Discriminação

Uma amiga conseguiu um arranjinho para que a Pastelaria Benard no Chiado lhe fornecesse gratuitamente os bolos sobrantes do dia para um evento. Combinaram à hora de fecho, ela foi primeiro, eu fui estacionar o carro. Cheguei á entrada, vi-a no balcão e aprontei-me a juntar-me até porque precisava dum WC. Rapidamente fui interpelado.
– Oh amigo estamos fechados – Diz o empregado A.
– O que é que você quer daqui, não viu que estamos fechados? – Diz o empregado B
– Peço desculpa, posso por favor utilizar o WC? – Questionei
– Não pode nada que já fechámos! – Responde com brusquidão e do balcão um empregado C  que parecia ser mais velho e talvez hierarquicamente superior.
Um empregado D toca-me nas costas “- Sorry, what is it that you need?” questionou. Respondi em Português recebendo um – “Tivesse vindo mais cedo”. A minha amiga continuava fitando-me com olhar de pena enquanto recebia pastelaria à borla.
– Vá à Brasileia – recomenda o empregado mais velho e um “Deixe-me passar” proveniente dum quinto elemento carregado com mesas, coloca-me definitivamente fora da soleira. Aborrecido, segui o conselho do último e dirigi-me ao café vizinho.


Ao regressar, tive uma surpresa

– Então meu amigo! Não me avisou que vinha com aquela menina – diz o empregado A. O empregado B estende-me a mão.
– Como está, tudo bem? Nós não sabíamos que estava com a menina, peço imensa desculpa.
– Ainda quer ir à casa de banho? Coma qualquer coisa – Oferece o empregado mais velho
– Pedimos imensa desculpa, mas nós não podemos aceitar clientes depois da hora de fecho. Mas se soubéssemos que estava com a menina tinhamo-lo deixado ir e até podia ir à borla que geralmente cobramos um euro – Informa-me o empregado D. Esse, e o cavalheiro que antes carregara as cadeiras, pegam nas duas grandes caixas de ofertas outorgadas à minha jovem amiga (que não levava nenhuma) e carregaram-nas até ao meu carro.

Ainda existe muita discriminação em Portugal

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