Pára tudo, está um traveca a falar!

Aparentemente o grande assunto de hoje no Web Summit (conferência de tecnologia, comunicações, empreendedorismo etc, pelo que O Patriarca pôde entender) é que um tal Bruce Jenner que há uns anos ganhou umas medalhas olímpicas, se vestiu de mulher para se ir queixar do estado actual dos Jogos Olímpicos.

Jenner websummit

A grande questão é, será que só lhe pagaram 90% da comissão?

Os loucos mandam no manicómio (e o Público aplaude)

Que o jornal “Público” é um lamentável pasquim de esquerda, já O Patriarca sabe há algum tempo. O que ainda não se tinha apercebido é que já tinham dado o salto para marxismo descarado.

Não é de estranhar que um dos muitos jornais anti-Trump nos EUA faça uma “notícia” destas. Propaganda democrata num jornal português é que já é ir longe demais.

Depois de um ano de dúvidas, recriminações e falhas nas eleições especiais para o Congresso, os democratas finalmente obtiveram grandes vitórias nas eleições estaduais que desejavam tão ansiosamente, numa altura em que se completa um ano desde que Donald Trump ganhou a presidência.

A Virginia é o exemplo claro da recuperação azul (a cor do Partido Democrata)

A Virgínia votou sempre democrata desde 2008, quando os imigrantes panchitos finalmente ajudaram os afro-americanos a dar a volta à balança populacional. Portanto isto é mais ou menos o mesmo que dizer que a CDU ganhar Santiago do Cacém demonstra o ressurgimento do comunismo em Portugal.

Mais à frente tudo se torna claro – o autor não nomeado do artigo exulta com a nomeação de um doente mental para o Congresso Estadual.

A Virginia é o paradigma das vitórias democratas, também pelo facto de ali ter sido eleito, pela primeira vez, um deputado transgénero (para o Congresso estadual). Mas sobretudo pelo facto de o candidato republicano ter encarnado todas as bandeiras e tácticas de Donald Trump e mesmo assim ter falhado.

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O Patriarca pede desculpa pelos danos mentais que esta imagem possa causar aos leitores

É verdade, estes “exemplos da recuperação democrata” que querem mandar abaixo estátuas de figuras históricas significativas como bons comunistas, pegam num gajo de cabelos compridos (O Patriarca não se deu ao trabalho de investigar se a criatura cortou a picha ou não, e francamente está-se nas tintas), chamam-lhe mulher e exultam com a eleição para um cargo público relativamente importante de um indivíduo com elevada probabilidade de padecer de doenças psiquiátricas mais graves ou de se matar.

Cá pelo burgo, com a triste mania que temos de importar as insanidades amaricanas, a juntar à conjectura governativa favorável fornecida pela agremiação marxista “As Sapatonas” (Bloco de Esquerda), é só uma questão de tempo até a moda pegar.

Dantes os loucos iam para o Júlio de Matos para serem tratados. Agora vão para a política espalhar a doença.

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Brevemente numa Câmara perto de si?

Angelika: Sexo vs. Validação

Em primeiro lugar, O Patriarca gostaria de parabenizar o nosso Myrddin Emrys por um dos melhores artigos d’A Távlola Redonda.

O Myrddin destaca o medo que a jovem tem dos seus clientes, mas vamos lá, isso é natural mesmo sem a vilificação actual dos homens. O porquê vai para além do âmbito deste post, mas resumidamente, o acto de uma mulher se encontrar a sós com um completo estranho para se despir e não só, é uma vulnerabilização enorme.

O Patriarca acha mais interessante o seguinte facto – a miúda tem um fascínio por poledance e quer ser stripper, mas tem nojo de sexo. Há aqui um exemplo prático de uma “regra” da RedPill. As validação que as mulheres sentem por ser o alvo do desejo masculino é um substituto perfeitamente aceitável do acto sexual, sendo que para algumas mulheres é mesmo mais prazenteira a validação que o sexo.

Moral da história: nunca dês validação a uma mulher que tencionas foder.

