Comentário da semana – Resiliência

O último (e diga-se, brilhante) artigo de Myrddin Emrys suscitou uma discussão acesa nos comentários.

O Patriarca tem seguido com muito interesse a série de Jordan Peterson sobre o significado psicológico das histórias da Bíblia (disponíveis em audio, na íntegra, no seu podcast). Por isso, este comentário de Ilo Stabet chamou-lhe a atenção:

eu concordo que o apontar o ridículo da nossa cultura é salutar mas não acho que vamos convencer um grande número, pela simples razão de que a maioria das pessoas não é uma participante activa na cultura – simplesmente se está a cagar, e vai seguir o que quer que seja o dogma corrente.

agora, quando disse que não via solução democrática não estava a sinalizar que acho que uma revolução armada ou golpe palaciano seja a solução. acredito que isso é igualmente impossível (e já escrevi sobre o assunto no meu blog).

a única estratégia que vejo a longo prazo é uma de formação de comunidades de pessoas com crenças semelhantes e que sejam relativamente resilientes ao colapso (financeiro e político) que penso ser inevitável. essas comunidades estarão depois na linha da frente para ser a liderança. ou seja, não acredito em reformas do sistema, mas sim em reconstrução.

Esta é essencialmente a história da Arca de Noé. Talvez seja este o caminho. É o que O Patriarca tem procurado fazer na sua vida. É talvez um dos principais objectivos (não antes expressamente nem conscientemente formulado) deste canto da Internet.

O blog de Ilo Stabet, Portugal Integral, merece também uma vista de olhos.

A Hipergamia Mata (II)

“A história de toda sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de ofício e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos se encontraram sempre em constante oposição, travando uma luta sem trégua, ora disfarçada, ora aberta, que terminou sempre através de uma transformação revolucionária de toda a sociedade” – Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto do Partido Comunista

 “A rebelião dos celibatários involuntários já começou” (The InCel Rebellion has already begun!). Foi com estas palavras que o Canadiano Alek Minassian se despediu das redes sociais, antes de assassinar 9 pessoas e ferir algumas dezenas. Isto aconteceu na 3ª cidade do mundo mais adequada para acolher LGBT’s , capital do sétimo melhor país onde residir uma feminista, o país onde a elevada regulação do porte de arma devia manter a população segura, e a elevada incidência do estado social deveria manter as franjas desacreditadas, satisfeitas

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23º Governo Canadiano de sua majestade (Her Majesty’s Government)

Eliot Rodgers, a quem o assassino se referiu como “irmão”, era Americano. Mas provinha da Califórnia, considerado o quarto Estado mais liberal dos USA, menor incidência de armas e maior incidência de impostos . Vale a pena mencionar que, como o congénere yankee, Alek não era especialmente mal parecido, com o seu queixo definido, nariz direito, malares proeminentes e olhos grandes. Ainda assim se queixava de insucesso nos jogos de conquista, demonstrando como o fenómeno InCel é um problema societário e factual, em vez de individual e psíquico.

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Minassian, o segundo em cima a contar da esquerda, não era mal parecido

Na China e na Índia, o celibato involuntário foi gerado pela demografia. A política de planeamento familiar inaugurada por Hua Guofeng e prosseguida por Deng Xiaoping gerou, geração mais tarde, 70 milhões de ínubos. 7 x 107 machos quem, segundo as previsões das autoridades locais, serão incapazes de emparelhar, não obstante as práticas de casamentos combinados ou entrega de dotes pré-matrimoniais. Solução? Importar mulheres de países menos bem-sucedidos (como o Camboja ou o Vietnam) ou enfrentar a obliteração genética. No médio Oriente, a poligamia permitida e promovida pelo Islão também condenou muitos homens ao isolamento em vida. Mas a sociedade teocêntrica que gerou o problema também lhes oferece uma solução – devotar a vida ao todo-poderoso ou entregar-lha em nome da guerra santa.

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Ao Ocidente a maleita, tardia e artificial, lá chegou. Não pela falta de direitos ou autonomia das mulheres, mas pelo excesso. Não em 2018, mas em 1989. Não na conservadora América, na economicista Alemanha, na ultramontana Inglaterra, mas no libertino Canadá. Acossado pelo feminismo e decidido a cambiar o seu destino, Marc Lépine – filho da globalização entre um Argelino e uma Enfermeira Québécoise – assassinou 14 mulheres no chamado “massacre de Montreal” por querer “combater o feminismo”. O mesmo aconteceu com o terrorista Andrew Berwick, na superigualitária Noruega, em 2011.

