A FAVOR DA “CENSURA” DA IMPRENSA FALSA

donald trump

Já muito se escreveu sobre o problema das fake news e não achava que houvesse mais a assinalar. Mas depois de um dos cavaleiros da Távola ter escrito isto vi-me obrigado a manifestar uma opinião contrária.

Aparentemente há hoje em dia uma confusão enorme entre liberdade de expressão e direito a ser ouvido. Entre censurar e não patrocinar.

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão é um direito básico e essencial numa sociedade livre. O direito a ofender deve ser protegido a todo o custo. Mas em todas as sociedades lhe são reconhecidas limitações, nomeadamente no que diz respeito a incitação de violência, opressão de minorias e… mentiras.

Apesar de muita gente o desconhecer, a liberdade de expressão não protege mentiras. Calúnia, difamação e injúria são diferentes formas de expressão punidas por lei. O que isto quer dizer é que se eu disser que o Manel é uma besta, isso é uma opinião. Mas se eu disser publicamente que o Manel me roubou uma bicicleta, e não tiver provas disso, estou a violar a lei.

Em termos dos media, na maioria dos países livres exige-se que o jornalista tenha respeito pela verdade. O jornalista tem liberdade para se enganar e publicar mentiras se tiver sido diligente na busca da verdade e tiver cometido um erro honesto.

Liberdade de não publicar

A liberdade de expressão não oferece direito a uma audiência. Há diversas situações complexas em que não é simples encontrar um equilíbrio. Mas o conceito é simples: liberdade de expressão não significa que se eu escrever uma carta a um jornal eles são obrigados a publicá-la. Este é um dos factores que permite às plataformas tecnológicas que usamos para divulgação de conteúdos, nomeadamente Google e Facebook, um certo controlo sobre o que promovem.

A missão da Google, descrita pelos próprios, teria como tradução algo semelhante a isto:
“A missão da Google é organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil.”

É fácil perceber que o conceito de notícias falsas (excepto se claramente classificado como sátira) reduz a utilidade da informação fornecida. Se não soubermos distinguir factos de ficção, fontes confiáveis de fontes dúbias, entramos na situação em que vivem a maioria dos Russos.


Na Rússia, ao contrário da China, a principal ameaça à liberdade de expressão não é a censura. É a estratégia estatal de inundar os principais meios de comunicação com tanto “ruído” que leva ao desenvolvimento de uma forma social de desamparo aprendido.

De certa forma o estado limita a liberdade de expressão não por impedir a população de manifestar as suas opiniões, mas por interferir com a própria capacidade de desenvolver opiniões sólidas.

Quando o direito de expressão é usado para baralhar e confundir, isso interfere com a capacidade de comunicação útil e leva a uma confusão generalizada. Os factos deixam de ser factos e passam a ser opiniões. A confusão em larga escala sempre foi uma das ferramentas mais úteis em campanhas de desinformação e propaganda.

Para preservar a liberdade de expressão é absolutamente essencial cultivar o valor da verdade e da reputação. Todos nós deveríamos trabalhar um cepticismo saudável, e valorizar as ferramentas que facilitam o trabalho de descobrir os factos por detrás das mentiras. Websites como PolitiFact e Snopes desenvolvem um trabalho notável e essencial nos dias de hoje: fact-checking.

Cabe também a cada um de nós não compensar com a nossa atenção quem nos mente. Conheço gente inteligente que segue Fox News e Breitbart afirmando que são fontes com uma perspectiva de que gostam. Isto é problemático. Aceitaríamos ouvir as notícias de um amigo que é mentiroso compulsivo? Divulgaríamos a terceiros o que ele nos contou?

Mark Twain disse uma vez que “é muito mais fácil enganar um homem do que convencê-lo de que foi enganado”. É absolutamente essencial ser cauteloso com as coisas que deixamos entrar no nosso cérebro, pois devido às peculiaridade da mente humana, é extraordinariamente mais difícil tirá-las de lá.

Pactuar com fontes de informação que comprovadamente “tomam liberdades com os factos” é desvalorizar a verdade e a integridade. É desvalorizar-mo-nos a nós próprios.

Para concluir numa nota positiva, vejam este vídeo. Todo ele vale a pena, mas o essencial está entre os 6:28 e 7:40.

4 comentários em “A FAVOR DA “CENSURA” DA IMPRENSA FALSA”

  1. A cnn mentiu e fez o sanders perder. A fox acertou. Pode dizer o quanto detesta as opiniões dos comentadores foxianos, aí nada a dizer

  2. O conceito de audiência é complicado definir. Quantos leitores habituais são uma audiência? Como se adquire, alimenta e constrói uma e como regular quem o fez? Porque deve uma cadeia de televisão pequena e com pouco público escrutinar a veracidade das informações transmitidas, mas um blogger com reputação mundial (como o Roosh V ou o Mark Manson) não? Porque hão as entidades reguladoras acompanhar o trabalho dos primeiros e ignorar a dimensão dos segundos? Devem os veículos, os hosts, como a wordpress ou o facebook controlar os escritos dos seus utilizadores? Não é isso censura?

  3. Até porque é a forma como as histórias se apresentam que lhes atribui dimensão q.b. para implicar o escrutínio. Uma notícia sobre um tipo muçulmano de faca em riste com três vítimas numa rua aleatória pode ser tão poderosa (nas mentalidades que muda, nos votos que converte, na indignação que gera) como um texto aleatório dum blog inescrutável, sobre o meu vizinho Ahmed que andava de faca em riste… tu percebes. Foi o segundo meandro (e não o primeiro) que elevou o Trump – e já agora, o Obama! um monstro que se tornou mais poderoso do que o monstro da imprensa.
    Mas como és amante e conhecedor das tecnologias modernas, podes sempre questionar-te sobre o que vem a seguir. Porque todos estes monstros são sempre derrubados por um maior

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