Angelika: O profícuo mundo da prostituição de luxo [Entrevista]

Desmultiplicam-se por cenários, tipologias serviçais e países de actuação – pelo menos dentro da UE, onde não conhecem fronteiras. Utilizam com mestria as redes sociais e uma infinidade de instrumentos internautas que as permitem chegar melhor ao cliente qual, apesar de todas as chamadas vitórias progressistas, nunca esteve tão disposto a pagar tanto por tão pouco. Pintam com as aguarelas da modernidade, a profissão mais velha do mundo

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Encontrámos-nos num subúrbio manhoso duma capital do Norte da Europa. Nunca ali tinha estado mas ouvira relatos de locais que equiparavam o bairro às vilas iraquianas: Crime, tiros, explosões, num dos países estatisticamente mais seguros do mundo. Ali, por entre as mulheres de burka e dezenas de crianças que entusiasticamente gravitavam em torno de cada, entre os homens de olhar agressivo e barba comprida que acompanhavam as primeiras, reconheci-a. Angelika, conhecida online por Amanda, botas de salto alto, nascida no ano da expo. Elegante, dois sinais na cara, o inglês tem falhas, a segurança não. Enquanto a observava, alternava entre três telefones, manuseando-os com destreza. Avisou-me que estava sem tempo porque esperava por um e-mail sobre o contracto de alojamento e, sem que desse por isso, roubo-lhe as coordenadas do facebook (adicionou-me online no fim da conversa). Sem guião, mas com algumas guias, questionei-a. Paguei à cabeça. E expliquei-lhe ao que vinha

– Fui primeiramente ao site, ao site onde te encontrei, porque queria conhecer mulheres.

– Porquê?

-Porque é que tens um emprego? Porque é que tens um mercado de gajos que estão dispostos a pagar para estar contigo e que te permitem não trabalhares em mais nada que não nisto?

– Então és um jornalista?

– Não, não sou.

– Então porque é que estás aqui?

– Porque percebendo que seria uma opção pouco esperta pagar para ter sexo, achei que seria adequada para este projecto. Eu e uns amigos estamos a escrever um blog da chamada “RedPill”. Este é o tipo de assuntos que tratamos e escrevemos. Por isso perguntei-lhes “o que pensam se eu entrevistar esta miúda, esta” não sei bem o que é que tu própria te intitulas. Todos responderam “excelente ideia” mas foi só isso. É que geralmente, as entrevistas que fazemos, são extensamente preparadas e todos acrescentam várias perguntas. Desta vez só aplaudiram a ideia mas não me deram nada. Em todo o caso, pareces-me uma rapariga interessante.

– Obrigado! Vou só agarrar a minha mala porque, bem, considerando o bairro em que estamos…

– Deixei a minha bicicleta destrancada.

– Isso é ousado.

– Sabes que é a primeira pergunta que te faço. Este é suposto ser um bom negócio e tu cobras imenso, mas vives aqui…

– Como assim?

– Tipo, pelo que me disseste, parece-me muito.

– É diferente. Eu agora vou para a Polónia trabalhar

– Tu és polaca.

– Sim, mas agora vou lá apenas para trabalhar. Por exemplo, gastei 80 € por um bilhete de avião e vou ganhar cerca de 60 € por noite mais, talvez, 150 € durante o dia.

– Durante o Dia?

– Durante o dia. Por isso, vou agora para a Polónia – já viste? Polónia! – para trabalhar…

– Mas o que te pagam as pessoas para fazeres durante o dia?

– Para encontrar, almoçar, arranjar um quarto – Como se diz? Arrendar – Sim, arrendar – Arrendar um quarto, para fazer striptease, massagens… o que queres?

– Eu não quero nada a não ser ouvir-te! É a melhor parte. Portanto, vais voltar para a Polónia, o país de onde vens, para trabalhar apesar de viveres aqui no Norte da Europa. E há gajos polacos dispostos a pagar imenso para fazeres essas coisas.

– Exacto

– Mas então o que estás aqui a fazer?

– Estudo aqui!

– Fixe! O que estás a estudar?

– Às vezes arrependo-me de ter vindo para aqui porque aqui não consigo ganhar dinheiro como na Polónia, em Varsóvia, eu fazia pelo menos 500 € por noite. E aqui dizem-me “500 €? Estás a brincar?”

– Mas aqui são mais ricos.

– Sim, mas não querem pagar por sexo… tanto.

– Porquê?

– Não sei

– Dizes que vais à escola aqui. Também trabalhas?

– Não. Não estou legalizada… preciso dos papeis para poder trabalhar, para ter bolsa de acção social escolar e tudo mais.

– O que estudas?