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Os últimos anos foram marcados por ocorrências sobrenaturais: camiões revessando-se sobre a população, expansão de doenças psicológicas e, claro, desintegração por falta de meios socioeconómicos. Frequentemente, os especialistas em odiar brancos (Lépine não o era, mas vamos ignorar isso), branqueiam atentados brutais com a terminologia supracitada, mesmo que estejam implícitos mais assassínios do que os cometidos por Berwick ou Rodgers. Mas quando um tipo massacra em nome da Jihad, eu considero um desrespeito para com ele próprio (e já agora, para com as vítimas) que não escutemos os seus intuitos. Há inúmeros paralelismos entre as duas classes de morticínios e pretendo explorá-los detalhadamente. Por isso vou ouvi-los. Vou escutar o que os facínoras têm para dizer. Enquanto se enumeram as causas fictícias por detrás do ímpeto homicida do Canadiano, eu acho que vale a pena atentar nas suas palavras, ou não fossem o acto terrorista – como todos os actos terroristas –  uma manobra promocional nos dias do ego.


Jude Appatow lançou em 2005 o filme Virgem aos quarenta anos. A wikipedia descreve o protagonista do filme como “um virgem de 40 anos de idade, que é involuntariamente celibatário. Ele mora sozinho, recolhe figuras de acção, joga jogos de vídeo, e sua vida social parece consistir em assistir Survivor com seus vizinhos idosos. Ele trabalha no estoque em uma loja de electrónicos chamada SmartTech

Não só este perfil é factual como se tornou mais frequente após 13 anos de acossa feminista , e se estendeu além das fronteiras do tenebroso mundo Ocidental. Simultaneamente, e mesmo sem ver o filme ou qualquer descritivo seu, sabe o leitor e por automatismo que alguém virgem aos 40 anos é necessariamente um homem, que se pode chamar Carrell (o personagem da película) ou Alek ou Elliot.

É este o queixume dos homicidas. E é um problema válido. Apesar de condenarmos severamente a sua atitude perante o mesmo, identificamos-lo e reconhecemos-lo. Não se trata meramente de não ter sexo ou não procriar, ou quedar-se condenado a uma vida de solidão. Recentemente, num casamento Católico escutei duas frases que me marcaram: “Deus criou a mulher para fazer companhia ao homem” e “Enquanto prova do Amor de Deus, o Casamento é um projecto de felicidade”. Estes homens estão condenados a desconhecer a companhia, o Amor de Deus e a Felicidade.

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Expectativa de vida de um InCel

Mas é também sobre o preconceito de que os homens solitários sofrem no Ocidente, seja no trabalho, seja na vida cívica , seja na vida social. Se não nos fizermos acompanhar por uma fêmea, somos vistos como perigosos. Somos concordantemente discriminados – Por outras mulheres! pois à excepção dos SJW, os homens com sucesso vaginal são tão solidários para com estes pobres coitados que se aglomeram em fóruns oficiosos para lhes ensinar como levar uma vida melhor. Quando este preconceito verter em perseguições, prisões, despedimentos massivos? É tão mau que há gajos que escolhem deixar de o ser para fugirem ao preconceito

I'm not sure if I should be offended or happy since then we could get free neetbux

Validando estes problemas, muitos buscam soluções e o Pick-up deixou de ser uma subcultura estigmatizada para ser legitimado como instrumento valioso à sobrevivência no Ocidente. O autor Roosh V escreveu que se Eliot Rodgers houvesse aprendido PUA, nunca teria cometido nenhum massacre, e até o reputado psicólogo Jordan Peterson admite a importância da sedução, explicando-a brilhantemente com base no filme “O Rei Leão”.

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Segundo o também académico, na narrativa, Simba desilude a parceira ao recusar aceitar responsabilidades que o transitem para a vida adulta, e só depois de realizar essa transição (tornar-se adulto, assumindo responsabilidades) passa a poder usufruir dos direitos correspondentes como a intimidade, o sexo e a chave para a parentalidade. Fica dado o recado de que os PUA’s devem amadurecer, antes de almejarem seduzir mulheres.

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InCel: Individuo que apenas encontrou este olhar na tela do cinema

Mas perante uma trupe de jovens que estariam dispostos a governar as Terras do Orgulho ou a defrontar o malvado Scar só para poderem ver pachacha, Peterson forçou-me a rever o filme. Vendo-o, apercebi-me de que esta sequência de acontecimentos está enviesada. Na verdade, a fêmea já seduzira o príncipe antes deste realizar a dita transição. Na verdade, ela tomara iniciativa nesse ritual sem lhe colocar contrapartidas*. Na verdade, o seu envolvimento data de quando Simba se recusa terminantemente a crescer e a maturação pessoal do leão não é condição sine qua non para este acontecer.

