas –  uma manobra promocional nos dias do ego.


Jude Appatow lançou em 2005 o filme Virgem aos quarenta anos. A wikipedia descreve o protagonista do filme como “um virgem de 40 anos de idade, que é involuntariamente celibatário. Ele mora sozinho, recolhe figuras de acção, joga jogos de vídeo, e sua vida social parece consistir em assistir Survivor com seus vizinhos idosos. Ele trabalha no estoque em uma loja de electrónicos chamada SmartTech

Não só este perfil é factual como se tornou mais frequente após 13 anos de acossa feminista , e se estendeu além das fronteiras do tenebroso mundo Ocidental. Simultaneamente, e mesmo sem ver o filme ou qualquer descritivo seu, sabe o leitor e por automatismo que alguém virgem aos 40 anos é necessariamente um homem, que se pode chamar Carrell (o personagem da película) ou Alek ou Elliot.

É este o queixume dos homicidas. E é um problema válido. Apesar de condenarmos severamente a sua atitude perante o mesmo, identificamos-lo e reconhecemos-lo. Não se trata meramente de não ter sexo ou não procriar, ou quedar-se condenado a uma vida de solidão. Recentemente, num casamento Católico escutei duas frases que me marcaram: “Deus criou a mulher para fazer companhia ao homem” e “Enquanto prova do Amor de Deus, o Casamento é um projecto de felicidade”. Estes homens estão condenados a desconhecer a companhia, o Amor de Deus e a Felicidade.

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Expectativa de vida de um InCel

Mas é também sobre o preconceito de que os homens solitários sofrem no Ocidente, seja no trabalho, seja na vida cívica , seja na vida social. Se não nos fizermos acompanhar por uma fêmea, somos vistos como perigosos. Somos concordantemente discriminados – Por outras mulheres! pois à excepção dos SJW, os homens com sucesso vaginal são tão solidários para com estes pobres coitados que se aglomeram em fóruns oficiosos para lhes ensinar como levar uma vida melhor. Quando este preconceito verter em perseguições, prisões, despedimentos massivos? É tão mau que há gajos que escolhem deixar de o ser para fugirem ao preconceito

I'm not sure if I should be offended or happy since then we could get free neetbux

Validando estes problemas, muitos buscam soluções e o Pick-up deixou de ser uma subcultura estigmatizada para ser legitimado como instrumento valioso à sobrevivência no Ocidente. O autor Roosh V escreveu que se Eliot Rodgers houvesse aprendido PUA, nunca teria cometido nenhum massacre, e até o reputado psicólogo Jordan Peterson admite a importância da sedução, explicando-a brilhantemente com base no filme “O Rei Leão”.

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Segundo o também académico, na narrativa, Simba desilude a parceira ao recusar aceitar responsabilidades que o transitem para a vida adulta, e só depois de realizar essa transição (tornar-se adulto, assumindo responsabilidades) passa a poder usufruir dos direitos correspondentes como a intimidade, o sexo e a chave para a parentalidade. Fica dado o recado de que os PUA’s devem amadurecer, antes de almejarem seduzir mulheres.

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InCel: Individuo que apenas encontrou este olhar na tela do cinema

Mas perante uma trupe de jovens que estariam dispostos a governar as Terras do Orgulho ou a defrontar o malvado Scar só para poderem ver pachacha, Peterson forçou-me a rever o filme. Vendo-o, apercebi-me de que esta sequência de acontecimentos está enviesada. Na verdade, a fêmea já seduzira o príncipe antes deste realizar a dita transição. Na verdade, ela tomara iniciativa nesse ritual sem lhe colocar contrapartidas*. Na verdade, o seu envolvimento data de quando Simba se recusa terminantemente a crescer e a maturação pessoal do leão não é condição sine qua non para este acontecer.

Se outro personagem assumisse o pesado ónus que o jovial Simba recusou, se outro interveniente cumprisse a condição posteriormente colocada a Simba, jamais com essa coragem – por esse cumprimento – conquistaria o coração e o corpo da leoa.