– Gestão de Marketing. Mas é um curso de bacharel. Quero fazer um mestrado ligado à bolsa de investimentos… Sabes, talvez me candidate a uma boa escola, deixa ver onde. Talvez na capital.

– Estudas na faculdade local?

– Sim

– Tenho bons amigos lá, um dos meus melhores amigos estuda contigo. Talvez ele te conheça.

– Oh

– Tipo, tens colegas? Dás-te bem com eles? Os teus colegas sabem o que fazes para ganhar a vida?

– (riso) claro que não. Bom, tenho uma amiga que sabe o que eu faço e que me protege. E quando vou a algum lado, sabendo que uma pessoa me pode matar, raptar-me, trancar-me numa cave, é ela quem – se não souber de mim dentro de vinte e quatro horas – pode telefonar à polícia.

– Isso já aconteceu?

– Não

– Então porque pensas que aconteceria??

– Não sei, em caso de emergência. Precisas de te manter segura

– Se trabalhasses noutro ramo ou negócio, tipo, se fosses uma enfermeira ou prestadora de outro tipo de serviços, também pensarias que terias o mesmo…

– Dinheiro?

– Não, claro, essa pergunta é fácil. Mas achas que terias a mesma preocupação.

– A mesma preocupação?

– Sim, imagina que és enfermeira e um dos teus pacientes precisa que vás à casa dele ou dela porque precisa de certo tratamento, e tu vais. Também avisarias os teus amigos pedindo-lhes que liguem para a polícia caso não dês sinal de vida em 24 horas?

– Não,  não penso que não. Mas eu sei que este é um negócio perigoso, nunca viajo para fora da Europa porque tenho medo. E agora sei que devo temer pelo mercado de tráfico de seres humanos que continua a existir.

– Claro que continua e em grande.

– Por isso tenho medo.

– Mas porque então porque tens medo disso? Sendo uma cidadão Europeia, sendo profissional…

– Eu não sou profissional.

– Então não te devia pagar!

– As profissionais levam 3000 €/noite.

– Então a diferença entre profissionais e amadoras é o preço?

– Definitivamente! E eu penso que as profissionais têm um melhor nível de vida.

– Padrões de vida?

– Sim, dá-me um segundo (pega no computador) tenho de verificar se (o mail) já veio.

– Se veio? Então uma profissional é a que verifica se o cliente já se veio.

– Não, não é nada disso. Estou à espera dum amigo que me vem buscar para que eu possa ir assinar o contracto de alojamento. Ele é de cá, a senhorio é de cá, não falam Inglês.

– E tu não.

– Não. Só sei dizer “Obrigado”.

 – Eu nem isso. Mas isto é fascinante porque dizes-me que se fosses enfermeira, não pensarias que os teus clientes te poderiam fazer mal, mas como trabalhas neste ramo – chama-lhe o que quiseres – partes do pressuposto que os clientes te podem fazer mal. Portanto, tens um preconceito contra os teus próprios clientes, isto é, um preconceito contra os homens que pagam para ter sexo. Mas se os homens não pagarem para ter sexo, como acontece aqui no Norte, não conseguirias ter uma vida… Felizmente, que existem homens dispostos a pagar para sexo, certo? Senão, não terias dinheiro.

– Não tenho a certeza que compreenda o que estás a dizer. Todo o tempo em que tenho medo de ir a casa de alguém, e se não teria caso lá fosse como enfermeira? É a mesma pergunta?

– Sim

– Porque as enfermagem tem outro carácter e, por exemplo, quando vais a casa de alguém como enfermeira, encontras alguém na cama, inamovível, e que estará acompanhado por outras pessoas; É diferente ires a algum lado onde só está um homem e eu sou uma mulher, portanto, ele será mais forte do que eu.

– Mas sendo homem, também já fui paciente, já tive enfermeiras em minha casa para me cuidarem, sofri muitos acidentes. Também tive uma namorada enfermeira que passava a vida a ir a casa de outros homens para fazer tratamentos e não tinha medo deles. Mas tu tens medo dos teus clientes

Sim, tenho. Só me encontro em hotéis.

– Mas ao mesmo tempo, são os teus clientes quem te permite viver

– (risos) tens razão.

– Ok, deixa tentar outra. Tu cobras muito. Menos do que as profissionais, mas cobras uns 500 €/noite? (sim). Mas vives no pior sítio onde já estive neste país.

– O pior?