Se outro personagem assumisse o pesado ónus que o jovial Simba recusou, se outro interveniente cumprisse a condição posteriormente colocada a Simba, jamais com essa coragem – por esse cumprimento – conquistaria o coração e o corpo da leoa.

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“Se nós aceitarmos governar esta merda, podemos montar a gaja?”

Rodgers e Alek pensaram como Peterson. Eles acreditaram que as suas virtudes pessoais lhes trariam a companhia almejada. Eles creiam mais cedo ou provavelmente mais tarde que o dinheiro e classe social de Rodgers ou a humildade e capacidade de trabalho de Alek, compensariam sob a forma desejada, sob a forma de uma vagina molhada. Mas como later never comes, aperceberam-se de que foram logrados desde o primeiro dia das suas vidas quanto aos mecanismos que estabelecem atracção e uma mulher por um homem. A atracção não é uma escolha.

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A face da desilusão

Assim, não pode ser merecida, conquistada ou transacionada. O sexo pode e as relações resumidas a quartos mortos ou a sessões mensais de posição missionário com choro e rata seca, demonstram que uma mulher pode foder até para que o homem deixe o lixo no contentor**. Naturalmente, é dessa possibilidade que nasce a prostituta.

Este conceito, todavia, também se cola aos PUA’s e Redpillers que propagam o seu game pelo espaço cibernético. Obedecendo a uma filosofia platónica, semelhante à que moveu os InCels, os gurus instruem os seus aprendizes a decorar este número de linhas ou a adquirir esta forma física, dizendo-lhes que a recompensa virá mais tarde. Na sua linguagem, o dinheiro de Rodgers e o labor de Alek traduzem-se em horas de treino ou sessões de sarge e eu pergunto-me quantos contarão, com a mesma ansiedade, o número de abdominais ou as repetições do bench-press; Quantos enumerarão, com o mesmo desespero, o número de abordagens ou os timingos de Hook-Point, necessários para merecer chavoita, interiorizando – em ambos os casos – que se lhes deve ser exigido sacrifícios para obter aquilo que as mulheres conseguem sem esforço.

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“Quantas faltam para foder?”

Alguns InCels advogam que o auto-desenvolvimento é um mito. No limiar, impelir alguém a “apostar em si mesmo” ou investir numa carreira ou num ganha pão ou num qualquer tipo de prestígio, é pedir-lhe que espere até aos 40 ou 50 anos para poder ter direito a rata (falta saber durante quanto tempo). É claro que depois estão confinados a congéneres hediondas, gastas, gastadeiras e mal-agradecidas porque se dormirem com alguém mais novo, podem aguardar por uma torrente de impropérios e acusações legais. Por outro lado, Houellebecq escreveu que a vida sexual dos homens se divide entre o período das suas vidas em que não aguentam suficiente tempo para satisfazer uma mulher, e o período das suas vidas em que não possuem pujança suficiente para o fazer. Aqueles que esperam sucesso e fortuna para copular, podem contar com a segunda.

Diz o povo que “quem espera desespera”. Para alguns, efectivamente a vida melhora. Para Alek e Eliot não. Perceberam que depois do liceu, da faculdade, da idade, não chegou o momento das suas vidas em que finalmente se tornavam atraentes. Nunca chegaria. Nunca estariam vivos. Por isso, mataram.

É para Esperar? Pelo quê?

Sem regulação apertada e redistribuctiva, a intimidade – tal como a atenção – converte-se num bem escasso. Uma sociedade que mede os cidadãos pela quantidade de intimidade obtida é tão desigual como a que mede o homem pela nobreza de sangue ou pela quantidade de dinheiro. Não  se fizeram esforços eficientes para democratizar a carne; Pelo contrário, a sua liberalização aumentou a disparidade social, a segmentação de classes, a diferença entre os que têm muito e os que não têm nada.

Esses são os InCels.