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“Se nós aceitarmos governar esta merda, podemos montar a gaja?”

Rodgers e Alek pensaram como Peterson. Eles acreditaram que as suas virtudes pessoais lhes trariam a companhia almejada. Eles creiam mais cedo ou provavelmente mais tarde que o dinheiro e classe social de Rodgers ou a humildade e capacidade de trabalho de Alek, compensariam sob a forma desejada, sob a forma de uma vagina molhada. Mas como later never comes, aperceberam-se de que foram logrados desde o primeiro dia das suas vidas quanto aos mecanismos que estabelecem atracção e uma mulher por um homem. A atracção não é uma escolha.

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A face da desilusão

Assim, não pode ser merecida, conquistada ou transacionada. O sexo pode e as relações resumidas a quartos mortos ou a sessões mensais de posição missionário com choro e rata seca, demonstram que uma mulher pode foder até para que o homem deixe o lixo no contentor**. Naturalmente, é dessa possibilidade que nasce a prostituta.

Este conceito, todavia, também se cola aos PUA’s e Redpillers que propagam o seu game pelo espaço cibernético. Obedecendo a uma filosofia platónica, semelhante à que moveu os InCels, os gurus instruem os seus aprendizes a decorar este número de linhas ou a adquirir esta forma física, dizendo-lhes que a recompensa virá mais tarde. Na sua linguagem, o dinheiro de Rodgers e o labor de Alek traduzem-se em horas de treino ou sessões de sarge e eu pergunto-me quantos contarão, com a mesma ansiedade, o número de abdominais ou as repetições do bench-press; Quantos enumerarão, com o mesmo desespero, o número de abordagens ou os timingos de Hook-Point, necessários para merecer chavoita, interiorizando – em ambos os casos – que se lhes deve ser exigido sacrifícios para obter aquilo que as mulheres conseguem sem esforço.

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“Quantas faltam para foder?”

Alguns InCels advogam que o auto-desenvolvimento é um mito. No limiar, impelir alguém a “apostar em si mesmo” ou investir numa carreira ou num ganha pão ou num qualquer tipo de prestígio, é pedir-lhe que espere até aos 40 ou 50 anos para poder ter direito a rata (falta saber durante quanto tempo). É claro que depois estão confinados a congéneres hediondas, gastas, gastadeiras e mal-agradecidas porque se dormirem com alguém mais novo, podem aguardar por uma torrente de impropérios e acusações legais. Por outro lado, Houellebecq escreveu que a vida sexual dos homens se divide entre o período das suas vidas em que não aguentam suficiente tempo para satisfazer uma mulher, e o período das suas vidas em que não possuem pujança suficiente para o fazer. Aqueles que esperam sucesso e fortuna para copular, podem contar com a segunda.

Diz o povo que “quem espera desespera”. Para alguns, efectivamente a vida melhora. Para Alek e Eliot não. Perceberam que depois do liceu, da faculdade, da idade, não chegou o momento das suas vidas em que finalmente se tornavam atraentes. Nunca chegaria. Nunca estariam vivos. Por isso, mataram.

É para Esperar? Pelo quê?

Sem regulação apertada e redistribuctiva, a intimidade – tal como a atenção – converte-se num bem escasso. Uma sociedade que mede os cidadãos pela quantidade de intimidade obtida é tão desigual como a que mede o homem pela nobreza de sangue ou pela quantidade de dinheiro. Não  se fizeram esforços eficientes para democratizar a carne; Pelo contrário, a sua liberalização aumentou a disparidade social, a segmentação de classes, a diferença entre os que têm muito e os que não têm nada.

Esses são os InCels.