– Estou aqui há meses e nunca tive num sítio tão mau como este. É fantástico, obrigado por me dares oportunidade de visitar o gueto.. Portanto, o negócio está a ir bem?

– Aqui? Não. Nunca tive um cliente de cá. E tentei. Quando vim, pensava “rica Europa do Norte, ricos europeus, vai ser melhor do que trabalhar na Polónia”, não. agora, vou para a Polónia trabalhar.

– Mas sabes que todas as coisas que tu fazes são legais aqui. Os bordéis são legais, os strips são legais, há um bairro enorme na capital apenas dedicado a actividades sexuais,

– Já ouvi falar, chamam-lhe uma espécie de red light district do norte.

– Então se tudo é legal, porque não trabalhas sobre os trâmites legais?

– Porque teria de pagar  impostos aqui em vez de os pagar na Polónia. Na Polónia não pago nenhuns. Lá é legal e ilegal. É ilegal forçar alguém a fazê-lo ou beneficiar do trabalho sexual alheio. Portanto é legal e ilegal. Na Polónia eu posso fazê-lo, ninguém me pune por isso e não tenho de pagar impostos. Aqui, tenho. E aqui, a sério, querem-me pagar 150 € por tudo.

– Isso é pouco?

– Muito pouco

– Os preços nos bordéis estão entre 80 e 130 €. Achas que é pouco?

– Para mim, muito.

– Mas mesmo as escorts profissionais, aqui, levam 200 € por hora

– É pouco.

– Porquê?

– Porque eu não gasto apenas a hora em que estou com o cliente. Demoro pelo menos duas horas mais a preparar-me (agarro-lhe no cabelo com ar de desaprovação) Hoje não, não me arranjei para vir cá, desculpa, não tenho maquilhagem nenhuma e para me encontrar com um cliente levo maquilhagem, visto umas roupas decentes.

– As tuas roupas nem são más…

– Sim, mas tenho de tomar um banho longo, arranjar o cabelo, esfoliante, pôr cremes para ficar com a pele muito suave (volto a tocar-lhe na mão com ar de desaprovação), não não, não me preparei hoje, mil desculpas…

– Isso incomoda-te? Tipo um trabalho ou uma tarefa, como num emprego das 9 às 5. Pensas, “oh , não, bolas, lá vou eu trabalhar” e em vez de 3 horas de reunião, são 3 horas de banho, 3 horas de cabeleireiro, isso aborrece-te? Preferias não o fazer?

– Eu não gosto de o fazer. Se pudesse escolher, nunca usaria maquilhagem e até acho que não preciso, mas sabes como é, high class é high class. Portanto preciso de parecer o melhor que consigo. Mas durante o resto do tempo não a uso, não gosto de o fazer, é mau para a pele… Quando te dizem “faz esta coisa que é má para a tua  pele” eu penso, “nããã”. Por mim vou sem ela, tomo um banho curto e estou pronta.

– E isso paga? Tem retorno? Sentes uma diferença grande se… Imagina que tens um encontro, imagina que sou, chego aqui e digo-te “vamos foder” ou o que for. Achas que eu quereria pagar menos porque não puseste maquilhagem, ou não cuidaste o teu cabelo?

– Tu pagas o que eu te pedir, mas da próxima vez, por exemplo, já não te querias encontrar comigo porque acharias que eu não valeria o dinheiro.

– Isso já te aconteceu? Clientes que tentam uma vez e não querem repetir?

– Não, todos ficam satisfeitos

– Isso é uma coisa boa. (risos) Mas porquê? Porque é que vales a pena? Porque razão as pessoas que encomendam os teus serviços, encomendam-no de novo?

– Porque eu os trato bem (volta a olhar para o computador). Peço desculpa, isto nunca acontece mas eu avisei-te. Se fosses meu cliente, teria tudo, facebook etc, desligado e só te prestaria atenção a ti.

– Não te preocupes, eu é que te quero ouvir e em todo o caso, isto está a gravar.

– Porque estás a gravar?

– Porque quero escrever sobre isto. Quero escrever sobre ti. Porque é fascinante. Tu és fascinante. Este conceito é fascinante e eu quero escrever sobre ele. Tenho pensado e escrito bastante sobre este assunto, nas últimas semanas, falei com prostitutas, escorts, fui a bordéis, paguei serviços aos meus amigos e enquanto os meus amigos estão a comer as prostitutas, eu estou a falar com elas e a tomar notas: Em Portugal, França, Alemanha, em todo o lado. E até aqui. Toda a gente fode às minhas custas. Até podia pagar a um amigo para te comer, excepto os amigos que tenho cá e que não precisam disso. Daí que eu quisesse perceber porque é que alguns homens acham que vale a pena gastar dinheiro em ti? Eu já te dei 40 €, mas porque gastaria mais?