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Os InCels estão no fundo da cadeia alimentar e sem cona

 

No meu texto anterior, dei o exemplo de 1789 para explicar o sentimento revoltoso entre os despojados do mercado sexual liberal – os famintos do alimento humano. O brilhante Roosh escreveu-o o melhor: “‘Deixa-os comer bolo’ é hoje ‘Deixa que estes falhados privilegiados e socialmente estranhos tenham XBox e pornhub”. No ano de todas as revoluções – 1848 –  a liberalizarão industrial retiraria poder de compra ao proletariado enquanto aumentava a sua dimensão e reduzia os direitos laborais. Também a emigração era problemática, com os orientais a capturar os postos de trabalho como hoje os pretos capturam fanfa. As más colheitas dos anos transactos e a imobilidade da propriedade da terra, ditariam a virga-férrea reivindicativa. A imprensa escrita promoveria a união entre proletários apartados. Marx e Engels deitaram foice em solo fértil e nasceu o comunismo.

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A disparidade numérica foi essencial ao sucesso da Revolução. A base da pirâmide na França do século XVIII ou na Alemanha do século XIX é mais larga do que o topo. Obedecendo o mercado sexual às regras de pareto, serão os InCels suficientes para inverter a pirâmide sexual? Poderão eles – com o 4chan no lugar do Rheinische Zeitung – revolucionar o mercado?

Ou resultarão tão mal como o já mencionado terrorismo islâmico, desorganizado, despropositado, apertando o controlo e hostilidade sobre a população do praticante, incapaz de satisfazer qualquer necessidade dos necessitados?

E há a sucessão cronológica. A segunda república francesa foi naturalmente fruto da primeira, inspirada no espaço de duas gerações, pela revolução antecedente mas com o terror cuidadosamente omisso dos relatos oficiais. Duas gerações posteriormente, viria a Revolução de Inverno, marcando a história da libertação dos povos como uma sequência de revoluções. Com a popularização da expressão “Going ER” (Indo ER – Elliot Rodgers) na darkweb qual revolução sucederá ao atropelamento de Toronto? Será mesmo apenas uma questão de tempo até alguém voltar a matar?

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A expressão “Going ER” popularizou-se na darkweb

Antes de terminar vale a pena recordar que a palavra InCel é um acrónimo involuntário. Enquanto os demais grupos mencionados são integrados por ventureiros conscientes, o estatuto InCel não é auto-determinado mas exógeno. Assim, não prevê uma conversão religiosa como no activismo islâmico, ou uma adesão militante como num Partido Político ou o treino paramilitar como nas organizações terroristas. Os outros membros da manosphere são definidos pela actividade: os RedPillers que escolhem tomar a RedPill, os PUA’s que escolhem sarjar, os MRA’s que escolhem o activismo, os MGTOW que escolhem ir no seu caminho. Os InCels não têm escolha. No limiar, um jovem bluepiller, tímido, feminista que não faça sexo é, passivamente, definido como InCel. Não quis ser InCel. Ninguém quer ser InCel.

Também se escreveu que os InCels são misóginos. Não podia estar mais longe da verdade. Os InCels são adoradores de mulheres que não vêm os seus sentimentos adequadamente respondidos. Se fossem misóginos seriam MGTOW, optariam pela prostituição ou pela homossexualidade. Um homossexual com quem fiz amizade recente confessou-mo numa madrugada alcolizada que enrabava outros tipos porque as mulheres não o desejavam. “Ninguém nasce gay”. Foi o estratagema que adoptou para deixar de ser InCel.

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Mas eu não condeno

Outros estratagemas foram elencados pelos InCels, da remoção do direito feminino a escolher um parceiro até um sistema análogo à social-democracia que partilhe as mulheres entre aqueles que não as têm. Não se trata de uma agenda, apenas um conjunto desagregado de ideias postadas entre lamúrios e muita tristeza, solidão. Nem são apenas eles: Um amigo que já fez mais de 100 lays advoga o método SD, abdicando ele próprio de muitas noites bem passadas em nome da igualdade, da justiça e da estabilidade social. De alguma forma foi esse o papel da Esquerda moderada, prosseguir os objectivos da revolução retirando-lhe a violência. Nem os objectivos dos InCels nem os InCels são violentos.

Mas aqueles que são – estes InCels – são de facto como terroristas, porque cometem actos terroristas. Porque inspiram terror. Entre os paralelismos face ao do terror islamita, além da incompreensão, encontramos tantos outros: A desorganização, a caracterização sociológica dos pertencentes – desenquadrados, alheados, atomizados – as estratégias de recrutamento, a dificuldade em seguir as redes, que apenas existem online, e um misticismo quasi-religioso em dias descrentes. Foi aí que Rodgers foi canonizado. Saint Elliot, há semelhança dos mártires nos primórdios do Cristianismo, morreu virgem. Morreu inocente.