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Os InCels estão no fundo da cadeia alimentar e sem cona

 

No meu texto anterior, dei o exemplo de 1789 para explicar o sentimento revoltoso entre os despojados do mercado sexual liberal – os famintos do alimento humano. O brilhante Roosh escreveu-o o melhor: “‘Deixa-os comer bolo’ é hoje ‘Deixa que estes falhados privilegiados e socialmente estranhos tenham XBox e pornhub”. No ano de todas as revoluções – 1848 –  a liberalizarão industrial retiraria poder de compra ao proletariado enquanto aumentava a sua dimensão e reduzia os direitos laborais. Também a emigração era problemática, com os orientais a capturar os postos de trabalho como hoje os pretos capturam fanfa. As más colheitas dos anos transactos e a imobilidade da propriedade da terra, ditariam a virga-férrea reivindicativa. A imprensa escrita promoveria a união entre proletários apartados. Marx e Engels deitaram foice em solo fértil e nasceu o comunismo.

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A disparidade numérica foi essencial ao sucesso da Revolução. A base da pirâmide na França do século XVIII ou na Alemanha do século XIX é mais larga do que o topo. Obedecendo o mercado sexual às regras de pareto, serão os InCels suficientes para inverter a pirâmide sexual? Poderão eles – com o 4chan no lugar do Rheinische Zeitung – revolucionar o mercado?

Ou resultarão tão mal como o já mencionado terrorismo islâmico, desorganizado, despropositado, apertando o controlo e hostilidade sobre a população do praticante, incapaz de satisfazer qualquer necessidade dos necessitados?

E há a sucessão cronológica. A segunda república francesa foi naturalmente fruto da primeira, inspirada no espaço de duas gerações, pela revolução antecedente mas com o terror cuidadosamente omisso dos relatos oficiais. Duas gerações posteriormente, viria a Revolução de Inverno, marcando a história da libertação dos povos como uma sequência de revoluções. Com a popularização da expressão “Going ER” (Indo ER – Elliot Rodgers) na darkweb qual revolução sucederá ao atropelamento de Toronto? Será mesmo apenas uma questão de tempo até alguém voltar a matar?

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A expressão “Going ER” popularizou-se na darkweb

Antes de terminar vale a pena recordar que a palavra InCel é um acrónimo involuntário. Enquanto os demais grupos mencionados são integrados por ventureiros conscientes, o estatuto InCel não é auto-determinado mas exógeno. Assim, não prevê uma conversão religiosa como no activismo islâmico, ou uma adesão militante como num Partido Político ou o treino paramilitar como nas organizações terroristas. Os outros membros da manosphere são definidos pela actividade: os RedPillers que escolhem tomar a RedPill, os PUA’s que escolhem sarjar, os MRA’s que escolhem o activismo, os MGTOW que escolhem ir no seu caminho. Os InCels não têm escolha. No limiar, um jovem bluepiller, tímido, feminista que não faça sexo é, passivamente, definido como InCel. Não quis ser InCel. Ninguém quer ser InCel.

Também se escreveu que os InCels são misóginos. Não podia estar mais longe da verdade. Os InCels são adoradores de mulheres que não vêm os seus sentimentos adequadamente respondidos. Se fossem misóginos seriam MGTOW, optariam pela prostituição ou pela homossexualidade. Um homossexual com quem fiz amizade recente confessou-mo numa madrugada alcolizada que enrabava outros tipos porque as mulheres não o desejavam. “Ninguém nasce gay”. Foi o estratagema que adoptou para deixar de ser InCel.

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Mas eu não condeno

Outros estratagemas foram elencados pelos InCels, da remoção do direito feminino a escolher um parceiro até um sistema análogo à social-democracia que partilhe as mulheres entre aqueles que não as têm. Não se trata de uma agenda, apenas um conjunto desagregado de ideias postadas entre lamúrios e muita tristeza, solidão. Nem são apenas eles: Um amigo que já fez mais de 100 lays advoga o método SD, abdicando ele próprio de muitas noites bem passadas em nome da igualdade, da justiça e da estabilidade social. De alguma forma foi esse o papel da Esquerda moderada, prosseguir os objectivos da revolução retirando-lhe a violência. Nem os objectivos dos InCels nem os InCels são violentos.