– Porque gostam do meu aspecto

– Gostam do teu aspecto? Porquê?

– Se conhecemos alguém cujo aspecto gostamos, pensamos que essa pessoa vale a pena. Não sei como dizê-lo em Inglês, mas quando gostamos do aspecto de alguém acreditamos que é melhor pessoa do que é na vida real. Não sei como dizê-lo, mas há um ditado polaco, tem que ver com anjos.

– Não precisas, eu percebo.

– Eles gostam do meu aspecto, sei fazer massagens, striptease, tudo. Não tenho muita experiência, comecei este ano. Quando estava a viver na Polónia tinha duas relações permanentes, uma na Polónia leste, depois outra quando me mudei para Cracóvia por isso não tenho muita experiência. Vou agora voltar para lá, ver como isto vai.

– Que idade tens?

– 19?

– Claro que não. Claro que não tens.

– Queres ver o BI ?

– Quero (era verdade).

– Oh meu Deus.

– (risos).

– Então, porque é que uma rapariga com 19 anos se mete nisto?

– Dinheiro. Quero comprar um apartamento para viver de rendas.

– Sim, mas como começaste? Como te surgiu a ideia? Tipo, “posso ganhar dinheiro com isto”

– Nem sequer tinha nenhum amiga nisto que fossem strippers ou prostitutas. Mas sempre quis ser stripper, adorava poledance na Polónia. É tipo o meu hobby. Via mulheres fazerem Poledance, ia aos espectáculos, acho que é muito atraente. Gostava de  trabalhar como stripper aqui.

– Há uma casa de strip cá.

– Eu sei, mas candidatei-me à única casa daqui e disseram-me “Oh, muito obrigado, mas estamos cheios este ano e talvez para o ano”.

– O que lhes mandaste? O CV?

– Não, nada de informação pessoal, apenas fotos, a minha experiência como poledancer e uma pequena descrição sobre quem sou eu.

– Quem és tu?

– Angelika… Mas por favor não coloques informação pessoal minha no teu blog.

– Não te preocupes, apenas porei o teu primeiro nome e o ano em que nasceste. Até estou a escrever em Português, só quero o conteúdo. Mas acho que é uma peça extraordinária.  E sabes, muitos dos meus amigos, muitos dos gajos que escrevem comigo adoram a Polónia.

– A Polónia é o paraíso para SugarDaddys.

– Porque há muitas raparigas?

– Sim, porque há muitas raparigas, porque são mesmo raparigas simpáticas, porque há muita gente disposta a pagar… Eles são muito mais pobres, mas usam muito mais dinheiro. Pagam como pagam no Luxemburgo, ou em Londres, por miúdas.

– A minha impressão da Polónia, de quando lá estive num congresso, era a de ver todas estas raparigas muito bonitas sozinhas num canto dos bar, e os homens agarrados a cantar e a enfrascarem-se em vez de prestar atenção às mulheres. As mulheres eram muito mais femininas e muito simpáticas. Tudo era barato, excepto o álcool que é o mesmo preço que o do álcool em Portugal, mas tudo o resto era tão barato. Em Cracóvia tive o melhor almoço da minha vida incrivelmente barato.

– E podes ir à Ucrânia. Ainda é mais barato.

– Ucrânia?

– Sim, Ucrânia. Mas precisas de passaporte para entrar. Podes ir a Lviv que é a capital da Ucrânia, é uma cidade próxima da fronteira polaca

– Desculpa, mas a capital é Kiev

– Ok, desculpa, a sério? Toda a minha vida acreditei que a capital era Lviv. (Mostra-me o mapa) Olha, aqui foi onde vivi. Aqui, aqui, aqui e aqui.

– Olha Odessa… esta era uma cidade muçulmana, sabias?

– Não sabia.

– Não sou grande fã destes países. Mas já andei para aqui. Um bom amigo meu diz que as mulheres mais bonitas do mundo vêm daqui da Bielorrússia.

– Que giro.