Saint Elliot morreu inocente

Comecei por dizer que oiço extensamente todos os terroristas em vez de culpabilizar a incapacidade de integração, o capitalismo, o colonialismo… Qual fenómeno externo poderia culpabilizar pelo terrorismo InCel? A Hipergamia, claro. A Hipergamia mata. Matou quase vinte pessoas entre os dois casos explorados e matará muito mais. Matou Alek e Elliot, as suas primeiras vítimas, falecidos muito antes de pegarem nas armas ou ao volante do camião. O Profeta limitou-se a antever, com uma clarividência assustadora, os acontecimentos do século seguinte.

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O Profeta anteviu os acontecimentos do século seguinte

Conforme escutaram o sucedido nas notícias, questiono-me sobre quantas das colegas, das conhecidas, das raparigas que se cruzaram e ignoraram os mencionados não se questionaram se deviam ter prestado atenção, despendido um beijo nos lábios ou minutos de folia vaginiforme para evitar estes acontecimentos. Se o fizeram tantos milhares de vezes, por motivos tão fúteis, será que o fariam para salvar mais de vinte vidas? E se fossem apenas duas?

 

* Embora tenham sensivelmente a mesma idade, Nala é muitíssimo mais experiente do que Simba nos jogos da intimidade psicológica e física. Lembrem-se lá de outro filme para crianças onde um protagonista, masculino, se aproveite da inexperiência de uma fêmea para a seduzir.

** Há muitos anos li numa revista cor-de-rosa sobre quais as principais razões pelas quais as mulheres “cediam” sexo aos maridos onde a mais caricata era “convencê-lo a ir deixar o lixo ao contentor”. Não encontrei o registo. Se houvesse sido publicado hoje, o tipo seria preso por violação no casamento.

 

Os músculos são universalmente atraentes

O Patriarca ia fazer hoje o follow-up a este post: razões em geral para puxar ferro. Ficará para outro dia – o tempo é escasso, e este artigo é suficientemente relevante para justificar a sua própria entrada. Já tinha sido referido superficialmente aqui. Desenvolvamos.

Cues of upper body strength account for most of the variance in men’s bodily attractiveness

Aaron SellAaron W. LukazsweskiMichael Townsley

Abstract

Evolution equips sexually reproducing species with mate choice mechanisms that function to evaluate the reproductive consequences of mating with different individuals. Indeed, evolutionary psychologists have shown that women’s mate choice mechanisms track many cues of men’s genetic quality and ability to invest resources in the woman and her offspring. One variable that predicted both a man’s genetic quality and his ability to invest is the man’s formidability (i.e. fighting ability or resource holding power/potential). Modern women, therefore, should have mate choice mechanisms that respond to ancestral cues of a man’s fighting ability. One crucial component of a man’s ability to fight is his upper body strength. Here, we test how important physical strength is to men’s bodily attractiveness. Three sets of photographs of men’s bodies were shown to raters who estimated either their physical strength or their attractiveness. Estimates of physical strength determined over 70% of men’s bodily attractiveness. Additional analyses showed that tallness and leanness were also favoured, and, along with estimates of physical strength, accounted for 80% of men’s bodily attractiveness. Contrary to popular theories of men’s physical attractiveness, there was no evidence of a nonlinear effect; the strongest men were the most attractive in all samples.

É raro encontrar-se um efeito tão marcado. Milhões de homens eloquentes choraram.

O Patriarca partilha da opinião de que o aspecto físico não é o factor mais importante na atractividade de um homem. No entanto só um tolo afirmaria que não tem um peso considerável. O homem que queira ser completo, deve esforçar-se por maximizar as três áreas importantes: Game, Dinheiro/Status, Físico.

O que é engraçado é ver os nerds a estrebucharem com este achado. Quando na realidade são boas notícias. Não podes controlar a tua altura, mas isso vale menos de 10%! O típico homem que se queixa da lotaria genética o ter feito baixo e feio, e bota nisso a culpa do seu insucesso com as mulheres pode, munido desse conhecimento, meter-se no ginásio e manipular fortemente a seu favor a sua atractividade corporal.

Não menos interessante é o insight que esta informação nos dá sobre a cortina de fumo que as mulheres montam em torno da sua sexualidade.

“We weren’t surprised that women found physically strong men attractive… what did surprise us was just how powerful the effect was,” lead author Aaron Sell told The Guardian.

“Our data couldn’t find even a single woman that preferred weaker or feminine male bodies.”