Mas aqueles que são – estes InCels – são de facto como terroristas, porque cometem actos terroristas. Porque inspiram terror. Entre os paralelismos face ao do terror islamita, além da incompreensão, encontramos tantos outros: A desorganização, a caracterização sociológica dos pertencentes – desenquadrados, alheados, atomizados – as estratégias de recrutamento, a dificuldade em seguir as redes, que apenas existem online, e um misticismo quasi-religioso em dias descrentes. Foi aí que Rodgers foi canonizado. Saint Elliot, há semelhança dos mártires nos primórdios do Cristianismo, morreu virgem. Morreu inocente.

Saint Elliot morreu inocente

Comecei por dizer que oiço extensamente todos os terroristas em vez de culpabilizar a incapacidade de integração, o capitalismo, o colonialismo… Qual fenómeno externo poderia culpabilizar pelo terrorismo InCel? A Hipergamia, claro. A Hipergamia mata. Matou quase vinte pessoas entre os dois casos explorados e matará muito mais. Matou Alek e Elliot, as suas primeiras vítimas, falecidos muito antes de pegarem nas armas ou ao volante do camião. O Profeta limitou-se a antever, com uma clarividência assustadora, os acontecimentos do século seguinte.

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O Profeta anteviu os acontecimentos do século seguinte

Conforme escutaram o sucedido nas notícias, questiono-me sobre quantas das colegas, das conhecidas, das raparigas que se cruzaram e ignoraram os mencionados não se questionaram se deviam ter prestado atenção, despendido um beijo nos lábios ou minutos de folia vaginiforme para evitar estes acontecimentos. Se o fizeram tantos milhares de vezes, por motivos tão fúteis, será que o fariam para salvar mais de vinte vidas? E se fossem apenas duas?

 

* Embora tenham sensivelmente a mesma idade, Nala é muitíssimo mais experiente do que Simba nos jogos da intimidade psicológica e física. Lembrem-se lá de outro filme para crianças onde um protagonista, masculino, se aproveite da inexperiência de uma fêmea para a seduzir.

** Há muitos anos li numa revista cor-de-rosa sobre quais as principais razões pelas quais as mulheres “cediam” sexo aos maridos onde a mais caricata era “convencê-lo a ir deixar o lixo ao contentor”. Não encontrei o registo. Se houvesse sido publicado hoje, o tipo seria preso por violação no casamento.

 

17 comentários em “A Hipergamia Mata (II)”

  1. Excelente artigo! Gostaria de deixar apenas uma pequena adenda, Alek e Rodger não foram os primeiros. Há pelo menos um caso anterior ao deles, o de George Sodini, um quarentão que perdeu cabeça por não conseguir arranjar parceira e matou várias mulheres num ginásio antes de se suicidar. Sodinin não usou o termo “InCel” mas, na prática, correspondia ao perfil na perfeição!

  2. Gostava que algum CEO de uma empresa tecnológica desse uma de Trump e dissesse à menina Ellen que há duas maneiras de resolver este problema:

    A capitalista, em que havendo procura e alguma oferta paga, quem quiser recorra a prostitutas.

    A socialista, em que nacionalizamos a pachacha de meninas esquerdoides e impertinentes como a menina Ellen, e passamo-la por quem precisa. De cada um de acordo com as suas capacidades, não é?…

  3. há sempre a terceira via, que é a Cristã. impor os valores tradicionais da monogamia, ilegalizar tudo o que seja subversivo dessa ordem e abolir a infantilidade da liberdade individual. foi assim que se erigiu e manteve a civilização durante milénios, e foi através da perversão socialista e da perversão capitalista que se minou o edifício e chegámos ao ponto em que é discutível se os povos europeus vão continuar a existir de todo.

    Ilo

  4. A expressão “dar uma de Trump” deixa de fazer sentido nesse contexto.

    De qualquer forma isso é uma forma de resolver o problema que nunca teria resultados palpáveis em menos de uma geração.

    A juntar a isso não é a ilegalizar comportamentos que se consegue seja o que for. São precisos números para conseguir uma mudança e com essa proposta nem dentro de uma Igreja consegue uma maioria consistente, quanto mais na sociedade em geral.