– Mas eu continuo sem perceber porquê gastar dinheiro para estar com mulheres.

– Eu também não consigo perceber. Se fosse homem, nunca pagaria a uma mulher por sexo. Se o fosse fazer, se fosse fazer sexo, quereria que ela gostasse de fazer e o quisesse fazer de borla.

– Fazes sexo de borla?

– Não. Agora, nunca. E não quero fazê-lo nos próximos anos. Já tive dois namorados no passado e o segundo era polígamo. Andámos um ano até eu saber, disso e eu aí pensei ‘Ok, ele é polígamo, ele anda a fazer sexo com muitas mulheres diferentes e eu posso apanhar uma doença dele. É o mesmo que ajavardar. É o mesmo risco’.

– Não tens medo de apanhar uma doença tu?

– Não, porque uso preservativo. Mas com ele não, confiava nele.

– Não há gajos que te pedem ou que te oferecerem mais dinheiro para não usares preservativo?

– Não, nunca.

– Nunca te perguntaram

– Nem por 100.000 dólares eu o faria.

– Então, se um tipo pode conhecer outro tipo de rapariga e não usar preservativo, qual a vantagem de estar contigo? Tipo, a tua vantagem. Promove-te como se eu fosse um cliente potencial.

– Mas tu não és um cliente potencial porque eu sou honesta contigo. Com os clientes nunca sou. Não é ser desonesta, mas não posso ser honesta como sou contigo. Por exemplo, aos meus clientes potenciais nunca diria que não gosto de sexo. Porque não gosto de sexo, percebes? Eu nunca tive um orgasmo. Agora percebes porque é que eu não o faço aqui? É um preço demasiado baixo para fazer uma coisa de que não gosto e que me vai enojar, faz-me correr o risco de ficar doente, porque por exemplo a SIDA? Podes apanhar SIDA com preservativo.

 – Eu sei

 – Por isso é um risco, tudo é um risco.

– Bom eu sou um tipo porreiro, não te quero forçar a fazeres algo de que não gostas. Mas vamos imaginar que não era, gostava de te ver a promoveres-te, que me explicasses porque razão te devo escolher a ti e não à próxima tipa.

– Eu não me costumo promover. Estou farta de me vender. Agora até tenho algum dinheiro, é uma questão tua se me quiseres pagar ou não. Tenho muita gente que me quer pagar, sabes? (Mostra o computador)

– Fica aqui o registo de que a Angelika tem 48 mensagens apenas hoje.

– Amanhã haverão mais.

– Não são de cá?

– São de Varsóvia.

– Todas?

– Todas. Está no meu perfil. Aqui na minha descrição (mostra-me um site de encontros que eu nunca vira antes) digo no meu perfil que sou discreta e que não se arrependerão

– (vendo as idades dos solicitadores marcadas dos 18 aos 80 pergunto) 80? Já tiveste algum potencial cliente muito velho?

– Não, mas se eu limitar a clientela aos 40 e um tipo tiver 41, o site não o deixa ver. Eu quero ser vista por toda a gente. Por isso pus o limite máximo. Por exemplo, este site (mostra outro) tem algumas fotos secretas, mas tens de as pagar para ver.

– Pagar? Porque alguém pagaria só para ver fotos?

– Não sei, mas é como funciona o site.

– Bom, tu estás em muitos sites

Sugardates, Whatsyourprice, Seekingarrengement, tinder, tantos outros… e também nos anúncios! Tipo metes um anúncio num jornal ou na Internet, do género “eu quero vender um carro” ou “eu ando à procura dum patrocinador”

– Mas apesar de todos estes instrumentos, não consegues fazer dinheiro por aqui.

– É um mau país para mim.

– Porquê?

– Ainda não percebi. Olha, desculpa, mas podemos-nos encontrar noutra altura, no facebook ou no skype, mas eu tenho de ir agora. Recebi agora o mail e preciso de ir assinar o contracto, estou à espera disto desde Agosto, peço imensa desculpa. O meu amigo já está a vir, tínhamos date marcado.

Date, também é teu cliente?

– Não, é mesmo amigo. Tipo, conhece a minha família

– E a tua família, sabe disto?

– Claro, que não

– Não se questiona de onde vem o dinheiro?

– Não sabe do dinheiro. Tipo, eu tenho cinco contas bancárias.

– Ok, podemos continuar isto depois. Eu espero por ti. Até já

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