Se era preciso mais evidência sobre o que O Patriarca vai repetindo vezes sem conta neste espaço de verdade – que as mulheres mentem com quantos dentes têm relativamente ao que as atrai num homem – aqui está ela. 100% das mulheres que dizem que os músculos não as atraem estão a mentir. E já todos ouvimos essa conversa.

Citando-se a si próprio:

As mulheres são uma fonte de informação valiosa sobre a sua própria sexualidade, mas qualquer pergunta directa leva a respostas que não passam de um misto de racionalizações, cortinas de fumo e clichês socialmente aprovados que não servem absolutamente para nada. As pérolas de verdade obtêm-se através de perguntas tangenciais – por exemplo, como é a sensação de excitação sexual?

Este artigo é um exemplo perfeito. Pergunta às mulheres se preferem corpos musculados ou o chamado “dad bod” e a resposta é a que a maioria dos homens quer ouvir:

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Faz a pergunta tangencial – pede-lhes para classificar os corpos – e obténs algo mais próximo da verdade.

Está nas tuas mãos. Vais continuar a lamuriar-te ou vais pegar no ferro?

 

 

O Engenheiro e o sapo

Um engenheiro estava a passear quando um sapo se dirigiu a ele e disse “Se me beijares, transformo-me numa linda princesa”.

Ele pegou no sapo e meteu-o no bolso.

O sapo falou novamente e disse, “Se me beijares e me transformares novamente numa princesa, serei tua namorada”

O engenheiro tirou o sapo do bolso, sorriu-lhe e voltou a metê-lo (heh) no bolso.

O sapo voltou a falar e disse, “Se me beijares e me transformares novamente numa princesa, caso-me contigo”

O engenheiro tirou novamente o sapo do bolso, tornou a sorrir-lhe e a metê-lo no bolso.

Finalmente o sapo disse, “Qual é o teu problema? Sou uma linda princesa! Porque é que não me beijas???”

O engenheiro respondeu, “Pá, sou um engenheiro muito ocupado. Não tenho tempo para namoradas nem esposas, mas um sapo que fala é fixe p’ra caraças!”


Comentários d’O Patriarca:

  1. Esta história tem uma importante lição de frame para todos os homens
  2. A parte geralmente não contada da anedota: o engenheiro finalmente acede a beijá-la quando ela promete fodê-lo quando ele quiser sem lhe chatear o juízo.

À porta da loja

Na publicidade, na televisão, na rádio, nos cafés, nos bares, nas discos, nos bordéis, na internet nos telefones, na música, nas escolas, nas Universidades, nas ruas, nas casas, aqui, agora. Nunca se pensou tanto em sexo. Não é bom para ninguém. Não é bom para mim.

Eram dez da noite, segunda-feira, quando entrei num bar da zona habitacional. Não diria um bar, mas um café com horário prolongado. Não diria zona habitacional, quer dizer, era mesmo ao lado de casa. Nem eram bem dez, eram aí umas nove e pouco, hora de jantar para quem não janta cedo. Mas o ecrã central do espaço, geralmente votado à bola, revelava mulheres semi-nuas, corpos, no canal VH1, outrora exclusivo para música. Aumentando as horas aumentava a cadência de sensualidade, a decadência de moralidade, decrescia o gradiente de pudor, aumentava o furor, sem censor. No aproximar ao centro da cidade, seria pior.

O videoclip de que falo teria bolinha vermelha há quinze anos, estaria interditado há 30, seria alvo de uma comissão reguladora que aglomerasse Pais, educadores e responsáveis políticos. Os miúdos à minha volta, muitos menores, absorviam-no indiferentes. Estão habituados. Eu não estou: perco a concentração no ritmo da canção, sinto o desejo a fervilhar. Vai piorar? Oiço na letra, “estoy muy duro, si si”, mais pele, mais corpos, FREEZE, mais sexo. Mais pinturas tribais, mais músculos definidos, mais nádegas tremidas, mais crianças (crianças!) em movimentos pélvicos sensuais. Mais mulheres de pernas abertas, olhares orgásmicos, pernas, posses. Mais à frente oiço a verdadeira mentira da canção “Mi musica no discrimina a nadie”. Falso.