    Acabar com a liberdade individual é mais parte do problema que da solução.

  5. de facto, estava precisamente a apontar que dar uma de Trump pode ter piada, mas não resolve nada.

    duvido de qualquer solução que tenha resultados em menos de 2 gerações, tendo em conta que o problema já tem muito mais e o dano é muito profundo.

    quanto aos números necessários, discordo. é preciso apenas uma minoria convicta e intransigente:

    https://medium.com/incerto/the-most-intolerant-wins-the-dictatorship-of-the-small-minority-3f1f83ce4e15#.z5ry4bucq

    por fim, a liberdade individual é uma quimera. o sistema permite a liberdade individual de fazer escolhas que são inconsequentes ou que ajudam o sistema, mas limita obviamente qualquer liberdade verdadeira – entendida como autonomia em relação a grandes organizações (algo que é practicamente impossível no mundo moderno). o cidadão commum, pela sua alta preferência temporal, não pode ser confiado com liberdade de escolha, pois invariavelmente vai escolher uma cultura bastardizada, globalizada, consumista. isto é duplamente verdade se falarmos das mulheres. daí que a degeneração da sociedade, que já estava em curso há dois séculos, entrou em overdrive com a libertação da mulher.

    a nossa sociedade precisa de menos liberdade, e mais autonomia; menos smartphones, mais enxadas. menos hedonismo, mais sacrifício.

  6. “Dar uma de Trump” pode não resolver tudo, mas certamente resolve muita coisa. No caso concreto de Trump, outro candidato que não tivesse esse perfil, perante os ataques dos media e dos adversários, teria perdido.

    Quando a senhora que o acusou de ter baixado o apoio de braço no avião e feito não sei quê, ele podia ter rebolado e pedido desculpa ao mundo, podia ter dito que era mentira (a senhora trabalhou para a campanha Hillary e foi demonstrado que os aviões que faziam a rota em questão na época não permitim baixar o apoio do braço) ou podia ter feito o que fez: atacar em força, dizer que as mulheres com que sempre esteve eram deslumbrantes e aquela que o acusava era feia como cornos. Lembro-me da petgunta que fez num comício : “alguém acha que eu ia querer alguma coisa com ela?”

    Concordo com o Ilo Stabet quando diz que é necessário uma minoria convicta e intrasingente. Se essa minoria ridicularizar e atacar publicamente estas feministas radicais podemos enfraquercer-lhes a base.

    Se as forças que abastardam a civilização forem confrontadas com ideias e com apelos a “menos liberdade individual”, a sua vitória é mais que certa. Tem que haver alguém a mandar bojardas, a expor esta malta ao ridículo.

    Deixar os SJW sem resposta durante dezenas de anos tem levado as coisas a este estado.

  7. se eu achasse que se podia resolver os nossos problemas apelando às massas, ganhando eleições e governando em democracia concordaria consigo. mas não aceito essa premissa como válida (por várias razões).

    acho mais importante converter uma dúzia de homens fortes, confiantes e ambiciosos à realidade dura de que não podemos ter liberalismo por mais moderado que seja, do que andar atrás dos SJWs e a tentar desmontar as suas inanidades de um ponto de vista liberal de há 30 anos, de forma a que sejam compreensíveis e aceites pelas massas.

    o tempo de paliativos acabou (na verdade, acho que as figuras moderadas de outros tempos simplesmente se dedicaram a conservar uma prévia forma de liberalismo, o mesmo que fazem hoje).

    eu não acho que ter um sodomita como o Milo ou uma putéfia como a Lauren Southern a chamar gordas às feministas ou a dizer que Alah é gay faça alguma diferença. pelo contrário, acho que mostra que vivemos na narrativa da Esquerda, que deixamos que eles ditem todo o discurso, além de que atraiem todo o tipo de gente que não importa.

    estou ciente que é uma visão radical. mas é a que tenho para oferecer com toda a sinceridade.

  8. “se eu achasse que se podia resolver os nossos problemas apelando às massas, ganhando eleições e governando em democracia”

    Infelizmente é o sistema que temos. À falta de uns milhares de comandos para uma revolução, vai ser mesmo preciso convencer muita gente a meter cruzinhas nos quadrados certos.

    “acho mais importante converter uma dúzia de homens fortes, confiantes e ambiciosos à realidade dura”

    No contexto em que vivemos essa dúzia de homens fortes, para poder efectivamente mudar alguma coisa, tem que ter muitos milhares por trás. Estejam esses homens fortes na política, nos negócios, nas universidades, se não tiverem milhares por trás a votar, ou a continuar a consumir os produtos das suas empresas apesar dos apelos a boicotes, ou a impedir despedimentos arbitrários, não se vão chegar à frente. Basta ver o que aconteceu ao funcionário da Google simplesmente por realçar o óbvio: homens e mulheres são diferentes e têm gostos diferentes. Foi despedido.

    E os milhares para servir de base de apoio têm que ser libertados do lixo SJW.

    O ridículo é uma arma poderosa. A extrema esquerda sabe-o. Eu acho bom haver algumas pessoas do lado de cá da barricada que saibam usá-lo.

  9. Vi esse caso mal acabei de publicar. Vês que foi há quase 10 anos? E isto foi antes do casamento gay et al…

  10. Já escrevemos sobre o assunto mais do que uma vez. A prostituição cria uma diferenciação que tem de ser compensada. Eu aceitava que legalizassem a prostituição mas, por exemplo, excluíssem as mulheres do mercado de trabalho e da gestão societária. Aliás, isto começou a descarrilar precisamente quando outorgaram direitos eleitorais às mulheres

  11. Tenho um texto sobre liberdade – em especial nestes temas – há mais de um ano para publicar. Sem me querer extender, até porque dava pano para mangas, basta pensar neste aspecto específico que é o relacionamento romântico/sexual/interpessoal. “Antigamente” eras “forçado” a apenas te envolver com uma mulher, a mesma e única para toda a vida e, muito provavelmente, alguém da tua cercania. Ou seja, a geografia, a igreja impositora de monogamia e aquilo a que a comunidade bicha chama de heteronormativismo, determinam com quem te deitas. Não és livre, certo?

    Hoje, quem determina com quem te deitas, são os algorítmos do Okcupid, Tinder e Grinder. És mais livre?

  12. O ridículo é uma arma poderosa. A cultura dominante tornou-se ridícula ao ponto de a contra cultura a poder ridicularizar. Aí nasceu o pepe, o 4chan, a chamada altright e, agora, nós. Estamos a ganhar a guerra cultural porque, no limite, seremos sempre a maioria. Ainda ontem ouvi esta música e lembrei-me do tema
    “But if you go against your own my friends, you’ll lose”

  13. eu concordo que o apontar o ridículo da nossa cultura é salutar mas não acho que vamos convencer um grande número, pela simples razão de que a maioria das pessoas não é uma participante activa na cultura – simplesmente se está a cagar, e vai seguir o que quer que seja o dogma corrente.

    agora, quando disse que não via solução democrática não estava a sinalizar que acho que uma revolução armada ou golpe palaciano seja a solução. acredito que isso é igualmente impossível (e já escrevi sobre o assunto no meu blog).

    a única estratégia que vejo a longo prazo é uma de formação de comunidades de pessoas com crenças semelhantes e que sejam relativamente resilientes ao colapso (financeiro e político) que penso ser inevitável. essas comunidades estarão depois na linha da frente para ser a liderança. ou seja, não acredito em reformas do sistema, mas sim em reconstrução.

  14. Precisamente. De preferência baseado numa teologia mais completa. Mas em termos estritamente materiais e organizacionais, sim, era para isso que estava a apontar. Os Amish são o grupo mais poderoso na América porque são os únicos realmente antifrágeis, não só resilientes perante um cenário de colapso societal, mas que beneficiariam com esse colapso (em terra de cegos quem tem olho é Rei, algo por aí). Não sei de outro grupo que partilhe desta capacidade.

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