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Figura 1 – Discriminado por J Balvin, o autor de Mi Gente

Podemos imputar ao cantor colombiano as responsabilidades pela degradação moral da sociedade? Ou aos danos que infligiu à vida de todos os solitários, dos masturbadores compulsivos, dos frequentadores insistentes de serviços sexuais, os peregrinos à sacra-Tailândia apenas com bilhete de ida… para não falar das putas? Como pode não o ser se fomos saturados ad nausean pela propaganda obsessiva com o sexo e as temáticas sexuais. Não há como conduzir uma vida sadia sem permanecer em busca incessante pela próxima parceira, desejoso pela próxima penetração, ansioso pelo próximo coito, prometido pela publicidade do Tinder, recusado pelo swipe left. É essa propaganda a responsável pelo estado de hypersexualidade em que eu e todos os que me rodeiam se encontram. Endoidece-nos. Um psicologo Norte-americano, começou recentemente a estudar os danos psicológicos causados pelo grinder entre homens gay.  Como subsistirão emocionalmente quando perderem, por força do tempo, acesso à sua fonte primordial de estabilidade mental?

Vivemos na cultura mais sexualizada da história e também a mais infeliz. A forma como interpretamos o sexo –  simultânea e paradoxalmente, como a expressão mais profunda da personalidade, e como um divertimento inconsequente – Está muito para além da nossa natureza. De excessiva, transbordante, a minha líbido assemelha-se anómala, como que hetero-imposta por forças exógenas, obscuras. E se da nossa natureza fosse, solucionar-se-ia com a monogamia, brutalmente discriminada em terras do burgo  sobretudo entre as mulheres (It takes a village to keep a woman monogamous). Percorri a árvore genealógica da família por cinco séculos e encontrei não mais do que junções profícuas, duradoras, funcionais e jovens (quem, ainda jovens, procriavam). As pessoas costumavam casar e prosseguir as suas vidas, em vez de permanecerem eternamente neste estádio degradante de pós-adolescência, na senda, à espera que a sorte mude na próxima noite ou na próxima mensagem. Um familiar por afinidade, mantém três namoradas aos 58 anos. Será feito ou fracasso?

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Figura 2 – A forma como interpretamos o sexo tem consequências directas na demografia e na sociedade

Três rapazes juntam-se em casa de um quarto, 25, 26 e 27 anos, licenciados com notas brilhantes, mas também com um bom currículo em boémia, actividades académicas, associações e palanques. Habituados aos últimos, a discursar, a colocar a voz e as ideias no coração das multidões, junta os rapazes a particularidade de serem oradores exímios. A conversa adensa-se e com os copos em cima, chega-se à hora da verdade: Inversamente proporcional à destreza oratória, a experiência com mulheres é tão escassa, que quando um dos visados declara ter, em toda a vida, malhado cinco (CINCO?!), os amigos acusam-no de estar a exagerar o número (por cinco). O mais ousado do trio teria a sua quarta desposa nessa mesma noite, e a situação global deixou-me na dúvida sobre a quais expedientes recorreriam os rapazes dentro de quinze ou vinte anos.

O desfasamento entre a minha experiência de vida e a dos amigos mencionados, parte apenas da quantidade de tempo que gastei na inglória demanda por calor húmido feminino. Na senda. Um esforço que investido de forma profícua e construtiva teria vertido em várias obras literárias publicadas e um par de doutoramentos. Foi inútil? Não sei. Na escola PUA chamam-lhes – às tardes e noites em que deambulei transviado pelas ruelas do meu desconforto – “experiência” e “valor” incapazes de compreender que é na zona de conforto que se produz o portefólio material a que costumávamos valorizar. Sempre que conheço uma mulher, pergunto-me se nessa avaliação global e inultrapassável que faz da minha pessoa nos primeiros segundos, ela toma em consideração essa despesa improfícua, ou se não serviu mesmo para nada.

Nesta fase da minha vida, sinto que o custo por foda ultrapassou as minhas possibilidades. O mercado, determinado pelo número de pretendentes e tipologia de pretensões que cada individuo tem em órbita, põe-me no lado de baixo, incapaz de encontrar uma mulher congénere com menores possibilidades do que o investimento que tenho a fazer. É impossível achar raparigas que não me requeiram tempo, dinheiro ou compromissos que não estou disposto a oferecer.

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Figura 3 – Marie Antoinnete, meses antes de perder a cabeça

 

Houellebecq chamou-lhe a extensão do domínio da luta. À senda. Os amigos que citei, estão quais os camponeses derreados pelas políticas desastrosas de Louis XVI, as políticas do feminismo que condenaram milhões à fome; Políticas que elevam artificialmente o preço por foda, criando o excesso de procura e falta de oferta, que juntam a fome à falta de comer. Famélicos da terra diante de Marie Antoinette, ouvem José Alvaro Osório dizer-lhes Qu’ils mangent de la brioche; infelizmente, quase duas décadas desde que a senda começou, estão cansados de saber que para eles não haverão broches.

Existirão raparigas em situação idêntica mas são escassas. Sobretudo depois de anos de vida numa capital Europeia, com aplicações informáticas e smartphones à disposição. Mesmo essas, continuam a ser presenteadas com incontáveis alternativas à que envolve um relacionamento com os rapazes mencionados: Uma amiga polaca, gorda, que ganha o salário mínimo e fez um aborto recentemente, recebeu 350 matches no Tinder (e 48 super matches) aquando da sua primeira noite em Portugal. A solidão, no caso dela, será sempre uma escolha e não uma imposição.

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Figura 4 – “Game is gaining popularity because men see that disparity and want to increase their odds”

Porventura será essa disparidade o maior inimigo de quem frequenta as lides do Pick-up. Por compreendê-la bem – demasiado bem – sou mais solidário com os PUA’s do que o foi o nosso Roossh V. Não acho que seja o celibato involuntário, o avolumamento testicular, o isolamento compulsivo, sejam questiúncula de somenos. Pelo contrário, creio ser a maior epidemia – a par da queda da natalidade – a que o Ocidente esteve sujeito desde a gripe Espanhola. O problema é que todas as tentativas de o vencer são tentadas dentro do sistema: o nightgamer que aborda na discoteca para a qual pagou duas vezes mais do que a gaja para entrar, o daygamer que se resigna e anui à vox poppulli inventar o conceito de assédio em seu torno, o netgamer que  informa a gorda de que ela é interessante e desejável mesmo que esteja de pijama e sem maquilhagem no hotel de um canto degradado da cidade e até o putanheiro, disposto a gastar suor do seu trabalho, a prazentear uma vadia desconhecida. Todos contribuem para validar a narrativa de que as mulheres são seres superiores, encantados e únicos. Todos são culpados. E todos estão enganados.

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Figura 5 – O caralho

O pior é que muitos destes cavalheiros falham redondamente no seu propósito sedutor. As comunidades PUA’s estão preenchidas de tipos virgens e sozinhos ou escassamente acompanhados quem, a cada dia que passam, estão mais longe dos seus intentos. Na noite, na net, nos cafés, estão a lutar uma guerra e a perdê-la. São os combatentes alemães no cerco de Leninegrado. Perecendo gaseados nas trincheiras francesas, a caminho de Abbeville onde os inimigos se banqueteiam despreocupados. Bombardeados com a percepção de insuficiência a que o celibato involuntário incute. A percepção de que toda a gente o tem excepto nós.

Estamos entrincheirados na nossa própria solidão, na soleira da festa para a qual não fomos convidados, à porta da loja de doces à qual nunca tivemos acesso. E para além da legião adversária, sabemos dos demais em manjares sumptuosos. Queremos-los. Vale a pena recordar como terminou Marie Antoinnette, depois do mesmo povo faminto se recusar a recusar forçar o acesso aos produtos de luxo que a corte real não partilhava. Em Doullens, já depois dos combates terrestres terminarem e prontos a assinar a paz, os homens que passaram quatro anos à fome não se coibiram em lançar uma bomba na cidade que nunca conseguiram invadir. Houve sempre um castigo para quem esfaimou o seu semelhante, no século XVIII e no século XX. Este século não será excepção

 

A fisiognomia é real #2.5

O curador do instagram da Távola, o excelentíssimo Lince, descobriu o instagram da criatura que quer moda sem género.

Entretanto O Patriarca já leu o artigo. Ainda tinha expectativa de encontrar algum argumento mais duro de roer, mas não. É mesmo só bosta. Talvez se dedique posteriormente uma análise mais profunda se estiver aborrecido, mas é duvidoso.

A fisiognomia é real. Poupa tempo. Assume que tudo o que sai da boca de uma aberração é aberrante.

A libélula tornou a sua conta privada assim que foi mencionado no nosso insta, mas O Patriarca ainda sacou umas imagens. Divirtam-se!

Mauro Goncalves 1
Tens uns bonequinhos engraçados!
Mauro Goncalves 2
Ainda podia passar só por um gajo de mau gosto e má linguagem corporal
Mauro Goncalves 4
Mas não, é mesmo mariquita.
Mauro Goncalves 3
Já nem as pitas usam essa pose, meu!
Mauro Goncalves 5
Foge, foge, bandido